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Política Nacional

Após 29 dias no cargo, Nelson Teich pede demissão do Ministério da Saúde

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O ministro da Saúde, Nelson Teich, pediu demissão após 29 dias no cargo. O secretário-executivo Eduardo Pazuello é o mais cotado para ser seu substituto.

“É o dia mais triste da minha vida”, disse. “Não vou manchar a minha história por causa da cloroquina.”

Nelson Teich se reuniu na manhã desta sexta-feira (15) com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O compromisso não constava na agenda oficial de Bolsonaro. O encontro durou cerca de 15 minutos.

O presidente defende mudanças no protocolo do uso da hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus, mas o ministro é contra, o que vem gerando críticas de bolsonaristas.

Pela manhã, o presidente afirmou que mudaria ainda nesta sexta o protocolo de uso da cloroquina adotado no sistema de saúde. Nos últimos dias, o presidente já havia citado a mudança. A declaração foi dada após apoiadores questionarem o presidente sobre o assunto no Palácio da Alvorada.

Atualmente, a recomendação é que medicamento seja usado no tratamento de pacientes em casos graves da Covid-19. A indicação está prevista em protocolo do Ministério da Saúde publicado ainda na gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta, que deixou o cargo em 16 de abril.

Bolsonaro argumenta que “é direito do paciente” decidir sobre o seu tratamento. A droga ainda não tem eficácia comprovada contra o novo coronavírus. O Conselho Federal de Medicina publicou nota técnica permitindo a prescrição do medicamento mesmo em casos leves da doença, com as ressalvas dos riscos.

“O protocolo deve ser mudado hoje, porque o Conselho Federal de Medicina diz que pode usar desde o começo”, afirmou. “O médico na ponta da linha é escravo do protocolo. Se ele usa algo diferente do que está ali e o paciente tem alguma complicação, ele pode ser processado”, explicou.

Histórico

O médico oncologista e empresário Nelson Teich foi anunciado como substituto de Luiz Henrique Mandetta (DEM) no Ministério da Saúde no dia 16 de abril. Teich teve o apoio da classe médica e contou a seu favor a boa relação com empresários do setor da saúde. O argumento pró-Teich na pasta era o de que ele traria dados para destravar debates “politizados” sobre a Covid-19.

Teich é formado pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e tem mestrado em economia da Saúde pela Universidade de York, na Inglaterra. Ele chegou a ser cotado para assumir a Saúde logo após a eleição de Bolsonaro, em novembro de 2018, mas o lobby do DEM — partido de Onyx Lorenzoni (ministro da Cidadania, ex-Casa Civil), Ronaldo Caiado (governador de Goiás) e Mandetta — falou mais alto. Ele já foi sócio de Denizar Vianna, atual secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos do Ministério da Saúde.

Críticas

Teich enfrentava críticas de apoiadores bolsonaristas nas redes sociais, além de políticos alinhados com o presidente, que queriam um apoio mais contudente ao uso da cloroquina no tratamento novo coronavírus.

Nesta terça-feira (12), Teich usou a conta que mantém no Twitter para defender, nesta terça-feira (12), o uso do medicamento. Ele ressaltou, no entanto, os efeitos colaterais: “Então, qualquer prescrição deve ser feita com base em avaliação médica”, escreveu.

“O @minsaude em 23.03 informou que a cloroquina pode ser prescrita para pacientes hospitalizados. O @Medicina_CFM, em 23.04, entendeu a excepcionalidade em que vivemos e possibilitou o uso em outras situações”, escreveu o ministro, citando sua pasta e o Conselho Federal de Medicina (CFM), na primeira de uma série de mensagens.

O ministro afirmou ainda, na terça, que ele e sua equipe acompanhavam as pesquisas no país e no exterior sobre possíveis tratamentos para a Covid-19 e forneceu um link para uma página no site do Ministério da Saúde em que são listados, diariamente, evidências na literatura sobre diagnóstico e tratamento da doeça.

Teich disse também que estava em contato com pesquisadores e laboratórios para garantir a oferta de uma proteção, quando ela existir, para a população brasileira. “Queremos também nos preparar para a possível descoberta de uma vacina contra a doença.”

