Estudo mostra que 54% das brasileiras que já se relacionaram com homens afirmam ter sofrido algum tipo de violência e 11% dos homens que já tiveram relacionamento com mulheres admitem ter cometido agressões contra parceiras ou ex-parceiras
Às vésperas de completar os 20 anos da Lei Maria da Penha, uma nova pesquisa revela o retrato da violência de gênero no Brasil, onde mais da metade das brasileiras que já tiveram relacionamento com homens declara que já sofreu algum tipo de violência. O estudo realizado pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, com o apoio da Uber, investiga como mulheres e homens avaliam os impactos da legislação, o nível de conhecimento sobre seus mecanismos de proteção e os desafios ainda existentes para garantir uma vida livre de violência de gênero para as mulheres.
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), sancionada em 07/08/2006, é considerada um dos mais importantes marcos legais no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil. A pesquisa revela que cerca de 30 milhões de mulheres dizem que já foram vítimas de violência por algum parceiro ou ex-parceiro. Quando questionadas sobre situações específicas de violência, esse número sobe para quase 48 milhões de brasileiras.
Mais do que um balanço sobre duas décadas de vigência da lei, a pesquisa oferece um retrato atualizado de como a sociedade brasileira percebe a violência doméstica e familiar. Os resultados revelam avanços importantes promovidos pela legislação, mas também mostram que a violência de gênero permanece como um problema estrutural, cuja superação exige atuação articulada do Estado, fortalecimento das redes de proteção e transformações culturais capazes de enfrentar o machismo, a misoginia e outras desigualdades de gênero que sustentam a violência contra as mulheres brasileiras.
Cenário da violência
– A violência que as mulheres mais relatam ter sofrido de um parceiro ou ex-parceiro é a psicológica (42%), seguida pela física (25%). – Enquanto 54% das mulheres que já se relacionaram com homens declaram já ter sofrido algum tipo de violência enquadrada na Lei Maria da Penha, apenas 11% dos homens que já tiveram relacionamento com mulheres reconhecem já ter cometido algum tipo de agressão contra uma parceira ou ex-parceira. – A maioria das mulheres (77%) crê que os homens ainda não entendem determinadas atitudes como violência, e 82% consideram que muitos homens se omitem diante de outros homens. – Ao presenciarem uma situação de violência contra a mulher, as mulheres afirmam com mais frequência que acionariam a polícia ou outras autoridades, enquanto os homens mencionam mais a intervenção direta, com ou sem uso da força. – A Delegacia da Mulher é o canal de apoio mais conhecido pelas brasileiras, mencionado por 3 em cada 4 mulheres. – O principal entrave apontado pelas mulheres para efetivar uma denúncia de violência doméstica e familiar é a sensação de impunidade, mencionada por 56% das entrevistadas. Em seguida, a lentidão da Justiça na condução dos processos relacionados à violência doméstica no Brasil é citada por 39%.
“A violência contra a mulher no Brasil segue em patamares alarmantes e crescentes: em 2025, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou mais de 1 milhão de atendimentos, um aumento de 45% em relação ao ano anterior, e 155 mil denúncias de violência, equivalentes a 425 casos por dia. Esses números revelam não apenas a persistência de agressões físicas, psicológicas, sexuais e patrimoniais no ambiente doméstico, mas também os desafios ainda enfrentados na efetiva proteção das mulheres, mesmo depois de duas décadas da promulgação da Lei Maria da Penha”, acredita Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão.
Conhecimento sobre a Lei Maria da Penha (LMP)
– Após 20 anos, a Lei Maria da Penha é amplamente difundida no Brasil: praticamente todos conhecem ou já ouviram falar dela, e metade das mulheres (49%) afirma conhecer bem a legislação. – 7 em cada 10 mulheres sentem que a LMP tem impacto real na vida das mulheres. Mais da metade (54%) se sente mais protegida pela existência da lei. – Para 3 em cada 4 brasileiras, a lei faz com que elas se sintam mais conscientes sobre os riscos de sofrer violência. – A maioria das mulheres avalia que, antes da LMP, havia maior impunidade e menor proteção às vítimas: 81% acreditam que predominavam a omissão diante da violência e a falta de acolhimento às mulheres, enquanto 64% consideram que as punições aplicadas aos agressores eram brandas. – A LMP é espontaneamente descrita pela maioria das brasileiras como destinada à proteção das mulheres. – 9 em cada 10 mulheres (88%) afirmam conhecer a previsão da LMP para casos de violência física, mas menos da metade (46%) conhece a inclusão da violência patrimonial entre as formas de violência previstas na lei. – As medidas protetivas de urgência presentes na LMP são conhecidas por 8 em cada 10 brasileiras (83%), mas o conhecimento sobre as medidas de proteção patrimonial alcança 38% dessas mulheres. – Embora a LMP seja amplamente conhecida e reconhecida como um marco no enfrentamento à violência contra a mulher, 82% das brasileiras entendem que, sozinha, ela não é suficiente para enfrentar o problema de forma efetiva.
