Segunda edição da FICC foi realizada de 8 a 10 de outubro, com entrada gratuita e programação sobre cooperativismo, mercado agrícola, logística, investimentos e novas oportunidades para o agronegócio capixaba
O café conilon foi o ponto de partida para três dias de discussões sobre o futuro do agronegócio no Espírito Santo. Entre 8 e 10 de outubro, São Mateus recebeu a segunda edição da Feira Internacional do Café Conilon (FICC 2026), com uma programação que reuniu temas ligados à produção rural, à infraestrutura, ao comércio e ao desenvolvimento econômico.
Realizada na área anexa ao Sesc, a feira teve entrada gratuita e foi organizada para receber produtores, cooperativas, empresários, pesquisadores, investidores, estudantes e profissionais do setor.
Embora o conilon tenha permanecido como principal referência do evento, a programação ampliou o debate para outras atividades econômicas importantes no Norte capixaba, como a produção de pimenta-do-reino e os investimentos em logística portuária.
Cooperativismo e clima abriram os debates
A programação de quinta-feira (8) começou com a abertura oficial, seguida de um painel sobre o papel do cooperativismo na geração de valor para produtores, comunidades e mercados.
A discussão contou com representantes da Cafesul, Cooabriel e Nater Coop, com mediação do Sistema OCB/ES.
Outro assunto previsto foi a influência das condições climáticas nas decisões do agronegócio. O tema foi apresentado por Marco Antônio dos Santos, da Rural Clima, com foco na importância das informações meteorológicas para o planejamento das atividades agrícolas.
A agenda também incluiu um painel com participação do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) e da ES Gás.
No fim da tarde, o cientista político José Luiz Niemeyer dos Santos Filho participou da programação Diálogos.AG, em conversa mediada pelo jornalista Abdo Filho.
Logística e pimenta-do-reino ganharam espaço
Na sexta-feira (9), os debates se concentraram em desafios de mercado e oportunidades de crescimento para diferentes setores da economia capixaba.
A pimenta-do-reino, cultura de importância econômica para o Norte do Espírito Santo, esteve entre os assuntos discutidos, com participação de Frank Moro e Aureliano Nogueira, da BSA.
O especialista em mercado do agronegócio e curador da feira, Marcus Magalhães, integrou a programação com uma apresentação sobre as perspectivas do mercado.
A infraestrutura logística também recebeu atenção. Entre os temas previstos estavam o desenvolvimento do hub portuário capixaba, os investimentos no Norte do Estado e o transporte de café.
A programação incluiu representantes do Imetame Logística Porto, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes) e do Parklog.
A discussão sobre logística está diretamente relacionada à competitividade do setor agrícola, já que o transporte, o armazenamento e o acesso aos mercados influenciam os custos e as condições de comercialização da produção.
Visitas técnicas aproximaram programação do campo
O sábado (10) foi reservado a atividades voltadas à experiência prática na agricultura.
A programação começou com um Dia de Campo, incluindo café da manhã e visita técnica a plantações de café conilon e pimentas.
À tarde, estava prevista uma atividade de Turismo de Experiência, conduzida por Ana Paula Machado.
A proposta foi aproximar os participantes da realidade da produção agrícola e apresentar possibilidades de integração entre atividades rurais, conhecimento técnico e turismo.
Durante os três dias, a programação também contemplou estandes de produtos e serviços relacionados ao agronegócio, praça de alimentação e apresentações musicais.
Entre os artistas anunciados estavam Leco do Acordeon, Menelli Viola, Anderson Machado, Andreska Maciel, Tata Gomez e Juliano Sant.
Café conilon como ponto de partida para novos negócios
O Espírito Santo possui uma relação histórica com a produção de café conilon, atividade que movimenta propriedades rurais, cooperativas, indústrias e empresas ligadas ao comércio e à exportação.
Ao reunir diferentes segmentos, a FICC procurou ampliar as discussões para além do cultivo e da comercialização do grão.
Segundo Marcus Magalhães, curador do evento, a intenção foi conectar os diversos setores envolvidos no desenvolvimento econômico do Estado.
“A FICC chega à segunda edição mostrando que o café conilon é protagonista, mas não está sozinho. Quando colocamos no mesmo espaço produtores, cooperativas, empresas, especialistas, investidores e representantes de diferentes cadeias, criamos um ambiente para discutir caminhos concretos para o desenvolvimento do agro capixaba”, afirmou.
A programação apresentada pela organização buscou estabelecer conexões entre produção agrícola, tecnologia, infraestrutura, mercado e investimentos, temas que influenciam o crescimento do agronegócio regional.