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Após mudança na lei, autoescolas criam pacotes de aulas a partir de R$ 300

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A flexibilização da CNH reduziu a demanda e mudou a dinâmica das autoescolas, que buscam alternativas para sobreviver

As mudanças nas regras para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) viraram o mercado das autoescolas de cabeça para baixo no Espírito Santo. Empresas perderam alunos, o faturamento despencou e demissões se tornaram inevitáveis.

Meses depois, o setor ainda tenta se reinventar para sobreviver. Para resistir no mercado, as autoescolas estão oferecendo pacotes de aulas a partir de R$ 300.

Entre as principais mudanças estabelecidas pela nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estão o fim da exigência de que as aulas teóricas e práticas sejam feitas nas autoescolas e a redução da carga mínima de aulas práticas de 20h para 2h obrigatórias, além da possibilidade de realizar as aulas com instrutores autônomos.

As mudanças geraram preocupação no setor e levaram muitos a acreditar no fim das autoescolas, mas o Folha Vitória fez um levantamento na Grande Vitória e verificou que diversas empresas tradicionais desse ramo estão sobrevivendo.

O empresário Emílio Carlos da Silva, dono de uma autoescola que funciona há 25 anos em Cristóvão Colombo, Vila Velha, contou que teve uma queda de 40% no faturamento e teve que demitir três dos 10 colaboradores após a implantação das novas regras.

“As pessoas ficaram esperando para ver no que ia dar. Foram criadas muitas fake news e teve gente que achou que a CNH ia sair de graça. Colocaram as autoescolas como vilãs. Mas agora as pessoas estão se informando e vendo que a diferença maior é para quem já dirige. Porque 70% das pessoas que vão tirar a carteira nunca pegaram um carro e precisam aprender de forma segura. É aí que entra a autoescola”, defendeu o empresário.

No centro de formação de condutores do Emílio, há pacotes com duas, cinco, 10 e 20 aulas, com valores a partir de R$ 499.

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CNH carteira de motorista
Novas normas para obtenção da CNH passaram a valer em dezembro de 2025. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Autoescola em Cariacica sobreviveu porque tinha caixa

Cirlene Denadai, dona de um centro de formação de condutores que funciona há 31 anos Campo Grande, Cariacica, relatou que a autoescola sofreu uma queda brusca na procura pelos serviços durante os três meses subsequentes à alteração nas normas. A empresa precisou se sustentar durante esse período com reservas financeiras.

Muitas autoescolas fecharam porque não tinham caixa. Eu só sobrevivi porque sempre trabalhei com os pés no chão”, disse a empresária. Apesar da crise, Cirlene garante que não demitiu nenhum dos dez funcionários. A autoescola dela oferece pacotes a partir de R$ 300 com duas aulas.

Uma rede de autoescolas que tem duas unidades na Serra e uma em Vitória também foi impactada. Administrador da filial da Mata da Praia, o empresário Ricardo Lins contou que as duas unidades da Serra precisaram demitir oito dos 33 funcionários que tinham.

A unidade de Vitória foi inaugurada no final de setembro de 2025, poucos meses antes da crise do setor, que se instalaria em dezembro. Apesar das intercorrências, o empreendedor contou que segue confiante de que a situação vai melhorar.

“Abrir uma loja em uma cidade em que você ainda não é conhecido já é um desafio. Imagina nessa situação. Mas agora estamos esperando para ver como o mercado vai se comportar. Vão entrar os instrutores autônomos, que têm um custo menor para operar. Mas sabemos que muitas pessoas têm mais confiança na autoescola, por ser uma empresa”, disse.

Na autoescola do Ricardo, há pacotes a partir de R$ 389 com duas aulas.

prova de trânsito autoescola
Prova da baliza deixou de ser obrigatória. (Foto: Divulgação/ Detran-ES)

Críticas ao novo modelo de curso teórico

Emílio analisa que a queda no número de aulas práticas obrigatórias foi uma mudança positiva, mas critica as mudanças no curso teórico.

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“Tirar o aluno do aprendizado em sala de aula foi um tiro no pé. As pessoas vão para a rua com a CNH para dirigir sem conhecer a legislação de trânsito, porque não dá pra aprender nem 1% do que é necessário com menos de meia hora de videoaula”, criticou Emílio.

