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Turismo: perdas no ES superam R$ 200 mi com pandemia

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Setor se organiza para minimizar impactos e busca alternativas para retomada após fim das medidas de restrição

“Em 35 anos trabalhando com turismo nunca vi nada parecido”, a fala em tom de perplexidade é de Gustavo Guimarães, dono de pousada no balneário de Guarapari e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Espírito Santo (ABIH-ES). Por estar à frente da entidade, Gustavo conta que muitos outros empresários do setor têm relatado situação de extrema dificuldade para manter seus estabelecimentos.

Os meios de hospedagem são apenas um dos segmentos na cadeia do turismo diretamente afetados pelas medidas de distanciamento social vigentes no País para conter o avanço do novo coronavírus. As perdas estimadas no turismo do Espírito Santo só na segunda quinzena de março – período que coincide com o início das medidas de restrição da circulação de pessoas – são de R$ 201,4 milhões, conforme levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços de Turismo (CNC) elaborado com base em dados da Câmara Empresarial de Turismo da Federação do Comércio do Estado (Fecomércio-ES).

O baque é reflexo de cancelamentos de eventos, voos, reservas em hotéis, transporte turístico, redução do consumo em bares e restaurantes, entre outras atividades ligadas a bens e serviços que movimentam o setor. Os guias de turismo estão na ponta da cadeia e, como muitos vivem basicamente dessa atividade, estão entre os mais afetados pela crise.

De acordo com o Sindicato dos Guias de Turismo do Espírito Santo (Sindegtur-ES) são 437 profissionais com cadastro ativo. Eles foram orientados a solicitar o auxílio emergencial, mas há parte que ainda não conseguiu receber a ajuda de R$ 600 do governo federal. Diante da dificuldade, o sindicato da categoria buscou apoio com os setores público e privado para arrecadar cestas básicas que serão distribuídas, inicialmente, por três meses para guias que se cadastrarem.

“Sem a atividade de guiamento e com muitos eventos cancelados muitos estão passando necessidade”, lamenta Jorge de Albuquerque, presidente da entidade. Ele também conta que o sindicato tem proposto à Secretaria de Turismo (Setur) medidas para garantir o sustento dos profissionais durante o período, como a possibilidade de os guias receberem para produzir vídeos falando sobre atrações turísticas do estado de forma a fomentar o turismo pós-pandemia. Outra proposta é a criação de um voucher, em que os guias seriam pagos agora e, ao fim das medidas de restrição, atuariam em atividades de turismo pedagógico e cultural com alunos da rede estadual de ensino.

Rede hoteleira

Segundo levantamento recente da ABIH-ES, 44% dos meios de hospedagem do estado estão fechados e 60% da mão de obra foi demitida ou está com contrato de trabalho suspenso. De acordo com o presidente da associação, o segmento de hospedagem emprega cerca de 13 mil pessoas diretamente no ES. “Estamos tentando ao máximo assegurar os empregos. Algumas demissões que já haviam sido feitas foram revertidas e outras que iriam ser feitas foram suspensas por conta da MP 936”, diz Gustavo Guimarães em referência à Medida Provisória (MP) que permite redução da jornada de trabalho e do salário em 25%, 50% ou 70% e complementação da renda do trabalhador pelo governo.

O presidente da ABIH-ES considera o cenário para retomar as atividades ainda incerto e explica que as medidas adotadas até então buscam minimizar os prejuízos. “Fizemos alguns pleitos e conseguimos junto ao governo do Estado e a algumas prefeituras, como as de Vitória, Aracruz e Guarapari a redução da carga tributária e prorrogação do vencimento de alguns tributos e da validade de alguns alvarás municipais e estaduais”, apontou.

Os meios de hospedagem não estão proibidos de funcionar e resolveram adotar novos protocolos para garantir mais segurança aos clientes. Além do reforço na higiene dos ambientes outra medida é a redução de oferta de quartos disponíveis para evitar aglomerações. Além disso, os estabelecimentos associados à ABIH passaram a adotar uma ficha, a ser preenchida pelo hóspede, informando sobre condições de saúde e se esteve em situações de possível contágio pelo novo coronavírus.

Eventos
Feiras, congressos, exposições e outras atividades que movimentam o turismo de eventos e negócios no estado também tiveram de ser canceladas. “A prévia que tínhamos do calendário de eventos atualizado em fevereiro seriam realizados este ano 53 eventos, com movimentação de cerca de 73 mil turistas e injeção de quase R$ 165 milhões na economia local. Mas nosso calendário incorpora muitos eventos a partir de abril, quando as entidades começam a confirmar os eventos do ano e se efetivam resultados de nossas ações de captação de novos eventos. Ou seja, este número ainda iria crescer consideravelmente”, comenta Alfonso Silva, presidente do Espírito Santo Convention & Visitors Bureau.

