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Medicina e Saúde

Mundo vegano: por que mais pessoas, em todo o planeta, estão dizendo adeus às carnes?

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Até certo tempo atrás, um hambúrguer era só um hambúrguer: carne bovina moída na forma de uma bolota achatada, com temperos, grelhada em alta temperatura e servida entre duas fatias de pão, com alface, tomate, queijo, maionese. Hoje, não. O disco temperado pode ser feito exclusivamente de vegetais, como grão-de-bico, cogumelos, jaca desfiada ou até fibra de caju.

E, mesmo assim, ainda pode se assemelhar em gosto, textura e aparência à receita original. Acredite: é cada vez mais fácil encontrar essas alternativas, inclusive no Brasil. Mas por que alguém gostaria de comer um sanduíche “feito só de plantas”? Porque muitas pessoas vêm aderindo a uma rotina que vai além do que se coloca no prato e corresponde a um estilo de vida: o veganismo.

No mundo todo vê-se uma mudança de mentalidade em relação à alimentação nas últimas décadas. Se era natural que se consumisse todo tipo de alimento sem pensar sobre sua origem ou seus efeitos no nosso organismo, hoje o cenário é diferente.

Só no Brasil, quase 30 milhões de pessoas se declararam vegetarianas, de acordo com pesquisa divulgada em 2018 pelo Ibope Inteligência. Isso representa um crescimento histórico: o número de vegetarianos aumentou 75% nas regiões metropolitanas do país em relação a 2012. Esses números incluem os veganos, pois o veganismo faz parte do vegetarianismo.

Vegetariana desde que era bebê e vegana há 16 anos, a autora e chef de cozinha Alana Rox lembra de uma época em que todo mundo que preferia tirar as carnes do cardápio entrava na mesma classificação: vegetariano. “Eu sou de uma época em que isso [o veganismo] nem tinha nome, esse termo começou a ser usado de uns anos para cá, principalmente no Brasil”.

“Nunca comi carne na vida. Venho de uma família gaúcha e nasci em Santa Catarina, um dos estados mais ‘carnistas’ do Brasil. Então sofri muito, me sentia muito sozinha, até encontrar outras pessoas que tinham hábitos iguais aos meus”, conta Alana.

As distinções entre as dietas sem carne são mais específicas atualmente. Basicamente, o vegetariano é aquele que segue um regime alimentar que exclui todos os tipos de carnes.

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Arte/ R7

Dentro desse grupo maior, há, de acordo com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), outros subgrupos: ovolactovegetariano (utiliza ovos, leite e seus derivados em sua alimentação); lactovegetariano (não consome ovos, mas continua ingerindo leite e laticínios); ovovegetariano (retirou leite e derivados, mas consome ovos); e vegetariano estrito (não come nenhum produto de origem animal).

O veganismo é um tipo de vegetarianismo estrito que vai além da alimentação, pois exclui qualquer tipo de produto de origem animal. Um vegano, por exemplo, não deixa apenas de comer carnes e até mesmo o mel, mas também deixa de usar roupas de couro. Mais recentemente surgiu o termo “flexitariano” (do inglês, “flexitarian”), para pessoas que ainda comem carnes, mas em proporção menor que a de vegetais.

Conexão com o planeta

Muitos veganos acabam se tornando mais conscientes em relação aos direitos dos animais e ao consumismo, preocupando-se com os rumos do planeta em termos de sustentabilidade. 

É o caso de Natalia Luglio, chef de cozinha do Cajuí, em São Paulo. Com apenas 22 anos, Natalia é adepta do veganismo há 4 anos. “Sempre fui muito ambientalista. Não uso nada de origem animal, cosméticos, roupas, tudo o que não for vegano, não uso”, diz.

A única exceção é para o mel de abelhas nativas, que consome raramente. “Tem muita gente que desconhece e vai dizer que é um abuso com as abelhas, mas não é. É um consumo muito consciente de um mel que vem da casa da minha avó, que planta flores, preserva a mata, cuida das abelhas”. E complementa: “Não é um consumo por prazer, é por preservação. Se a gente não olhar para essas abelhas nativas e ajudar a preservá-las, elas vão desaparecer.”

Natalia cresceu numa casa em que se comia de tudo. “Quando descobri que comer animais tinha muito impacto ambiental, além da exploração animal, vi que não fazia mais sentido para a minha vida”.

