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São Mateus

Antigo clube social serve de esconderijo para a marginalidade e usuários de drogas

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O Clube Recreativo Ouro Negro tem pendências judiciais aguardando há anos uma decisão da Justiça. Enquanto não se resolve, seu patrimônio está sendo depredado e sócios acumulando prejuízos.

Por Paulo Borges

Ele já teve seus dias de glória, quando a sociedade mateense frequentava seus salões participando de festa de debutantes, apresentação de artistas e promovia concorridos bailes de carnaval. Era o point social da cidade de São Mateus.

Hoje, para quem passa na frente da sede do Clube Recreativo Ouro Negro (CRON) não acredita que um dia aquele local foi cenário de encontros e entretenimento da sociedade de São Mateus. Suas dependências estão abandonadas, com entulhos espalhados pelo chão, forro de gesso do salão despencando do teto, além do aspecto deplorável que evidencia o local como de encontro de marginais e usuários de drogas.

A história do CRON começou em 15 de agosto de 1967, quando um grupo de 37 sócios fundou oficialmente a entidade sócio recreativa e cultural. Logo passou a ter nos seus quadros 100 sócios o que já lhe dava o passaporte para um futuro próspero e de importância no contexto social da cidade. Mas, já havia um prenúncio, naquela época, que algo poderia acontecer em algum momento da sua existência: A Ata de sócios fundadores nunca foi registrada.

Uma história que os antigos gostam de contar, mas que nem todos gostam de admitir foi a acusação do clube não admitir o ingresso de pobre e pretos em suas dependências e muito menos no seu quadro associativo. Com o advento do governo do ex-prefeito, Amocin Leite, essa regra foi quebrada e o mandatário do município, que era negro passou a frequentar às suas dependências o que levou alguns preconceituosos a torcerem o nariz, mas, como diz o técnico da Seleção, Zagalo, “vocês têm que me engolir”. E tiveram mesmo, pois o clube acabou sendo democratizado.

O Clube Recreativo Ouro Negro, até pouco tempo atrás, tinha como presidente João Luiz Batista dos Santos (João Cabecinha), falecido recentemente. Ele havia sido nomeado pela justiça como administrador provisório do clube, quando este foi devolvido – uma vez que estava alocado para o Lions Clube – para que resolvesse as pendências em seis meses.

Com essa nomeação judicial, João Cabecinha convocou eleições e foi eleito presidente oficialmente do CRON, com ata registrada em cartório. Naquele momento, ele estava dando início a sua via crucis diante do volume de coisas a serem resolvidas num curto espaço de tempo, dado pela justiça. Assustado, porém, resoluto ele encarou os problemas e passou a trabalhar arduamente para resgatar um patrimônio que pertence a inúmeros sócios, tem história e foi importante para a cidade de São Mateus.

O Jornal do Norte, sabendo de toda essa situação, achou que a sociedade deveria saber como algumas coisas são relegadas ao limbo da irresponsabilidade no município. Por isso procurou o então presidente João Luiz dos Santos para tomar uma entrevista dando conhecimento de todo aquele entrevero, um “cipoal de pepinos e abacaxis”, como diz a gíria popular. Na época, coisa de dois anos atrás, João Cabecinha nos recebeu e, sem qualquer pudor desnudou toda a situação do Clube Recreativo Ouro Negro. Nos mostrou documentos, livro de ata, tudo que era relevante para uma reportagem de interesse da sociedade, principalmente dos seus sócios. Citou nomes de pessoas que estiveram à frente da entidade e contribuíram para a sua ruina. Gente “importante e esperta” da sociedade mateense.

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Ele fez um roteiro a ser seguido para “organizar” suas ações, dentre elas legalizar o CNPJ inativo; legalizar os sócios e registrá-los em cartório; Estatuto ajustado de acordo com a nova legislação; responder o processo sobre o IPTU em que ainda estava (na ocasião da nossa visita) sub júdice. Além disso, ele continuava aceitando documentos para legalizar a situação dos sócios do clube, desde que comprovada. Como se pode constatar, um trabalho que demandava muita dedicação, fôlego e a coragem de enfrentar situações que se apresentavam como suspeição de improbidades, corrupção e outros delitos de componentes de cargos de direção. Era preciso coragem para mexer em todo esse vespeiro. Já haviam oito anos que o clube tinha processos judiciais sem nada ser resolvido.

O presidente João Cabecinha contou que o contrato de comodato de 20 anos celebrado com o Lions Clube São Mateus Cricaré regia que a cada 10 anos seria renovado e terminaria em 1º de agosto de 1990, mas o clube acabou recebendo de volta a sua sede antes do final desse prazo.

