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Política Nacional

Como fica o futuro político com Lula elegível até novo julgamento

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Ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin anulou as condenações do ex-presidente

Com a decisão monocrática do ministro Edson Fachin, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperou os direitos políticos e voltou a ser elegível. O ex-presidente permanecerá com os direitos políticos nos seguintes cenários: se for absolvido, se for condenado apenas em primeira instância e se as acusações prescreverem. Pela lei da Ficha Limpa, Lula não poderia ser candidato apenas se for condenado em um órgão colegiado, no caso o Tribunal Regional Federal da Primeira Região.

Ao decidir sobre o pedido de habeas corpus da defesa de Lula, de novembro do ano passado, Fachin declarou a incompetência da Justiça Federal do Paraná em quatro processos: do triplex de Guarujá, do sítio de Atibaia, da instalação do Instituto Lula e de doações da Odebrecht. Segundo o ministro, a décima terceira Vara Federal de Curitiba, cujo titular na ocasião das condenações era o ex-ministro Sergio Moro, não era o “juiz natural” dos casos.

Na mesma decisão, Fachin extinguiu catorze processos que tramitavam no Supremo e questionavam se Moro agiu com parcialidade ao condenar Lula, como alegava a defesa do ex-presidente.

De acordo com o gabinete do ministro, o julgamento do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) já havia restringido o alcance da competência da décima terceira Vara Federal de Curitiba.

“Aqueles praticados em detrimento da Petrobras são de competência da décima terceira Vara Criminal Federal de Curitiba, aqueles que não têm essa relação e se não tiverem, é caso de se decidir a respeito”, explica Carlos Velloso, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal.

A decisão de Fachin tem caráter processual. O ministro não analisou o mérito das condenações. Em nota, o gabinete explicou que, embora a questão da competência de Curitiba para analisar os processos de Lula já tenha sido levantada anteriormente, “é a primeira vez que o argumento reúne condições processuais de ser examinado, diante do aprofundamento e aperfeiçoamento da matéria pelo Supremo”.

De acordo com o texto, nas ações penais envolvendo Lula, assim como em outros processos julgados pelo Plenário e pela Segunda Turma do STF, “foi verificado que os supostos atos ilícitos não envolviam diretamente apenas a Petrobras, mas também outros órgãos da administração pública.”

Conforme o ministro, em outros casos de agentes políticos denunciados pelo Ministério Público Federal em circunstâncias semelhantes ao de Lula, a Segunda Turma do Supremo já vem transferindo esses processos para a Justiça Federal do Distrito Federal.

Em 2017, o então juiz Sergio Moro condenou Lula a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá. A sentença foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da quarta região, que aumentou a pena para 12 anos, e, posteriormente, pelo Superior Tribunal de Justiça, que reduziu o tempo de reclusão para 8 anos. Lula, no entanto, nega que tenha sido beneficiado com o apartamento.

O processo do sítio de Atibaia, por sua vez, foi o que rendeu a segunda condenação de Lula em ações judiciais da Lava Jato. Na denúncia do Ministério Público Federal, o ex-presidente também é acusado de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo os procuradores, o imóvel passou por reformas custeadas por empresas, que – em troca – teriam sido favorecidas em contratos com a Petrobras. Na primeira instância, ele foi condenado a quase 13 anos de prisão. Na segunda, a pena foi ampliada para mais de 17 anos pelos desembargadores do TRF-4.

Apesar de condenado, o ex-presidente está solto desde o dia oito de novembro de 2019, após 580 dias preso na sede da superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, em razão de decisão do STF, que barrou a prisão após condenação em segunda instância.

A defesa de Lula informa que recebeu a decisão de Fachin com “serenidade”, “mas que não repara os danos irremediáveis causados pelo ex-juiz Sergio Moro e pelos procuradores da “Lava Jato” ao ex-presidente.

A Procuradoria-Geral da República já analisa o caso e prepara recurso contra a decisão do ministro, o que pode levar a análise do caso ao Plenário do Supremo.

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Política Nacional

STF forma maioria e isenta contador em execuções fiscais

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Prevalece tese do relator de que CTN já regulamenta a matéria; para advogado, a decisão é uma síntese da ordem constitucional sobre o tema
Em plenário virtual, o Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para declarar que os contadores não podem ser incluídos nas execuções fiscais movidas contra os seus clientes. A corte analisa a constitucionalidade do trecho do Código Tributário de Goiás, inciso XII-A, parágrafo 2º, do artigo 45 da Lei nº 11.651, de 1991, com redação dada pela Lei nº 17.519, de 2011.