Foi assim que se tornou vegana, de um dia para o outro. O novo estilo mudou tanto a sua vida que a levou a comandar o Cajuí, um dos mais novos restaurantes veganos da cidade voltado ao público de alta gastronomia.

A também chef Alana Rox é, no cenário brasileiro atual, uma das vozes mais atuantes do veganismo. Ela se define como uma “alquimista de alimentos” e mostra um pouco da sua culinária para o público no Purana, misto de café e restaurante que abriu na capital paulista em 2019. “Meu objetivo é fazer uma comida vegana que seja ainda melhor do que a original”.

Para Alana, o veganismo é o único caminho possível num mundo que se vê à beira do colapso climático, ambiental e, também, estrutural.

Alana Rox adotou a causa do veganismo e procura orientar pessoas sobre esse estilo de vida (Edu Garcia/ R7)

Afinal, já não é fácil alimentar uma população mundial de mais de 7 bilhões de seres humanos. Imagine daqui a 50 anos. Por isso, Alana acredita que aderir ao veganismo deixou de ser apenas uma questão de saúde e tornou-se uma causa que vai muito além da defesa dos animais.

“Uma pessoa pode ser vegetariana por questão de saúde, mas se torna vegana porque pensa no todo. E algumas pessoas despertam antes das outras”. Não por acaso, o subtítulo de seu novo livro é justamente este: “O despertar”.

Crescimento acelerado

O crescimento do vegetarianismo (e todas as suas vertentes) no Brasil é constante, mas, de acordo com Ricardo Laurino, presidente da SVB, nos últimos anos tem-se notado o quanto esse aumento se acelerou. “Quando a gente pensa no futuro próximo, sabemos que vai crescer ainda mais”, afirma.

Um dos fatores que explicam esse aumento, segundo Laurino, é o acesso à informação. “A internet tem ajudado muito, pois permite que as informações cheguem ao público, principalmente no que diz respeito às questões animais”.

Notícias estarrecedoras, como a de que a indústria descarta (ou seja, mata) de 6 a 7 milhões de pintinhos por mês por não servirem a suas especificações, certamente levam mais pessoas a juntar-se à causa vegana.

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Arte/ R7

“Quando pensamos que 70 bilhões de animais terrestres, sem contar os aquáticos, são abatidos por ano para abastecer nossas mesas, tem-se a noção de como esse número é absurdo e insustentável”, revela Laurino. “Então, as pessoas têm cada vez mais acesso a esse tipo de informação e acabam criando outra consciência”.

Somam-se a isso diversos documentários que mostram não apenas como a indústria da carne pode ser nociva ao meio ambiente, mas também para os animais. Dois dos mais famosos com essa temática são Cowspiracy e A Carne é Fraca, sobre a criação de gado e a crueldade envolvida na indústria da carne.

Outros procuram destacar os benefícios de se adotar uma dieta baseada em vegetais para a saúde humana, como Dieta de Gladiadores, sobre atletas que não consomem carne e, mesmo assim, têm altíssimo desempenho esportivo, como é o caso de Tom Brady, jogador de futebol americano casado com a supermodelo Gisele Bündchen.

Hoje, cerca de 30 milhões de brasileiros declaram-se vegetarianos (Arte/ R7)

Empresas vêm apostando cada vez mais em inovações 100% “plant-based”, termo usado atualmente para se referir à alimentação baseada em vegetais. Ou seja, vegetarianos e veganos têm muito mais opções de comidas para colocar no prato atualmente, além daquelas que a natureza oferece. E a tendência é crescer.

Dessa forma, é possível encontrar não apenas hambúrguer feito só de plantas, como também substitutos para ovos, doces, chocolates, iogurte, salsichas e até mesmo queijos. 

A Embrapa vem desenvolvendo produtos específicos para atender a essa demanda. Um dos mais recentes é o “New Burger”, criado em parceria com uma empresa de Niterói (RJ). Ele se assemelha em textura, cor e sabor ao hambúrguer de carne bovina, mas não contém ingredientes de origem animal.

O New Burger, desenvolvido pela Embrapa, leva proteína de soja, temperos naturais, ferro e fibra de caju (Embrapa/ divulgação)

Os pesquisadores buscaram uma fórmula que se parecesse com o hambúrguer tradicional em termos de sabor, textura e valor nutricional, com a adição de fibras de caju. “No Ceará, são cerca de 60 toneladas de fibra de caju geradas a cada safra”, explica André Dutra, analista em inovação e negócios da Embrapa.

