O Espírito Santo já superou a marca de 496 pontos de recarga públicos e semipúblicos para veículos elétricos, segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Além disso, levantamento nacional da Descarbonize Soluções aponta o Estado como o 6º colocado no país em buscas pelo termo “eletroposto” no Google. Os números mostram que a infraestrutura de recarga deixou de ser uma tendência distante e já faz parte da realidade dos capixabas.
Agora, prédios na Grande Vitória enfrentam uma verdadeira corrida contra o tempo para regulamentar a recarga de veículos e evitar sobrecarga da rede elétrica, conflitos entre moradores pelo uso da energia comum e riscos de acidentes. Administradoras e síndicos profissionais precisam lidar com normas técnicas que vão muito além da simples organização das vagas de estacionamento.
“O crescimento dos veículos elétricos é positivo, mas ele traz uma nova demanda para a gestão dos condomínios. Não basta autorizar a instalação de um carregador na vaga. É preciso avaliar se a estrutura elétrica do prédio suporta aquela carga, estabelecer critérios e acompanhar tecnicamente a instalação. O direito individual precisa caminhar junto com a segurança de toda a coletividade”, explica a coordenadora da Câmara Temática de Gestão Condominial do CRA-ES, administradora Fabiana Monteiro.
A legislação estadual (Lei nº 11.234) garante ao morador capixaba o direito de instalar carregadores em sua vaga privativa. No entanto, o texto exige que o proprietário arque integralmente com os custos e comprove a viabilidade por meio de uma ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) emitida por engenheiro. Cabe à gestão do condomínio fiscalizar esse cumprimento, garantindo que o direito individual não coloque em risco a coletividade.
“É justamente nesse ponto que a gestão condominial se torna estratégica. O síndico não pode tratar cada instalação como uma decisão isolada. É necessário ter controle sobre a demanda elétrica, documentação, responsabilidades e regras de uso. Quando não existe planejamento, uma solução pensada para atender um morador pode se transformar em um problema para centenas de pessoas”, alerta Fabiana.
O grande gargalo técnico está na saturação da rede elétrica dos condomínios. Edifícios construídos há mais de uma década não foram dimensionados para suportar múltiplos carregadores rápidos ligados simultaneamente no período da noite. Sem uma gestão profissionalizada e um controle rígido da demanda de carga, aumenta o risco de sobrecarga e interrupções no fornecimento interno do prédio, demandando vistorias e, em alguns casos, investimentos em infraestrutura coletiva de medição e gerenciamento de energia.
“A chegada dos carros elétricos coloca a gestão condominial diante de um novo desafio: antecipar problemas antes que eles aconteçam. O condomínio que se organiza, estabelece procedimentos e busca orientação técnica consegue incorporar essa nova realidade com segurança, enquanto decisões improvisadas podem gerar custos, conflitos e riscos desnecessários”, afirma a coordenadora da Câmara Temática de Gestão Condominial do CRA-ES.