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Medicina e Saúde

Tratamento que usa o próprio sangue para aliviar dor da artrose é regulamentado no Brasil

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Um tratamento que utiliza componentes retirados do próprio sangue do paciente poderá ser empregado no Brasil como complemento para aliviar sintomas da artrose no joelho e de outras condições osteomusculares.

O Conselho Federal de Medicina regulamentou o uso do plasma rico em plaquetas, conhecido pela sigla PRP, por meio da Resolução nº 2.464/2026, em vigor desde 15 de julho. A norma deixou de tratar a técnica como exclusivamente experimental nas quatro indicações autorizadas e estabeleceu critérios para sua aplicação médica.

A autorização, porém, não vale para qualquer doença ou finalidade. O PRP foi regulamentado para quatro condições específicas e não pode ser oferecido como promessa de cura ou regeneração dos tecidos.

 

O QUE É O TRATAMENTO COM PRP?

O plasma rico em plaquetas é um produto biológico preparado a partir do sangue do próprio paciente. Depois da coleta, o material passa por um processamento para concentrar as plaquetas presentes no plasma.

As plaquetas são mais conhecidas pela participação na coagulação, mas também carregam proteínas e fatores envolvidos em processos de reparação e resposta dos tecidos.

Depois da preparação, o PRP é aplicado na região indicada pelo médico. Como o material é retirado do próprio paciente, ele é classificado como autólogo.

A nova resolução determina que a manipulação seja mínima e que o produto seja destinado ao uso não transfusional. Também proíbe material proveniente de outra pessoa, de animais ou sem origem rastreável.

O processamento precisa seguir as normas sanitárias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, preferencialmente por sistemas fechados que diminuam o risco de contaminação.

 

PRP FOI REGULAMENTADO PARA QUAIS CONDIÇÕES?

A regulamentação permite que o plasma rico em plaquetas seja utilizado como tratamento complementar em quatro situações:

  • Osteoartrite do joelho;
  • Discopatia lombar;
  • Epicondilite lateral do cotovelo;
  • Reparo meniscal.

A osteoartrite é conhecida popularmente como artrose. A doença provoca desgaste e alterações nas estruturas da articulação e pode causar dor, rigidez e limitação dos movimentos.

A autorização do CFM está relacionada especificamente à osteoartrite do joelho. A norma não representa uma liberação automática do PRP para artrose em qualquer parte do corpo.

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A epicondilite lateral causa dor na região externa do cotovelo e também é conhecida como cotovelo de tenista. Já a discopatia lombar envolve alterações nos discos da coluna.

 

PRP CURA A ARTROSE?

Não. A regulamentação proíbe que o procedimento seja apresentado como promessa de cura, garantia de regeneração dos tecidos ou alternativa capaz de evitar uma cirurgia já formalmente indicada.

O PRP pode ser usado como recurso complementar para tentar reduzir a dor e melhorar a função da articulação. O resultado varia conforme o quadro clínico, o estágio da doença e as características do paciente.

O tratamento também não substitui automaticamente outras medidas empregadas no controle da artrose, como atividade física orientada, fisioterapia, controle do peso, medicamentos e procedimentos cirúrgicos quando indicados.

Segundo o CFM, a mudança foi motivada pelo avanço das evidências científicas nos últimos anos, principalmente em relação à osteoartrite do joelho. Até então, a falta de padronização dos protocolos e a insuficiência dos estudos mantinham a técnica restrita ao ambiente de pesquisa.

Mesmo com a regulamentação, o paciente precisa receber explicações sobre os benefícios esperados, as limitações científicas, os riscos e as alternativas disponíveis.

 

POR QUE O TRATAMENTO ERA CONSIDERADO EXPERIMENTAL?

Desde 2015, uma resolução do Conselho Federal de Medicina classificava o uso do PRP para doenças musculoesqueléticas como experimental. A aplicação deveria ocorrer dentro de pesquisas clínicas aprovadas pelo sistema de ética em pesquisa.