Antes das alterações, a carga horária mínima obrigatória do curso teórico, que era ministrado pelas autoescolas, era de 45 horas. Agora, o curso é oferecido gratuitamente na plataforma CNH do Brasil e não tem carga horária mínima.

Cirlene também discorda dessa mudança e avalia que a prova teórica perdeu qualidade e baixou consideravelmente o nível de exigência.

“As provas teóricas agora estão uma vergonha. Qualquer um passa. E mesmo não tendo mais as aulas teóricas aqui, eu entrego o livro para os meus alunos e falo: ‘estuda bastante’. Porque se você bate com o carro, você precisa saber se está certo ou errado”, avaliou a empresária.

Principais mudanças para obtenção da CNH

  • Processo pode ser iniciado on-line pelo aplicativo ou site do governo;
  • Curso teórico passa a ser gratuito e disponível em plataforma digital;
  • Fim da carga horária mínima para aulas teóricas;
  • Aulas práticas obrigatórias caem de 20 para 2 horas;
  • Autoescola deixa de ser obrigatória no processo;
  • Candidato pode ter aulas com instrutor autônomo credenciado;
  • Processo de habilitação não tem mais prazo para conclusão;
  • Baliza deixa de ser etapa eliminatória isolada na prova prática;
  • Candidato pode fazer prova prática em carro automático;
  • Candidato pode utilizar veículo próprio nas aulas e na prova (se regularizado).

Custo mínimo para tirar a CNH no ES

  • Taxa de serviço de Primeira Habilitação R$ 533,34 para (A ou B) ou R$ 666,67 para A e B;
  • Exames de avaliação de aptidão física e mental + avaliação psicológica – R$ 180;
  • Duas aulas práticas em autoescolas – entre R$ 300 e R$ 499;
  • Total mínimo- R$ 1.013,34

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PMS: Setor de serviços reduz perdas, mas continua com desempenho negativo no estado

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Análise do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG, com base na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, mostra que o volume de serviços no estado registrou desaceleração de -0,1% em fevereiro o que representa leve recuperação na comparação com janeiro (-0,4%). É o terceiro recuo seguido na base de comparação mensal. No país, o volume de serviços apresentou elevação de 0,1% em fevereiro.
Já na base de comparação anual, fevereiro de 2026 com fevereiro de 2025, a desaceleração dos serviços em Minas Gerais foi de -3,7%.  No ano passado, a mesma base de comparação marcou incremento de 3,0%. Em relação ao país, o setor de serviços registrou crescimento de 0,5% em fevereiro, desempenho que ficou abaixo do verificado na comparação anual para o mês em 2025, 4,4%. O volume de serviços apresenta crescimento contínuo nos últimos 23 meses no Brasil, na base anual de comparação.
De janeiro a fevereiro de 2026, o desempenho dos serviços no estado teve queda de -2,5%, abaixo dos 2,1% verificados no mesmo período de 2025. No acumulado do ano, o setor teve incremento de 1,9% no país sendo 0,8% abaixo do crescimento verificado no mesmo período do ano passado.
De março de 2025 a fevereiro de 2026, a desaceleração no volume de serviços foi de -0,6% em Minas. No acumulado de 12 meses para o mesmo período do ano passado, o estado havia registrado crescimento de 1,9% no setor de serviços. No país, o acumulado em 12 meses indica alta no volume de serviços de 2,7% em fevereiro, sendo 0,2% abaixo do verificado em mesmo período de 2025.
Para a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, a Pesquisa Mensal de Serviços mostra que o setor em Minas Gerais segue enfrentando um cenário de desaceleração, com retrações recentes e desempenho inferior ao nacional, refletindo principalmente a fraqueza de atividades de maior peso econômico, como transportes, serviços às famílias e parte dos serviços profissionais. “Esse comportamento está ligado ao elevado endividamento das famílias, que mantém o consumo mais cauteloso e concentrado em gastos essenciais, limitando a demanda por serviços, em um contexto de forte uso do cartão de crédito e alto comprometimento da renda. Acrescido a isso, o endividamento das empresas com as taxas de juros ainda elevadas pressiona o setor, encarecem o crédito, restringem investimentos e dificultam decisões de expansão, o que reforça um ambiente de crescimento contido no setor de serviços no estado”, explica Gonçalves.
No Brasil, no período de 12 meses, os segmentos de crescimento mais consistente no setor de serviços foram informação e comunicação (5,2%), serviços profissionais (2,8%) e transportes (2,1%), sendo que outros serviços (-0,3%) registraram queda.
Já em Minas Gerais, as retrações dos segmentos de maior peso pressionaram negativamente o indicador do acumulado de 12 meses como transportes (-2,0%), serviços profissionais (2,6%) e serviços às famílias (-0,7%). As atividades com melhor desempenho no estado foram outros serviços (4,4%), 4,7 pontos percentuais acima da média nacional e informação e comunicação (2,4%).
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor do comércio de bens, serviços e turismo no estado, que abrange mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, a Fecomércio MG atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com o governo e a sociedade.  Outra importante atribuição da Fecomércio MG é a administração do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) em Minas Gerais. A atuação integrada das três casas fortalece a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade em geral, a partir de suas diversas unidades distribuídas pelo estado.
Desde 2022, a Federação tem se destacado na agenda pública, promovendo discussões sobre a importância do setor para o desenvolvimento econômico de Minas Gerais. A Fecomércio MG trabalha em estreita colaboração com a Confederação Nacional do Comércio (CNC), presidida por José Roberto Tadros, para defender os interesses do setor em âmbito municipal, estadual e federal. A Federação busca melhores condições tributárias para o setor e celebra convenções coletivas de trabalho, além de oferecer benefícios que visam o fortalecimento do comércio.
Com 87 anos de atuação, a Fecomércio MG é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.

