Uma mulher de 30 anos foi denunciada por tentativa de homicídio qualificado por envenenamento após misturar “chumbinho” na comida do próprio filho, de apenas 4 anos, no Espírito Santo.
O caso aconteceu em 2023. Além do menino, a mulher também era mãe de outras duas crianças, que tinham 6 e 9 anos na época. Diante da gravidade do caso e para preservar a identidade das vítimas, os nomes da mãe, das crianças e da cidade não serão divulgados, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Documentos da Polícia Civil obtidos pela reportagem da TV Vitória/Record mostram relatos e imagens que apontam que a mulher teria colocado o veneno na alimentação do filho. No vídeo, ela tenta oferecer a comida à criança, enquanto a filha mais velha grita dizendo que “é veneno”.
As investigações apontam que o menino não chegou a ingerir o alimento porque foi alertado pela irmã. Ainda assim, segundo a polícia, a mãe teria insistido para que ele comesse.
As imagens foram enviadas pela própria suspeita a familiares por meio das redes sociais e, posteriormente, encaminhadas à Polícia Civil e ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que passaram a acompanhar o caso.
Conselho Tutelar encontrou casa em situação precária
Segundo os documentos obtidos pela reportagem, conselheiros tutelares encontraram a residência em condições precárias, com acúmulo de sujeira e crianças com sinais de falta de higiene.
Os relatos também apontam que os menores teriam sido vistos “pegando comida no lixo” e indo “sujos para a escola”.
Uma testemunha afirmou que a escola das crianças chegou a entrar em contato para relatar que os alunos frequentemente apareciam com roupas muito sujas e buscavam alimentos no lixo.
Mulher negou intenção de matar os filhos
Em depoimento à polícia, a mulher confirmou ter gravado os vídeos, mas alegou que, apesar de a embalagem indicar “chumbinho”, o conteúdo seria, na verdade, um doce de amendoim.
Ela negou que tivesse intenção de matar os filhos e afirmou que queria “chantagear” o companheiro para que ele voltasse para casa após uma discussão. A suspeita também disse que, no dia das gravações, havia ingerido bebida alcoólica, estava sem dormir e sob efeito de cocaína.
Ainda em depoimento, a mulher relatou manter uma relação conturbada com o companheiro, afirmou já ter sido esfaqueada por ele e admitiu que descontava a raiva nos filhos.
Após o caso, as três crianças passaram a viver com um dos avôs.
O Ministério Público também apontou possível negligência por parte de conselheiros tutelares, que, segundo o órgão, deveriam ter realizado o acolhimento emergencial imediato dos menores.