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Rumos da Política

Rumos da Política – 1ª Quinzena de Julho

Publicado

Por

Paulo Borges.

 

O adiamento das eleições municipais é uma realidade. Vai acontecer. O que o brasileiro deve estar atento é com a sempre possibilidade – esta antidemocrática – do político esticar o seu mandato, como se isso fosse um ato honesto. Mas exigir da classe política honestidade não é muito fácil, no que pese existir muita gente honesta e compromissada com a seriedade nos parlamentos brasileiros.

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A pandemia não deveria ser motivo para desmotivar a classe política em se voltar para as outras reformas que o país clama. Falta a Tributária e a mais importante: a do Estado Brasileiro. A Reforma Política dizem ser a mãe de todas (exceto a do Estado) e se assim fosse por que não se faz? Para que temos parlamentares que não conseguem fazer efetivamente aquilo para o que foi eleito e tratar de questões fundamentais para a Nação? O papel e estruturação do parlamento deveria ser repensado. Precisa ser levantada a questão do número de deputados federais, de senadores e também a redução do mandato dos senadores. E numa proposição mais avançada, por que não se pensar na importância do Senado Federal? Será que a supressão dessa Casa e fazer um parlamento unicameral não poderia ser uma sugestão? É preciso um sistema parlamentarista para ser implementado? E o semi-presidencialismo? Essas questões já deveriam ter sido pautadas faz tempo. Uma coisa é certa. Esse sistema de governo (o presidencialismo) está esgotado. Só deu certo nos Estados Unidos.

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Os movimentos dos políticos e da política em São Mateus têm acontecido de maneira intensa e percebo que ainda existe a ideia que as pessoas de fora desse eixo não podem opinar discordando de algumas dessas ações que vêm sendo implementadas. O movimento para se buscar uma candidatura de consenso para o cargo majoritário é legítimo enquanto iniciativa democrática. Discordar também. Aqui não tem vaquinha de presépio. Acho a iniciativa louvável, demonstra que existem pessoas que estão preocupadas com a situação político-administrativa do município. Pena que não participam todos os partidos que “supostamente” são de oposição ao atual prefeito, Daniel Santana (PSDB). Mas, o consenso seria em torno de nomes apenas dos partidos convidados? O consenso seria em torno do que tiver mais visibilidade ou do mais competente? Até onde se sabe, existem os nomes de Amadeu Boroto (PP), Carlinhos Lyrio (Podemos), Maciel de Aguiar e Luiz Carlos (PCdoB); Keydson Quaresma (DEM) e algum outro que não tenho conhecimento. Olhando para esses nomes, em torno de qual poderia haver um consenso? Que participação tiveram no quadro que aí se apresenta? Têm responsabilidade na eleição do atual prefeito? E durante todo esse sofrimento da população mostraram a cara, foram para a linha de frente criticar, apresentar soluções, realizar movimentos de protesto e de mobilização junto as esferas de outros poderes para contribuírem na busca de uma solução para equacionar esse estado de coisa? Se esconderam? Se omitiram? É razoável aparecerem agora, em período eleitoral, apresentando soluções milagrosas e como salvadores do município? São questionamentos a serem feitos. Como será construída essa engenharia política-eleitoral com nomes que, de alguma forma, deveriam estar presentes nos momentos mais difíceis por que passou a população de São Mateus?

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Os defensores de consenso em torno de nomes colocam a possibilidade da reeleição do atual prefeito como realidade, caso não se defina apenas um nome de oposição. Acho que o consenso deveria ser em torno de um projeto que atendesse as demandas do município e da população. Depois se buscasse um nome capaz de cumprir o acordado com competência e não apenas com o nome e sua popularidade. Tem muito popular que só são populares, mas são medíocres. Outra pergunta que se faz é se o nome que preencher todos os requisitos do projeto aprovado pelos partidos de oposição, estiver em um que não faz parte do grupo e que nunca recebeu convite para participar das reuniões que foram promovidas, for o melhor? É necessário tomar cuidado para que o consenso não seja em torno do mesmo dos mesmos.

