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Medicina e Saúde

Cirurgia para devolver olfato perdido na Covid será testada

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Técnica que pretende reverter a anosmia deve ser iniciada em abril pelos pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe

Vencida a Covid, uma parte das pessoas que tiveram a doença pode enfrentar uma perda significativa para a sua qualidade de vida: a do olfato. A anosmia, nome dado a essa condição, tem sido tratada com fisioterapia e medicações, mas nem todos têm tido sucesso em revertê-la com esses tratamentos.

Essa observação foi o que motivou o médico Ronaldo Carvalho Jr. a pensar em outras maneiras de ajudar na recuperação desses pacientes. Ele, que é professor no Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), está prestes agora a testar uma técnica cirúrgica para devolver a capacidade de sentir cheiros.

A iniciativa deve operar os primeiros voluntários no mês de abril. São cinco os primeiros interessados em passar pelo procedimento nesta fase experimental, conta o chefe da Unidade de Cabeça e Pescoço do HU-UFS, hospital que faz parte da Rede Ebserh/MEC, conjunto de 40 hospitais universitários federais administrados pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que é vinculada ao Ministério da Educação.

— Já há vários estudos na literatura internacional e nacional mostrando que 85% dos pacientes que têm Covid sintomática desenvolvem anosmia. Desses 85%, 30% vão ficar com uma hiposmia, que é não sentir os cheiros mais fortes, ou seja, ficam sem a mesma efetividade, e de 3% a 5% ficam com uma anosmia definitiva — conta o otorrinolaringologista, que trabalha no desenvolvimento da técnica ao lado de Alex Franco de Carvalho, médico especializado na microcirurgia de nervos periféricos.

A base para a operação que eles propõem está no conhecimento de cirurgias que já são feitas com sucesso para a anosmia provocada por outras causas.

— A mais frequente é o trauma cranioencefálico, mas a anosmia pode ser uma sequela também após a retirada de tumores de dentro do nariz que estão ocupando a região olfatória — explica Carvalho.

Nervo da perna é enxertado no rosto

O objetivo da cirurgia é transferir para a região da mucosa do nariz que está praticamente morta novos nervos que funcionem, daí o nome técnico de transferência nervosa. Para isso, os especialistas vão buscar na perna do paciente um nervo que possa ser enxertado no rosto.

— O nervo funcionante que a gente vai utilizar é um nervo supra-orbitrário, que é um ramo do nervo oftálmico. Como esse nervo supra-orbitrário é muito pequeno, muito curtinho, ele não chega até o nariz, então temos que interpor uma ponte nervosa, ou seja, usar um outro nervo. Então a gente vai pegar um nervinho da perna do paciente, um nervo sural funcionante — descreve.

Essa retirada pode causar uma sensação temporária de dormência no pé, que deve passar com o tempo, tendo a sensibilidade do local compensada com o trabalho de outros nervos. A mesma coisa deve ocorrer na região do olho afetada no procedimento.

O local adequado para a “instalação” dessa ponte entre o nervo retirado da perna e o nervo da região dos olhos será encontrado pelos cirurgiões com o auxílio de técnicas de endoscopia.

Assim, por envolver o uso desses canos finos, a técnica é minimamente invasiva e deve deixar praticamente nenhuma cicatriz. O tempo de operação deve ficar entre cinco e seis horas, estimam os cientistas. Tudo exige muita delicadeza porque “os nervos, às vezes, são tão finos que não conseguimos ver a olho vivo, só no microscópio”, destaca Carvalho.

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Medicina e Saúde

Brasil ultrapassa marca de 130 milhões de vacinas Covid-19 aplicadas

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Campanha de vacinação avança rapidamente, mais de 58% do público-alvo já tomou a primeira dose

O Brasil atingiu a marca de mais de 130 milhões de doses de vacinas Covid-19 aplicadas nesta sexta-feira (23). São mais de 93 milhões de pessoas que já receberam a primeira dose do imunizante. Isso significa que 58% da população-alvo, de mais de 160 milhões de brasileiros maiores de 18 anos, já completou esta etapa da vacinação.