Além de evitar doenças crônicas, o aproveitamento das fibras num alimento saboroso e acessível também promove a economia circular, já que usa um item que seria descartado pela indústria, explica Dutra.

A proteína do New Burger vem da soja, que compõe a base da receita. Com esse ingrediente, não perde em nada para o hambúrguer original, já que a carne bovina é rica em proteínas. Além da fibra de caju, que contribui com textura, usam-se saborizantes naturais, alho, cebola e pirofosfato férrico anidro – o mineral ferro –, que traz a lembrança do sabor da carne.

O preço ainda não é para todos, mas a tendência é que produtos plant-based se tornem mais acessíveis à medida que houver mais procura. Nos mercados do Rio de Janeiro, durante a realização desta reportagem, o New Burger custava entre R$ 16 e R$ 20 reais (a embalagem com duas unidades). Preço equivalente ao de um hambúrguer premium de carne bovina, na mesma quantidade.

Questão de saúde

É comum, ainda hoje, muita gente achar que vegetarianos são “pálidos”, não têm “cor”, ou são “magros demais”. Estereótipos que vêm sendo combatidos não apenas por quem adotou essas dietas, mas também por estudos científicos. “As pesquisas atuais mostram que é o inverso, existem muitos benefícios em termos de saúde para os que adotam essa alimentação”, diz Laurino.

Hoje, tornou-se corriqueiro que famílias inteiras se tornem adeptas deste estilo de vida. É o caso de Shamil Diego Xavier Silva, de 37 anos, e sua mulher, Priscila Josefick, de 33 anos. Juntos há 11 anos, eles têm dois filhos, Valentin, de 4 anos, e Lola, de 7 meses. 

O casal Shamil e Priscila cria os filhos com a mesma dieta que praticam, à base de vegetais (Arte/ R7)

“Sou vegano há 19 anos. Conheci o movimento num show de hardcore, provei comida vegana e me interessei”, diz Shamil. “O que me deixou bem atento a isso foi o lance dos animais. Acabou se tornando uma questão política para mim”.

Embora tenham sofrido questionamentos da família e dos mais próximos, principalmente por causa dos filhos, Shamil diz que ele e sua esposa oferecem às crianças a mesma dieta que praticam, mas sem forçar nada. “Se o meu filho quiser experimentar algo que não seja vegano, eu o deixo à vontade”, conta.

Em relação à saúde, todos fazem acompanhamento médico de rotina, principalmente as crianças. “O médico apoiou a nossa decisão, achou legal nossa proposta, mas sugeriu que a gente acompanhasse de perto para ver se elas precisariam de alguma suplementação.”

Benefícios e cuidados

A versão mais atual do Guia Alimentar para a População Brasileira, publicada em 2014, destaca os benefícios de um consumo maior de alimentos de origem vegetal, especialmente aqueles minimamente processados ou in natura, como frutas, verduras, legumes, raízes, grãos e castanhas.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) também alerta para o fator protetivo desse tipo de alimento. As vitaminas, minerais e compostos bioativos presentes nos produtos vegetais favorecem o organismo, pois atuam como antioxidantes e são importantes na prevenção de doenças crônicas não-transmissíveis, como as cardiovasculares e o câncer, algumas das principais atuais causas de morte no mundo.

De acordo com a OMS, a ingestão recomendada de frutas, verduras e legumes é de cerca de 400 gramas por dia, por pessoa, o equivalente a cinco porções. Por outro lado, a organização recomenta a redução do consumo de carnes. Estudos recentes mostram que o excesso de carnes vermelhas, em especial as curadas, como bacon, linguiça e embutidos, pode elevar o risco de câncer.

Porém, nem só de benesses vivem o vegetarianismo e o veganismo. Se a transição alimentar não for feita de maneira adequada, o indivíduo pode sofrer carências nutricionais, em particular de proteínas, minerais, como ferro e cálcio, e algumas vitaminas, como a B12.

Por isso, se a decisão de adotar uma dieta à base de vegetais for tomada, o ideal é procurar um médico ou nutricionista que possa orientar em relação a combinações de alimentos e de quantidades. A suplementação não é necessária sempre. “Tem de avaliar caso a caso, de acordo com exames de sangue e acompanhamento médico e profissional”, orienta Eliane Kina, chef e nutricionista de São Paulo.

