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Rumos da Política

Rumos da Política – 2ª Quinzena de Setembro

Publicado

Por Paulo Borges

Para as eleições municipais deste ano, os partidos já estão prontos para encarar o pleito eleitoral. Fizeram suas convenções e definiram suas chapas, majoritárias e proporcionais. Algumas foram tranquilas, outras nem tanto. Em São Mateus, por exemplo, o PSB encenou um ato muito comum na política ultrapassada, que é a traição ou articulação rasteira para retirar candidatura que estava posta, mas que, por omissão do comando, deixou prosperar dando a entender que poderia chegar à sua convenção e disputar com outras que aparecessem, como é do jogo. O que não é e não pode ser, é a discriminação, a humilhação. A candidata Preta chegou a ser proibida até de levar convidados e familiares para lhe dar apoio. Seu nome sequer foi colocado na pauta e a decisão ficou para depois e apareceu o nome do médico Thomazini como seu candidato e que acabou como o vice na chapa do candidato Ferreira Júnior, do Solidariedade e apoiada pelos mesmos de sempre, que agora estão fora do poder e querem retornar para retomar aquilo que foi interrompido pelo atual prefeito, Daniel Santana (PSDB). O “aquilo”, na trama política é conhecido, mas o leitor sabe do que estamos falando. Falamos do interesse político eleitoral de 2022 e o uso da máquina administrativa por empresários amigos do rei e inimigos da população. Claro que o discurso será o de sempre, fazer o melhor para o município etc. A cantilena de sempre, daqueles que nunca tiveram e não vão ter o sentimento de servir e não se servir do poder. A política quer mudar, mas esses políticos não querem, pois isso afetaria mortalmente seus interesses, nem sempre confessáveis. Muito menos republicanos.

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Nesta eleição, a população pode mudar o rumo da história e da política até aqui praticada. Infelizmente não se pode esperar milagre de onde, em São Mateus, nunca veio, exceto na eleição do saudoso Dr. Pedro, que naquela ocasião era um ponto fora da curva, fora da máfia que imperava à frente dos destinos do município e “mamava” abertamente na Prefeitura, sem qualquer pudor. O ex-prefeito e também saudoso, Amocin Leite, amava sua terra, mas por detrás, aproveitando das suas dificuldades de homem simples e iletrado o usaram para coisas não muito republicanas. Naquela ocasião só o Jornal do Norte tinha o compromisso com a verdade dos fatos e a coragem de noticiar o que ocorria. Como faz hoje.

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Os candidatos estão na vitrine. Um produto sortido, de todos os tipos, uma “fauna e flora”, diversificada para ser escolhida. Como em quase tudo no Brasil, o eleitor correrá sempre o risco de levar gato por lebre para casa. Em toda eleição tem pouca lebre e muito gato. Muitas vezes, por ignorância de quem escolhe, o gato ganha.

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São Mateus comemorou 476 anos. Não teve festa para a população e nem seria aconselhável, até porque não havia nada a ser comemorado. Mas a ausência da festa, oportunidade para as armações costumeiras, não foi motivo para a santidade dos governantes. As Tendas dos Milagres, alugadas a preço de ouro com o dinheiro para o combate a covid-19, fizeram o milagre da multiplicação de recursos públicos careados para algum lugar que só Deus sabe…

