Disputa pelo Palácio Anchieta reúne políticos experientes, um ex-prefeito da Capital, um deputado federal, um servidor público e um estreante nas urnas
O Governo do Espírito Santo será disputado por cinco candidatos nas eleições de 2026. O cenário reúne nomes com diferentes trajetórias políticas e ideológicas, desde figuras com décadas de atuação na vida pública até candidatos que fazem sua primeira tentativa de chegar ao Palácio Anchieta.
A eleição ocorre em um momento de mudança no comando estadual. Ricardo Ferraço (MDB) assumiu o governo em abril, após a renúncia de Renato Casagrande, que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado. Agora, Ferraço tenta permanecer no posto por meio das urnas.
Do outro lado, aparecem nomes como o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos), o deputado federal Helder Salomão (PT), o servidor público Rafael Demuner (UP) e o engenheiro civil Breno Barcelos (Missão).
Com cerca de 2,9 milhões de eleitores aptos, distribuídos pelos 78 municípios capixabas, a eleição terá primeiro turno em 4 de outubro. Se houver necessidade de uma nova votação, o segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Breno Barcelos (Missão)

Breno Augusto Fagundes Barcelos, de 41 anos, é engenheiro e nasceu em Vitória. Filiado ao Missão, partido pelo qual concorre ao governo, ele faz em 2026 sua primeira disputa eleitoral. Segundo os dados eleitorais disponíveis, Barcelos é formado em nível superior, é casado e se declara pardo.
A candidatura representa uma mudança em relação aos demais concorrentes, que acumulam experiências anteriores em eleições ou cargos públicos. Barcelos foi oficializado pelo partido para disputar o Palácio Anchieta e tem Victor Oliveira como candidato a vice-governador. A chapa utiliza o número 14.
A estreia nas urnas também faz de Breno Barcelos um dos nomes menos conhecidos do eleitorado em comparação com adversários que já ocuparam cargos eletivos de destaque no Estado.
Helder Salomão (PT)

Helder Ignacio Salomão, de 62 anos, nasceu em Colatina, em uma área que atualmente pertence ao município de Governador Lindenberg, e se mudou ainda criança para Cariacica. Professor de Filosofia, é formado pela PUC Minas e possui especialização em Planejamento Educacional. Filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1982, construiu sua trajetória política principalmente em Cariacica.
Salomão iniciou a carreira eletiva como vereador de Cariacica entre 1993 e 1996. Em 2002, foi eleito deputado estadual e, dois anos depois, venceu a eleição para prefeito de Cariacica. Foi reeleito em 2008 e permaneceu no comando do município até 2012. Posteriormente, ocupou a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos.
Em 2014, foi eleito deputado federal e posteriormente reeleito para a Câmara. Em 2022, conquistou o terceiro mandato e foi o deputado federal mais votado do Espírito Santo, com 120.337 votos. Em 2026, disputa pela primeira vez o Governo do Espírito Santo.
Lorenzo Pazolini (Republicanos)

Lorenzo Silva de Pazolini, de 44 anos, nasceu em Vitória e é formado em Direito, com pós-graduação em Gestão de Segurança Pública. Antes de entrar definitivamente na política, atuou como delegado de polícia e também foi auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo.
Pazolini entrou na política eleitoral em 2018, quando foi eleito deputado estadual pelo então PRP, com 43.293 votos. Em 2020, venceu a eleição para prefeito de Vitória no segundo turno, com 58,5% dos votos válidos. Quatro anos depois, foi reeleito para comandar a Capital no primeiro turno, com 56,22%.
Em abril de 2026, renunciou à Prefeitura de Vitória para disputar o Governo do Espírito Santo. Esta é sua primeira candidatura ao Palácio Anchieta. A chapa tem Eliane Leal, do PL, como candidata a vice-governadora.
Rafael Demuner (UP)

Rafael Ketley Demuner, de 35 anos, nasceu em João Neiva e é servidor público federal. Ele integra o quadro técnico-administrativo da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e também possui atuação em organizações ligadas ao movimento sindical e à esquerda política. Registros da própria universidade confirmam sua atuação como representante dos servidores técnico-administrativos em órgãos colegiados da instituição.
Filiado à Unidade Popular (UP), Demuner faz sua estreia em uma eleição para cargo majoritário. Sua candidatura representa um dos polos mais à esquerda da disputa pelo governo estadual e apresenta uma alternativa às candidaturas de partidos com maior presença institucional no Espírito Santo.
O candidato tem Dionary Sarmento, também da UP, como vice-governador. A chapa concorre sem coligação e utiliza o número 80.
Ricardo Ferraço (MDB)

Ricardo de Rezende Ferraço, de 63 anos, nasceu em Cachoeiro de Itapemirim e possui uma das trajetórias políticas mais longas entre os candidatos. Começou na vida pública como vereador e posteriormente foi deputado estadual, deputado federal, vice-governador e senador pelo Espírito Santo.
Ferraço foi vereador de Cachoeiro entre 1982 e 1988, deputado estadual por dois mandatos e deputado federal entre 1999 e 2003. Também ocupou secretarias no governo estadual e chegou ao Senado Federal, onde permaneceu de 2011 a 2019. No período em que esteve no Executivo estadual, comandou áreas como Agricultura, Transportes e Obras.
Em 2 de abril de 2026, assumiu o Governo do Espírito Santo após a renúncia de Renato Casagrande. Agora, pelo MDB, disputa a eleição para continuar à frente do Estado. A chapa tem Camillo Neves, do Progressistas, como candidato a vice-governador.
Uma disputa entre experiência e renovação
O cenário eleitoral de 2026 coloca frente a frente candidatos com perfis bastante diferentes. Ricardo Ferraço e Helder Salomão chegam à disputa com décadas de experiência em cargos públicos, enquanto Lorenzo Pazolini representa uma geração mais recente da política capixaba, construída a partir da atuação na segurança pública, na Assembleia Legislativa e na Prefeitura de Vitória.
Já Breno Barcelos e Rafael Demuner fazem sua primeira disputa por um cargo majoritário, levando ao eleitorado propostas e trajetórias distintas das apresentadas pelos políticos que já ocuparam posições de destaque no Estado.
Com cinco candidaturas oficialmente colocadas na corrida, a eleição de 2026 será marcada pela disputa entre diferentes projetos para o Espírito Santo, tendo como principal palco o Palácio Anchieta e como decisão final o voto dos eleitores capixabas em outubro.