Uma das principais orientações da nutricionista é, além do acompanhamento médico, preparar os próprios alimentos. “Cozinhar traz mais autonomia, pois muitas vezes os veganos têm dificuldade de encontrar opções para comer na rua”, afirma.

E a prática culinária ainda ajuda a saber combinar melhor os alimentos, priorizando aqueles que têm proteínas, como feijões e castanhas, os que são ricos em ferros, caso das verduras verde escuras, e também as fontes de cálcio, como o gergelim e o feijão branco.

Para Alana Rox, cozinhar ajuda a reforçar os princípios do veganismo, pois acaba por conectar ainda mais a pessoa à natureza e seu entorno. “A alimentação é só o agente de transformação para algo muito maior”, acredita. “Eu vou dedicar a minha vida a isso, vou ensinar pessoas e falar o que ninguém me disse”.

FONTE: PORTAL R7.

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Vai ter festa? Secretário fala sobre impacto da Ômicron no ES

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Nésio explicou que medidas de restrição poderão ser adotadas caso o escape vacinal seja comprovado e haja baixa adesão ao esquema vacinal completo entre os capixabas

Nesta segunda-feira, dia 29, o secretário estadual de saúde, Nésio Fernandes, se manifestou em uma rede social sobre o possível impacto da nova variante do coronavírus, Ômicron, no Espírito Santo.

Em sua publicação, começou destacando que o Estado tem, nesse momento da pandemia, uma queda de casos, óbitos e internações por covid-19.

Nésio afirmou que, por isso, será possível “abrir uma agenda de ampliação das atividades econômicas e sociais”. Disse ainda que, neste cenário, “podemos ter festas de fim de ano e verão”.

Segundo o secretário, a nova variante deverá se comportar de forma diferente em cada um dos países, e que esse comportamento será definido por dois fatores principais:

1- Exposição comunitária anterior à doença
2- Avanço da vacinação com duas e três doses

E reforçou: “Tudo vai depender principalmente do escape vacinal, se houver”. Isso por que os especialistas ainda não conseguiram determinar se as vacinas em uso atualmente são ou não “suficientes” para proteger também contra a nova variante.

Impactos da nova variante s´´o serão reconhecidos nas próximas semanas, diz secretário

Ainda em sua rede social, Nésio Fernandes explicou que os verdadeiros impactos da nova variante só serão reconhecidos nas próximas semanas. Mas reforçou que já temos elementos suficientes para começar a agir.

“Precisamos entender que já temos elementos para diversas decisões. A primeira e principal é: vacinar todos os povos do mundo com esquemas completos. Todas as vacinas recolhecidas pela @pahowho são seguras e eficazes”, disse.

Vacinas, testes e máscaras são fundamentais para conter nova variante

O secretário estadual de saúde também pontuou que esta nova variante se comporta de forma diferente das que já conhecíamos. E destacou: “Vacinar, vacinar, vacinar, testar, testar, testar, manter o uso de máscaras por mais tempo”.

Nésio disse também que novos medicamentos contra a covid-19 deverão ser incorporados ao tratamento da doença. “Já temos vários medicamentos aprovados por agências reguladoras, seguros e eficazes”, afirmou.

Estratégias para conter novas variantes já são de conhecimento de todos, diz secretário

Há quase dois anos imersos na pandemia do coronavírus, Nésio Fernandes reforçou que as medidas necessárias para conter as novas variantes já são conhecidas por todos.

“Do ponto de vista sanitário, sabemos o que deve ser feito se mantidas as características atuais ou se novas características surgirem. Como gestores públicos partilhamos com os atores econômicos a preocupação com os impactos da nova variante em morbimortalidade e na economia”, disse.

Nésio destacou que além da preocupação, seja compartilhada também a mobilização pela vacinação plena da população, já que essa é a “única medida capaz de proteger a vida e a economia”.

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Ansiedade e depressão: Vitamina C pode ajudar no tratamento

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Estudos apontam para um papel protetor deste micronutriente nas células do sistema nervoso central

Normalmente lembrada em crises de gripe e resfriado, a vitamina C pode ser uma importante aliada no tratamento de depressão e ansiedade. Estudos publicados nas últimas duas décadas apontam benefícios da suplementação de vitamina C (ácido ascórbico) durante o tratamento destes transtornos psiquiátricos.