Para o advogado tributarista Sandro Ribeiro, sócio do Ribeiro Dutra Sociedade de Advogados, a tese proposta pelo relator, ministro Luís Roberto Barroso, e acompanhada por outros sete ministros, é a síntese da ordem constitucional. “O Código Tributário Nacional (CTN) já regulamentou a matéria, não podendo a lei do Estado de Goiás ampliar a lista de responsáveis solidários pelo tributo ou penalidade pecuniária”.

Com a maioria formada pela inconstitucionalidade da lei no STF, por ora, acalma-se o sentimento de que textos semelhantes, que pudessem refletir em outras categorias, como economistas, auditores e advogados, por exemplo, venham a ser criados.

No seu voto, o relator também aponta que ao tratar sobre quem pode ser o responsável tributário, incluindo hipóteses não contempladas pelos artigos 134 e 135 do CTN, e em quais circunstâncias pode ser o responsável tributário, a lei estadual aborda matéria reservada à lei complementar pelo artigo 146 da Constituição, configurando uma inconstitucionalidade formal.

Ribeiro explica que contadores empregados, prestadores de serviços autônomos ou empresas de contabilidade precisam possuir procuração com poderes expressos e específicos para a prática de qualquer ato perante o Fisco. “O ponto central para o tema gira em torno da necessidade de o Fisco comprovar em processo a vinculação do agente com o fato gerador do tributo e prova do dolo ou da fraude na sua conduta”.

O advogado lembra que a tendência jurisprudencial da Corte já apontava para inconstitucionalidade da lei. “A lei de Goiás peca por querer regular assunto que, implicitamente, já poderia responsabilizar o contador, sem que houvesse essa previsão na lei estadual”, conclui Ribeiro.

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Política Nacional

‘Impeachments causam traumas no país’, avalia Temer

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Michel Temer ainda avaliou que democracia está em risco e “presidencialismo está esfarrapado”

O ex-presidente da República Michel Temer considera que a democracia está em risco, o presidencialismo está “esfarrapado” e os impeachments — e pedidos de impedimento — causam traumas no país. As considerações foram feitas, nesta terça-feira (21), durante o Painel Telebrasil 2021, evento sobre conectividade, telecomunicação e tecnologia.

O painel de Temer discutiu a importância do equilíbrio institucional para o crescimento econômico do Brasil. Na avaliação do ex-presidente, a relação do Palácio do Planalto com o Congresso Nacional é fundamental neste aspecto. “E foi o que deu resultado no meu governo. As grandes reformas que fiz foram pautadas por essa aliança harmoniosa entre os poderes”.

Temer foi figura central de discussões recentes sobre a pacificação entre os poderes, principalmente quando participação da produção publicada por Bolsonaro, recuando nos conflitos com o STF (Supremo Tribunal Federal). Na avaliação do ex-presidente, o Brasil enfrenta desgastes políticos que colocam o sistema atual em xeque.

“Temos uma Constituição muito jovem. Ela não fez 33 anos. E, apesar da juventude da Constituição, nós já tivemos dois impeachments e, além de dois impeachments, tivemos também inúmeros pedidos de impedimentos. Vocês sabem que tanto os impeachments causam traumas no país, como de resto, os próprios pleitos de impeachment a todo momento também causam instabilidade política e social. Tenho dito com muita frequência que nosso presidencialismo está esfarrapado”, declarou.

Temer defende um sistema que chama de “híbrido entre o presidencialismo e o parlamentarismo”, que é o semipresidencialismo. “Nele, o povo ainda elege o presidente da República, com poderes especialíssimos, entre eles a possibilidade de vetar e sancionar projetos de lei, mas a função de cuidar da administração pública interna vai caber ao parlamento”.

Segundo ele, esse sistema traria uma pacificação capaz de “acabar com a história de impeachment”. “Se houver mudança de governo, ela só muda quando o primeiro-ministro perde a maioria no parlamento. Segundo, você dá responsabilidade executiva ao parlamentar. Quando ele for buscar a próxima eleição, vai ter que dizer ‘eu governei bem’, se for do bloco da situação, ou ‘eu contestei bem’, se for da oposição.”

O próprio presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), também já fez defesas do semipresidencialismo, com proposta para as eleições de 2026. Atualmente, o presidente da República acumula duas funções, como chefe de Estado e chefe de governo. No semipresidencialismo, porém, o presidente eleito dividiria o governo com o primeiro-ministro, escolhido por ele em acordo com o Congresso.

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