Rua do lazer com pouco movimento em Santa Teresa, região serrana capixaba (foto: divulgação)

Entre os que seriam realizados em junho estão o Santa Jazz – Festival Internacional de Jazz e Bossa, o 40º Encontro Regional de Botânicos e XI Jornada Capixaba de Botânica e o SENDI2020 – XXIV Seminário Nacional das Distribuidoras de Energia Elétrica, por exemplo.

Alguns eventos que aconteceriam no primeiro semestre foram reagendados para o segundo e outros para 2021. Alfonso avalia que ainda é prematuro ter uma dimensão do cenário, mas diz que o Convention vem buscando ações para mitigar perdas em conjunto com outras entidades do setor e o Poder Público.

“A prioridade máxima são as demandas voltadas para a sobrevivência do setor de turismo no Espírito Santo. Isso é emergencial e tem que ser feito de imediato. Neste sentido, solicitamos abertura de linhas de crédito com juros atrativos junto às instituições oficiais federais (Banco do Brasil Caixa Econômica Federal, BNDES, Banco do Nordeste) e estaduais (Bandes e Banestes), e a adesão ao diferimento Federal do Simples Nacional, seguindo o modelo federal para os impostos estaduais integrantes do Simples”, comenta.

Medidas emergenciais

O secretário de turismo, Dorval Uliana, explica que, no primeiro momento, o governo tem trabalhado no socorro ao segmento. “Estamos viabilizando abertura de linhas de crédito junto às instituições financeiras oficiais do Estado para financiar folha de pagamento. Também atuando para reduzir a burocracia no acesso ao crédito, além da suspensão e flexibilização de prazos para clientes do setor turístico arcarem com as parcelas dos financiamentos nas instituições financeiras do Estado”, exemplifica.

Secretário de Turismo, Dorval Uliana, afirma que governo tem trabalhado no socorro ao setor (foto: Tati Beling)

Outro ponto é o constante diálogo com o trade turístico para debater ações que possam fazer parte do Plano de Retomada do Turismo do Espírito Santo, ainda sem previsão para ser anunciado em virtude da imprevisibilidade do comportamento da pandemia no estado. Mesmo sem ainda poder adiantar qualquer linha, o gestor aponta que o principal será a adoção de protocolos sanitários para assegurar que as atividades possam ser retomadas de forma segura.

Agroturismo e montanhas

O agroturismo, uma das principais vocações do turismo de lazer no Estado, concentrado na região das montanhas capixabas, é uma das apostas para a retomada do setor ainda este ano, mesmo que de forma gradual.

Apesar de o calendário de eventos da região estar suspenso e ainda indefinido, o presidente do Montanhas Capixabas Convention & Visitors Bureau está esperançoso para o segundo semestre, especialmente a partir de julho, quando começa a alta temporada na região. “Nosso público é basicamente de turistas que estão num raio de 400 quilômetros da região, então são turistas daqui e de Minas, Rio de Janeiro e Bahia. Como esse ano as viagens para fora ainda deverão ter muitas restrições, temos expectativa que as pessoas venham para as montanhas”, avalia Valdeir Nunes.

O secretário de turismo reforça a expectativa e dize que mesmo sem data definida a intenção é manter a realização da RuralTurES, feira focada no agroturismo. “Temos otimismo quanto ao agroturismo, por isso tomamos a decisão de manter o evento. O Espírito Santo tem de nove a 12 municípios com atividade forte nessa área e pretendemos promover esse ativo”.

Expectativas frustradas

O turismo capixaba vinha em um gráfico ascendente em volumes de atividades desde 2018. No ano passado o crescimento foi de 2,9% em relação ao ano anterior, resultado melhor que o nacional, que foi de 2,6% para o mesmo período, conforme aponta o estudo A Economia do Turismo no Espírito Santo 2020, realizado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Setur e Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes).

A previsão para 2020 era manter o ritmo de crescimento em torno de 3% e começar a trabalhar a divulgação do Espírito Santo fora do País, especialmente na Argentina, diz o secretário da pasta Dorval Uliana. O orçamento deste ano que era de R$ 13,6 milhões sofreu até agora contingenciamento de 15% para o combate à emergência de saúde no ES.

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Governo do Espírito Santo divulga 51º Mapa de Risco Covid-19

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O Governo do Estado anunciou, nesta sexta-feira (16), o 51º Mapa de Risco Covid-19, que terá vigência desta segunda-feira (19) até o próximo domingo (25). Dos 78 municípios capixabas, 30 estão classificados em Risco Extremo, 39 em Risco Alto e outros nove em Risco Moderado. Não há municípios classificados em Risco Baixo.

