O telescópio Nancy Grace Roman, da Nasa, o maior observatório panorâmico já construído, decolou neste domingo (30) a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX, com a missão de explorar o universo e buscar respostas sobre a energia escura, os exoplanetas e a astrofísica infravermelha, o que pode mudar os modelos atuais da física.
O lançamento ocorreu às 7h26 (horário local, 8h26 de Brasília) a partir do Centro Espacial Kennedy da Nasa, no centro da Flórida.
O Roman terá um campo de visão 100 vezes maior que o do telescópio Hubble e poderá desafiar a compreensão atual do universo. Apenas um mês de observações permitirá rastrear a Via Láctea e detectar até a metade de suas estrelas, gerando um catálogo maior do que qualquer outro existente, segundo a Nasa.
Em comparação, o histórico telescópio Hubble, lançado ao espaço em 1990, precisa de um século para mapear a galáxia.
Após o lançamento, o Roman levará cerca de 100 dias para atingir seu destino final: uma zona gravitacionalmente estável entre o Sol e a Terra conhecida como o ponto de Lagrange L2.
A partir daí, o observatório rastreará o universo em busca de respostas sobre a energia escura, os exoplanetas e a astrofísica infravermelha.
A Nasa destacou que nos últimos cinco a dez anos surgiram indícios de que o “modelo padrão” do universo não está totalmente correto, devido a divergências na constante do Hubble. É muito provável que o Roman demonstre que o modelo padrão está errado.
O telescópio observará mais de 2 bilhões de galáxias, o que permitirá medir a expansão do universo e ajudará a descobrir até 40 vezes mais exoplanetas do que os conhecidos hoje, graças a um coronógrafo que bloqueia o brilho das estrelas e permite fotografar os planetas próximos a elas.
Descobertas como buracos negros isolados, estrelas de nêutrons e exoplanetas com discos passarão a ser rotineiras.
A principal diferença do Roman em relação ao Hubble ou ao James Webb, o telescópio mais poderoso criado pelo ser humano, é seu amplo campo de visão, que permite observar muitas mais regiões do espaço ao mesmo tempo.
Hubble e James Webb permitem ver com nitidez as folhas e os pássaros nas árvores distantes, e missões como a SPHERE oferecem uma vista panorâmica de toda a floresta. O Roman faz ambas as coisas ao mesmo tempo.
Graças a isso, transmitirá 11 terabytes de dados por dia, o equivalente a baixar cerca de 350 filmes em resolução 4K Ultra HD a cada 24 horas.
Além disso, seriam necessárias mais de meio milhão de telas 4K para exibir uma única imagem completa do rastreamento, o equivalente a cobrir 45 quarteirões de Manhattan.
O novo telescópio, batizado em homenagem à primeira astrônoma-chefe da Nasa, terá três objetivos iniciais durante seus primeiros cinco anos de atividade, segundo os especialistas. Após esse período, as metas serão atualizadas com base nas descobertas feitas pelo Roman.
Um de seus principais focos de atenção será o centro da Via Láctea, que rastreará a cada 12,5 minutos.