O ritmo acelerado da campanha reflete na situação epidemiológica da pandemia no país: só na última semana, de acordo com o último boletim epidemiológico, o Brasil registrou redução de 14% nas mortes em relação à semana anterior. A média móvel de óbitos registrada na terça-feira (22) – 1,2 mil – é a menor dos últimos quatro meses.

Mais de 600 milhões de doses estão contratadas pelo Ministério da Saúde até o fim de 2021, após acordos com diferentes laboratórios. Somente em agosto, está prevista a chegada de mais de 63 milhões de doses.

Até o momento, mais de 164 milhões de doses foram distribuídas a todos os estados e o Distrito Federal. A imunização no Brasil pode ser acompanhada pela plataforma LocalizaSUS.

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Medicina e Saúde

Estudo: Pfizer é mais eficaz contra Delta com intervalo de 8 semanas

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Bula indica 21 dias entre doses, Brasil e outros países usam 12 semanas de distanciamento; Reino Unido vai mudar para 2 meses

Um intervalo de oito semana entre a primeira e segunda duas doses da vacina da Pfizer contra a covid-19 proporciona um nível maior de anticorpos do que um intervalo mais curto, concluiu um estudo britânico, embora haja uma queda brusca nos níveis de anticorpos após a primeira dose. 

O estudo pode ajudar a traçar estratégias de vacinação contra a variante Delta, que reduz a eficácia de uma primeira dose da vacina contra a covid-19, ainda que duas doses sejam eficientes na proteção. 

“Para o intervalo mais longo de doses, os níveis de anticorpos neutralizantes contra a variante Delta foram induzidos de maneira fraca após uma única dose, e não se mantiveram durante o intervalo até a segunda dose”, apontaram os autores do estudo, que está sendo conduzido pela Universidade de Oxford. 

“Após duas doses da vacina, os níveis de anticorpos neutralizantes eram duas vezes maiores após o intervalo mais longo de doses se comparado com o intervalo mais curto.”

Os anticorpos neutralizantes são considerados importantes no papel de construir imunidade contra o coronavírus, mas não agem sozinhos, já que as células T também desempenham um papel. 

O estudo descobriu que os níveis gerais de células T eram 1,6 vez menor com um intervalo longo se comparados com o cronograma mais curto de entre 3 a 4 semanas, mas que uma proporção mais alta era de células T “ajudantes”, que fortalecem a memória imunológica.

Os autores enfatizaram que qualquer um dos intervalos produziu uma resposta forte de anticorpos e de células T no estudo feito com 503 profissionais de saúde. 

A bula do imunizante sugere que o intervalo entre as aplicações seja de 21 dias, mas Brasil, Reino Unido, Canadá, França e Alemanha optaram por ampliar esse período para 12 semanas. 

As descobertas, divulgadas em um estudo pre-print, suportam a visão de que embora uma segunda dose seja necessária para garantir a proteção total contra a variante Delta, o distanciamento de oito semana pode providenciar imunidade mais duradoura, mesmo se isso significar uma proteção menor a curto prazo. 

O Reino Unido a partir desta sexta-feira (23) recomenda um intervalo de dois meses entre as duas doses da vacina para que mais pessoas fiquem protegidas contra a variante Delta mais rapidamente, enquanto ainda maximiza as respostas imunológicas no longo prazo.

“A recomendação original de 12 semanas se baseava no conhecimento de outras vacinas, que frequentemente um intervalo mais longo dá ao sistema imunológico a chance de dar a resposta mais alta. A decisão de colocá-lo em oito semanas equilibra todas as questões mais amplas, os prós e os contras, duas doses é melhor do que uma no geral. Além disso, outros fatores precisam ser equilibrados, o suprimento de vacinas, o desejo de se abrir e assim por diante. Acho que oito semanas é o ponto ideal para mim, porque as pessoas querem receber as duas vacinas [doses] e há muito Delta por aí agora. Infelizmente, não consigo ver esse vírus desaparecendo, então você quer equilibrar isso com a obtenção da melhor proteção possível”, disse Susanna Dunachie, pesquisadora da Universidade de Oxfor e coordenadora do estudo.

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