É importante lembrar, em primeiro lugar, que ansiedade e depressão são doenças multifatoriais, e suas origens não estão associadas à falta de nenhum nutriente. Além disso, precisam de acompanhamento médico, tanto para diagnóstico quanto para tratamento.

Portanto, o papel do ácido ascórbico nestes transtornos é descrito apenas como uma alternativa terapêutica — associada aos medicamentos convencionais — a ser considerada por médicos em conversa com seus pacientes.

Redução do estresse

Pesquisadores já identificaram um componente importante do ácido ascórbico na redução dos níveis de cortisol, o “hormônio do estresse”, no organismo.

O estresse é uma resposta natural do nosso corpo a fatores ambientais compreendidos como ameaça e perigo. 

Ele causa aceleração dos batimentos cardíacos, irritabilidade, alterações do sono, do apetite e gastrointestinais, entre outras. Costuma passar naturalmente por estar associado a momentos específicos.

Ansiedade

Já a ansiedade é um estado de estresse quase que permanente — inclusive com sintomas semelhantes — mesmo que não haja fatores desencadeadores. 

O indivíduo que sofre deste transtorno costuma ter preocupação excessiva, além de batimentos cardíacos acelerados, tonturas, dor de cabeça, etc.

Depressão

Em relação à depressão, é comum que pacientes depressivos experimentem um período de estresse crônico.

Os efeitos dos altos níveis de cortisol no organismo

Seja qual for o quadro psiquiátrico, altos níveis de cortisol por longos períodos causam alguns danos no organismo, explica o médico psiquiatra Guido Boabaid May, do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

“O cortisol é essencial para o nosso funcionamento. Ele aumenta a nossa resistência à dor, interfere positivamente na metabolização de gordura, carboidrato e proteína. Mas quando é produzido em excesso, em situações de estresse, aumenta a chance de termos depressão, ansiedade, facilita o ganho de peso, doenças cardiovasculares, diminui nossas funções cognitivas, como concentração e raciocínio, aumenta a fadiga e a irritabilidade, diminui libido, piora a qualidade de sono, pode alterar o ciclo menstrual”, explicou. 

A depressão, acrescenta o médico, envolve outras questões, mas também o aumento dos níveis de cortisol por um tempo prolongado.

“Um estresse contínuo, além do aumento de cortisol, pode afetar a modulação química do cérebro e, aí sim, desencadear sintomas depressivos, que são mais intensos e contínuos. A depressão é causada primeiramente por uma alteração na modulação neuroquímica do cérebro — dos neurotransmissores serotonina, dopamina, noradrenalina, em associação com o aumento da produção de cortisol”, finalizou.

Entenda o papel da Vitamina C no tratamento de depressão e ansiedade

Além de reduzir os níveis de cortisol, a vitamina C tem outras funções, acrescenta o médico nutrólogo Daniel Magnoni, presidente do Instituto de Metabolismo e Nutrição (Imen).

“A vitamina C estabiliza funções cognitivas, então, estabiliza irritabilidade celular de uma forma geral, arritmia cardíaca, contração muscular espontânea e também estaria relacionada de uma certa forma com a ‘irritabilidade’ do sistema nervoso central”, disse

Os níveis de ácido ascórbico são de duas a quatro vezes maiores no líquido cefalorraquidiano do que no plasma sanguíneo, o que sugere sua alta concentração no sistema nervoso central.

Foi partindo da premissa de que a vitamina C é uma aliada do sistema nervoso central que cientistas obtiveram resultados animadores em estudos.

Falta de Vitamina C está ligada ao estresse

Em um trabalho científico divulgado no ano passado, pesquisadores da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) destacam que “a deficiência de vitamina C está amplamente associada a doenças relacionadas ao estresse”.

“Embora a eficácia dessa vitamina nos transtornos do espectro da ansiedade seja menos estabelecida, vários estudos mostraram que a suplementação de ácido ascórbico produz efeito antidepressivo e melhora o humor“, afirmam artigo publicado no Jornal de Bioquímica Nutricional.

Em 2014, pesquisadores da Líbia investigaram o efeito combinado da vitamina C com antidepressivos em indivíduos que já estavam em tratamento.

Apesar de ter sido analisado um grupo pequeno, de 22 pacientes, eles observaram melhora significativa entre aqueles que haviam tomado a vitamina C, em comparação com os que tomaram apenas o antidepressivo.