Na época, o Conselho considerou que ainda faltavam evidências suficientes e uma padronização sobre indicações, preparo, quantidade de aplicações e seleção dos pacientes.

A Resolução nº 2.464/2026 revogou essa restrição para as quatro condições listadas. Para outras finalidades, o uso não foi automaticamente autorizado.

O CFM afirma que a atualização reconhece o amadurecimento das pesquisas, mas mantém exigências de segurança, documentação e acompanhamento.

 

QUEM PODE FAZER O PROCEDIMENTO?

A indicação, a aplicação e o acompanhamento do PRP são considerados atos médicos. O profissional deve avaliar o paciente, confirmar o diagnóstico e verificar os exames antes de recomendar o tratamento.

Também é necessário excluir contraindicações e estabelecer os objetivos que se pretende alcançar com a aplicação. O médico não pode emprestar o nome ou registro profissional para validar um procedimento realizado por alguém que não esteja habilitado a exercer a medicina.

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O local precisa ter infraestrutura compatível, normas de biossegurança e condições para realizar o procedimento com técnica asséptica.

Nos casos relacionados à coluna vertebral, a aplicação deve acontecer em hospital ou hospital-dia, com orientação por imagem. O procedimento também fica restrito a médicos com Registro de Qualificação de Especialista nas áreas previstas pela resolução.

 

QUEM NÃO DEVE RECEBER PRP?

A nova regra apresenta situações em que o procedimento não pode ser realizado. Entre elas estão infecção ativa na região da aplicação, neoplasia ativa e condições hematológicas incompatíveis.

A avaliação individual é necessária porque o tratamento começa pela retirada do sangue do próprio paciente e envolve uma posterior aplicação no organismo.

O CFM também proibiu a adição de medicamentos, células-tronco, concentrado de medula óssea ou gordura microfragmentada ao PRP. Essas combinações somente podem ocorrer em pesquisas clínicas aprovadas ou quando houver regulamentação específica.

Antes do procedimento, o paciente deve assinar um termo de consentimento livre e esclarecido. Informações sobre preparação, aplicação, lote ou sistema utilizado e acompanhamento precisam permanecer registradas no prontuário.

 

REGULAMENTAÇÃO NÃO GARANTE ACESSO PELO SUS

A decisão do Conselho Federal de Medicina estabelece as regras éticas e técnicas para que os médicos utilizem o PRP. Ela não significa, por si só, que o tratamento será imediatamente oferecido pelo Sistema Único de Saúde.

A regulamentação também não garante cobertura automática pelos planos de saúde. Incorporação ao SUS e cobertura na saúde suplementar seguem processos próprios de avaliação.

O paciente interessado precisa procurar um médico habilitado para saber se o procedimento é indicado para seu caso, quais alternativas estão disponíveis e quanto poderá custar.

A expectativa de resultado também deve ser discutida antes da aplicação. O PRP passa a ser uma opção complementar para condições determinadas, mas não substitui o diagnóstico correto nem as demais terapias necessárias para controlar a artrose.

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SUS inclui novo teste para rastreamento de câncer colorretal

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O Sistema Único de Saúde inclui a partir desta segunda-feira (10) o teste imunoquímico fecal (FIT, na sigla em inglês) na tabela de procedimentos disponíveis aos pacientes da rede.

Portaria publicada no Diário Oficial da União destaca que o exame que pesquisa sangue oculto nas fezes será destinado exclusivamente ao rastreamento bienal de câncer colorretal em homens e mulheres assintomáticos, com idade entre 50 e 75 anos.

O texto reforça que o procedimento não se destina à investigação diagnóstica de indivíduos sintomáticos ou com suspeita clínica de câncer.

Em maio, o ministério já havia anunciado a inclusão do teste em um novo protocolo para rastreamento do câncer colorretal. Dados da pasta indicam que o FIT apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.

Além disso, o procedimento pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e à detecção precoce da doença. Atualmente, o câncer colorretal é o segundo tipo de câncer mais frequente no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma.

