Não houve surpresa na eleição da Mesa Diretora da Câmara, pois, nos bastidores, já era dada como certa a manutenção da atual composição. Assim, Wanderlei Segantini (MDB) foi reeleito presidente, tendo como vice-presidente Wan Borges (PSB), Isamara da Farmácia (União Brasil) como 1ª secretária e Wap Wap (Podemos) como 2º secretário.
A chapa foi eleita com 10 votos favoráveis e apenas um contrário. O vereador Raphael Barboza (PDT) colocou seu nome para concorrer.
A sessão foi realizada na manhã desta terça-feira (30) e contou com grande presença de público. Os trabalhos foram conduzidos pelo vereador Vilmar do Seac (PSD), que, conforme determina o Regimento Interno da Câmara, presidiu a sessão por ser o parlamentar de maior idade.
Tradicionalmente, a eleição da Mesa Diretora era realizada em 20 de dezembro, ao fim de cada mandato da presidência. No entanto, durante a gestão do ex-vereador Paulo Fundão, a data foi alterada. A mudança causou estranheza à época, mas ocorreu dentro da legalidade.
Para a população, ainda causa surpresa o fato de a eleição acontecer em junho, enquanto a posse da nova Mesa Diretora está prevista apenas para fevereiro do ano seguinte. Até lá, os integrantes da atual composição permanecerão no exercício de seus cargos.
Reeleito presidente da Câmara, Wanderlei Segantini reafirmou o compromisso de manter a mesma postura adotada em seu mandato, pautada pelo diálogo, pelo tratamento igualitário entre os vereadores e pelo apoio institucional ao Poder Executivo na governança do município de São Mateus.
O Porto de São Mateus foi um dos maiores polos de tráfico negreiro no Brasil Império. Milhares de cidadãos de Angola e de outras regiões da África desembarcaram acorrentados e sofreram violências brutais nas mãos da elite mateense, que lucrava com a exploração e o comércio de escravizados
A Ufes vai integrar o grupo de instituições que vão unir esforços para promover uma ação de revitalização do sítio histórico do Porto de São Mateus. A parceria será firmada entre a Universidade e o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), podendo contar também com a participação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), das secretarias de Estado de Cultura (Secult-ES) e de Segurança Pública (Sesp), da Prefeitura de São Mateus e do Banco do Nordeste.
Em reunião realizada na última sexta-feira (26), o procurador-geral de Justiça do Espírito Santo, Francisco Berdeal, e o reitor Eustáquio de Castro discutiram sobre a situação atual da região, necessidades, projetos e encaminhamentos necessários para viabilizar as iniciativas.
Acordo
“Agora vamos elaborar e assinar um acordo de cooperação entre a Ufes e as demais entidades para, num esforço conjunto, realmente levar mudanças positivas àquela área por meio de ocupações com atividades culturais e artísticas”, afirmou o reitor da Ufes.
Além de Eustáquio de Castro, representaram a Universidade na reunião o pró-reitor de Extensão, Ednilson Felipe; o professor emérito João Gualberto; e a diretora de Relações Interinstitucionais da Universidade, Ana Beatriz Fonseca. O encontro contou ainda com a presença do promotor de Justiça Cível de São Mateus, Luciano Oliveira; e do promotor de Justiça de Muqui e coordenador da Coordenadoria de Patrimônio Histórico-Cultural, Fábio Souza.
Média de preços de escravos comprados e vendidos por ano em São Mateus (1863-1887), logo após o desembarque no porto local | Imagem: Cartório de 1º Ofício
Porto foi importante apenas para a elite economica
O sítio histórico do Porto de São Mateus é um conjunto de construções do período colonial que representam a importância política, social e econômica do norte capixaba no século XIX. Foi considerado um vetor de desenvolvimento pelo qual escoava a produção agrícola regional, principalmente de farinha de mandioca e de café, abrigando também um ativo mercado de escravos.
Toda a riqueza da elite econômica de São Mateus estava assentada no comércio de cidadãos negros africanos sequestrados em suas regiões e trazidos em transporte degradante para serem “usados” como escravos;. Um importante estudo sobre a escravidão em São Mateus foi publicado pelo Grafitti News em 15 de agosto de 2024, sob o título “Estudo analisa a crueldade da elite de São Mateus (ES) no comércio e tortura de escravos..”
Um dos maiores escravocratras de São Mateus foi fo fazendeiro Antônio Rodrigues da Cunha, que ganhou o título de Barão de Aimorés através de decreto imperial de 24 de agosto de 1889, aos 55 anos de idade. O título era comum ser dado pelo Império às pessoas ricas, como uma troca de favor, garantindo assim o apoio político da elite econômica ao regime imperial. O escravocrata foi o pioneiro na produção de cana-de-açúcar naquela região e mudou de ramo, para o plantio de café, com o fim da escravidão.
O relato minucioso das atrocidades que surgiram no Norte do Espírito Santo a partir do desembarque de negros africanos escravizados pode ter o download do estudo feito pela USP pela historiadora Maria do Carmo de Oliveira Russo, intitulado “A escravidão em São Mateus (ES): Economia e Demografia (1848 -1888”. ser feito no final desta matéria.
A análise teve como orientador, o professor da USP Horacio Gutiérrez. “O presente estudo tem por finalidade abordar aspectos demográficos e econômicos da escravidão em São Mateus, região do norte do Espírito Santo, na segunda metade do século XIX”, inicia no resumo do documento. Ela consultou e analisou documentos cartoriais da cidade -livros do Notariado ou Livro de Notas – no Cartório de 1º. Ofício, onde se encontram registros de alforrias, de compra e venda, hipotecas, doações, aluguel de escravos, dentre outros, relativos ao período de 1863 a 1888.
O Executivo abriu crédito adicional suplementar no orçamento para viabilizar obras de infraestrutura e intervenções que beneficiarão a população
Com o objetivo de atender às inúmeras demandas por infraestrutura e melhorar a qualidade de vida da população, a Prefeitura de São Mateus abriu crédito adicional suplementar no orçamento municipal no valor de R$ 100 milhões. O decreto foi assinado pelo prefeito Marcus Batista no último dia 25.
De acordo com a planilha oficial, a maior parte dos recursos será destinada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Transporte. O maior investimento, de R$ 35.251.089,49, será aplicado na manutenção de obras e na implantação de cemitérios públicos.
A mesma secretaria também receberá R$ 21.100.341,24 para obras de pavimentação de vias urbanas, além da construção e recuperação de abrigos em pontos de ônibus, ampliando a infraestrutura de mobilidade do município.
O pacote de investimentos contempla ainda a reforma e ampliação do Mercado Municipal Wilson Gomes, localizado no Centro da cidade; melhorias nas orlas das praias do município; construção, ampliação e recuperação da rede de galerias pluviais, com investimento de R$ 3.431.838,04; construção de unidades esportivas e de lazer, além da implantação de um pórtico turístico, com recursos de R$ 18.293.778,89.
Também estão previstos investimentos em outras obras e instalações, que somam R$ 3.065.562,66, reforçando o compromisso da administração municipal com a modernização da infraestrutura e a melhoria dos serviços oferecidos à população.