Duas reuniões entre PL e Republicanos pavimentaram o caminho para a parceria nas eleições de 2026. Veja o que eles têm a somar um ao outro e as arestas a serem aparadas
Ao que tudo indica, uma aliança está prestes a ser selada entre o partido do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o PL do senador Magno Malta. O principal objetivo do Republicanos no Espírito Santo é fazer com que Pazolini seja o próximo governador. O do PL, eleger Maguinha Malta, filha de Magno, ao Senado. Além de eleger deputados federais, o que é prioridade para qualquer sigla.
As duas legendas têm a somar uma à outra na disputa estadual, mas também várias arestas a aparar. Se dependesse apenas das circunstâncias locais, não necessariamente a parceria seria confirmada.
Mas há o fator nacional: o PL quer o endosso do Republicanos à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Em troca, a cúpula nacional do partido de Pazolini tenta obter o apoio do PL a pré-candidatos a governador em alguns estados, entre eles o Espírito Santo.
Duas reuniões, uma realizada em Brasília na quarta-feira (8) e outra na sexta (10), em Vitória, pavimentaram o caminho. Pazolini até participou do encontro de sexta, o que não é de seu feitio.
Normalmente, ele deixa as articulações políticas a cargo do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso.
“O encontro representou um avanço em relação às conversas já realizadas anteriormente, incluindo as agendas em Brasília, e foi avaliado de forma positiva pelos representantes das duas legendas”, diz nota oficial assinada pelas direções estaduais dos dois partidos.
AS ARESTAS
Agora vamos aos fatores mais relevantes desta equação. Obviamente, o Republicanos quer que o PL trabalhe pela eleição de Pazolini e o PL quer ajuda para eleger Maguinha, mas não é só isso que está à mesa.
“Agora precisamos alinhar o discurso, que inclui os presos de 8 de Janeiro e a anistia”, afirmou Magno logo após a reunião de quarta em Brasília, de acordo com o jornal O Globo.
Ideologicamente, PL e Republicanos, ao menos considerando os integrantes do partido de Pazolini no Espírito Santo, não são tão diferentes. Em 2025, o então prefeito defendeu a anistia aos presos do 8 de janeiro.
O que está em jogo, mesmo, são coisas mais pragmáticas.
Na chapa majoritária, há mais uma vaga de candidato a senador e também a de vice. Outra questão é a campanha de FlávIo Bolsonaro.
Incialmente, de acordo com fontes ouvidas, Magno “quis tudo”: indicar o vice e os dois candidatos a senador. Além de se opor à chegada do PSD à aliança. Esse é o partido do ex-goverandor Paulo Hartung. O PSD foi o primeiro a subir no palanque de Pazolini.
Essas exigências, cabe frisar, nunca feitas publicamente pelo presidente estadual do PL, apenas especuladas, entretanto, são interpretadas também como uma espécie de ponto de partida. “Primeiro, você pede tudo, depois negocia, cede em alguns pontos. É assim que funciona”, contou uma fonte que acompanha as conversas.
Hartung já fez elogios públicos a Pazolini, mas até alguns integrantes do Republicanos, antes mesmo da aproximação com o PL, defendem que o ex-governador não apareça ostensivamente na campanha do ex-prefeito. Afinal, Pazolini se apresenta como “o novo” na política e Hartung é um político tradicional.
Pode-se dizer o mesmo do próprio Magno Malta. Mas a questão é que o senador já demonstrou desapreço, especificamente, por uma eventual aliança envolvendo o ex-governador.
“Com essa figura citada, ou seja, o ex-governador, com esse, jamais”, escreveu Magno no Instagram na última terça-feira (7), ao comentar um vídeo no Instagram publicado pelo vereador de Vitória Dárcio Bracarense (PL). Dárcio, aliás, não é o maior entusiasta da aliança com Pazolini.
O ex-prefeito, portanto, vai ter que se equilibrar entre os dois para garantir uma coligação com PL e PSD.