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Outra questão que desejo abordar é a rejeição ao nome do ex-prefeito de São Mateus, Amadeu Boroto (PP) por várias lideranças ouvidas pelo jornal. Alguns reconhecem que o primeiro mandato foi bom, mas depois a coisa desandou. Soube até que o presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Recla de Jesus (PP), disse que não era verdade que o ex-prefeito tinha rejeição. Dentro do partido pode não ter, mas no universo eleitoral do município a rejeição é uma realidade. Muitos o culpam pelo que aí está. O que é de se estranhar na queixa do presidente do Legislativo é por destoar do que se deseja o Brasil, que é a renovação política, o desprezo por aqueles que tiveram sua oportunidade de fazer e não o fez e que pesam denúncias de supostas irregularidades. Existem contas para serem apreciadas e votadas na Câmara de Vereadores cuja titularidade é do ex-prefeito Boroto. O parecer pelo Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo é pela rejeição. Por onde andam essas contas? Está sobre a mesa ou dentro de alguma gaveta?

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Amadeu Boroto foi um prefeito realizador, deu uma alavancada no município fazendo uma gestão muito boa em seu primeiro mandato. Foi até aconselhado a não tentar a reeleição. O problema é que o poder inebria, revira a cabeça, aguça a vaidade e aí o mandatário decide vir para a reeleição. O segundo mandato já não foi bom. Começaram a aparecer problemas com denúncias de improbidade administrativa. O mesmo aconteceu com o ex-prefeito Lauriano, que já no primeiro mandato teve problemas e no segundo, com liminar sobre a cabeça, mas ficou até o final e saiu respondendo na justiça pelos supostos atos não tão republicanos. Governar não tem sido fácil para prefeitos. Ao que parece, só o Daniel tem todas as facilidades. Faz o que para os outros foram improbidades e tudo (ou nada) acontece sob aplausos de algumas instituições que as mãos deveriam ser para punir e não aplaudir o incauto.

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Uma das coisas mais ridículas que ouvi quando cheguei em São Mateus, vindo de Copacabana (Rio de Janeiro) foi quando um amigo disse que votaria em um candidato que não era o seu. Perguntei o motivo e ele, sem qualquer vergonha na cara, disse que era porque esse candidato ia ganhar. Tentei argumentar que dessa maneira o seu candidato nunca ganharia, mas ele contra argumentou afirmando que não queria perder o seu voto. Foi a primeira percepção de que São Mateus não é para amador. Você jamais perderá o seu voto se votar naquele que acredita. Perderá se votar naquele no qual não acredita, mas que, por uma deformidade qualquer vai ganhar. Vale a certeza de ter votado no melhor. Consciência tranquila pesa? Creio que não. É dever cívico cumprido.

Contato: pauloborgesjn@hotmail.com

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Rumos da Política

Rumos da Política – 2ª Quinzena Novembro

Publicado

Por Paulo Borges

Rescaldo eleitoral

Acabaram as eleições municipais em inúmeros municípios brasileiros e em outros ainda haverá segundo turno. Em São Mateus a eleição foi definida de maneira apertada e deu a reeleição do atual prefeito do município, Daniel Santana (PSDB). A diferença dele para o segundo, Carlinhos Lyrio (Podemos) foi muito pequena e os votos da oposição superam a preferência pelo candidato vencedor, daí eu defender segundo turno para todas as eleições.

Foram dez candidatos disputando a vaga de prefeito em São Mateus. É muito concorrente, mas o que se diz pelos porões dos casarios sombrios é que tudo foi planejado pelo grupo gestor eleitoral montado no Palácio Anchieta. Ali se decidiu, segundo esses comentários, o destino do município de São Mateus. Eleitor é apenas um detalhe, pois prevalece os interesses maiores potencializado para chegar a seu objetivo pela geopolítica palaciana.

Daniel virou o queridinho do governo por graça e articulação dos seus padrinhos, o deputado federal Da Vitória (Cidadania) e, certamente, da senadora Rose de Freitas. A pesquisa maquiada foi, com “quase” certeza, a prova de que o apoio deveria ser para ele. O Caso do Ferreira era o plano que não deu certo e o do Carlinhos não chegou a funcionar porque ele não se submeteu a esses caprichos e, daí, fechar com o Cássio Caldeira (PP) que poderia ser uma garantia do governo ter a suas digitais também nessa candidatura, caso fosse vitoriosa. Os outros entraram sem noção desse entendimento, exceto Eliezer (PRTB), que não teria, em hipótese alguma, apoio do pessoal palaciano, pois seria um ponto fora da curva sem qualquer possibilidade de ligação com o esquema.

