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Medicina e Saúde

Viana Vacinada: dia D marca a aplicação da segunda meia dose na população vianense

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O governador do Estado, Renato Casagrande, participou, na manhã deste domingo (08), do ato simbólico que marcou o dia D de vacinação da segunda meia dose do Projeto Viana Vacinada. A expectativa é que sejam vacinados, ainda neste domingo, aproximadamente 15 mil vianenses voluntários que participaram do estudo no último dia 13 de junho.

Denominado “Efetividade, Segurança e Imunogenicidade da Meia Dose da Vacina ChAdOx1 nCoV-19 (AZD1222) para Covid-19”, o estudo científico tem o intuito de avaliar a capacidade da meia dose da vacina Astrazeneca (Oxford/Fiocruz) na população do município de 18 a 49 anos. 

“Queremos agradecer à população de Viana. Chegamos aos primeiros resultados de forma brilhante. Ninguém perdeu a vida após receber a primeira meia dose. Por esse fato, todo esforço já valeu a pena. Além disso, 88% das pessoas desenvolveram anticorpos e agora o restante vai desenvolver com essa segunda meia dose. Queremos salvar vidas e aqui em Viana estamos mostrando que é possível salvar mais pessoas com menos doses, já que ainda há muitos que não receberam nem a primeira dose mundo afora. Viana e o Espírito Santo estão dando uma grande contribuição à ciência”, afirmou o governador Casagrande.

O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, destacou que a iniciativa consolida o Espírito Santo como um estado de referência para o País na promoção de um SUS inovador e de qualidade. “É um grande salto em favor da ciência e da saúde pública no Brasil. Um projeto de pesquisa feito em um estado que é referência para o País na expansão de leitos, na expansão da rede de urgência e emergência com o SAMU, um estado que também é referência na testagem da população, fruto de uma gestão que só nos orgulha. Agradeço a parceria com todos os profissionais envolvidos nesse projeto de pesquisa e ao município de Viana, que acreditou desde o primeiro momento”, declarou.

A coordenadora de imunização da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Lely Guzman, reforçou a importância dos resultados apresentados no estudo. “Quero parabenizar ao estado do Espírito Santo nesse contexto tão importante dos resultados que foram apresentados, da importância do estudo que está sendo realizado em Viana. O projeto mostra como é importante uma parceria que se traduz em resultados para a saúde da população. Acreditamos nos governos, na ciência e nos pesquisadores. Trabalhando juntos somos melhores: melhores pátrias, melhores pessoas! É uma honra participar desse projeto em Viana”, disse.

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O prefeito de Viana, Wanderson Bueno, também falou sobre a importância da iniciativa no enfrentamento ao novo Coronavírus (Covid-19). “Quero agradecer ao governador por estar lidando a gestão da pandemia com transparência e com muito diálogo. Viana é a única cidade que atingiu 100% da população vacinada com a primeira dose. Quero agradecer a população de Viana, pois tínhamos duvida se iriam aderir ao programa Viana Vacinada. Conseguimos orientar à população e quase 20 mil vianenses entenderam a relevância desse projeto para o Brasil e para o mundo. Estamos dando uma grande contribuição para o avanço científico da vacinação contra esse vírus que tirou tantas vidas“, pontuou.

Também estiveram presentes na solenidade, a vice-governadora do Estado, Jacqueline Moraes; o secretário de Estado de Governo, Gilson Daniel; a secretária municipal de Saúde de Viana, Jaqueline Jubini; a coordenadora do estudo, professora e médica, Valéria Valim; o reitor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Paulo Sérgio de Paula Vargas; o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin; a subsecretária de Estado de Assistência à Saúde, Quelen Tanize Alves da Silva; o diretor do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (ICEPi), Fabiano Ribeiro; e o superintendente estadual do Ministério da Saúde, Bartolomeu Martins Lima. 

Dia D

Após a solenidade de início, o prefeito Wanderson Bueno, um dos voluntários do estudo, realizou a terceira coleta de sangue e, em seguida, os profissionais da saúde deram início a aplicação da segunda meia dose. Também foi apresentado o resultado preliminar dos dois primeiros materiais colhidos do prefeito, que apontou um aumento de até 150 vezes na quantidade de anticorpos circulando no organismo após a aplicação da primeira meia dose.

“Hoje é dia de agradecer. Estou muito feliz com a apresentação dos resultados, ver que todo o esforço e empenho estão proporcionando resultados positivos. Sou grato em saber que posso ir para minha casa com um pouco mais de tranquilidade e ver que a cidade de Viana está sendo protegida”, completou o prefeito.

O primeiro vianense a ser vacinado foi o pastor Ramires Campos Silvano, 39 anos e morador de Vila Bethânia, que relatou a sua satisfação em receber a segunda meia dose e contribuir com a ciência. “Acredito que estamos caminhando para um progresso muito grande. Me senti um cidadão muito alegre por ser imunizado. É muito satisfatório participar desse projeto, da história de Viana e de todo mundo, além de acompanhar a comprovação científica da elevação dos anticorpos após a vacinação”, disse.  

