conecte-se conosco


Brasil

Trufas, que chegam a custar € 3 mil o quilo, são descobertas no Brasil

Publicado

Iguaria rara, pepita da gastronomia é encontrada em SP e RS e seduz chefs como Alex Atala: ‘São sensacionais’

Entre as iguarias mais raras, cobiçadas e caras do planeta, as trufas só nascem, crescem e dão às caras onde e quando querem. As mais famosas são as brancas italianas, de Alba, e as negras francesas, do Périgord. Foi só recentemente que o Brasil entrou no restrito mapa desta pepita da gastronomia mundial com duas variedades de trufas, a Sapucay, colhida no Rio Grande do Sul, e a recém-descoberta Bandeirantes, da Serra da Mantiqueira, em São Paulo. Sim, habemus trufas.

Trufa brasileira Bandeirante, da Serra da Mantiqueira Foto: Divulgação

A primeira delas e, por enquanto, a única com volume para comercialização, foi achada enfronhada nas raízes de nogueiras-pecã importadas dos Estados Unidos e plantadas, nos anos 1980, em Santa Maria e Cachoeira do Sul (RS). Não por acaso, as raízes de pecã são habitat preferido das trufas americanas.

— Se as trufas crescem nas pecãs de lá, por que não cresceriam nas daqui, me perguntei — conta o biólogo Marcelo Sulzbacher, doutor em biologia de fungos e cultivo de trufas, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), que, com esta pergunta na cabeça, passou quatro anos em busca do fungo comestível.

E não é que ele achou?

Com cheiro delicado e sabor idem, as bolotas nacionais são menores do que as europeias. Para afastar qualquer dúvida de sua autenticidade, Sulzbacher mandou exemplares para serem avaliados num centro de pesquisa da Eslovênia, um dos mais respeitados do mundo. Deu trufa branca, e das boas.

O passo seguinte foi publicar o estudo científico e anunciar a descoberta de mais um tipo de trufa, entre as mais de 40 variedades do mundo. De 2018 para cá, aos poucos, elas vêm seduzindo chefs renomados. É o caso de Alex Atala, um dos primeiros a prová-las.

— São sensacionais! Só não se deve compará-las com às de Alba ou do Périgord. Não que a nossa seja de qualidade inferior, nada disso. Ela é só diferente, pois absorve os aromas do nosso solo, nosso terroir. São bem mais delicadas — exalta.

As da Serra da Mantiqueira foram descobertas este ano. Por ironia, o achado se deu por obra do ócio desses tempos pandêmicos. Com seu restaurante fechado, o Entre Vilas (em São Bento de Sapucaí, SP), o chef Rodrigo Veraldi resolveu remexer o solo de sua propriedade.

— Temos árvores como carvalho, pínus, castanheira, álamo, tília, todas europeias e associadas a trufas. Estive em Alba, na Itália, e vi uma semelhança das árvores e do clima. Como tive tempo agora, fui explorar. Deu um trabalho danado. Até hoje não acredito que tenho trufas em casa — vibra.

Como a “prima” gaúcha, a Bandeirante também passou por avaliação de especialistas. Mas enquanto a Sapucay é parente das trufas americanas, a da Mantiqueira é das europeias. Mais precisamente, das brancas italianas tipo branchetta, comuns em Alba, onde o quilo do tartufi bianchi foi vendido por cerca de € 3 mil na última safra.

Os exemplares brasileiros estrearam no mercado com preços de R$ 6 mil a R$ 8 mil o quilo, dependendo do tamanho e da qualidade. São encontradas, em pouca quantidade, em casas como Terroir Sul (@terroirsul) e Paralelo 30 (www.paralelo30.com.br).

—Elas têm paladar suave, agradável, menos invasivo. Fiz massas trufadas com elas e a aceitação foi ótima — conta o chef Marcio Shihomatsu, do Artesania do Shishoma, casa paulista de massas.

Em Santa Maria e Cachoeira do Sul, a caça às trufas, entre novembro e dezembro, rendeu 5kg de Sapucay. Foram parar em restaurantes como o Vinheria Percussi, que serviu como manda o figurino: à mesa, ralada sobre o prato. Preço da raspadinha? R$ 72.

Na Serra da Mantiqueira, não houve tempo para definir os melhores meses para encontrar as bolotas. Tudo é muito recente. As variedades brasileiras ainda não estão disponíveis para venda em todo o país. Mas é uma questão de tempo. Preparem os raladores.

Curiosidades sobre as trufas

Grande embaixador das trufas italianas no Brasil, Danio Braga conta um pouco mais sobre o fungo.