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A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para cada ano do triênio 2026-2028 é de 53,8 mil novos casos de câncer colorretal no Brasil.

 

Entenda

O FIT é um exame de fezes que detecta pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu, que podem ser sinal de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.

Diferentemente dos exames antigos de sangue oculto nas fezes, o FIT usa anticorpos específicos para identificar sangue humano, o que aumenta a precisão do teste.

O paciente recebe um kit para coleta em casa. Depois, o material é enviado para análise laboratorial. Caso o resultado detecte sangue oculto, o paciente será encaminhado para exames complementares.

Entre as principais vantagens do exame FIT listadas pela pasta estão:

  • não exige preparo intestinal;
  • não precisa de dieta restritiva antes da coleta;
  • pode ser feito com apenas uma amostra;
  • é menos invasivo;
  • tem maior adesão da população.

Mesmo assim, segundo o ministério, a colonoscopia é a principal forma de avaliar o intestino, porque permite visualizar diretamente o cólon e o reto, além de retirar pólipos durante o procedimento, evitando que algumas lesões evoluam para câncer.

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Estudo mostra que parasita da malária adquiriu resistência a remédios

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A resistência da malária aos medicamentos está se tornando mais complexa. Um estudo publicado na revista Nature Microbiology em 5 de agosto analisou o material genético do Plasmodium falciparum — parasita responsável pela forma mais grave da doença – e encontrou um conjunto de mutações que podem dificultar o controle da infecção.

A malária segue entre as doenças infecciosas que mais matam no mundo, com maior risco para crianças pequenas, especialmente na África. Embora exista tratamento, o parasita pode desenvolver resistência a diferentes remédios ao longo das últimas décadas.

Os pesquisadores analisaram amostras coletadas entre 2019 e 2023 em diferentes regiões da Etiópia. O objetivo foi identificar alterações genéticas associadas à resistência a medicamentos usados no passado e no presente.

Os dados mostram que mutações antigas continuam presentes. Marcadores ligados à resistência à cloroquina apareceram em mais da metade das amostras analisadas, mesmo depois de o uso do remédio ter sido interrompido contra esse tipo de malária.

Também foram encontrados sinais de resistência à sulfadoxina-pirimetamina, outro tratamento abandonado. Isso indica que o parasita pode manter adaptações antigas enquanto adquire novas.

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Tratamentos atuais também entram no cenário

Além das mutações antigas, o estudo também encontrou mudanças ligadas aos remédios usados hoje. Um dos sinais de resistência à artemisinina apareceu em parte das amostras e foi mais comum em algumas regiões.

Os pesquisadores também identificaram alterações que indicam menor resposta à lumefantrina, presente na maioria dos casos analisados. Esse medicamento faz parte do tratamento padrão, combinado com derivados da artemisinina.

A análise não avaliou diretamente se os remédios estão falhando, mas sim sinais genéticos de resistência. Mesmo assim, os dados mostram que o parasita reúne diferentes formas de escapar da ação dos medicamentos.

Diferenças entre regiões

Outro ponto importante é que a resistência não aparece do mesmo jeito em todos os lugares. As combinações de mutações mudam de uma região para outra, o que cria cenários diferentes de resposta aos tratamentos.

Em alguns casos, esses sinais surgem juntos. Parasitas com resistência à cloroquina, por exemplo, tinham mais chance de também apresentar resistência à artemisinina, o que pode dificultar ainda mais o controle da doença.

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Para os pesquisadores, esse padrão indica que o combate à malária precisa levar em conta diferenças locais, já que uma mesma estratégia pode não funcionar da mesma forma em todas as regiões.

O que os dados indicam

Para os autores, os resultados são vistos como um alerta. A presença de várias mutações ao mesmo tempo indica que o parasita continua se adaptando à pressão dos medicamentos usados ao longo dos anos.

Eles defendem um monitoramento contínuo, que acompanhe tanto as diferentes espécies de parasitas quanto o que acontece em cada região. Isso pode ajudar a ajustar as estratégias de controle e tratamento de acordo com o cenário local.

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