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Artigo: FGTS liberado para dívida: panaceia eleitoral ou bomba no futuro do trabalhador?

Publicado

Por Érico Colodeti Filho

endividamento das famílias brasileiras bate recordes, com inadimplência em alta e 67% dos trabalhadores sobrevivendo apenas 1 mês sem salário, segundo a Serasa Experian. O alerta soou no governo federal, especialmente com eleições em outubro. A política expansionista fiscal – gastos acima da arrecadação, estímulo ao consumo via auxílios e emendas – inflou preços, elevou a Selic e multiplicou juros no cartão rotativo (424% a.a.) e cheque especial (300%+). Nesse sentido, os olhares se voltam para o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

Agora, a solução proposta é reeditar o Desenrola liberando FGTS para quitar dívidas. Mas quem garante que o brasileiro não voltará ao vermelho? E se isso virar “eterno saquinho de emergência”?

A medida soa tentadora: use o fundo trabalhado a vida toda para limpar o nome e respirar. Lula e Galípolo, em 25/03/2026, admitiram o drama. 100 milhões pagam juros acima de 100% ao ano, porém ignoram a raiz: falta de educação financeira. Sem hábitos como orçar com propósito (destine cada real a valores reais), pagar-se primeiro (poupança automática 10-20%) e regra 24/48h para compras impulsivas, a quitação é paliativa.

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Estudos mostram: 70% dos renegociados voltam a dever em 12 meses, por não terem reserva de emergência. Ou seja, de 6 a 12 meses de despesas em renda fixa.

Consequências do FGTS liberado? Depleção da aposentadoria: o fundo, sagrado para velhice, vira “salvador” imediato, no entanto, sem contrapartida comportamental agrava o ciclo. Inflação persiste (gastos públicos acima do arcabouço fiscal), juros altos continuam, e o trabalhador fica sem rede de segurança. Empresas sofrem com absenteísmo por estresse financeiro (39% com insônia, diz Serasa).

Educação financeira é o antídoto: domine o orçamento, construa reserva, gerencie dívidas (priorize juros altos), invista consciente e adie gratificação. Sem isso, Desenrola com FGTS é Band-Aid em hemorragia.

 

Érico Colodeti Filho é especialista em investimentos pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Especialista em criptomoedas pela Associação Nacional das Corretoras Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias (Ancord). Professor universitário.

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