Um grupo de cientistas iranianos constatou melhoras nos escores de depressão em trabalhadores de uma refinaria de petróleo que tomaram 250 mg de vitamina C duas vezes ao dia, por 60 dias, na comparação com os que tomaram placebo. Os resultados foram publicados no Journal of Clinical Biochemistry and Nutrition em 2013.

Em outro trabalho científico, pesquisadores da McGill University, em Montreal, no Canadá, analisaram 52 homens e mulheres hospitalizados, com idade média de 64 anos, que receberam 500 mg de vitamina C duas vezes ao dia, por oito dias.

Eles concluíram que a suplementação reduziu em 71% nos sintomas de humor e 51% os de estresse psicológico, em artigo publicado em 2014 no The American Journal of Clinical Nutrition.

“O efeito adjuvante do ácido ascórbico em combinação com antidepressivos tem grande potencial para ser incluído nos protocolos de manejo da depressão clínica, especialmente para pacientes refratários”, acrescentam os pesquisadores da UFSC.

Ansiedade

Há menos estudos envolvendo a relação da vitamina C na diminuição da ansiedade do que os que existem sobre a depressão. Mesmo assim, um trabalho conduzido por pesquisadores brasileiros em 2015, com 42 estudantes do ensino médio, mostrou benefícios.

Foram comparados dois grupos: um recebeu 500 mg de vitamina C por dia e outros tomou placebo.

Após 14 dias da suplementação, eles avaliaram o nível de ansiedade dos jovens utilizando o Inventário de Ansiedade de Beck.

“Os resultados mostraram que a vitamina C reduziu os níveis de ansiedade e levou a uma concentração mais elevada de vitamina C no plasma em comparação com o placebo. As frequências cardíacas médias também foram significativamente diferentes entre o grupo de vitamina C e o grupo de controle com placebo”, ressaltam os autores.

Veja quais são os riscos da deficiência de Vitamina C

A ingestão de 100 mg a 200 mg por dia de vitamina C (cerca de cinco porções do reino vegetal) é suficiente para manter as concentrações sanguíneas em um estado de saturação adequado (50 a 75 µmol/L).

Abaixo de 23 µmol/L, a pessoa já pode apresentar sinais de insuficiência de vitamina C, que incluem:

– sangramentos nas gengivas

– sangramento na conjuntiva ocular

– manchas roxas pelo corpo

– fadiga

– letargia 

– alterações de humor, por exemplo, irritabilidade e depressão.

Daniel Magnoni observa que não é da noite para o dia que esses níveis caem, mas sim após alguns meses sem que o indivíduo consuma as quantidades ideais de ácido ascórbico.

Segundo o nutrólogo, “é muito rara a deficiência de vitamina C”

“Se você comer três frutas por dia, já está resolvido. Se você suplementar, a dose varia de 30 mg a 100 mg por dia, é muito pouco. Quando existe necessidade, pode suplementar, só não pode suplementar em excesso.”

O psiquiatra Guido May pondera que a é preciso primeiro identificar se o paciente tem deficiência de vitamina C ou se é uma pessoa com níveis normais do micronutriente, mas que poderia ter algum benefício com um aumento da dose diária.

“Parece que já existe algum consenso, com alguma evidência, que sugere que a vitamina C acaba sendo neuroprotetiva, protegendo a saúde dos neurônios e do cérebro. Doses adequadas de vitamina C acabam aumentando a disposição, a vitalidade, a função cognitiva. Isso acaba provavelmente contribuindo para aumento de escores de melhora, principalmente, para pacientes de depressão.”

Suplementação de Vitamina C deve ser feita somente com recomendação médica

Todavia, por não ser um tema em que há diretrizes, a suplementação da vitamina C é uma decisão que deve ser tomada sempre entre paciente e médico. O excesso de vitaminas também pode ser prejudicial, alerta o psiquiatra.

“Vale a pena ter uma dieta rica e, se não for o caso, faça uma suplementação dentro dos níveis recomendados de segurança. Caso contrário, sobrecarrega os rins, o fígado e o bolso também.”

A vitamina C é obtida naturalmente pelo consumo regular de frutas frescas, como:

– acerola

– laranja

– caju

– kiwi

– limão

– tangerina

– manga

– morango

– abacaxi

– melancia

Também é possível encontrá-la em legumes cozidos ou refogados, como couve-flor, batata doce e repolho roxo.

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