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Estudo inédito identifica o risco de extinção de espécies aquáticas da bacia do rio Doce

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Com base na pesquisa, Fundação Renova elaborou o Plano de Ação para recuperação e conservação da fauna aquática

O  Livro Vermelho da Biota Aquática do Rio Doce Ameaçada de Extinção Pós-Rompimento da Barragem de Fundão, Mariana | Minas Gerais, lançado em agosto de 2021, apresenta uma inédita lista de espécies ameaçadas da bacia do rio Doce.  Fruto de um acordo de cooperação técnica entre a Fundação Biodiversitas e a Fundação Renova, essa foi a primeira vez que a biota aquática do rio Doce foi objeto de estudo com essas características. A partir dos resultados, foi elaborado um Plano de Ação para Recuperação e Conservação da Fauna Aquática do rio Doce.

No Brasil, até o momento, nunca havia sido gerada  uma lista de espécies ameaçadas  em uma escala de bacia hidrográfica. A metodologia aplicada foi desenvolvida pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), que é adotada por governos, pesquisadores, organizações não governamentais (ONGs), universidades e empresas de diversos países para elaboração de listas vermelhas de espécies ameaçadas.

De acordo com o livro, “uma das maiores dificuldades encontradas foi a inexistência de dados específicos das espécies da região antes do rompimento da barragem”. A pesquisa destaca também que, “apesar de ser uma das bacias mais importantes do Sudeste brasileiro, a biodiversidade aquática da bacia do rio Doce ainda é pouco conhecida”.

No entanto, para qualquer avaliação do risco de extinção de espécies, em qualquer escala geográfica, o relatório conclui que “é imprescindível o reconhecimento de que se esteja trabalhando com os melhores dados disponíveis naquela ocasião, ainda que incompletos e com certo grau de incerteza. Após uma primeira categorização das espécies, pesquisas mais direcionadas podem ser desenvolvidas para responder questões levantadas pela avaliação”.

A coordenadora de Biodiversidade da Fundação Renova, Renata Stopiglia, afirma que, mesmo antes do rompimento, a maioria das espécies já estava ameaçada por um conjunto de fatores antrópicos (causados pelo homem), que vêm afetando de modo negativo a bacia do rio Doce há tempos. “No entanto, não havia sido aplicada para essas espécies, até então, a metodologia para análise do risco de extinção, especialmente em nível de bacia hidrográfica”.

Legado para a conservação

Renata Stopiglia ressalta que, como mencionado no estudo, esta avaliação não substitui nem altera o risco de extinção das espécies em nível nacional ou estadual e não há mudança de status das espécies pós-rompimento, uma vez que não há listas anteriores ao evento que permitam uma comparação no nível de bacia hidrográfica. “Por isso, o resultado da avaliação do estado de conservação das espécies publicado e a reunião inédita de informações em um banco de dados são um legado para a conservação da biota aquática do rio Doce. A partir do momento que isso é documentado e as informações acerca do grau de ameaça são de conhecimento, é possível partir para ações de reparação e conservação”, afirma.

Das 515 espécies dos quatro grupos-alvos com ocorrência para a região da bacia do rio (peixes, crustáceos, odonatos e efemerópteros- sendo os dois últimos insetos aquáticos), 123 foram selecionadas para análise do risco de extinção. Dessas 123 avaliadas, 23 espécies foram consideradas com algum grau de ameaça no contexto da bacia do rio Doce. Nove não foram consideradas afetadas pelo rompimento da barragem e estão ameaçadas por outras fontes de degradação. Estão nessa situação sete espécies de efemerópteros e duas de peixes.

Onze espécies são avaliadas também como ameaçadas por outros motivos, mas o rejeito oriundo do rompimento impactou o estado de conservação. Nesse grupo, estão nove crustáceos e dois peixes, todos estuarinos e dependentes do mangue.

O rompimento da barragem aparece como principal ameaça apenas para duas espécies de efemerópteros.

Para uma espécie de peixe não foi possível estabelecer correlação entre o rompimento da barragem e o grau de ameaça pela ausência de dados.