“Os dados mostram a Lei Maria da Penha como um mecanismo consolidado e reconhecido pela sociedade como essencial na proteção das mulheres. No entanto, o estudo também acende um alerta: a lei, isoladamente, não é vista como suficiente no enfrentamento à violência doméstica. Parcela significativa da população ainda naturaliza comportamentos violentos em relacionamentos, sobretudo aqueles ligados a controle e vigilância. Isso é bastante preocupante porque, como mostra a pesquisa, a violência psicológica é a realidade mais frequentemente enfrentada pelas mulheres”, afirma Maíra Saruê, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva.
“Enquanto empresa tão presente no cotidiano das mulheres, entendemos que a Uber precisa fazer parte da construção de um futuro mais seguro para todas. Esse é um compromisso que assumimos e que trabalhamos junto com organizações e instituições que estão na linha de frente do combate à violência de gênero, seja com doações de viagens para mulheres que precisam buscar um lugar seguro ou com o apoio em pesquisas como essa, que ajudam a fomentar o debate e a construção de políticas públicas”, diz Silvia Penna, diretora geral da Uber no Brasil.
Um adolescente de 16 anos foi apreendido após atingir um colega de 17 anos com um golpe de canivete dentro de uma escola em Castelo, na região Sul do Espírito Santo. O caso aconteceu na tarde desta terça-feira (28), durante o intervalo do recreio.
Segundo informações da Polícia Militar, a equipe se deslocou até a unidade de ensino, onde fez contato com a diretora da escola. O estudante de 16 anos, aluno do 1º ano do Ensino Médio, teria desferido um golpe de canivete contra o aluno de 17 anos, que cursa o 2º ano do Ensino Médio. O golpe atingiu a região das costas, próximo ao ombro direito, causando um ferimento perfurocortante.
Funcionários da escola, que conta com segurança particular, retiraram o adolescente suspeito do local da confusão e o encaminharam para uma sala, onde ele permaneceu aguardando a chegada da Polícia Militar. O canivete utilizado na agressão foi encontrado durante a abordagem e apreendido pelos militares.
O estudante ferido recebeu os primeiros atendimentos ainda na escola por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em seguida, ele foi levado para a Santa Casa de Misericórdia de Castelo, onde recebeu atendimento médico, foi medicado e liberado.
Ao ser questionado sobre o ocorrido, a vítima informou aos policiais que estava com a namorada quando foi surpreendido pelo suspeito, que teria se aproximado e desferido o golpe sem motivo aparente. Já o adolescente apreendido apresentou outra versão e afirmou que teria cometido o ato após supostas provocações e agressões anteriores por parte do colega.
Segundo o jovem detido, a vítima teria feito brincadeiras com ele, chamado por apelidos e dado tapas em sua cabeça em outras ocasiões. A versão será apurada pelas autoridades responsáveis.
O Conselho Tutelar foi acionado e uma representante acompanhou a ocorrência. O adolescente foi conduzido para a 7ª Delegacia Regional de Cachoeiro de Itapemirim, acompanhado pelo pai, sem necessidade do uso de algemas. O caso será investigado como ato infracional. Até o momento, não há informações se o adolescente foi ouvido pela polícia e autuado.
Em nota, a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) informou que a equipe gestora da escola adotou imediatamente os protocolos de segurança, acionando a Polícia Militar, o Samu, o Conselho Tutelar e os responsáveis pelos estudantes envolvidos.
A secretaria afirmou ainda que acompanha o caso junto aos órgãos competentes e reforçou o compromisso com a promoção de um ambiente escolar seguro, acolhedor e baseado na cultura de paz.
Cariacica e Vitória estão entre as 20 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes que registraram as maiores taxas de roubos e furtos de celulares em 2025. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado na última quinta-feira (23).
No ranking nacional, Cariacica aparece na 12ª posição, com taxa de 932,2 aparelhos subtraídos por 100 mil habitantes. Logo atrás está Vitória, em 13º lugar, com 930,8 ocorrências por 100 mil habitantes.
O levantamento considera, em um único indicador, os casos de roubo e furto de celulares registrados pelas polícias estaduais. São Luís (MA) lidera o ranking nacional, com taxa de 1.517 aparelhos subtraídos por 100 mil habitantes, seguida por Belém (PA), com 1.487, e São Paulo (SP), com 1.390,5.
O que diz a Secretaria de Segurança de Vitória
Em nota enviada ao Folha Vitória, a Prefeitura de Vitória afirmou que, apesar de a Capital aparecer entre os municípios com as maiores taxas de roubos e furtos de celulares do país, os indicadores de roubos vêm apresentando queda nos últimos anos.