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Aproveitando o aniversário da cidade de São Mateus, podemos dizer – não afirmar – que o eleitor não amadureceu e nem atenta para a engenharia da geopolítica com o objetivo de fazer seus idealizadores dessa prática no poder, ou retomá-lo ou mesmo colocar seus simpatizantes que no futuro se tornam aliados incondicionais por interesses mútuos. Vamos aqui destacar o município de São Mateus no mapa do Estado do Espírito Santo. A geopolítica que vem sendo realizada nesse processo político-eleitoral é evidente para que tem o hábito de olhar com mais atenção e, daí, analisar o que observa, levantando hipóteses e questionamentos. A geopolítica é, basicamente a ciência que estuda as relações entre países, governos, alianças e prioridades. São Mateus está fortemente, por motivos óbvios no estudo e realizações de alianças e prioridades para que este município eleja seus representantes que possibilitem o fortalecimento do grupo que está no poder em nível estadual e os que podem ascendê-lo. Olhando as candidaturas em São Mateus, praticamente todas elas estão inseridas nesse contexto atreladas a uma “nova ordem estadual”… Vamos lá: Ferreira Júnior & Thomazini (Rui, Jorge Silva & Freitas-Casagrande); Carlinhos & Cássio (Marcus Du Val, Gilson Daniel & Marcus Vicente- secretário do governo estadual); Laurinho (Coronel Quintino); Mauro Peruchi (Audifax – Rede); Hubstênyo (Nelcimar Fraga); Daniel está afinado com aqueles que o apoiaram e o apoiam, como é o caso da senadora Rose de Freitas, Marcelo Santos, Cesar Colnago, Da Vitória, Hartung dentre outros que tiraram a casquinha na sua eleição. Sua lista é extensa, mas pode diminuir em muito dependendo do que poderá vir a acontecer nos próximos dias. Quanto ao Carlinhos Lyrio, é bom destacar que ele costuma divergir de certos alinhamentos automáticos. O senador Marcus Du Val, do mesmo partido, neste processo eleitoral, havia declarado apoio à candidatura de Elisângela Nascimento, a Preta. Mas em 2022, se ele não vier a disputar o governo, vai puxar apoio para o seu escolhido. Quanto ao Gilson Daniel, deve vir a deputado estadual ou federal e vai precisar do apoio do Podemos de São Mateus. O PT está fora desse arranjo fácil de se fazer. Tem suas particularidades, mas também estará na linha de frente em defesa dos seus candidatos da capital. Partindo para o PRTB, que tem Eliezer como candidato a prefeito de São Mateus, não vejo nenhuma ligação com candidaturas de fora do município para 2022 do Estado. Na minha visão (pode até ser equivocada até porque não sou dono da verdade) a candidatura do Eliezer é genuinamente mateense. Provavelmente terá, em 2022, seus candidatos locais a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Para majoritário deve fechar com Bolsonaro/Mourão e para o Anchieta não se sabe ainda e nem poderia. Os outros para ocupar o Anchieta devem fechar com Casagrande para a reeleição. Uma futurologia que não é difícil de se fazer, sem precisar ressuscitar o mago do horóscopo, Omar Cardoso.

Tudo isso que está aí escrito são análises de um simples observador e curioso da política, uma ciência em movimento que aprendi a gostar, desde os inesquecíveis tempos de Rio de Janeiro. Fiquem à vontade para discordarem. Democracia em nós!

Contatos para a coluna: [email protected]

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Rumos da Política – 1ª Quinzena de Janeiro

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Por Paulo Borges

Ano Novo, roupa velha?

É muito natural que a cada nova etapa da nossa vida a gente recicla muitas coisas que não nos parece favoráveis. Seja na vestimenta, na postura, nas opiniões e em tudo que não está alinhado com aquilo que desejamos para enfrentar novos desafios.

Na política também é assim. O que não presta jogamos no ralo e as eleições servem para isso, é o momento da depuração. O problema é que a dinâmica nem sempre funciona 100%, basta um olhar panorâmico sobre os que não foram eleitos e os que foram reeleitos. Passou no teste alguns indivíduos que não conseguiriam passar num simples teste de direção. Tomaram o rumo contrário, mas acabaram sendo aprovados pelos fiscais e pelos métodos não ortodoxos que ainda continuam sendo usados nas eleições…

Em Vitória a eleição do Lorenzo Pazolini (Republicanos) foi algo esperado porque o seu adversário era do PT e já tivera a sua oportunidade. Além disso existia o medo da capital capixaba ser o porto seguro para que a camarilha local e nacional aqui se instalasse. Mas não podemos esquecer que o queridinho do Luciano Rezende (Cidadania) também não emplacou e ficou pelo caminho ainda no primeiro turno. A Prefeitura de Vitória estava muito presente em bairros como Jardim Camburi e seria natural que o candidato chapa branca, Fabrício Gandini (Cidadania), fosse para o segundo turno. Não o foi e isso demonstrou que o bairro não tem dono e, quando pensam que tem, os moradores mostram quem manda de verdade no seu bairro. Estava tudo aparelhado fazia tempo e acabou não convencendo o eleitor. Perdeu Luciano e seus adeptos. Em 2022 e 2024 tem mais eleições. Para o político sempre tem uma oportunidade, para a certar e para errar.

Portanto, a torcida para que o novo prefeito da capital faça uma boa gestão é real e a Câmara de Vereadores, Com Davi Esmael (PSD), nos enche de esperança de uma atuação exemplar à frente da presidência do legislativo de Vitória.