  • Trufa é um fungo subterrâneo em forma de tubérculo, que varia de tamanho, perfume e coloração. Ela se desenvolve, sem clorifila,  absorve outras substâncias orgânicas de plantas como carvalho, pinho, castanheira, que possuem raízes fungosas. É justo ali onde elas ficam. E se desenvolvem
  • O nome da trufa é Tuber Melasma Populorum Pico, foi descoberta em 1831. De lá para cá, caiu no gosto e virou mania mundial.
  • Existem trufas de inverno e de verão também, que são menos potentes.
  • A melhor trufa se consegue entre outubro e dezembro. A Itália é o maior produtor, por conta do seu ecossistema. 
    Espanha, Eslovênia, Croácia e China têm boas trufas.
  • As melhores trufas são:tartufo bianco; tartufo nero pregiato; tartufo nero estivo scorzone; tarufo marzuello bianchetto; tartufo nero invernale trifola nera; tartufo nero unciato scorzone invernale.
  • Se quiser desembolsar um pouco menos, é  bom saber que o valor da da trufa branca é dez vezes maior do que a negra. Se o bolso pesar, vai de trufa negra.
  • Artigos trufados não necessariamente trazem ou são feitos com trufas. Eles costumam ser aromatizados com componentes quimicos, que induzem ao cheiro de trufas.  Mas há os que trazem as trufas em conservas. 

Leia mais:  Findes promove painel com especialistas para elaboração da Rota Estratégica da Construção
publicidade

Brasil

Advogados do ES querem redução de pena para internos de presídios considerados ‘desumanos’

Publicado

Pedido de habeas corpus de reformulação de tempo na cadeia foi enviado ao Supremo Tribunal Federal e poderia ser utilizado por 10 mil presos

Advogados do Espírito Santo enviaram pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) de um habeas corpus coletivo direcionado a presos que cumprem pena em presídios com condições consideradas inadequadas e desumanas. 

A ação foi elaborada diante da realidade de superlotação no sistema prisional capixaba e pede reformulação do tempo de pena. Assim, no pedido, é solicitado que um dia de cumprimento de pena, em presídios nessas condições, seja considerado equivalente a dois dias. 

Advogados do Espírito Santo enviaram pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) de um habeas corpus coletivo direcionado a presos que cumprem pena em presídios com condições consideradas inadequadas e desumanas. 

Lucas Neto, advogado criminalista, assina com outras três advogadas o habeas corpus coletivo

A ação foi elaborada diante da realidade de superlotação no sistema prisional capixaba e pede reformulação do tempo de pena. Assim, no pedido, é solicitado que um dia de cumprimento de pena, em presídios nessas condições, seja considerado equivalente a dois dias.

Na análise de Neto, a maioria dos presos no sistema penitenciário cumpre pena por motivos ligados a tráfico de drogas e roubo. “Excluindo os condenados por crimes graves (homicídios e crimes sexuais), essas pessoas, grande parte formada por pequenos traficantes, poderiam ter uma readequação no tempo de pena ou na forma como ela deve ser cumprida. Com toda a certeza, a superlotação acabaria e o Estado teria condições de acompanhar os processos e fazer plenamente o seu papel dentro do que se espera em garantir o retorno desta pessoa ao convívio da sociedade”, reforça.

Ele aponta que com a pena sendo cumprida de forma mais rápida e consequente liberação de presos, o custo também diminuiria. “Em 2020, o custo de um preso para os cofres públicos estava em R$ 53 por dia ou R$ 19.080 por ano. Com esse redirecionamento de pena, haveria um investimento maior em outras formas de acompanhar este interno como utilização de tornozeleiras eletrônicas. Não é nada contra o direito do Estado em punir, mas a obrigação do Estado em punir direito”, destaca o advogado. 

Não é nada contra o direito do Estado em punir mas a obrigação do Estado em punir direito – Lucas Neto, advogado criminalista

Os advogados se inspiraram num caso de um habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a internos que cumpriam pena no Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, em Bangu, no Rio de Janeiro. O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Reynaldo Soares da Fonseca, concedeu habeas corpus para que seja contado em dobro cada dia de prisão no instituto. 

A decisão se baseou em uma determinação da Corte Interamericana de Direitos Humanos (IDH), a partir de uma denúncia feita pela Defensoria Pública do Rio sobre a situação degradante do presídio. O Instituto tem capacidade para 1.700 presos, mas, segundo as denúncias da Defensoria Pública, abrigava até o dobro dessa quantidade.

Habeas corpus coletivo beneficiaria mais de 10 mil presos no Espírito Santo

De acordo com os dados fornecidos pela Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) sobre a população carcerária, se não forem considerados os apenados por homicídio e crimes sexuais (esses não foram informados pela pasta), o habeas corpus coletivo proposto pelos advogados de Guarapari poderia ser aplicado em 9.922 presos do sexo masculino e em 609 do sexo feminino. 

Os dados são do último mês de julho. O número ultrapassa o quantitativo de presos, além da capacidade apontada pela Sejus, porque uma mesma pessoa pode estar cumprindo pena por mais de um tipo de crime e pode figurar em mais de uma classificação. 