Segundo a Secretaria Municipal de Segurança Urbana (Semsu), o primeiro semestre de 2026 registrou o menor número de roubos desde o início da série histórica, em 2018. Considerando os crimes de roubo a comércio, pessoas em via pública, ônibus e residências, houve redução de 78,4% no período, passando de 2.782 ocorrências para 600 registros.
A prefeitura também destacou a diminuição dos assaltos a pessoas em vias públicas, que caíram de 2.335 casos para 521 no mesmo intervalo, além da redução de 80% dos roubos dentro de ônibus. Nos estabelecimentos comerciais, os registros passaram de 182 para 22 ocorrências, enquanto os roubos a residências caíram de 20 para apenas quatro casos.
De acordo com a administração municipal, a Guarda Civil Municipal mantém patrulhamento preventivo e ostensivo em diferentes regiões da cidade, com apoio do Centro Integrado de Operações e Monitoramento (Ciom), que utiliza 1.156 câmeras distribuídas em pontos estratégicos para auxiliar na identificação de suspeitos e no direcionamento das equipes em campo.
O que diz a Prefeitura de Cariacica
Em nota enviada ao Folha Vitória, a Prefeitura de Cariacica afirmou que os roubos e furtos de celulares vêm apresentando redução no município. Segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp), houve queda de 33% nesses crimes no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo a informação da prefeitura.
De acordo com o município, o principal recuo foi registrado nos roubos de celulares, que diminuíram 55,4%. O número de ocorrências passou de 1.207, entre janeiro e junho de 2025, para 538 no mesmo período deste ano.
A prefeitura também destacou que, na comparação entre o primeiro semestre de 2020 e o de 2026, o total de roubos e furtos de celulares caiu 74%, indicando uma redução contínua desse tipo de crime ao longo dos últimos anos.
Segundo a administração municipal, os resultados são atribuídos à atuação integrada das forças de segurança, aos investimentos em tecnologia e ao trabalho conjunto entre a Guarda Municipal e as polícias Civil e Militar, com reforço do patrulhamento ostensivo e de ações de inteligência.
Como reduzir o risco de ser vítima
A Polícia Militar informou ao Folha Vitória que atua de forma permanente no combate aos crimes patrimoniais, com policiamento ostensivo, operações e ações baseadas na análise dos indicadores de criminalidade.
Segundo a corporação, o efetivo é direcionado de acordo com a dinâmica observada em cada região, priorizando áreas com maior incidência de ocorrências.
“A PMES acompanha continuamente os indicadores oficiais de criminalidade e direciona suas ações conforme a dinâmica observada em cada região, com foco na prevenção e na repressão qualificada”, informou a corporação.
Entre as orientações para reduzir o risco de roubos e furtos de celulares, a Polícia Militar recomenda evitar utilizar o aparelho de forma ostensiva em vias públicas, principalmente durante deslocamentos ou em pontos de ônibus.
Também orienta que as pessoas permaneçam atentas ao ambiente, priorizem locais movimentados e iluminados e evitem manusear o celular próximo às portas dos coletivos ou em situações de vulnerabilidade.
Em caso de roubo ou furto, a recomendação é registrar boletim de ocorrência, solicitar o bloqueio da linha telefônica e do aparelho junto à operadora e repassar informações que possam ajudar na identificação dos criminosos.
“A Polícia Militar reforça que a participação da população é fundamental para o sucesso das ações de segurança pública. Informações podem ser repassadas de forma anônima por meio do Disque-Denúncia 181 ou, em situações de emergência, pelo telefone 190“, destacou.
Confira o ranking das 20 cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes com as maiores taxas de furtos e roubos de celulares em 2025:
Ranking
Município (UF)
Taxa de roubo/furto de celular por 100 mil habitantes
1º
São Luís (MA)
1.517,0
2º
Belém (PA)
1.487,0
3º
São Paulo (SP)
1.390,5
4º
Salvador (BA)
1.195,0
5º
Lauro de Freitas (BA)
1.144,5
6º
Porto Velho (RO)
1.123,2
7º
Manaus (AM)
1.107,1
8º
Olinda (PE)
1.060,3
9º
Ananindeua (PA)
979,5
10º
Teresina (PI)
975,3
11º
Recife (PE)
965,3
12º
Cariacica (ES)
932,2
13º
Vitória (ES)
930,8
14º
Marituba (PA)
863,2
15º
Macapá (AP)
831,6
16º
Belo Horizonte (MG)
831,3
17º
Natal (RN)
806,8
18º
Itapecerica da Serra (SP)
801,2
19º
Fortaleza (CE)
796,0
20º
Rio de Janeiro (RJ)
793,7
Fonte: 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública / Fórum Brasileiro de Segurança Pública.