O preço elevado das canetas de semaglutida pode começar a enfrentar uma concorrência inédita no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, de uma só vez, cinco novos medicamentos injetáveis comparados ao Ozempic.
O registro, porém, não significa que os produtos já possam ser encontrados nas farmácias. Preços e datas de lançamento ainda não foram divulgados, mas a entrada de novas fabricantes amplia a disputa por um mercado até então concentrado em poucas marcas.
Quais são os novos concorrentes do Ozempic?
Os medicamentos receberam os nomes de Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Todos possuem semaglutida obtida por via sintética e foram registrados pela Anvisa por comparação com o Ozempic.
As empresas responsáveis são:
Owozy: Ávita Care;
Seemasun: Sun Farmacêutica;
Zempneo: Brainfarma;
Semavy: Cosmed;
Orsema: Ranbaxy Farmacêutica.
A aprovação representa o maior volume de registros de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 concedido de uma só vez pela vigilância sanitária brasileira.
A Anvisa informa que a análise envolveu estudos clínicos, avaliação de documentos técnicos e inspeções nas linhas responsáveis pela produção estéril dos medicamentos.
Novas canetas serão mais baratas que o Ozempic?
Ainda não é possível saber. As empresas não anunciaram quanto as canetas custarão nem apresentaram uma previsão oficial para o início das vendas.
A autorização sanitária é uma etapa necessária, mas não encerra o caminho até as prateleiras. Os preços máximos dos medicamentos precisam seguir as regras da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, a CMED.
Farmácias, laboratórios, distribuidores e importadores não podem cobrar acima dos valores estabelecidos pelo órgão. A lista oficial de preços máximos é atualizada todo mês.
A chegada de cinco concorrentes aumenta a possibilidade de disputa por preço, mas isso não garante automaticamente uma redução. O valor final também dependerá das decisões comerciais de cada fabricante, dos custos de produção, da distribuição e da apresentação de cada caneta.
Por enquanto, qualquer preço atribuído a Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy ou Orsema não deve ser tratado como oficial.
Quando chegam às farmácias?
O registro da Anvisa permite que as empresas avancem nos preparativos para comercializar os medicamentos, mas ainda não existe uma data confirmada para os lançamentos.
Cada fabricante será responsável pela produção, distribuição e disponibilidade de sua caneta no mercado brasileiro. Os produtos somente poderão ser comprados quando forem efetivamente lançados e incluídos nos canais regulares de venda.
A situação exige atenção porque nomes de medicamentos recém-aprovados podem ser utilizados em anúncios falsos. A própria Anvisa já alertou sobre golpes envolvendo a venda de canetas emagrecedoras e sobre produtos sem registro oferecidos pela internet.
A agência não vende medicamentos nem solicita pagamentos para liberar encomendas. Antes de comprar, o consumidor deve conferir se o estabelecimento é autorizado e se o produto possui registro válido.
Novas canetas são iguais ao Ozempic?
Foto: Divulgação
Elas têm o mesmo princípio ativo, a semaglutida, mas não devem ser chamadas literalmente de Ozempic. Ozempic é o nome comercial do medicamento biológico utilizado como comparador durante o processo de registro.
Os cinco novos produtos são versões sintéticas. Isso significa que a substância é produzida por síntese química em laboratório, enquanto a semaglutida do medicamento de referência é obtida por processo biológico.
Segundo a Anvisa, os novos medicamentos precisaram demonstrar comparabilidade com o produto de referência. A aprovação não permite concluir que sejam mais potentes ou que provoquem maior perda de peso que o Ozempic.
Também não significa que o paciente possa trocar uma caneta por outra sem avaliação médica. Formulação, apresentação, dispositivo e orientações de uso precisam ser considerados antes de qualquer substituição.
Canetas foram aprovadas para emagrecimento?
Apesar de serem popularmente chamadas de “canetas emagrecedoras”, as cinco novas marcas foram registradas para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado.
A indicação prevê o uso como complemento à alimentação equilibrada e à prática de exercícios, especialmente quando a metformina não pode ser utilizada devido à intolerância ou contraindicação.
A semaglutida pode atuar sobre a saciedade e produzir redução de peso, mas isso não significa que todo medicamento com essa substância tenha automaticamente autorização para tratar obesidade.
No Brasil, a indicação aprovada depende dos estudos apresentados por cada fabricante e das informações presentes na bula. Usar um medicamento fora da indicação registrada exige avaliação individual do médico, que deverá considerar riscos e benefícios.
São mais potentes que o Mounjaro?
Não há base para fazer essa afirmação. As novas canetas contêm semaglutida, enquanto o Mounjaro possui tirzepatida. Embora os medicamentos pertençam ao grupo das canetas utilizadas no controle metabólico, eles não são iguais.
A semaglutida atua como agonista do receptor de GLP-1. A tirzepatida age sobre os receptores de GLP-1 e GIP. Essa diferença no mecanismo não permite afirmar que qualquer uma das cinco novas marcas seja superior ao Mounjaro.
A aprovação da Anvisa foi baseada na comparação com o Ozempic. As informações divulgadas pelo órgão não apresentam estudos diretos que coloquem Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy ou Orsema frente a frente com Mounjaro.
A escolha do tratamento depende do quadro clínico, das doenças associadas, da resposta ao medicamento, dos efeitos adversos e das contraindicações de cada paciente.
Como comprar os concorrentes do Ozempic?
Quando chegarem às farmácias, as novas canetas somente poderão ser vendidas mediante receita médica em duas vias, com retenção de uma delas pelo estabelecimento.