Quantitativo de apenados por tipificação (julho/2021): 

Masculino:

1) Tráfico: 5.125 presos

2) Associação ao tráfico: 2.923 presos

3) Homicídio qualificado: 2.018 presos

4) Homicídio simples: 1.897 presos

5) Roubo simples: 1.874 presos.

Feminino:

1) Tráfico: 296 presas

2) Associação ao tráfico: 279 presas

3) Homicídio qualificado: 69 presas

4) Homicídio simples: 67 presas

5) Roubo com aumento de pena: 34 presas

Fonte: Secretaria de Estado da Justiça (Sejus)

Secretaria de Justiça afirma que tem investido para melhoria do sistema prisional

A Secretaria de Estado da Justiça afirmou que está em constante investimento para melhorias da estrutura das penitenciárias. Por nota, informou que está investindo R$ 155 milhões em obras e equipamentos voltados ao sistema prisional capixaba.

Dentre as ações, está a construção de três unidades prisionais, com a abertura de mais mil vagas. Uma delas será a Penitenciária Estadual de Vila Velha 6, no Complexo de Xuri, com 800 vagas no regime fechado. 

As obras terão início neste segundo semestre, com prazo para conclusão de 12 meses. A pasta também realiza obras para inaugurar a Penitenciária de Regime Semiaberto em São Mateus, com 120 vagas, e a abertura de mais 80 vagas para o regime semiaberto na Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) de Cachoeiro de Itapemirim.

Além dessa ampliação, a Sejus disse que está investindo na Central de Alternativas Penais e na expansão do monitoramento eletrônico. Os investimentos incluem ainda projetos de manutenção e autossuficiência energética.

A pasta completa a nota dizendo que o sistema prisional capixaba figura entre os melhores do Brasil, sendo referência pela assistência básica de saúde. “O crescimento da população carcerária no Espírito Santo encontra-se estabilizado, com crescimento de 0,3% nos últimos dois anos. Entre 2015 e 2018, o crescimento da população carcerária foi de 21,7%, sem aberturas de vagas no mesmo período”, finaliza.

Supremo Tribunal Federal diz não ter prazo para análise

O Supremo Tribunal Federal foi procurado para informar se há um prazo de resposta do habeas corpus dos advogados de Guarapari. A informação é de que o pedido está sob análise do ministro Gilmar Mendes e que, até o momento, não há previsão de quando sairá a decisão. 

Leia mais:  Voo com 2 milhões de doses da vacina decola da Índia rumo ao Brasil
Continue lendo

Brasil

Helicóptero com 300 kg de cocaína cai em fazenda no Pantanal de MT

Publicado

Suspeitos abandonaram sacos de droga e fugiram antes da chegada dos policiais. PF fará perícia no local nesta segunda-feira (2) para tentar identificar digitais na aeronave

Um helicóptero com aproximadamente 300 kg de cocaína caiu na região do Pantanal, em Poconé (MT), neste domingo (1º). De acordo com informações do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), o helicóptero foi encontrado tombado e com sacos de droga ao redor.

A aeronave foi localizada durante investigações da Polícia Federal, que contou com a ajuda de agentes do Ciopaer e do Grupo Especial de Fronteira (Gefron).

A Polícia Federal não divulgou informações sobre o registro do helicóptero ou quem é o proprietário dele.

Os policiais fizeram rondas na região, mas não encontraram nenhum suspeito. Também não havia vestígios de feridos.

Os policiais monitoravam uma possível situação de tráfico internacional de drogas e conseguiram encontrar o helicóptero.

A aeronave, modelo Robinson R-44, matrícula PT-RMM, estava parcialmente destruída.

O helicóptero tem capacidade para transportar até três passageiros e o piloto e tem carga máxima de 340 kg. De acordo com a PF, o helicóptero é avaliado em aproximadamente R$ 450 mil.

Helicóptero com aproximadamente 300 kg de cocaína caiu na região do Pantanal, em Poconé (MT), neste domingo (1º) — Foto: Ciopaer/MT

A operação contou com apoio de policiais do Paraná. A droga, estimada em R$ 6,9 milhões, foi encaminhada para a sede da Polícia Federal em Cuiabá.

A PF informou que uma equipe de agentes foi até o local da queda do helicóptero nesta segunda-feira (2) para fazer análises e perícia. Um papiloscopista deve tentar identificar digitais na estrutura do helicóptero.

Helicóptero com aproximadamente 300 kg de cocaína caiu em Mato Grosso; suspeitos deixaram sacos da droga e fugiram — Foto: Ciopaer/MT

O caso, classificado como tráfico internacional de drogas, será investigado pela Polícia Federal de Mato Grosso.

Leia mais:  Frio intenso chega ao Brasil na quarta; sensação térmica pode chegar a -25°C na Serra Gaúcha
Continue lendo

São Mateus

Política e Governo

Segurança

Camisa 10

Mais Lidas da Semana