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Luciana Silva de Almeida, servidora pública de 25 anos e moradora de Vila Bethânia, relatou que essa vacina traz esperança a todos e agradeceu a oportunidade de participar do estudo. “A pandemia nos colocou em momentos complicados, e ser vacinada hoje é uma satisfação muito grande. Fico grata e agradeço ao Governo do Estado por esse momento. A vacina nos traz mais esperança de dias melhores”, ressaltou.

Ao todo, a segunda meia dose da vacina AstraZeneca está sendo aplicada em 174 seções, em 20 pontos de vacinação de Viana.

Resultados preliminares

O Projeto Viana Vacinada alcançou na primeira etapa, realizada no dia 13 de junho, 19.583 vianenses voluntários entre 18 a 49 anos. A professora Valéria Valim, coordenadora do estudo, comemorou os resultados obtidos nas análises. “É um resultado excelente. Demonstramos com esses dados que a primeira meia dose foi capaz de aumentar anticorpos em 88,3% dos participantes que não tiveram contato com o vírus”, apontou.

Ainda de acordo com ela, com a segunda meia dose, a probabilidade é de que o aumento da quantidade de anticorpos chegue a 100%. “Além disso, identificamos uma redução de 85% nas notificações em comparação ao mês de abril de 2021. Outro dado relevante foi que nenhum óbito foi registrado após os 14 dias da cobertura vacinal da primeira meia dose”, completou Valéria Valim. 

Monitoramento da resposta imune à vacina

Também está sendo realizado no Projeto Viana Vacinada, um estudo que monitora a resposta imune e sequenciamento genético da Covid-19 após a aplicação da meia dose da vacina AstraZeneca. Ao todo, 572 participantes estão sendo acompanhados por meio de amostra de sangue coletada no dia 13 de junho.  

A segunda coleta do material para análise foi realizada após 28 dias da aplicação da primeira meia dose. Já neste final de semana, o grupo irá realizar a terceira coleta e em seguida receberá a segunda meia dose. Os voluntários serão acompanhados mesmo após a finalização do esquema vacinal, visando chegar a conclusão de quantas pessoas irão alcançar a produção de anticorpos neutralizantes à doença. 

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Cientistas desenvolvem novo e promissor tratamento para dor crônica nas costas

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Diferentemente das terapias comuns, a técnica não busca reparar algo na região lombar, mas sim melhorar a comunicação das costas com o cérebro

Cientistas descobriram que retreinar a forma como as costas e o cérebro se comunicam pode controlar a dor na região. A pesquisa, publicada no Journal of the American Medical Association, acendeu uma nova esperança para as pessoas que convivem com dor crônica nas costas.

“O que observamos em nosso estudo foi um efeito clinicamente significativo na intensidade da dor e um efeito clinicamente significativo na incapacidade. As pessoas ficaram mais felizes, relataram que sentiam que suas costas estavam melhor e sua qualidade de vida era melhor. Também parece que esses efeitos foram sustentados ao longo do tempo”, afirma o professor da Escola de Ciências da Saúde da UNSW (University of New South Wales), James McAuley. 

O sistema nervoso das pessoas que têm dor crônica nas costas se comporta de maneira diferente daqueles que desenvolvem uma lesão recente na região lombar, segundo as pesquisas nas quais o estudo foi baseado. 

“Pessoas com dor nas costas são frequentemente informadas de que suas costas são vulneráveis ​​e precisam de proteção. Isso muda a forma como filtramos e interpretamos as informações das nossas costas e como as movemos. Com o tempo, elas ficam menos em forma e o modo como se comunicam com o cérebro é interrompido, de maneira que parece reforçar a noção de que as costas são vulneráveis ​​e precisam de proteção. O tratamento que idealizamos visa quebrar esse ciclo autossustentável”, diz o professor.

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As terapias tradicionais procuram, na maioria das vezes, consertar algo nas costas, por exemplo, os meios de “soltar” as articulações ou fortalecer músculos. Já o treinamento idealizado pelos pesquisadores leva em consideração todo o sistema, desde o que as pessoas pensam sobre as suas costas, como costas e cérebro se comunicam, as formas como as costas se movem e até mesmo as predisposições da região.

A pesquisa contou com 276 participantes que apresentavam dor lombar crônica por mais de três meses. Os voluntários foram divididos em dois grupos, sendo um de intervenção e o outro de controle.  

No primeiro, os pacientes realizaram um curso de 12 semanas focado no retreinamento sensório-motor que, em resumo, alterou a forma como eles pensavam o seu corpo, processavam as informações sensoriais da parte atingida pela dor e o modo como moviam suas costas durantes as atividades. 