Mas o que interessa mesmo foi o resultado final do pleito. Com toda a mobilização para que o segundo colocado nas pesquisas fosse potencializado com o voto útil, demonstrou que o vencedor não era invencível. Esse movimento do voto útil demorou na sua concepção e execução. Carlinhos não tem os votos que obteve. Foi o temor da vitória do Daniel e o entendimento de alguns que o fizeram receber tantos votos.

Acredito que não se deve culpar os “menores” dessas eleições. Ferreira, o plano B que não deu certo deveria hipotecar o seu apoio ao segundo colocado. Para isso poderia receber o apoio (ou pressão) do senhor Jorge Silva (SD) e de todos aqueles que moldaram essa candidatura um tanto o quanto artificial, sem densidade eleitoral. Os interesses pessoais e “inconfessáveis” falaram mais alto e em 2022 teremos a exposição de tudo aquilo que ficou escondido nessas eleições.

Carlinhos Lyrio pode ter suas deficiências, mas tem algo que o vencedor não tem. Ele é filho desta terra de São Mateus, tem identidade com isso aqui e nunca se negaria a usar toda a sua força política para ajudar na sua recuperação, inclusive com pessoas que nem do seu staff eleitoral fizeram parte. Uma oportunidade perdida. Mas, como de um limão podemos fazer uma limonada, vamos trabalhar um novo horizonte para que as lições de hoje sirvam de base para se construir um novo projeto.

Aqui para nós, reeleger um prefeito que só apresentou destruição é demais para o entendimento de um simples curioso. Se não é caso de polícia é, pelo menos, caso de paranoia coletiva. Mas devemos torcer pelo sucesso do eleito, pois não somos como os ideólogos fanáticos da esquerda burra que torcem pela terra arrasada, como se tivesse em outro barco. “Não tem tu vai tu mesmo!” Estaremos torcendo para que o prefeito reeleito se convença da necessidade de trabalhar pela recuperação de tudo que contribuiu para São Mateus perder. Tem muito para ser feito.

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Em 2022 precisamos fazer uma política de renovação, apresentando novos candidatos fora desse eixo viciado, principalmente dos candidatos sem identidade com o município e seu povo. Os daqui que já tiveram sua oportunidade, não podemos admitir que venham dar as cartas na política local. Vamos expor suas feridas e a omissão que tiveram para com todo esse estado de situação. Dar nome aos traidores da população mateense.

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Daniel venceu as eleições com 36.479 eleitores contra os seus 20.899 apoiadores. Daí a importância de ter segundo turno, o que não é permitido para municípios com menos de 200 mil eleitores. Uma deficiência que precisava ser corrigida. A maioria votou contra Daniel.

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A “grande imprensa” vem dizendo que o grande perdedor dessas eleições foi o Bolsonaro. Ora, o presidente não tem partido político e nem se empenhou efetivamente em qualquer campanha. O grande perdedor foi o ex-presidiário Lula, que é dirigente partidário e o seu PT virou um partido nanico nessas eleições municipais. O MDB foi o campeão, com mais de 800 prefeitos eleitos. Com relação a dizer que o Psol cresceu e virou a grande sensação é simplesmente ridículo. Em mais de cinco mil municípios o partido só elegeu quatro prefeitos e em municípios que mal chegam a 25 mil habitantes. Em São Paulo ainda teremos o segundo turno.

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Para as instituições constituídas em São Mateus as eleições foram limpas. Não houve compra de votos, não houve distribuição de cestas básicas etc, etc e etc e tal. Equivocados estão todos aqueles que levantaram suspeitas sobre o prefeito, sua administração e sua campanha. “São Mateus está de parabéns!”, como dizia o saudoso ex-prefeito, Amocin Leite.

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Rumos da Política

Rumos da Política (3ª edição de outubro)

Publicado

O voto útil ou inútil?

É muito mais comum do que se pensa, essa história de escolher um candidato e descarregar os votos nele para que outro não consiga ganhar. Em São Mateus – para muitos – o objetivo é tirar o atual prefeito do jogo político, uma vez que ele tem sido durante esses quase quatro anos como um gestor abaixo do razoável e que levou o município ao caos político-administrativo, afetando todos os segmentos sociais e econômicos. No social o aumento da pobreza e da criminalidade e no econômico a ausência de projeto para que favoreça o investidor que deseja chegar a São Mateus, confiar na administração e apresentar proposta de implementar a instalação de um empreendimento que gere emprego, renda e impostos.

