Uma funcionária pública foi alvo de uma tentativa de golpe em que o suspeito usou informações de um processo judicial verdadeiro para tentar obter dados bancários e de investimentos. Durante uma chamada de vídeo, o suspeito se apresentou como promotor de Justiça e afirmou que faria um Pix de R$ 15 mil para a vítima.
O caso foi relatado pela funcionária pública Sônia Leite, moradora de Cariacica, que percebeu a tempo que se tratava de uma fraude.
Segundo ela, o primeiro contato aconteceu por meio de mensagens enviadas por um número que seria da advogada responsável pelo processo. A conversa começou com uma mensagem aparentemente cordial.
Na sequência, Sônia recebeu uma ligação de vídeo. Do outro lado, um homem que se identificou como “Doutor Marcos” afirmou ser promotor de Justiça e passou informações relacionadas ao processo.
Suspeito pediu dados de contas e investimentos
Durante a conversa, o suspeito disse que precisava dos dados bancários da vítima para fazer um Pix antes do encerramento do horário bancário.
Além da conta que seria usada para receber o dinheiro, o homem teria perguntado sobre outras contas bancárias e investimentos de Sônia. De acordo com a vítima, ele alegou que as informações seriam necessárias por causa do Imposto de Renda.
O suspeito também afirmou que seria responsável pelo envio de um Pix no valor de R$ 15 mil.
Sônia contou que explicou ao homem que era funcionária pública, havia tido câncer e era isenta da declaração do Imposto de Renda. Em seguida, o suspeito riu. Foi então que ela teve certeza que se tratava de um golpe.
Perguntei o por quê de aquilo tudo. Ele falou que precisava saber por causa de imposto de renda, afinal ele seria responsável por me enviar um Pix de R$ 15 mil. Eu falei que sou funcionária pública, tive câncer e não faço declaração de imposto de renda porque eu sou isenta. E ele riu. Ele riu! E eu falei assim: ‘Poxa, seu Marcos, isso é golpe’.
Sônia Leite, funcionária pública
Delegado alerta para abordagem
A estratégia utilizada no caso é conhecida como engenharia social, prática em que criminosos usam informações pessoais, pressão e mecanismos para conquistar a confiança da vítima e induzi-la a fornecer dados ou realizar alguma ação.
O delegado-adjunto da Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), Ícaro Olímpio, explicou que órgãos públicos podem, em algumas situações, realizar intimações por WhatsApp. No entanto, segundo ele, esse contato não costuma ser utilizado para tratar do conteúdo de investigações ou processos.
O delegado também alertou que servidores públicos não costumam pedir informações sobre aplicações financeiras e investimentos nem solicitar que a pessoa compartilhe ou mostre a tela do celular.
Isso não é um padrão usual, não é comum. E deve ser um ponto de alerta aí para que a população se atente a um possível golpe.
Ícaro Olímpio, delegado
O que fazer se cair no golpe?
Caso a vítima tenha realizado alguma transferência ou sofra prejuízo financeiro, a orientação é procurar imediatamente o banco ou a agência bancária para tentar bloquear os valores e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED) do Pix.
Depois, é importante registrar um boletim de ocorrência, que pode ser feito presencialmente ou pela internet.