Em sua entrevista, o presidente afirmou que era proibida a sublocação de suas instalações para terceiros e, mesmo assim, foi feita pela diretoria do Lions com um supermercado (2006 a 2011 e de 2011 até 2021). Um detalhe: o comodato CRON/Lions terminou em 2019. Desse aluguel ao supermercado, segundo João Luiz (João Cabecinha), foram recebidos R$ 1.200 milhões sem prestação de contas desses aluguéis. No local foi construído um estacionamento, banheiros públicos e Casa de Força (geradora de energia) em área sublocada pelo Lions, cujo aluguel estava sendo pago há um ano em juízo. O valor desse aluguel mensal era de R$14 mil.

João Luiz afirmou, na ocasião, que o Clube Recreativo Ouro Negro nunca recebeu nada do Lions, enfatizando que no contrato rezava que o contratante deveria construir piscina e outras benfeitorias e 5% do que arrecadasse com atividades e eventos deveriam ser repassados ao clube. “Nada disso foi cumprido”, afirmou o então presidente, por ocasião da entrevista dada ao Jornal do Norte.

Contou ainda, que quando o clube foi devolvido pelo Lions, deixou uma conta de água em torno de quatro mil reais e de energia cujo valor chegava a quase dez mil reais. E acrescentou que descobriram irregularidades nas instalações com os chamados “gatos”. E, o mais curioso e intrigante, é que mesmo diante das denúncias, “nunca foi cortada”. O corte de energia, por exemplo, só aconteceu depois que o Lions devolveu a sede do clube. Ele destacou que o Lions entregou o clube, mas deixou um lastro de vandalismo, com troféus, documentos espalhados pelo chão, portas arrancadas, luminárias e forros destruídos dentre outros atos de vandalismo. “Parece que fizeram questão de destruir o patrimônio…”, suspeitou o presidente, emocionado, ao relatar os fatos e o estado em que foi devolvido o Clube Recreativo Ouro Negro.

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Além de tudo isso, foi descoberto procuração em nome de sócio falecido, que foi usada para conseguir certidões e outros serviços. “Pessoas inescrupulosas tentaram fraudar títulos de sócio proprietário para oficializar sua condição de sócio do clube”, disse o presidente, acrescentando que havia recebido denúncias que antigos dirigentes teriam desviados recursos e recebiam “benefícios” em forma de iguarias do supermercado que alugara a área do clube. “Ofertas indecorosas também foram feitas a minha pessoa que vem lutando há oito anos contra os que dilapidaram o patrimônio do clube”, disse. “Até advogado, no desvio de sua conduta profissional cobrou valores incompatíveis e que não rezavam em contrato feito com o clube”, completou por ocasião desta entrevista.

Como se tudo isso não bastasse, a Prefeitura de São Mateus inseriu o clube em sua dívida ativa por estar em débito com o IPTU. O juiz do caso chegou a mandar penhorar o clube para cobrir uma dívida de R$ 58 mil, que acabou sendo provado que esse valor não era devido a municipalidade. “Uma advogada, se intitulando representante legal, deu o patrimônio do clube em garantia”, disse João Luiz, que lembrou que quando o governador do Lions da região viu a dimensão do problema de toda a situação e pendências, dividiu o Lions de São Mateus em dois. O que foi locatário foi o Lions Clube São Mateus Cricaré.

Na sua dedicação com ações de reorganizar o clube, João Luiz Batista dos Santos, conseguiu registrar e identificar oficialmente 220 sócios. Disse que havia consenso entre eles que o Clube fosse vendido, cujo valor, na ocasião em que nos deu a entrevista chegava em R$ 15 milhões. Valor que seria rateado pelos sócios legalmente constituídos, comprovados em documentação apresentada.

De acordo com uma fonte dos meios jurídicos, a morosidade da Justiça tem prejudicado os interesses dos sócios do clube que aguardam, angustiado uma solução justa e definitiva sobre essa demanda judicial “que está emperrada na Justiça”.

Neste ano – 2021 – João Luiz, conhecido por todos como João Cabecinha, faleceu vítima do covid-19 e assumiu em seu lugar a presidência, o vice Hélio Fundão. Não viveu para ver todo o seu empenho recompensado e transformado em solução para um patrimônio que um dia foi importante para a cidade, que embalou muitos encontros e destes encontros, casais se formaram, se casaram, tiveram filhos e que, infelizmente seus netos não terão a oportunidade de adentrar as instalações do “saudoso” Clube Recreativo Ouro Negro para reviver a história e a alegria dos seus antepassados, que frequentaram os bailes e eventos que eram sucesso e orgulho da cidade de São Mateus.