Plano de ação

A partir do Relatório da Avaliação do Estado de Conservação das Espécies, coordenado pela Fundação Biodiversitas, a Fundação Renova elaborou um Plano de Ação para Recuperação e Conservação da Fauna Aquática do rio Doce. Ele foi construído em um processo participativo, com a contribuição de entidades e especialistas. No escopo, estão ações de recuperação dos ambientes aquáticos e Áreas de Proteção Permanentes (APPs), monitoramento e pesquisas com foco nas espécies ameaçadas e deficientes de dados, educação ambiental, tratamento de efluentes, análise de risco e de impacto de ocorrência de espécies invasoras ou que possam impactar as espécies-alvo na bacia do Doce, entre outras.

A versão final do Relatório de Avaliação do Estado de Conservação das Espécies da Biota Aquática Impactadas pelo Rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG) foi protocolada na Câmara Técnica de Conservação e Biodiversidade (CT-Bio) neste ano, pelo programa de Biodiversidade da Fundação Renova.

O estudo foi produzido em cumprimento à cláusula 164 do Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC). Segundo o termo, é responsabilidade da Fundação Renova elaborar e implementar medidas para a recuperação e conservação da fauna aquática das áreas onde houve deposição de rejeitos nas calhas e margens dos rios Gualaxo do Norte, Carmo e Doce.

Sobre a Fundação Renova

A Fundação Renova é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos, constituída com o exclusivo propósito de gerir e executar os programas e ações de reparação e compensação dos danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão.

A Fundação foi instituída por meio de um Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC), assinado entre Samarco, suas acionistas Vale e BHP, os governos federal e dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, além de uma série de autarquias, fundações e institutos (como Ibama, Instituto Chico Mendes, Agência Nacional de Águas, Instituto Estadual de Florestas, Funai, Secretarias de Meio Ambiente, dentre outros), em março de 2016.

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Brasil

“Sem possibilidade de ter carnaval em 2022”, diz médico sanitarista

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Gonzalo Vecina alerta para a falta de controle do evento, mas diz que os desfiles podem ocorrer, com pessoas totalmente vacinadas

Enquanto as prefeituras das maiores cidades do país debatem a realização do carnaval em 2022, o médico sanitarista Gonzalo Vecina defende a não realização do evento no próximo ano. Segundo ele, não há como controlar aglomerações, uso de máscara e garantir a participação somente de pessoas totalmente vacinadas.

“Carnaval é algo que você não controla, um evento de massa muito solto. Não vejo a possibilidade de ter carnaval em 2022. O São João, no meio do ano, é possível, mas difícil. Teremos espaço para jogos de futebol com torcida, teatro, eventos em que há controle”, diz Vecina, que é uma das maiores autoridades em saúde pública no país e foi presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) entre 1999 e 2003.

Apesar de defender a não realização do carnaval no próximo ano, Vecina pondera que os desfiles de escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo podem ser feitos sob protocolos de segurança.

“Para quem vai estar na arquibancada, é um evento discutível. As pessoas precisam estar vacinadas. Mesmo assim existem riscos. Também pode-se exigir um teste negativo de RT-PCR, mas não vejo obrigatoriedade da testagem”, afirma.

O principal risco em grandes aglomerações é a circulação da variante Delta, mais transmissível. Na projeção do médico sanitarista, os casos de covid-19, que atualmente estão em queda, devem voltar a subir entre o fim deste mês e o começo de outubro. Há casos de pessoas vacinadas que tiveram a forma leve da covid-19.

Na última semana epidemiológica, medida entre os dias 29 de agosto e 4 de setembro, o país registrou um total de 3.290 casos de variante Delta, segundo dados do Ministério da Saúde. A Gamma, predominante no Brasil, foram 18.484 casos.

“Ainda não sabemos se quem teve a covid-19 com a variante Gamma tem mais proteção contra a Delta. No Rio de Janeiro, ela conseguiu forçar bem a barra e os casos estão começando a subir. Eu prefiro colocar as minhas barbas de molho e ver o que vai acontecer”, alerta.

Rio e SP planejam carnaval 2022

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), já disse que “trabalha com a hipótese de que vai ter carnaval”. No fim de agosto, a Riotur – empresa de turismo do município – lançou um documento com orientações para as empresas que pretendem apresentar propostas de produção e suporte aos desfiles dos blocos de rua. A previsão é ter um carnaval de 40 dias.

