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Brasil

Aluno de 12 anos é espancado após ser xingado de “neguinho” em escola do DF

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Um episódio de extrema violência e discriminação racial abalou a comunidade escolar de São Sebastião na última sexta-feira (11/9). Um estudante de 12 anos foi brutalmente espancado por outro aluno, matriculado no 7º ano, dentro das dependências de uma instituição da rede pública de ensino. Antes de ser agredido fisicamente, o menino foi alvo de ofensas racistas, sendo verbalmente atacado com termos como “preto” e “neguinho”.

De acordo com os relatos sobre a ocorrência, a violência verbal evoluiu rapidamente para o confronto físico. A discussão inicial deu lugar a esbarrões e troca de empurrões no pátio até que o agressor derrubou a vítima no chão. Uma ocorrência foi aberta pela mãe da vítima na 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), que apura o caso.

Em seguida, o jovem passou a desferir uma série de socos e chutes direcionados principalmente ao rosto, ombros e costas do estudante, que não conseguiu se defender. A briga só teve fim quando um terceiro aluno interveio para separar os dois. Ao saber da briga, a Secretaria de Educação instaurou procedimento interno para apurar todas as circunstâncias do caso e irá transferir o aluno agressor para outra escola.

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Imagens e lesões

A coluna teve acesso a registros em vídeo que mostram a gravidade do ocorrido. Nas imagens, é possível observar uma multidão de alunos se aglomerando ao redor da cena, assistindo ao ato de violência sem intervir imediatamente.

 

A mãe da vítima documentou os hematomas resultantes do espancamento. As fotografias mostram marcas e manchas roxas espalhadas pelo corpo do menino, com lesões visíveis nos braços, costas, ombros e na região facial.

 

O advogado da família da vítima, Lucas Fagner Fernandes Pereira, manifestou indignação diante do ocorrido: “É estarrecedor que uma criança, dentro do ambiente escolar, seja vítima de racismo e de tamanha violência física justamente onde deveria estar protegida. As crianças são o futuro da humanidade, mas que futuro estamos construindo quando a infância já é marcada pelo racismo e pela violência? A família nos constituiu e buscaremos respostas e a apuração das responsabilidades perante todos os órgãos competentes”, disse.

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Brasil

Violência muda rotina e escolhas de 98% das mulheres brasileiras

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Oito em cada dez mulheres no país (78%) afirmam já ter sofrido pelo menos um tipo de violência. Quase todas as brasileiras (98%) recorrem a estratégias para reduzir riscos de sofrer violência no dia a dia. A sensação de insegurança que atinge as mulheres faz com que elas mudem comportamentos e limita suas escolhas em relação a lazer, mobilidade, trabalho e estudo.

Os resultados estão na pesquisa de opinião Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência”, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber. O levantamento será apresentado nesta quarta-feira (16), no painel (In)segurança das Mulheres e Mobilidade, durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

 

Para a pesquisa, foram ouvidas 1,5 mil pessoas de 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, entre os dias 22 e 30 de abril de 2026, por meio de entrevistas digitais de autopreenchimento. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais.

O medo da violência faz parte da vida cotidiana da maioria dos brasileiros, mas afeta as mulheres de maneira ainda mais intensa, de acordo com os dados. Entre as entrevistadas, 94% afirmam se sentirem inseguras diante da violência no dia a dia, contra 84% dos homens. Nos deslocamentos pela cidade, 94% das mulheres e 90% dos homens dizem sentir medo da violência.

“A pesquisa mostra que o medo da violência atravessa a forma como as mulheres vivem e circulam pelas cidades. E esse medo não surge do nada, ele é alimentado por experiências concretas de violência, vividas pelas próprias mulheres ou compartilhadas por outras ao seu redor”, afirma a diretora de Pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê.

Para a população em geral, as mulheres são percebidas como mais vulneráveis do que os homens em diversas formas de violência, principalmente doméstica, sexual, psicológica e física. A violência doméstica, por exemplo, é motivo de temor para seis em cada dez brasileiras.

Além disso, os espaços de lazer e o transporte público estão entre os locais em que as mulheres se sentem menos protegidas: 41% não se sentem nada segura em bares, festas e baladas e 42% não se sentem nada segura em pontos de ônibus e estações. Dentro dos transportes públicos, 33% dizem não se sentir nada segura.

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“Na prática, mulheres e homens não vivem a cidade da mesma maneira já que, para as mulheres, o acesso aos espaços e às oportunidades é constantemente condicionado pela preocupação com a própria segurança”, mencionou Maíra.
 

Brasília (DF), 15/09/2026 - Violência muda rotina e escolhas de 98% das mulheres brasileiras. Foto: Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva/Divulgação
Fonte: Institutos Patrícia Galvão e Locomotiva

Restrições por medo

O cenário de violência e insegurança leva quase a totalidade das mulheres (98%) a adotar no dia a dia ao menos uma das medidas pesquisadas para reduzir o risco de sofrer violência. Evitar determinados locais é a estratégia mais comum, citada por 90% das entrevistadas.

Outras medidas mostram o grau de vigilância incorporado à rotina: 88% evitam compartilhar informações pessoais ou sua localização nas redes sociais, 84% evitam usar o celular na rua, 83% avisam alguém sobre seus deslocamentos e horários, e 83% evitam sair à noite.

