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Medicina e Saúde

Pesquisa aponta presença do Sars-CoV-2 no ES em 2019

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Um grupo de pessoas apresentou anticorpos para o vírus da Covid-19 em pesquisa realizada pelo Lacen junto a pacientes suspeitos de dengue e chikungunya

Pesquisa desenvolvida pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen/ES) revela que o vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, já circulava no estado em dezembro de 2019. De acordo com o coordenador-geral do Lacen, médico e pesquisador Rodrigo Ribeiro Rodrigues, um estudo com 7.370 amostras de pacientes com suspeita de dengue e chikungunya indicou que um grupo apresentou anticorpos para a Covid. O assunto foi tema na reunião virtual da Comissão de Saúde nesta terça-feira (23). O primeiro caso oficial de Covid-19 no Espírito Santo, confirmado pelo Ministério da Saúde, data de 5 de março de 2020. 

Conforme Rodrigues, a iniciativa da pesquisa partiu do interesse de compreender melhor o comportamento do novo coronavírus no território capixaba e no Brasil. Os estudos foram iniciados em junho de 2020, com as primeiras discussões sobre as possíveis relações entre a Covid-19 e doenças endêmicas causadas por arboviroses, isto é, pelos chamados arbovírus, que incluem os da dengue, zika, febre chikungunya e febre amarela. Há evidências de que a primeira amostra positiva para IgG anti-Sars-CoV-2 no Espírito Santo data de 18 de dezembro de 2019.

“Vários casos de Covid-19 passaram despercebidos por estarem ocorrendo concomitantemente com outras endemias. Sintomas da fase aguda da dengue e da chikungunya podem se confundir facilmente com os sintomas da Covid-19. No Espírito Santo o primeiro caso comprovado pelo PCR foi em 29 de fevereiro de 2020. Isso nos levantou a suspeita de que outros casos poderiam já estar ocorrendo em território capixaba”, destacou o coordenador do Lacen.

Das 7.370 amostras analisadas, 210 foram positivas para presença de anticorpos IgG, específicos para Sars-CoV-2. Desses, 16 pacientes tiveram coleta de sangue anterior ao dia 26 de fevereiro, data do primeiro caso identificado pela metodologia RT-PCR no Brasil. 

A pesquisa contou com o apoio do Núcleo de Doenças Infecciosas, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto de Higiene e Medicina Tropical, da Universidade de Nova Lisboa (Portugal).

“Este é o primeiro estudo a demonstrar com um tamanho amostral robusto, e usando um método altamente específico, que surtos concomitantes de dengue ou chikungunya podem dificultar o diagnóstico do Sars-CoV-2. Além disso, casos não diagnosticados precocemente podem ter contribuído para a rápida expansão da Covid-19 no Brasil. Vale ressaltar que para esses pacientes não é indicado o isolamento social, dessa forma ficam suscetíveis para a propagação do novo coronavírus”, destacou Rodrigo Rodrigues. 

Segundo o coordenador, essas informações trazem contribuições importantes ao Sistema Único de Saúde (SUS), uma vez que independentemente da existência do diagnóstico positivo para as arboviroses, deve-se considerar também a infecção pelo novo coronavírus, já que as doenças citadas apresentam sinais e sintomas semelhantes.  

Por determinação da Portaria 153-R, o Lacen/ES passou a realizar as testagens dos soros, com finalização das análises em setembro de 2020. No mês seguinte, a direção submeteu a publicação da pesquisa à revista científica americana PLOS ONE, com aprovação realizada em janeiro de 2021.

“Nosso trabalho foi submetido por uma revista americana de circulação mundial. Tivemos mais de 2 mil downloads em 15 dias. A relevância do assunto motivou o interesse das pessoas em nossa pesquisa”, comemorou o coordenador.

Ao final da reunião, o deputado Dr. Emílio Mameri (PSDB), vice-presidente do colegiado, perguntou ao coordenador se é possível apresentar um prazo provável e quando os capixabas estarão totalmente imunizados contra o novo coronavírus. 

“Se não tivermos uma política severa e um foco bem concentrado, ainda vamos levar um tempo longo para imunizar a população”, lamentou Rodrigues. 

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Espírito Santo planeja abrir 158 novos leitos para covid-19 até abril. Confira o cronograma!

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As primeiras 70 vagas em hospitais devem ser disponibilizadas a partir do próximo dia 15. Atualmente, Estado tem 694 leitos de UTI

O governo do Estado anunciou nesta segunda-feira (1º) a intenção de abrir 158 novos leitos de hospital, até abril, para atender pacientes infectados com a covid-19. Atualmente, o Espírito Santo conta com 1.343 leitos para atender pacientes com o novo coronavírus, sendo 694 de UTI e 649 de enfermaria.