‘Lockdown’

Em entrevista coletiva no dia 6 de maio, Teich também defendeu o “lockdown” nas regiões mais afetadas pelo novo coronavírus. Ele disse que medidas têm que ser analisadas caso a caso e que haverá locais para os quais vai recomendar a flexibilização do isolamento também. “Não existe ser contra ou a favor, é fazer o que é certo. Tem lugar em que a gente vai recomendar lockdown e lugar em que a gente vai permitir já alguma coisa”, declarou, sem especificar os locais.

O presidente Jair Bolsonaro é contra o “lockdown”. Em videoconferência nesta quinta (14) com quase 500 empresários, o presidente prometeu reduzir tributos para ajudar na recuperação da economia e pediu que o setor privado lute contra um “lockdown”, que estaria sendo preparado pelo governador de São Paulo, João Doria.

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Política Nacional

PSB declara apoio à Tebet. Pacheco soma nove partidos

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Candidatos à presidência do Senado, cuja eleição ocorre em 1º de fevereiro, articulam votos e possíveis dissidências em legendas

O PSB (Partido Socialista Brasileiro) decidiu, nesta quarta-feira (20), apoiar a candidatura de Simone Tebet (MDB-MS) à presidência do Senado Federal, cuja eleição irá ocorrer em 1º de fevereiro de modo presencial.

“A candidatura inédita de uma mulher à presidência do Senado é um fato histórico. Simone Tebet garantirá independência e autonomia para o Senado e o Congresso Nacional”, diz nota de Leila Barros (DF), única senadora da legenda na Casa.

“A senadora também demonstrou em diversos momentos que tem capacidade para dialogar com diversas lideranças políticas. Por esses motivos, o PSB e a senadora Leila Barros declaram apoio à sua candidatura à Presidência do Senado”, acrescentou.

Tebet conta também com o apoio do Podemos, a terceira maior bancada da Casa, e alguns senadores do PSDB e do grupo Muda Senado, voltado para a pauta de combate à corrupção.

Seu principal concorrente na disputa é o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), apoiado pelo atual presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP) e tem a simpatia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O democrata conta com o apoio de nove partidos – PSD, DEM, PP, PL, PT, PSC, PDT, Pros e Republicanos. Dessa forma, teoricamente, o senador tem os votos necessários para ganhar a disputa (41). No entanto, a votação é secreta e pode haver traição dentro das legendas. E essa dissidência de parlamentares no pleito é a aposta de Tebet.

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Política Nacional

Com Pacheco, DEM tenta quebrar hegemonia do MDB no Senado

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MDB comandou a Casa por um total de 30 anos desde 1985. O DEM esteve à frente por 6 anos e potencialmente pode ir a 10 até 2024

Desde a redemocratização, em 1985, o MDB ocupou a presidência do Senado por 30 anos. A hegemonia absoluta só foi quebrada em três ocasiões. Entre 1999 e 2001, nos dois mandatos consecutivos de Antônio Carlos Magalhães (PFL), por dois meses em 2007, com a interinidade de Tião Viana (PT) após a renúncia de Renan Calheiros (MBD), e entre 2019 e 2021, com Davi Alcolumbre (DEM) na presidência. 

A depender de Alcolumbre, o DEM avançará mais algumas casas nessa quebra de domínio com a eleição de Rodrigo Pacheco (DEM-MG) à presidência da Casa em 1º de fevereiro. O mandato na presidência é de dois anos, mas é possível a reeleição na próxima legislatura, o que abre a possibilidade do partido ficar um total de seis anos consecutivos à frente da Casa, complentando dez anos desde a redemocratização. 

Apesar de ser considerado novato, Pacheco tem conseguido angariar apoio dos senadores, e aos poucos a Casa vai perdendo o perfil de parlamentares mais velhos, com muitos anos de mandato e grande tradição política que vinham ocupando a presidência (antes de Alcolumbre: Eunício Oliveira (MDB-CE), Renan Calheiros (MDB-AL), José Sarney (MDB-AP), Garibaldi Alves (MDB-RN). Alcolumbre já foi uma surpresa nesse sentido. Também em primeiro mandato, Alcolumbre assumiu o comando da Casa aos 41 anos de idade, se tornando o mais novo a ocupar o posto.

Pacheco está há apenas seis anos na política. No Senado, exerce o primeiro mandato e antes disso teve um mandato como deputado federal após deixar a advocacia criminalista, quando chegou a defender réus mineiros do Mensalão.

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