Modelo mineiro entra no radar e pode redesenhar a disputa pelo Palácio Anchieta
As conversas de bastidores que antecedem o prazo final das convenções partidárias ganharam intensidade no Espírito Santo. O desgaste cada vez mais evidente entre o MDB do governador Renato Casagrande e do pré-candidato Ricardo Ferraço e a federação União Progressista (União Brasil e PP) passou a ser tratado por dirigentes como um ponto de inflexão na disputa pelo Palácio Anchieta.
Nos bastidores, a avaliação é que uma eventual ruptura pode abrir espaço para a reprodução de uma estratégia semelhante à construída em Minas Gerais, onde PL, Republicanos e PP decidiram caminhar juntos na sucessão estadual após articulações conduzidas pelas direções nacionais.

O modelo mineiro passou a ser visto como referência entre lideranças da direita capixaba. Em Minas, o Republicanos retirou a pré-candidatura do senador Cleitinho para apoiar o nome do PP, Marcelo Aro, em uma composição que também contou com o aval do PL nacional, preservando ao Republicanos a indicação do candidato a vice-governador.
No Espírito Santo, os movimentos recentes de Da Vitória (PP), Marcelo Santos (União Brasil) e Erick Musso (Republicanos) chamaram atenção. Os três voltaram a intensificar o diálogo e resgataram a sintonia construída durante as eleições municipais de 2024, quando atuaram de forma coordenada.
A leitura predominante entre interlocutores é que o grupo trabalha para construir uma alternativa própria ao Governo do Estado, tendo o prefeito reeleito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), como principal nome. A escolha não seria por acaso. Além da força eleitoral demonstrada na Capital, Pazolini sempre defendeu publicamente a unificação da direita em torno de um único projeto estadual.
Na tarde desta quarta-feira (29), dirigentes das três legendas participaram de longas reuniões, alimentando ainda mais as especulações sobre uma possível reorganização do tabuleiro político.
Caso a composição avance, a tendência é que Pazolini repita a fórmula utilizada em Vitória, quando dividiu a chapa com a então vice Cris Samorini (PP), hoje prefeita da Capital. Diferentemente da aliança atualmente desenhada com o MDB, o novo bloco teria maior autonomia para definir a composição da chapa majoritária e distribuir os espaços entre os partidos.
Uma liderança envolvida nas conversas resumiu o momento à coluna: “O objetivo é construir uma aliança em que todos tenham participação efetiva nas decisões. O modelo aplicado em Minas mostrou que essa convergência é possível e pode ser eleitoralmente competitiva.”
A reorganização também alcança a disputa pelo Senado. Nos bastidores, Maguinha Malta (PL) aparece como um dos nomes cotados para uma das vagas da chapa majoritária. Já o deputado federal Evair de Melo (PP) poderia deixar a disputa pela reeleição à Câmara para integrar outro espaço na composição estadual, movimento que reduziria a concorrência interna entre os candidatos proporcionais do bloco.
Outro ingrediente observado pelas lideranças é o PSD. Caso a legenda comandada nacionalmente por Gilberto Kassab decida integrar o projeto, cresce a possibilidade de reivindicar a vaga de vice-governador, ampliando ainda mais o arco de alianças.
Nada está sacramentado. Mas o fato é que o modelo político construído em Minas Gerais deixou de ser apenas uma referência distante e passou a integrar, de forma concreta, as conversas que podem redefinir a sucessão estadual no Espírito Santo nas próximas semanas.