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Política Nacional

Federação União-PP se reúne nesta terça para formalizar apoio a Flávio

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A federação União Progressista, composta pelos partidos União Brasil e Progressistas, fará uma reunião às 16h desta terça-feira (6/10) para bater o martelo quanto a um apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais.

Conforme apurou o Metrópoles, a tendência é que a federação fique ao lado do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), diferentemente do primeiro turno, quando decidiu pela neutralidade.

Com a decisão tomada, a oficialização do apoio será feita na quarta-feira (7/10), na sede do União Brasil, em Brasília. Deputados e senadores que compõem a federação foram convocados pelos presidentes dos respectivos partidos a participarem da reunião.

No primeiro turno, o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI) – que não foi reeleito –, liberou a sigla para apoiar quem preferisse. Nos bastidores, ele teria reclamado da falta de apoio de Flávio em seu envolvimento no caso do Banco Master.

Já Antônio Rueda, presidente do União Brasil e eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro, sempre esteve em rota de colisão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O petista chegou a declarar que não gosta dele durante uma reunião ministerial no ano passado.

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Política Nacional

Nunes Marques cogita libertar Jair Bolsonaro após o 2º turno

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Antes das eleições, estava fora dos planos de Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), conceder liminar para libertar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Passado o primeiro turno, com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) arrancando na frente da disputa, pessoas próximas dizem que entrou no radar do ministro a possibilidade de tomar uma decisão favorável ao ex-presidente.

Está na mesa de Nunes Marques um pedido da defesa de Jair para suspender a condenação e a prisão dele por ter tramado um golpe de Estado. A solicitação foi feita em uma ação de revisão criminal. Hoje, existem duas ações desse tipo no gabinete do ministro. Se ele concordar com o argumento dos advogados, o político conservador pode ter direito a um novo julgamento, começando do zero.

Flávio anunciou que, se for eleito, vai conceder indulto ao próprio pai. Portanto, uma eventual decisão de Nunes Marques anteciparia esse cenário e daria ainda mais poderes para o ministro diante do futuro presidente, a depender do resultado das urnas no dia 25.

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PGR

Nunes Marques, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), não deve julgar o pedido antes do fim do segundo turno para não tumultuar as campanhas. O ministro concedeu prazo para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar antes de tomar qualquer decisão, “diante da complexidade do feito, que envolve o julgamento de ex-presidente da República”.

No pedido, a defesa cita a sessão do dia 15 de setembro, quando o plenário do STF começou a analisar indícios de que o ministro Alexandre de Moraes mantinha uma relação suspeita com o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo os advogados, na ocasião, ministros reconheceram que é vedado aos juízes investigar de ofício – ou seja, sem um pedido prévio do Ministério Público.

Ainda de acordo com os advogados, é preciso haver tempo hábil para a defesa analisar dados colhidos na investigação antes do julgamento do réu. De acordo com a ação de Jair Bolsonaro, o processo sobre ele infringiu essas duas premissas.

 

CONDENAÇÃO

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O ex-presidente foi condenado pelo STF em 2025 a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, abolição do Estado democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado. Bolsonaro cumpre a pena em prisão domiciliar, devido a problemas de saúde.

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Política Nacional

Artigo – Abstenção em 2026: o que os números deixam ver sobre quem a democracia alcança

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Com 33,4 milhões de ausentes no primeiro turno de 2026, a maior abstenção em eleições gerais desde 1998, especialista examina quem fica fora das urnas e quem vota sem se ver representado

Por Bruna Andrade Irineu*

O primeiro turno de 2026 terminou com 33,4 milhões de eleitores ausentes, 21,08% do eleitorado apto, a maior abstenção em eleições gerais desde 1998, segundo o TSE. Brancos e nulos somaram 4,77% dos votos para presidente, quase 6 milhões. Aqui, convém olhar a série histórica antes de falar em recorde. Em 2022, esses votos ficaram em 4,41%, o menor patamar desde 1994. Em 1998, chegaram a 18,7%. O dado atual supera o anterior, mas está longe de ser inédito.

Como o voto é obrigatório, branco e nulo permitem comparecer sem delegar, e o nulo pode reunir protesto, erro ou desinformação. Em 2022, a polarização foi apontada como causa da queda de brancos e nulos. Em 2026, a mesma polarização aparece como explicação para o desânimo. Por isso, brancos e nulos medem mal a descrença, porque reúnem ações de natureza distinta.

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Quem se afasta tem perfil: em 2022, 55% das abstenções vieram de eleitores com no máximo o ensino fundamental. As mulheres fazem o movimento contrário: são maioria do eleitorado e comparecem mais. Câmara e Senado seguem longe de refletir essa maioria, e o mesmo vale para pessoas negras, indígenas e LGBTQIAPN+. Elas votam, mas não se veem eleitas.

O porquê passa pela distância entre o voto e a vida. Direitos civis e políticos têm efetividade limitada quando direitos econômicos e sociais não se materializam. A Emenda Constitucional 95, de 2016, que congelou gastos públicos, marcou o desfinanciamento de políticas que chegam primeiro, ou deixam de chegar, às mulheres pobres e negras. Quando o que se decide nas eleições não alcança o cotidiano, a desconfiança cresce.

Parte dessa desconfiança é fabricada. O ataque às urnas eletrônicas e o 8 de janeiro de 2023 mostram uma descrença produzida politicamente, com ajuda de plataformas que lucram com a desinformação. Sobre esse terreno, projetos antissistema, em especial a extrema direita, se apresentam como alternativa ao eleitorado que vê o Partido dos Trabalhadores mais como parte do sistema estabelecido do que como promessa de mudança.

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Uma democracia medida apenas pela presença na urna não enxerga quem vota sem ser representada nem quem se ausenta sem ter sido ouvido. Em 2026, ficou à mostra a distância entre o direito de votar e a possibilidade de alterar, pelo voto, a própria vida. Enquanto ela existir, o comparecimento seguirá sendo um indicador insuficiente para a saúde democrática.

 

 

*Bruna Andrade Irineu é assistente social, professora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e pesquisadora em políticas públicas, gênero e direitos humanos. É autora e coautora de livros na área, entre eles uma obra finalista do Prêmio Jabuti Acadêmico 2025.

 

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