Existe o medo de que Daniel se reeleja e por isso, dentro de uma estratégia de geopolítica foi montado um esquema que dilua um pouco essa possibilidade de reeleger o atual prefeito e que, caso se reeleja, não fique solto sem que o poder central o monitore… Mas para que isso tudo dê certo, os “políticos” locais estão propondo o voto útil. Desde que seja no seu protegido. O melhor não serve, tem que ser o que eles lançaram, mesmo que não seja o mais capaz. O importante é eleger o queridinho da camarilha, mesmo sendo o pior. Qualquer um serve, até uma lamparina. Tudo isso vai depender do que as pesquisas indicarem. Dos nove todos têm, de alguma forma, ligação com o governo. Basta observar os vices ou o próprio titular das chapas majoritárias. Sobra um, o candidato do PRTB, Eliezer Nardoto. É o candidato solitário, sem fundo eleitoral, sem tempo de rádio e TV, contando apenas com o diálogo direto com o eleitorado composto pelas famílias e pessoas que estão exclusivamente comprometidas com os interesses do município de São Mateus. Pelo menos é essa a leitura que faço.

Sendo assim, o voto útil é questionável, pois o eleitor corre o risco de se livrar do Daniel e cair nas garras dos “quase” parecidos com ele. Nessas eleições o voto útil pode ser inútil. E trazer sérias consequências para o município e a sua população.

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Em Vitória a quantidade de candidatos passa de dez. Mas nem todos estão atrelados ao Palácio. Mesmo assim, Fabrício Gandini, do Cidadania, é o que tem tido mais visibilidade e, ao evitar “bater” no governo estadual e também no federal, abre um leque de possibilidade de apoio, caso vá para o segundo turno. E tudo indica que vai.

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Em Conceição da Barra o cenário é incerto diante dos problemas dos medalhões com a justiça eleitoral. Tudo pode acontecer. O candidato Cazuza (PRTB) é o ponto fora da curva e vem fazendo a política do pé no chão, sem grandes recursos e demonstrando que não tem nenhuma ligação com a velha política barrense que tem usado a municipalidade para engrossar seus negócios e inflar seus egos. Cazuza conta apenas com o seu time de aliados, prometendo uma mudança radical na política viciada que só tem levado o município de Conceição da Barra ao ostracismo. Apesar das dificuldades, é o que está fazendo a diferença.

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Em Pedro Canário, Bruno (PSB), atual prefeito, é o favorito. Seu adversário, Dominguinhos tem alianças que incluem todo tipo de apoiadores que já são manjados na política canarense.

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Quando teremos a reforma do judiciário? É um poder que não tem identidade com o País, não contribui para o seu desenvolvimento e tem no povo uma ameaça constante de críticas e de

descobertas das suas barbaridades sob as togas…. Como mudar essa realidade? É a pergunta que se faz pelo Brasil.

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Em Linhares virou lugar comum. O prefeito Guerino Zanon (MDB) continua dando um banho em seus adversários. Podem falar o que quiserem dele, mas tem serviço prestado ao município, diferente do prefeito de São Mateus, Daniel Santana (PSDB) que não tem nenhum e mesmo assim ainda aparece em primeiro lugar na pesquisa. Vai entender. Diante dessa situação mateense, o que se constata é que a sua classe política é retrógrada, atrasada e desconectada dos interesses da população. Ficou no passado, enquanto em outros lugares houve evolução, comprometimento da sua classe política com o desenvolvimento e a modernidade. São Mateus tem potencialidade. Isso sem efetividade com ações apropriadas é nada. É o mesmo que promessa de político. Tem uma turma em São Mateus que se diz entendida em política. Discordo. É entendida em politicagem, defende interesses mesquinhos. Quem se apresenta para mudar essa realidade logo é perseguido, isolado, desqualificado por aqueles que não têm nenhuma qualificação que não seja a hipocrisia, a mentalidade provinciana e mesquinha. Mudar esse cenário é acabar com a corrupção, a safadeza e a canalhice dessa gente. A oportunidade aí está.

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Mas nem tudo está perdido em São Mateus. Abro aqui um espaço para tecer elogios a vários funcionários da Prefeitura. Independente do chefe, cumprem seu dever de ofício, tratam o contribuinte de maneira respeitosa e eficiente. Na antiga sede e na parte administrativa, no bairro Nova Carapina. Quem atrapalha são os parasitas que ficam por ali fazendo política e não fazendo nada e a serviço de seu padrinho, normalmente um vereador ou “papai medonho”.

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