Bebê de 35 dias morreu durante consulta; MPES propôs suspensão do processo, mas família cobra responsabilização do médico
A família do bebê Miguel Nunes Costa Reis, que morreu aos 35 dias de vida, é contrária à proposta de suspensão condicional do processo apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) no caso que envolve a morte da criança durante uma consulta médica em Vila Velha, há pouco mais de um ano.
O MPES propôs suspensão condicional do processo contra o médico Adoris Loureiro Lopes, mediante o cumprimento de algumas condições, incluindo indenização à família. A defesa dos pais afirma que eles não aceitam nenhum tipo de acordo e querem que o médico seja responsabilizado por homicídio doloso, com dolo eventual.
O advogado Fábio Marçal, que atua como assistente de acusação contratado pela família, afirmou ao Folha Vitória que o pedido para que ele e sua equipe atuem formalmente no processo ainda não foi analisado pela Justiça.
Segundo ele, a família também defende que a conduta atribuída ao médico não deve ser tratada como homicídio culposo.
“A família não quer nenhum tipo de acordo, quer que ele pague pelo que ele fez, e a gente entende que o que ele fez não foi homicídio culposo. Foi homicídio doloso com dolo eventual”, afirmou Marçal.
Segundo o advogado, a defesa da família já havia apresentado uma petição antes da manifestação do Ministério Público, mas ainda não houve manifestação do MPES sobre o pedido.
O MPES foi procurado pelo Folha Vitória para esclarecer os termos da proposta e o andamento do caso, mas informou que o procedimento tramita em segredo de Justiça e, por isso, não pode fornecer informações neste momento.
De acordo com Marçal, a família pretende adotar as medidas cabíveis conforme a decisão da Justiça.
“A criança morreu e ele continua atendendo como se não tivesse acontecido nada. Dependendo de qual for a decisão do Judiciário, nós vamos ver as medidas que são cabíveis nesse caso e vamos providenciar todas elas, o uso de todas as situações cabíveis para que esse crime não fique impune. ”, afirmou.
O que diz a defesa do médico
A defesa do médico também foi procurada. Em nota, os advogados Rodrigo Faucz, Mario de Oliveira Filho e David Metzker informaram que ainda não tiveram acesso às condições da proposta apresentada pelo Ministério Público.
Segundo eles, assim que forem intimados, vão se reunir com o cliente para tratar do assunto.
Morte de Miguel completou um ano
O desdobramento do caso na Justiça acontece na mesma época em que a morte do bebê completa um ano. Miguel morreu em 21 de julho de 2025, durante uma consulta em uma clínica particular de Vila Velha. A criança tinha 35 dias de vida e havia sido levada pelos pais para uma avaliação relacionada a um quadro de refluxo.
Ronaldo dos Santos Costa, pai de Miguel. Foto: Reprodução/TV Vitória
Na ocasião, o pai do bebê, Ronaldo dos Santos Costa, relatou que o médico teria colocado a criança de cabeça para baixo para fazer a limpeza depois que ela evacuou durante o atendimento. Segundo ele, após o procedimento, Miguel começou a ficar roxo e apresentou queda dos batimentos cardíacos e da respiração.
O pai afirmou ainda que o médico teria informado que o coração da criança estava parando e que o Samu foi acionado. Quando a equipe chegou à clínica, o bebê já estava morto. Na época, a defesa do médico contestou a versão apresentada pela família e afirmou que não houve procedimento inadequado durante o atendimento.
Laudo apontou causa da morte
Um mês após a morte, a família informou que o laudo médico apontou como causa do óbito um edema agudo de pulmão provocado por broncoaspiração de conteúdo gástrico. A família passou a defender que o caso fosse tratado como homicídio com dolo eventual.
Para Fábio Marçal, a conduta atribuída ao médico ultrapassaria uma situação de negligência, imprudência ou imperícia. O caso, inicialmente investigado pela Polícia Civil, avançou posteriormente para a esfera judicial.
O médico foi denunciado pelo MPES por homicídio culposo alguns meses após a morte da criança. Agora, a família contesta a possibilidade de suspensão do processo e aguarda a análise dos pedidos apresentados pela defesa.
Como o processo tramita em segredo de Justiça, não foram divulgados pelo MPES os termos da proposta de suspensão condicional nem outras informações sobre o andamento da ação.
Duas crianças, de 3 e 5 anos, foram encontradas mortas dentro de um carro na manhã deste domingo (9), na zona sul de São Paulo.
O pai das vítimas, de 24 anos, foi preso em flagrante sob as acusações de homicídio e violência doméstica, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP). Ele teria se apresentado para confessar a morte dos filhos, informou a Polícia Militar ao Estadão.
Homem se apresentou à polícia
Conforme a Polícia Militar, o homem se apresentou no 48º Distrito Policial, na Cidade Dutra, e indicou o local onde os corpos estavam.
Após o relato, policiais militares foram até o endereço indicado, na Rua Luiz Supertti, 25, no Jardim Guanabara, na zona sul paulistana. Lá, localizaram as duas crianças já mortas dentro do carro.
Apesar de o pai ter se apresentado no 48º DP, a ocorrência foi registrada como flagrante no 101º DP, no Jardim das Imbuias.
Um jovem de 20 anos foi baleado três vezes durante um ataque a tiros no bairro Laranjeiras, na Serra, na madrugada de quarta-feira (5). Um dos disparos atingiu o pingente do cordão que a vítima usava, evitando uma perfuração na região do abdômen.
Policiais militares que faziam patrulhamento pela região ouviram os disparos por volta de 2h30 e foram até o local. Moradores que presenciaram o crime relataram às equipes que os atiradores passaram em um carro azul e dispararam contra dois homens, fugindo em seguida em direção ao bairro Jacaraípe.
De acordo com relatos de testemunhas, o jovem ferido foi levado a um pronto atendimento logo após o crime. Médicos que atenderam a vítima informaram que ela foi atingida três vezes: um tiro de raspão na cabeça, outro na mão direita e um terceiro no abdômen.
O disparo na região da barriga chamou atenção de médicos e também de policiais. Segundo as informações apuradas, a lesão não foi mais grave porque a vítima usava um cordão com pingente, que recebeu o impacto do tiro e evitou a perfuração do abdômen.
Ao tomar conhecimento da rota de fuga informada pelas testemunhas, as equipes passaram a procurar o carro azul usado no ataque. O veículo foi localizado estacionado e destrancado em uma rua do bairro Nova Almeida.
Durante a revista ao carro, os militares encontraram um celular desbloqueado dentro do veículo. A análise dos arquivos revelou a gravação do próprio ataque, feita por um dos suspeitos que estava no carro durante o crime.
Perto do local onde o veículo foi encontrado, os policiais notaram movimentação suspeita em uma casa. Ao se aproximarem, encontraram dois adolescentes com características que haviam sido repassadas pelas testemunhas do ataque.
Fotos dos menores foram enviadas às equipes que acompanhavam o jovem baleado no pronto atendimento. A vítima reconheceu os dois adolescentes nas imagens, o que resultou na apreensão de ambos.
Outros itens apreendidos
Na casa onde os menores foram encontrados, a Polícia Militar também apreendeu a chave do carro utilizado no ataque. Em outro cômodo do imóvel, os policiais localizaram um revólver, munições e uma quantidade de maconha.
A Polícia Civil informou que o caso será investigado pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra. Até o momento, nenhum suspeito de cometer o crime foi detido.