Durante o anúncio do novo Mapa, o governador Renato Casagrande informou que os postos de combustível passarão a ser considerados como atividade essencial, podendo funcionar todos os dias, de acordo com as medidas qualificadas para cada grau de risco. Além disso, as escolas localizadas nos municípios classificados em Risco Alto poderão realizar atendimentos presenciais de forma individual, conforme os critérios a serem estabelecidos pela Secretaria da Educação (Sedu).

Outra mudança será nos dias de funcionamento dos estabelecimentos comerciais e de serviços não essenciais na próxima semana. Em decorrência do feriado de Tiradentes, na próxima quarta-feira (21), esses estabelecimentos poderão funcionar, excepcionalmente, na terça-feira, além de quinta e sexta-feira, como previsto atualmente nas medidas qualificadas.

A Matriz de Risco de Convivência considera no eixo de ameaça: o coeficiente de casos ativos por município dos últimos 28 dias, além da quantidade de testes realizados por grupo de mil habitantes e a média móvel de óbitos dos últimos 14 dias. Já o eixo de vulnerabilidade considera a taxa de ocupação de leitos potenciais de UTI exclusivos para tratamento da Covid-19, isto é, a disponibilidade máxima de leitos para tratamento da doença. A estratégia de mapeamento de risco teve início em abril do ano passado.

O Mapa de Risco segue as orientações dos boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde e recomendações da equipe de especialistas do Centro de Comando e Controle (CCC) Covid-19 no Espírito Santo, que é composto pelo Corpo de Bombeiros Militar, Defesa Civil, Secretaria da Saúde (Sesa), Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). As decisões adotadas pelo Governo do Estado seguem parâmetros técnicos.

Confira a classificação de todos os municípios capixabas:

RISCO EXTREMO: Águia Branca, Anchieta, Barra de São Francisco, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Castelo, Colatina, Domingos Martins, Ecoporanga, Guarapari, João Neiva, Linhares, Marataízes, Marechal Floriano, Mimoso do Sul, Montanha, Muniz Freire, Muqui, Pancas, Pedro Canário, Pinheiros, Presidente Kennedy, Rio Novo do Sul, Santa Teresa, São José do Calçado, Serra, Vargem Alta, Viana, Vila Velha e Vitória.

RISCO ALTO: Afonso Cláudio, Água Doce do Norte, Alegre, Alfredo Chaves, Alto Rio Novo, Apiacá, Aracruz, Atílio Vivácqua, Baixo Guandu, Boa Esperança, Bom Jesus do Norte, Conceição do Castelo, Fundão, Governador Lindenberg, Guaçuí, Ibatiba, Ibiraçu, Irupi, Itaguaçu, Itapemirim, Iúna, Jaguaré, Jerônimo Monteiro, Mantenópolis, Marilândia, Mucurici, Nova Venécia, Piúma, Ponto Belo, Rio Bananal, Santa Leopoldina, Santa Maria de Jetibá, São Domingos do Norte, São Gabriel da Palha, São Mateus, São Roque do Canaã, Sooretama, Venda Nova do Imigrante e Vila Valério.

RISCO MODERADO: Brejetuba, Conceição da Barra, Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Ibitirama, Iconha, Itarana, Laranja da Terra e Vila Pavão.

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Ponte construída em Rio do Campo/Barra de São Francisco, deixa produtores agradecidos

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Uma ponte de madeira foi construída pela prefeitura de Barra de São Francisco, na localidade do Córrego do Rio do Campo, em Vila Monte Sinai (Vermelha), interior do município, nesta quinta-feira (15), por servidores da Secretaria de Interior e Transportes.

A ponte anterior não existia mais, inclusive eram os próprios moradores que sempre faziam a recuperação da mesma, mas a madeira não era de boa qualidade. Agora, na gestão atual, o prefeito Enivaldo dos Anjos (PSD), determinou e sua equipe construiu uma nova ponte com madeira mais resistente.

A ponte fica na propriedade do senhor Cemar Mesababe, que ficou muito agradecido pela obra feita na sua região, que, inclusive beneficia muita gente e era necessária para o tráfego de veículos e de toda produção agrícola daquela localidade.

“Estamos felizes, não só eu, mas toda comunidade, todos que prometeram fazer esta ponte anteriormente, nunca fizeram, então somos gratos pelo nosso prefeito Enivaldo dos Anjos, ter feito isso para nos. Tem muita produção aqui em nossa região do Rio do Campo, inclusive somos feirantes, e toda nossa produção vai para a cidade”, disse Cemar Mesababe.

A construção da ponte foi realizada pela Secretaria de Interior e Transportes, e acompanhada pelo Secretário Rodrigo Falcão e o Sub Rubens Delazari.

Veja como era antes e como ficou após conclusão do serviço:

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