O Clube Recreativo Ouro Negro agoniza, suas instalações viraram entulho e caberia a justiça evitar que toda a sua história não fosse jogada no lixo. Vale lembrar que a Justiça continua sem definir o que fazer com aquele patrimônio, trazendo angústia, ansiedade e prejuízo para seus sócios. A justiça é lenta, mas a destruição do Ouro Negro é veloz

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São Mateus

Advogada reconhece papel da Câmara na defesa das mulheres

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Tesoureira da 12ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-ES), a advogada Penélope Quintão Hemerly Soares teve o seu desempenho na advocacia reconhecido pela Câmara de São Mateus. Na sessão plenária de terça-feira, ela recebeu um Voto de Congratulação, formalizado pela Moção 064/2022, de autoria da vereadora Preta do Nascimento. Ao receber a homenagem, aprovada em plenário por unanimidade, Penélope reconheceu o papel desempenhado pelo Parlamento Municipal no fortalecimento das lutas pelos direitos das mulheres.
Especialista na advocacia feminista, Penélope é filha de família tradicional e aproveitou para elogiar a atuação do colega Paulo Fundão, presidente da Câmara de São Mateus, que é advogado por formação e com larga experiência como assessor jurídico nas instâncias municipal (também como procurador), estadual e federal, inclusive no Congresso Nacional.

Acompanhada de esposo, filho recém-nascido e irmão na recepção do certificado emitido pelo Legislativo mateense, Penélope destacou a importância do trabalho executado pelas vereadoras Ciety Cerqueira e Preta do Nascimento em defesa da luta de outras mulheres. Com sinceridade, agradeceu também aos demais vereadores pelo apoio às causas das mulheres e da população em geral. Aliás, ela relatou que acompanha, pela transmissão em tempo real, sessões plenárias do Legislativo mateense.

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Penélope reforçou que é preciso abrir mais espaços às mulheres na sociedade. Disse inclusive que, na OAB, metade dos cargos é exercida por mulheres e a outra parte por homens.

A advogada defendeu o trabalho de combate à violência de gêneros e considerou importante a proposta de levar a Lei Maria da Penha para conscientização nas escolas.

Penélope disse ainda que São Mateus tem uma Prefeitura que olha para as causas femininas, inclusive com uma Casa da Mulher, e enfatizou a importância da construção de uma sociedade justa e igualitária, em que os direitos sejam efetivamente iguais para todos.

Sobre a ‘caixa de ressonância da sociedade mateense’, apelido que o vereador presidente Paulo Fundão aplicou à Câmara Municipal na atual legislatura, a advogada Penélope reconheceu que São Mateus possui um parlamento que abre espaço para o protagonismo das mulheres, presentes no plenário e como convidadas, na Tribuna Livre, para discutir assuntos de interesse de suas categorias.

Autora da homenagem a Penélope, por ocasião do Dia do Advogado, a vereadora Preta do Nascimento elencou os caminhos desbravados pela homenageada em defesa das mulheres, inclusive na instância estadual. E acrescentou que Penélope nunca se acovardou a enfrentar “casos muito sérios” que o público sequer tem conhecimento.

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Muito à vontade, o presidente Paulo Fundão reforçou a admiração pela homenageada, listando também o reconhecimento à família de Penélope Quintão Hemerly Soares e aos colegas de advocacia.

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São Mateus

Festival ‘Forró de Raiz em Barra Nova’ terá 16 bandas e 4 Dj’s

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O festival será uma homenagem a Luiz Geraldino, mateense mestre sanfoneiro de 8 baixos

Fãs, simpatizantes e público em geral já podem preparar as chinelas: dias 26, 27 e 28 de agosto acontecerá o 1º Festival Forró de Raiz, em Barra Nova Norte, São Mateus, com direito a atração nacional, vários trios e dj’s. 

O evento terá entrada franca e homenageia o mateense, do Nativo, mestre sanfoneiro de 8 baixos Luiz Geraldino, aos 89 anos uma das maiores referências do gênero no Estado e que foi atração principal no 1º Fenfit, em Itaúnas.

Segundo os organizadores do Festival as atrações serão divididas em dois palcos: o Sunset, que terá como cenário natural o pôr do sol de Barra Nova e onde haverá apresentações das 13h às 19h, e o Palco Principal, com atrações das 19h até as 5h.

A realização do evento é da Associação de Moradores, Marisqueiros, Pescadores e Artesãos de Barra Nova Norte (AMPABAM), cujo presidente é Rubens Batista, e Fórum Forró de Raiz do ES.

PREPARE-SE

Barra Nova fica no extremo sul da Ilha de Guriri, a cerca de 25 km da sede do Balneário, por isso é preciso estar atento a questões como hospedagem e transporte. Conforme os organizadores do Festival, além das vagas nas pousadas locais e área de camping, estão sendo costuradas parcerias com a hotelaria de Guriri, com pacotes disponíveis incluindo o traslado.

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A previsão é de que muita gente opte por vans e ônibus de excursão: muitos visitantes, inclusive de outros Estados já confirmaram presença e fizeram reservas.

Em relação à alimentação, as opções são muitas e diversificadas. Aos tradicionais restaurantes de Barra Nova Norte serão somadas barracas e food trucks, oferecendo da moqueca capixaba ao cachorro quente, passando pelo peixe frito e várias outras opções.

Para beber, estão garantidos o chope, a cerveja e a tradicional catuaba, inclusive na versão com açaí.

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