“Esse tratamento, que inclui módulos e métodos educacionais especialmente projetados e retreinamento sensório-motor, visa corrigir a disfunção que agora sabemos estar envolvida na maioria das dores crônicas nas costas, e isso é uma perturbação no sistema nervoso”, explica o professor da University of South Australia, Lorimer Moseley.

A terapia tinha três metas: alinhar a compreensão do paciente com as descobertas científicas mais recentes sobre a causa da dor crônica nas costas, normalizar a forma como as costas e o cérebro se comunicam e treinar o corpo e o cérebro para voltarem a uma relação de proteção comum e com a possibilidade de retomada das atividades habituais.

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“Achamos que isso lhes dá confiança para buscar uma abordagem de recuperação que treina tanto o corpo quanto o cérebro”, ressalta o professor da Universidade de Notre Dame e diretor clínico do estudo, Ben Wand.

O outro grupo também passou por sessões clínicas semanais e treinamentos residenciais durante 12 semanas, mas não houve reeducação de movimentos nem atividade física. O grupo passou por sessões de laser, diatermia nas costas (técnica que estimula a produção de calor) e estimulação cerebral, além de técnicas para controlar os efeitos placebos dos tratamentos.

No total, foram necessárias 18 semanas para diminuir de forma significativa a intensidade da dor nos pacientes. 

Depois desse período, o grupo que passou pela reeducação relatou uma melhora na qualidade de vida mesmo um ano após o estudo. Apesar de os cientistas ainda considerarem pequena a melhora da intensidade da dor, o novo tratamento estimula a criação de novas terapias que, por exemplo, se concentrem nas costas, como a manipulação espinhal.

Os cientistas informaram que poucos tratamentos para a dor lombar demonstram benefícios a longo prazo, mas o presente estudo atingiu o feito de recuperar completamente duas vezes mais pessoas que os demais.

Os autores consideram necessárias mais pesquisas para testar o tratamento em diferentes populações e grupos mais específicos. Além disso, os pesquisadores esperam testar essa abordagem em outros tipos de dores.

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Capixaba Margareth Dalcolmo é eleita para integrar a Academia Nacional de Medicina

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Dona de uma sólida carreira acadêmica, Margareth é hoje considerada uma referência nacional na medicina e na ciência

A pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Margareth Dalcolmo foi eleita na noite da quinta-feira, 11, para a cadeira número 12 da Academia Nacional de Medicina (ANM). Ela recebeu 69 votos dos 80 membros da ANM que participaram do processo de escolha.

O ocupante anterior da cadeira era o médico pediatra Azor José de Lima, que foi professor-emérito da UniRio. Ele morreu em agosto de 2020.

A Academia é constituída de membros votantes titulares e eméritos. Eles ocupam cem cadeiras, havendo ainda membros honorários nacionais, internacionais e correspondentes.

Conhecida por centenas de participações nas emissoras de TV e rádio e nos jornais nos últimos dois anos, período em que esclareceu dúvidas e informou sobre a pandemia de covid-19, Margareth Dalcomo é a quinta mulher a se tornar membro da ANM.

Dona de uma sólida carreira acadêmica, é hoje considerada uma referência nacional na medicina e na ciência.

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Doutora em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Dalcolmo é pesquisadora sênior da Fiocruz e foi eleita presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia para o período de 2022 a 2024.

A pneumologista integra as sociedades brasileiras de Pneumologia e Tisiologia e de Infectologia, a REDE TB de Pesquisa em Tuberculose e o Steering Committee do Grupo RESIST TB da Boston Medical School.

Dalcomo faz parte ainda do Grupo de Peritos para aprovação de medicamentos essenciais (Expert Group for Essential Medicines List) da Organização Mundial da Saúde (OMS). Nesse grupo, foi reconduzida em mandato que irá até 2026.

Também é do Regional Advisory Committee do Banco Mundial para projetos de saúde na África Subsaariana em tuberculose e doenças respiratórias ocupacionais. Tem mais de 100 artigos científicos publicados no Brasil e no exterior.

Fundada no Rio de Janeiro sob o reinado do imperador Dom Pedro I, em 30 de junho de 1829, a ANM mudou de nome duas vezes. Mas mantém inalterado o seu objetivo: contribuir para o estudo, a discussão e o desenvolvimento das práticas da medicina, cirurgia, saúde pública e ciências afins. Também deve servir como órgão de consulta do governo brasileiro sobre questões de saúde e de educação médica.

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Desde a fundação da ANM, seus membros se reúnem toda quinta-feira, às 18 horas. É quando discutem assuntos médicos da atualidade, numa sessão aberta ao público.

Essa reunião faz da Academia Nacional de Medicina a mais antiga e única entidade científica dedicada à saúde a reunir-se regular e ininterruptamente.

A Academia também promove congressos nacionais e internacionais, cursos de extensão e atualização. Anualmente, distribui prêmios para médicos e pesquisadores não pertencentes aos seus quadros.

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