conecte-se conosco


Medicina e Saúde

Gol, ansiedade e emoção: o que acontece no cérebro durante a Copa do Mundo?

Publicado

O coração acelera. As mãos suam. A respiração fica mais curta. Faltam apenas alguns segundos para a cobrança do pênalti decisivo. Embora você esteja sentado no sofá, seu cérebro reage como se estivesse participando da partida. E, do ponto de vista da neurociência, há uma explicação para isso.

Copa do Mundo vai muito além do futebol. Para milhões de pessoas, ela desperta emoções intensas, muda rotinas, influencia o humor e até provoca reações físicas reais. Mas por que um jogo pode nos deixar tão felizes, ansiosos ou frustrados?

Por que sentimos a vitória como algo pessoal?

Quando torcemos por um time ou seleção, nosso cérebro passa a enxergar aquele grupo como parte da nossa identidade. É como se a vitória do time fosse, em algum nível, uma vitória pessoal. Por isso, durante uma partida importante, áreas cerebrais relacionadas à recompensa, emoção e pertencimento social ficam altamente ativadas.

Quando o time marca um gol, ocorre uma liberação de neurotransmissores como a dopamina, substância associada ao prazer e à sensação de recompensa. É por isso que muitas pessoas pulam, gritam, choram ou sentem uma verdadeira explosão de felicidade naquele momento.

Leia mais:  Espírito Santo registra mais de 12 mil casos de chikungunya

A ansiedade do jogo também tem explicação científica

Mas a emoção não aparece apenas nos momentos bons.

Durante os minutos que antecedem uma decisão importante, o cérebro também ativa mecanismos relacionados ao estresse e à antecipação. A frequência cardíaca aumenta, a respiração fica mais acelerada e o organismo libera adrenalina e cortisol. Em outras palavras: o corpo reage como se estivesse participando diretamente da disputa.

Isso acontece porque o cérebro não responde apenas a ameaças físicas reais, mas também a situações que possuem grande significado emocional. Embora racionalmente saibamos que estamos apenas assistindo a uma partida, algumas estruturas cerebrais envolvidas no processamento das emoções e do estresse reagem como se algo importante estivesse em jogo para nós.

Quem nunca sentiu o coração disparar durante uma cobrança de pênalti?

O fenômeno do contágio emocional entre torcedores

Outro fenômeno interessante é o chamado “contágio emocional”. Nosso cérebro possui sistemas que facilitam a sintonia com as emoções das pessoas ao redor. Por isso, assistir a um jogo em grupo costuma ser mais emocionante do que assistir sozinho. A alegria, a tensão e a empolgação parecem se espalhar rapidamente entre os torcedores.

A Copa também fortalece sentimentos de união e pertencimento. Mesmo pessoas que normalmente não acompanham futebol passam a vestir as cores do país, participar de comemorações e compartilhar expectativas. Do ponto de vista psicológico, esses momentos favorecem conexões sociais, fortalecem vínculos e promovem uma sensação de identidade coletiva.

Leia mais:  AVC mata uma pessoa a cada seis minutos no Brasil

Quando a derrota também mexe com a mente

Por outro lado, a derrota também pode gerar reações intensas. Frustração, tristeza, irritação e até dificuldade para dormir após um resultado inesperado são experiências relativamente comuns. Isso acontece porque o cérebro processa perdas importantes como experiências emocionalmente significativas.

É claro que, para a maioria das pessoas, essas emoções são passageiras e fazem parte da diversão do esporte. O problema surge quando a identificação com o time é tão intensa que provoca sofrimento excessivo, agressividade ou interfere no funcionamento cotidiano.

O futebol acontece no campo, mas a emoção nasce no cérebro

No fim das contas, a Copa do Mundo é uma grande demonstração de como o cérebro humano foi programado para se conectar, pertencer e sentir emoções em grupo. O futebol pode até acontecer dentro das quatro linhas, mas grande parte do espetáculo acontece dentro da nossa mente.

E talvez seja exatamente por isso que uma simples partida consiga fazer milhões de pessoas sorrirem, sofrerem e comemorarem juntas ao mesmo tempo.

publicidade

Medicina e Saúde

Voo pela vida: transporte aéreo permite captação e transplante de órgãos no ES

Publicado

Uma operação aérea possibilitou a captação e o transplante de quatro órgãos em uma ação que resultou na renovação de vidas no Espírito Santo. O procedimento envolveu o transporte rápido de equipe médica e materiais entre Cachoeiro de Itapemirim e Cariacica.

Hospital Meridional Cariacica informou que, na quinta-feira (25), a equipe realizou, em Cachoeiro de Itapemirim, a captação de quatro órgãos destinados a transplantes: coração, fígado e dois rins.

Logo após a retirada, os órgãos foram transportados por uma aeronave do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer) e encaminhados para pacientes que estavam na fila de espera. No total, quatro pessoas foram beneficiadas com os transplantes, todos realizados na unidade hospitalar de Cariacica.

Ainda na quinta-feira (25), o coração e o fígado foram transplantados com sucesso. Já nesta sexta-feira (26), foram realizados os procedimentos de transplante dos dois rins.

A operação contou com o apoio do heliponto do Hospital Meridional Cariacica, que recebeu a aeronave responsável pelo transporte da equipe médica e dos órgãos captados.

A estrutura foi fundamental para agilizar o deslocamento e garantir a preservação dos órgãos, fator considerado decisivo para o sucesso dos procedimentos.

Hospital Meridional Cariacica

Como funciona a doação de órgãos?

A captação de órgãos ocorre apenas após a confirmação da morte encefálica, condição caracterizada pela perda completa e irreversível das funções cerebrais. O diagnóstico segue protocolos rigorosos definidos pela legislação brasileira e é realizado por profissionais especializados, com a realização de exames clínicos e complementares.

Leia mais:  Câncer altamente prevenível segue entre os que mais matam mulheres no ES

No Brasil, não é necessário registrar oficialmente o desejo de ser doador. A autorização da família é obrigatória, o que torna fundamental conversar sobre o assunto ainda em vida.

A doação pode beneficiar pacientes que necessitam de transplante de coração, pulmão, fígado, rins, pâncreas e intestino. Também é possível doar tecidos, como córneas, pele, ossos, tendões, válvulas cardíacas e medula óssea.

Após a captação, os órgãos são distribuídos conforme critérios técnicos de compatibilidade e gravidade clínica, definidos pelas Centrais Estaduais de Transplantes.

Continue lendo

Medicina e Saúde

Anvisa aprova remédio inédito para menopausa: o que é e como funciona

Publicado

Veoza™ atua no cérebro para reduzir ondas de calor

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na segunda-feira (22) o registro do Veoza™ (fezolinetanto), o primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para tratar sintomas vasomotores moderados a intensos associados à menopausa. A aprovação foi publicada na Resolução 2.430/2026, no Diário Oficial da União.

Os sintomas vasomotores, conhecidos como fogachos, são episódios repentinos de calor intenso, geralmente acompanhados de suor e vermelhidão. Atingem principalmente a cabeça, o pescoço, o peito e a parte superior das costas.

Segundo relatório da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), entre 11% e 47% das mulheres com mais de 40 anos sofrem com sintomas vasomotores associados à menopausa.

Como o medicamento age

Durante a menopausa, os níveis de estrogênio diminuem. Esse hormônio mantinha o equilíbrio com uma proteína chamada neurocinina B, responsável por regular o centro de controle da temperatura no hipotálamo, região do cérebro que age como um “termostato” do corpo.

Segundo a ginecologista Jacira Sobreira Cossate, com a queda do estrogênio, esse equilíbrio se rompe. Os neurônios KNDy, envolvidos nessa regulação, passam a enviar sinais errados, o que desencadeia as ondas de calor.

O fezolinetanto bloqueia os receptores NK3 no cérebro, os alvos da neurocinina B. Ao impedir essa ligação, o medicamento reduz a frequência e a intensidade das ondas de calor e dos suores noturnos.

Pense assim: seu termostato está com o sensor quebrado, achando que você está queimando quando na verdade está tudo normal. O medicamento vai lá e ajusta esse sensor, normalizando a percepção de temperatura.

Ginecologista Jacira Sobreira Cossate, da Unimed Sul Capixaba

O que mostram os estudos

Veoza é um comprimido não hormonal da Astellas. Imagem: Astellas/Divulgação

De acordo com informações da Anvisa, os estudos clínicos apontam que o fezolinetanto reduziu em média 53% as ondas diárias de calor após quatro semanas de tratamento. A intensidade dos sintomas também foi menor em comparação com o grupo que recebeu placebo.

Leia mais:  Internações por doença respiratória no Brasil crescem quase 20% em meio a Covid não diagnosticada

“O efeito se manteve ao longo do tempo, sem perda de eficácia”, destacou Jacira. Os efeitos colaterais registrados em algumas pacientes foram dor de cabeça e tonturas.

Para quem é indicado

O medicamento é voltado especialmente para mulheres que não podem usar terapia hormonal, como aquelas com histórico de câncer de mama, tromboembolismo ou acidente vascular cerebral. Também é uma opção para quem não tolera hormônios ou prefere não usá-los.

“É uma medicação importante porque é a primeira opção não hormonal que funciona para esse problema, principalmente para mulheres que não podem usar terapia hormonal, como as que tiveram câncer de mama”, afirmou a ginecologista.

É importante saber que o fezolinetanto age exclusivamente nos sintomas vasomotores. Ele não trata ressecamento vaginal, não oferece proteção cardiovascular e não age contra a osteoporose.

Até a aprovação do Veoza™, as mulheres contavam basicamente com duas alternativas: terapia hormonal, que repõe estrogênio e progesterona e resolve o problema na raiz, mas tem contraindicações, e medicamentos antidepressivos.

“Agora temos uma terceira opção desenvolvida especificamente para isso”, disse Jacira.

Leia mais:  AVC mata uma pessoa a cada seis minutos no Brasil

A terapia hormonal continua sendo indicada para quem pode usá-la, por tratar um espectro mais amplo de sintomas da menopausa. O fezolinetanto entra como complemento no arsenal terapêutico.

Impacto na qualidade de vida

A especialista destacou um efeito cascata positivo além do alívio direto dos fogachos. Ao reduzir os suores noturnos, o medicamento melhora o sono. Com mais descanso, melhora também o bem-estar emocional.

“Menos irritabilidade, menos fadiga, melhor disposição. Mulheres relatam que conseguem trabalhar melhor, se relacionar melhor, ter mais energia”, acrescentou a ginecologista.

No entanto, Jacira ressaltou que o fezolinetanto não muda o tratamento da menopausa como um todo. Ele entra como mais uma ferramenta disponível, com foco nos sintomas vasomotores.

Vejo principalmente como uma esperança para mulheres que não podem usar a terapia hormonal e sofriam com os fogachos, que atrapalham a produtividade e a qualidade de vida.

Ginecologista Jacira Sobreira Cossate, da Unimed Sul Capixaba

O Veoza™ já pode ser prescrito por médicos no Brasil. A aprovação consta na Resolução 2.430/2026, publicada no Diário Oficial da União.

Continue lendo

São Mateus

Política e Governo

Segurança

Camisa 10

Mais Lidas da Semana