Mas ano novo nem sempre é sinônimo de coisa nova. Em São Mateus parece coisa requentada, pelo menos no Executivo, pois o prefeito Daniel Santana (PSDB) foi reeleito, depois de ter uma oposição enorme durante os primeiros quatro anos com críticas pesadas e inúmeras tentativas para desalojá-lo do poder. Foi até cassado, mas cassação de verdade de político é coisa de ficção na nossa justiça eleitoral. A verdade é que o prefeito foi reeleito e agora, com a Câmara renovada a desculpa de que o legislativo era o obstáculo para governar parece não mais existir. Já conseguiu “arrumar” a sua casa (Executivo) e a do vizinho (o Legislativo). Mostrou muito habilidoso, sabe usar a caneta de maneira efetiva e a cultura do toma lá dá cá ainda fala alto nas Barrancas do Cricaré – como diz o renomado escritor Maciel de Aguiar.

De qualquer maneira, a população está esperançosa e na expectativa para ver como será a atuação dos seus onze representantes que tem por obrigação de legislar e, principalmente, fiscalizar a aplicação das verbas aprovadas no Orçamento pela Prefeitura d São Mateus. O seriado começou e só se espera que não vire novela e tudo acabe em pizza.

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Rumos da Política

PSL: da oposição a adesão mais rápida do que se previa

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O partido foi oposição até tinha candidato ao cargo majoritário, mas aderiu ao prefeito Daniel assim que foi definido o resultado eleitoral.

Por Paulo Borges

Uma raridade no Brasil é partido político ter como diretrizes o que prega o seu estatuto e sua atuação programática. O caso do PSL de São Mateus ilustra bem essa situação, uma vez que foi oposição ao PSDB durante a campanha eleitoral e, ao consolidar os resultados eleitorais de vereador e prefeito aderiu numa operação chamada nos bastidores de “Vapt-Vupt” ao prefeito reeleito Daniel Santana. E o PSL tinha até candidato a prefeito que, nos debates e discursos batia sem dó no adversário, hoje seu mais novo aliado.

Para observadores e entendedores da política local, o PSL fez o que quase todos fazem: se deixam encantar “pelos lindos olhos do adversário que tem a caneta e a mala” para cooptá-los. No caso específico do PSL de São Mateus foi com um cargo de primeiro escalão no governo do PSDB. O seu presidente, Delcimar Oliveira, garante que foi indicação do seu vereador eleito, Isael, como forma de fechar o acordo de adesão, certamente.

Mas sobre esse assunto de adesão e alinhamento com o prefeito, foi muito comentado por aqueles que estavam fora da geopolítica do governo estadual, que “colocou” candidaturas para se garantir no resultado, isolando aqueles que não estavam no seu esquema. Era o que se dizia pelos guetos mateenses. Uma fonte “importantíssima” afirmou ao JN que o acordo do apoio ao prefeito Daniel antecede ao resultado do acordo celebrado recentemente. Essa fonte disse que já havia acontecido uma conversa “entre o presidente do PSL com Daniel dentro do seu carro” e que o candidato Laurinho Barbosa seria mantido para fragmentar a oposição como previa o “esquemão” em nível estadual intitulado de geopolítica eleitoral.

O PSL em nível nacional é oposição ao antigo regime, principalmente ao PT e PSDB. No Espírito Santo era assim, mas caiu nas mãos de aliados da esquerda e mudou de rumo, atuando como adepto de onde pode lhe oferecer um espaço político, pouco se importando com o seu programa e seu conteúdo programático.

Portanto, em São Mateus não aconteceu nenhuma novidade, pois a política local sempre foi recheada de interesses pessoais e até daqueles que não se confessa nem ao padre, escondido por detrás dos confessionários da política e da politicagem.

A confessar e afirmar é que o PSL de São Mateus está no governo do PSDB, a quem combateu intensamente durante todo o período eleitoral. Certamente o seu eleitor tem o direito de se sentir enganado. A desculpa que sempre vão dar é que “estamos pensando no progresso do município”. Então tudo o que foi dito e redito nesses últimos quatro anos foi conversa de bêbado? Sou obrigado a reconhecer que o prefeito Daniel é um cara inteligente e audacioso, pois conseguiu superar a tudo e a todos e ainda levou no balaio alguns ex-opositores. Parabéns Daniel, você é sensacional!!!

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