A Associação Chapecoense de Futebol foi condenada a pagar R$ 450 mil à família do jornalista Giovani Klein Victoria. Ele foi uma das 71 vítimas do acidente aéreo em Medellín, na Colômbia. A tragédia com o avião que levava a equipe para a final inédita da Copa Sul-Americana completará 10 anos em novembro.
Na sentença judicial, o magistrado reconheceu a responsabilidade civil objetiva e solidária do clube como responsável pela contratação do transporte junto à empresa LaMia. O juiz apontou culpa grave por negligência na escolha da companhia aérea, motivada pela opção pelo serviço mais barato.
A decisão determina o pagamento de R$ 150 mil por danos morais para cada um dos três autores da ação, que são a esposa e os pais da vítima. Em nota oficial, a Chapecoense informou que não vai comentar a decisão porque o processo ainda se encontra em trâmite.
Os pedidos de indenização por danos materiais e de pensão mensal para a companheira do repórter foram julgados improcedentes. A Justiça rejeitou os pleitos sob a justificativa de que faltaram comprovações de desembolso financeiro e de dependência econômica.
A Chapecoense tentou afastar a responsabilidade solidária argumentando que o jornalista, como profissional de imprensa, viajava de forma gratuita. O clube defendeu que a falta de um contrato com a vítima e a natureza do transporte invalidariam a obrigação civil. Giovani Klein tinha 28 anos, era natural de Pelotas (RS) e atuava na cobertura esportiva pela RBS TV Chapecó desde 2014.
O ACIDENTE
A aeronave que levava a delegação do time catarinense caiu pouco antes de chegar ao destino, em Medellín, na Colômbia, na madrugada do dia 29 de novembro de 2016. O motivo do acidente foi a falta de combustível, conforme a investigação concluída pela Aeronáutica Civil da Colômbia.
O voo 2933 era pilotado pelo boliviano Miguel Quiroga, um dos sócios-proprietários da companhia aérea, apontado como um dos principais responsáveis pelo fim trágico da viagem que deixou 71 mortos, dos 77 que estavam a bordo.
Entre os sobreviventes está o atleta Alan Ruschel, o único que conseguiu voltar a jogar profissionalmente. O lateral-direito passou por cinco clubes, além da Chapecoense, e hoje defende as cores do Juventude, equipe que disputa a Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro.