A saída do PSD do caminho de Lorenzo Pazolini (Republicanos) mudou o tabuleiro da sucessão estadual. Lívia Vasconcelos, primeira-dama de Colatina, era a mulher que o ex-prefeito de Vitória queria ao seu lado na disputa pelo governo. Com o PSD fora da composição, porém, a cadeira de vice voltou a ficar aberta — e, nos bastidores, a lista de possíveis ocupantes cresceu.
A preferência de Pazolini continua sendo por uma mulher, embora a política, como se sabe, também seja feita de exceções. E há um “intruso” masculino no páreo.
Hoje, os nomes circulam entre quatro partidos: Republicanos, PL, Democrata e Novo. Os três primeiros já integram formalmente o campo de Pazolini. O Novo, por sua vez, ainda negocia sua entrada na aliança.
Mais do que escolher um nome para compor a chapa, Pazolini terá de decidir qual movimento político quer fazer com a vice.
Novo coloca Penélope e Monjardim no tabuleiro
No Novo, a equação é mais complicada.
Penélope Vervloet Feu Rosa aparece como uma das novidades na corrida. Servidora concursada do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, ela carrega ainda o sobrenome de uma família tradicional da Serra. Filha do ex-prefeito José Maria Feu Rosa, assassinado em 1999, Penélope tem raízes políticas no município que possui um dos maiores eleitorados do Estado.
A escolha dela teria uma vantagem adicional para Pazolini: poderia aproximar o Novo do Republicanos.
Só que há um problema — e ele não é pequeno.
Penélope está entre os nomes da chapa do Novo para deputado federal e é considerada peça importante na estratégia eleitoral da legenda. Tirar seu nome da disputa proporcional significaria mexer em um planejamento que o partido vem construindo há anos.
Por isso, Leonardo Monjardim surge como alternativa mais conveniente para o Novo.
Atual candidato ao Senado pelo partido, o vereador de Vitória admite que poderia trocar a candidatura pela vice, caso essa seja a decisão da legenda.
É aí que aparece uma das ironias da negociação: Monjardim pode ser mais fácil para o Novo, mas menos interessante para Pazolini.
O vereador é homem, branco, de meia-idade e tem atuação política concentrada na Grande Vitória — um perfil bastante semelhante ao do próprio candidato ao governo.
Uma mulher, nesse sentido, daria outra cara à chapa.
PL mantém a porta aberta
No PL, o nome que começou a circular é o da Enfermeira Laryssa.
Bolsonarista e evangélica, Laryssa foi candidata a vice-prefeita de Vila Velha em 2024 e agora disputa uma vaga de deputada estadual pelo partido.
Sua eventual indicação teria um significado político claro: reforçaria a presença do PL na chapa de Pazolini e aproximaria ainda mais o candidato do eleitorado conservador.
Mas a negociação ainda depende das conversas entre Republicanos e PL.
Enquanto Magno Malta esteve fora do país, o assunto ficou em compasso de espera. Com o retorno do senador, as tratativas devem voltar à mesa.
E, em política, quando Magno Malta entra na conversa, a escolha da vice dificilmente será apenas uma escolha pessoal do candidato.
Republicanos também olha para dentro de casa
Dentro do próprio Republicanos, dois nomes ganharam espaço: Adriana Boas e Soraya Manato.
Adriana tem atuação ligada às famílias atípicas e à defesa de pautas como proteção da família, valores cristãos e apoio às mulheres e mães solo.
Politicamente, seria uma escolha de perfil bastante alinhado ao campo conservador de Pazolini.
Soraya Manato, por sua vez, traz outro peso para a equação.
Ex-deputada federal e ex-secretária de Assistência Social de Vitória, ela está ligada diretamente ao grupo Manato. Seu marido, Carlos Manato, também está no Republicanos e trabalha para retornar à Câmara dos Deputados.
E é justamente aí que mora o problema.
Uma eventual escolha de Soraya para vice poderia fortalecer a candidatura do marido, criando desconforto entre os demais candidatos a deputado federal da legenda.
Ou seja: uma escolha para a vice poderia acabar interferindo diretamente na disputa proporcional.
Democrata oferece três mulheres
O Democrata, partido de menor estrutura dentro da aliança, foi mais direto: colocou três mulheres à disposição.
Hélida Loreto aparece como a indicação mais forte. Líder comunitária e uma das fundadoras da Associação das Paneleiras de Goiabeiras, ela tem uma trajetória construída na comunidade.
Também estão no radar a advogada Elizete Passarela, esposa do ex-deputado Nilton Baiano, e a advogada e contadora Graça Foster, que disputou a Prefeitura de Viana em 2020.
O diferencial do Democrata é justamente a quantidade de opções femininas.
O partido pode oferecer a Pazolini uma solução para a preferência por uma mulher sem necessariamente desmontar uma chapa proporcional já montada, já que nenhuma das três aparece na ata como candidata a deputada.
Por outro lado, é preciso separar representatividade social de força eleitoral. Os resultados apresentados na própria trajetória das candidatas mostram que elas ainda não possuem o mesmo capital eleitoral de nomes mais conhecidos do cenário estadual.
A vice virou peça de xadrez
O que está em discussão, portanto, é muito maior do que o nome que ocupará a segunda posição da chapa.
Penélope pode aproximar o Novo.
Laryssa pode consolidar a relação com o PL.
Adriana mantém a escolha dentro do Republicanos e conversa diretamente com o eleitorado conservador.
Soraya aproxima o grupo Manato, mas pode mexer na disputa pela Câmara.
Hélida, Elizete ou Graça podem garantir ao Democrata uma participação maior na chapa majoritária.
E Monjardim, o único homem entre os nomes apresentados, pode ser justamente a alternativa capaz de destravar a negociação com o Novo.
No fim das contas, a escolha de Pazolini será também uma mensagem sobre quem terá mais espaço na sua futura administração e qual grupo político terá maior proximidade com o candidato.
Por enquanto, não há definição.
Há nomes, conversas, interesses e, como manda a boa política capixaba, muita coisa sendo discutida longe dos holofotes.
A corrida pela vice apenas começou.