As mulheres também evitam o uso de aplicativos bancários no celular quando estão na rua (80%), compartilham sua localização com pessoas de confiança (77%), mudam trajetos habituais (69%), chamam carro ou moto por aplicativo para não precisar andar pelas ruas (66%) e pedem para alguém acompanhá-las quando saem de casa (66%).

Para evitar situações de violência, 62% das mulheres já mudaram hábitos de lazer, e 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam. Mais da metade (56%) já preferiu utilizar algum meio de transporte em vez de ir a pé, mesmo quando o destino era próximo. Além disso, 27% praticam ou já praticaram técnicas de defesa pessoal, e 26% carregam itens de proteção pessoal, como spray de pimenta ou alarme pessoal.

As decisões relacionadas à vida profissional e acadêmica também são afetadas. A pesquisa mostra que 45% das mulheres afirmam já ter deixado de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo por causa do medo da violência. Além disso, 44% já pensaram em mudar de bairro ou cidade para se sentirem mais seguras.

“Os dados desta pesquisa confirmam algo que já vínhamos observando em nosso trabalho cotidiano: a insegurança deixou de ser uma percepção pontual e se transformou numa rotina de cálculos e renúncias silenciosas, em que quase todas as mulheres brasileiras precisam evitar lugares, mudar trajetos, abrir mão do lazer ou reconsiderar até uma oportunidade de trabalho por medo da violência”, ressaltou a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira.

Poder Público e eleições

A pesquisa concluiu que, para as entrevistadas, a prevenção e o enfrentamento da violência no dia a dia são responsabilidades que devem envolver diferentes instituições públicas. As polícias Militar e Civil são apontadas por 73% das entrevistadas como responsáveis por essa atuação, seguidas pelo governo federal (69%), governo estadual (69%) e governo municipal (66%).

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No entanto, a maioria das mulheres avalia de forma negativa a atuação das instituições no combate à violência. Entre os piores resultados estão os representantes do Legislativo, com 74% de avaliação negativa, o governo estadual (72%), o Poder Judiciário (71%) e o governo federal (71%).

Além disso, para 78% das entrevistadas, as propostas de combate à violência contra mulheres nas ruas e no transporte público influenciarão na decisão de voto nas próximas eleições.
 

Brasília - O metrô da cidade já conta com um vagão exclusivo para mulheres. Conhecido como Vagão Rosa, a maioria das usuárias disse se sentir mais segura contra abuso sexuais (Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O Vagão Rosa, destinado a mulheres, funciona no metrô de Brasília – Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Para Vera Vieira, os resultados da pesquisa mostram que a segurança das mulheres não é uma pauta setorial, mas uma condição para o exercício pleno da cidadania. “Por isso, reforçamos a urgência de políticas públicas que ampliem os canais de denúncia, melhorem a infraestrutura das cidades e enfrentem as desigualdades que sustentam esse cenário”, acrescentou.

Na avaliação de 95% das entrevistadas, é importante ampliar os canais de denúncia e apoio às vítimas de violência. A transformação dos espaços urbanos também aparece com destaque, com 93% das mulheres indicando a importância de melhorar a infraestrutura das cidades, incluindo transporte público, iluminação e espaços públicos.

A pesquisa aponta que 93% consideram importante criar e ampliar políticas específicas de proteção às mulheres, com benefícios indiretos para os homens e para a população em geral, e realizar esforços de prevenção, como medidas de educação e mudança cultural.

Reduzir as desigualdades sociais e econômicas como parte das estratégias de prevenção e enfrentamento da violência foi outra medida apontada por 92% das mulheres.

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Brasil

Produtora de Dark Horse: “Não serei o novo Mauro Cid”

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Produtora do filme Dark Horse, Karina Gama afirma que tem sido pressionada a fazer uma delação premiada e afirmou que não se tornará o próximo Mauro Cid, em referência ao ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) que o delatou durante o processo sobre a tentativa de golpe de Estado.

– Quando você pergunta a minha sensação, da operação, da condução das investigações, eu entendo que é como se eu fosse o próximo Mauro Cid. Que eu preciso incriminar pessoas. O que estou dizendo há nove meses é que tudo que a gente fez, estou querendo responder e esclarecer. Mas preciso responder e esclarecer para as autoridades – declarou ela em entrevista à CNN Brasil.

Karina afirmou, porém, que “as autoridades, em vez de perguntar de maneira técnica, tem essa politização dentro da questão jurídica, de fiscalização dos projetos”.

Indagada pela CNN se ela será o próximo Mauro Cid, a produtora respondeu que não e justificou:

– Porque eu não tenho como incriminar alguém. Eu não tenho, eu não vi, não participei de nada que incrimine pessoas. Tudo que a gente fez foi um filme – assinalou.

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A produtora foi um dos alvos da Operação Make Up, executada na última quinta-feira (10) por parte da Polícia Federal (PF). A ação ocorre no âmbito de um inquérito relatado pelo ministro Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal (STF), que apura suspeita de desvio de emendas parlamentares para a produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Karina defende que até onde ela possui conhecimento o investidor do projeto foi o fundo Havengate. Ela afirma que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, não repassou dinheiro para a produtora e destacou que ela nunca participou do fundo.

– O Vorcaro não deu nenhum centavo para a produtora. Não existiu nenhuma relação da produtora com o Vorcaro. Não existiu nenhuma relação da produtora com as empresas do Vorcaro, não existiu. (…) Eu não participei do fundo. Eu nunca participei do fundo e não era o meu papel. O meu papel ali era contratada do fundo – adicionou.

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