O anúncio foi feito durante uma coletiva de imprensa, na tarde desta segunda-feira. O governo estadual pretende disponibilizar os primeiros 70 leitos a partir do próximo dia 15. Eles serão distribuídos da seguinte forma:

– 20 no Hospital Santa Mônica (privado)
– 10 no Hospital Vitória (privado)
– 18 no Hospital Estadual Dório Silva (novos leitos)
– 22 no Hospital Estadual em São José do calçado (novos leitos)

Até o final do mês, outros 48 leitos serão ofertados, sendo:

– 30 no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (novos leitos)
– 10 no Hospital Estadual Roberto Silvares – Linhares (adequação de semi-intensivos para UTI)
– 8 no Hospital Estadual de Vila Velha (novos leitos)

E até o final do mês de abril, os 40 restantes estarão abertos. Serão:

– 20 no Hospital Materno Infantil da Serra (novos leitos)
– 10 no Hospital Geral de Linhares (novos leitos)
– 10 no Hospital Estadual de Vila Velha (novos leitos)

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Nésio Fernandes, há uma preocupação de que o Espírito Santo apresente um novo crescimento de casos de covid-19 entre os meses de março e abril. O secretário destacou que, nesse período, é comum o crescimento de doenças respiratórias agudas graves.

“Nós temos alguns riscos que, se de fato se confirmarem, da sazonalidade dessas doenças de todos os anos, nós devemos sim ter uma terceira fase de aceleração da curva de casos nos meses de março e abril. Por isso, nós defendemos uma estratégia de expansão de leitos”, destacou o secretário.

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Medicina e Saúde

Coronavírus: máscara transparente ou ‘M85’; o produto de vinil que não funciona

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Produto vem sendo vendido para todas as regiões do Brasil, por preços em torno de R$ 25 e R$ 30, sob o argumento de que é inquebrável, não impacta na sua beleza e dá “liberdade para respirar”. Mas especialistas alertam que ele não protege contra o coronavírus

Se você buscar o termo M85 no Google, talvez encontre um tipo de metralhadora. Ou imagem de uma galáxia lenticular descoberta em 1781 que tem este nome. Ou até o código da Classificação Internacional de Doenças (CID) referente a “outros transtornos especificados da densidade e da estrutura ósseas”.

Especialistas apontam que máscaras transparentes como estas da imagem não protegem contra a covid — Foto: Reprodução/Máscara Cristal

Mas esse também é o nome dado por vendedores brasileiros a um modelo de “máscara” transparente feita com policarbonato. Esse tipo de produto, com preço em torno de R$ 25 a R$ 30, vem sendo vendido para todas as regiões do Brasil, sob o argumento de que é inquebrável, não atrapalha a beleza e dá “liberdade para respirar”.

O problema é: esse produto e similares não são eficazes para reduzir os riscos de transmissão do coronavírus, segundo os especialistas em infectologia e saúde coletiva ouvidos pela BBC News Brasil.

A explicação, segundo eles, está em dois pontos: o primeiro é que o material não é capaz de filtrar o ar inspirado ou expirado. O segundo é que não há uma boa adesão ao rosto — característica essencial para aumentar a proteção.

Nesse produto, os espaços grandes entre o rosto e a máscara permitem a entrada e saída de ar sem nenhum tipo de filtragem. Por isso, assim como os escudos protetores (face shield), esse produto não deveria ser usado sozinho, sem uma máscara de fato por baixo.

“Essa máscara de vinil, transparente, isso não tem função nenhuma de máscara, não tem elemento filtrante absolutamente nenhum. Isso não deveria nem se chamar de máscara, e sim protetor facial. Máscaras mesmo, que temos hoje disponíveis, são de tecido, cirúrgica e PFF2 ou N95”, diz o infectologista Antonio Bandeira, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Ao mesmo tempo em que é muito claro para o infectologista que a máscara não funciona no contexto da pandemia, ele conta que tem visto o produto em uso.

“Um dia desses entrou na academia em que faço exercício físico uma pessoa com isso, eu fui lá dizer para o dono da academia que não se pode permitir que alguém faça atividade física com um negócio desse. É gritante o vácuo de informação nessa área. Muita confusão.”

A professora da Unicamp Raquel Stucchi, que é infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, também avaliou modelos de máscaras transparentes disponíveis para venda encaminhados pela reportagem e disse que nenhum deles é adequado.

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