A regra vale para medicamentos agonistas de GLP-1 e foi adotada pela Anvisa para ampliar o controle sobre produtos como Ozempic, Mounjaro e Wegovy. A mesma exigência será aplicada às novas canetas de semaglutida.
O consumidor não deverá comprar os produtos por redes sociais, vendedores particulares ou páginas que não pertençam a farmácias autorizadas. Medicamentos falsificados, importados irregularmente ou mantidos fora da temperatura adequada podem não produzir o efeito esperado e ainda colocar a saúde em risco.
Também não é recomendado adquirir uma marca diferente apenas porque ela eventualmente custará menos. A troca precisa ser orientada pelo profissional que acompanha o tratamento.
Por que cinco canetas foram aprovadas ao mesmo tempo?
A análise de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida ganhou prioridade após uma solicitação do Ministério da Saúde, apresentada em agosto de 2025. O objetivo foi ampliar o abastecimento do mercado nacional e beneficiar o Sistema Único de Saúde.
A Anvisa também colocou em prática um plano para reduzir a fila e o tempo de avaliação dos pedidos de registro. Entre os medicamentos incluídos no processo prioritário, seis já receberam aprovação, considerando as cinco marcas anunciadas agora e o Ozivy, registrado anteriormente.
O aumento dos pedidos está relacionado ao desenvolvimento de versões sintéticas dos agonistas de GLP-1 e ao fim da proteção de algumas patentes. Com mais empresas entrando na disputa, o mercado brasileiro poderá ter maior oferta de semaglutida.
O efeito sobre o bolso, contudo, somente será conhecido quando as fabricantes divulgarem as datas de lançamento e os preços. Até lá, os cinco concorrentes estão aprovados, mas ainda não podem ser tratados como alternativas mais baratas disponíveis nas farmácias.
Médicos italianos transplantaram a parte central da retina de um olho, a mácula lútea, uma cirurgia inédita que devolveu a visão a uma paciente que estava cega há cinco anos, anunciou um hospital de Turim.
Elena, de 67 anos, “havia perdido completamente a visão devido a um grave acidente de trânsito, que lhe causou uma lesão irreversível no nervo óptico do olho esquerdo, o que a fez perder a visão devido à impossibilidade de transmitir a luz do olho ao cérebro, embora tenha deixado intactas as estruturas oculares”, indicou um comunicado do Hospital Molinette enviado à AFP nesta segunda-feira (27).
Seu olho direito, já afetado por uma maculopatia, “havia sofrido traumatismos que haviam comprometido a retina e a transparência da córnea de forma irremediável”, segundo o texto.
“A destruição total da parte que contém as células-tronco tornava completamente impossível um transplante de córnea clássico”, condenando a italiana à cegueira, afirmou o hospital.
Mas este obstáculo, até agora considerado “insuperável”, segundo a instituição médica, foi superado pelo professor Michele Reibaldi e sua equipe médica em Turim.
“Aproveitando os tecidos saudáveis, porém, já sem função, do olho esquerdo, os médicos extraíram e transferiram para o olho direito um bloco anatômico completo que incluía a córnea, a esclera, a conjuntiva e, pela primeira vez no mundo, a parte central da retina, a mácula”, detalhou o hospital.
Dois novos casos de possível cura do HIV mediante o transplante de células-tronco foram anunciados por médicos nesta segunda-feira (27). A novidade elevou de 11 para 13 o número de episódios de cura ou remissão da doença registrados pela Sociedade Internacional de Aids (IAS).
Um dos pacientes tem 21 anos e é proveniente de Kansas City, no Missouri, Estados Unidos. Ele foi diagnosticado com HIV e leucemia em 2018. Antes do tratamento, ele tinha mais de 2 milhões de cópias do vírus por mililitro de sangue. Após receber células-tronco em outubro de 2020 e um reforço posterior, ele apresentou melhora e teve os antirretrovirais suspensos em fevereiro de 2025. Hoje, 14 meses depois, seus exames não possuem indicativos do vírus do HIV.
O outro caso é de um homem com histórico de hepatite B, e dois tipos de HIV diferentes no organismo. Cerca de quatro anos após o transplante de células-tronco, ele teve os antivirais suspensos. Atualmente, 12 meses depois, ele também segue sem HIV detectável nos exames, o que indica que os níveis são tão baixos que não há transmissão por relações sexuais.
A característica em comum entre esses e a maioria dos pacientes contabilizados pelo IAS é o recebimento de células-tronco com uma mutação rara chamada CCR5-delta32. Essa variação impede que as formas mais comuns do vírus usem uma das principais portas de entrada para as células do corpo.
Os dois novos casos são considerados possíveis curas, porque ainda é necessário monitoramento por mais tempo para garantir que o HIV de fato não retornará. Além desses novos registros, há pacientes curados em Berlim, Londres, Nova Iorque, Genebra, Düsseldorf, Califórnia, Marselha, Oslo, Chicago e Toronto. Eles também receberam o transplante para tratar outras doenças, como leucemias e linfomas, e como consequência registraram a cura ou remissão do HIV.
Embora os transplantes tenham se mostrado eficazes nesses casos, eles não podem ser usados na população com HIV em geral porque podem causar complicações graves ou até mesmo a morte. Por esse motivo, são aplicados apenas em pacientes com outras doenças graves no sangue, a fim de garantir que o benefício supere o risco do procedimento.
Pesquisadores têm estudado os casos contabilizados pelo IAS a fim de buscar uma maneira de reproduzir os benefícios do transplante por meio de um método mais seguro para a população, como medicamentos, terapias genéticas e anticorpos.