Em São Paulo, a prefeitura autorizou, na quarta-feira, 15, o início dos preparativos para a realização dos desfiles de escolas de samba. Com a liberação, as escolas e a Liga podem retomar os preparativos. Mas a decisão ainda depende da Secretaria Municipal de Saúde.

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Projeto de renaturalização do rio Gualaxo do Norte ganha reconhecimento internacional

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O projeto-piloto de renaturalização do rio Gualaxo do Norte, realizado pela Fundação Renova em parceria com a Aplysia Soluções Ambientais, ganhou reconhecimento internacional ao assegurar o 2º lugar na premiação BRICS Solutions for SDGs Awards 2021, na categoria Água Limpa e Saneamento. A premiação examina ações inovadoras realizadas nos países do bloco – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – que ajudam a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Executado em trechos do rio afetados pela passagem de rejeitos, o projeto tem colaborado para restabelecer a vida aquática neste que é um dos principais afluentes do rio Doce e que abrange os municípios de Mariana, Ouro Preto e Barra Longa (MG). Entre os resultados alcançados, destaca-se o aumento do recrutamento dos peixes em até 38%, indicando um ambiente propício para alimentação, abrigo e reprodução de diferentes espécies.

Essas e outras ações, juntas, potencializam a recuperação do rio Gualaxo do Norte, um dos rios que recebeu o primeiro impacto ambiental do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Vale lembrar também que os resultados do monitoramento da qualidade da água mostram que a turbidez está decaindo a cada ano.

É um projeto de restauração fluvial que se diferencia por recriar a natureza. Ele proporciona a melhoria da qualidade da água, do sedimento, o aumento da biodiversidade, e ainda traz melhores condições de controle de erosão, enchentes e secas”.

Tatiana Heid Furley

Vice-presidente de Inovação da Aplysia Soluções Ambientais

Como funciona

O projeto consiste na instalação de troncos de madeira e feixes de capim nos trechos do rio que fazem curvas para diminuir e controlar o fluxo das águas. Dessa maneira, são criados remansos, porções de águas mais calmas que protegem as margens do rio e controlam as erosões fluviais, bem como proporcionam a formação de habitats que favorecem a alimentação e a reprodução de peixes e pequenos organismos.

Nesta primeira etapa, que teve início em 2019, foi revitalizado um trecho de aproximadamente 1,8 quilômetro, com a fixação de 79 troncos de árvores, além de 103 troncos submersos e 23 feixes de capim nos trechos 6 e 7, a montante e jusante, respectivamente, da confluência com o córrego Santarém. Em 2020, a iniciativa foi expandida para mais 2 quilômetros, no trecho 9, próximo à comunidade de Ponte do Gama, em Mariana (MG). A expansão teve a parte de campo concluída em julho de 2021.

“A premiação valida os esforços que a Fundação Renova tem empregado para restabelecer as condições ambientais pré-rompimento da barragem de Fundão. Apesar de todos os desafios enfrentados, é possível, sim, devolver a vida ao Gualaxo do Norte.”

Paulo Machado

Especialista do Programa Manejo de Rejeitos da Fundação Renova

Resultados atestam a recuperação do Gualaxo do Norte

– Aumento da quantidade de peixes em até até 38%

– Aumento do tamanho de algumas espécies de peixes em até 100%

– Aumento de retenção das águas em até 63,5%

– Retenção de sedimento por estrutura implantada de mais de 10 toneladas

A cadeia alimentar entre as principais comunidades aquáticas foi restabelecida, indicando a capacidade do rio em dar continuidade à melhoria das condições de vida.

Recuperação do Gualaxo do Norte

O curso d’água recebeu as primeiras ações ainda em 2015. Foi realizada a limpeza do leito, plantio emergencial de vegetação e a estabilização das margens do rio. Na sequência foi iniciada a recomposição da mata ciliar, fundamental para a saúde dos cursos d’água.

No rio Gualaxo do Norte também foi implantado o projeto-piloto das Estações de Tratamento Natural (ETN), que utiliza barreiras filtrantes e ilhas de vegetação na calha do rio para filtrar a água e absorver metais.

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