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Medicina e Saúde

Anvisa aprova remédio inédito para menopausa: o que é e como funciona

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Veoza™ atua no cérebro para reduzir ondas de calor

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na segunda-feira (22) o registro do Veoza™ (fezolinetanto), o primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para tratar sintomas vasomotores moderados a intensos associados à menopausa. A aprovação foi publicada na Resolução 2.430/2026, no Diário Oficial da União.

Os sintomas vasomotores, conhecidos como fogachos, são episódios repentinos de calor intenso, geralmente acompanhados de suor e vermelhidão. Atingem principalmente a cabeça, o pescoço, o peito e a parte superior das costas.

Segundo relatório da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), entre 11% e 47% das mulheres com mais de 40 anos sofrem com sintomas vasomotores associados à menopausa.

Como o medicamento age

Durante a menopausa, os níveis de estrogênio diminuem. Esse hormônio mantinha o equilíbrio com uma proteína chamada neurocinina B, responsável por regular o centro de controle da temperatura no hipotálamo, região do cérebro que age como um “termostato” do corpo.

Segundo a ginecologista Jacira Sobreira Cossate, com a queda do estrogênio, esse equilíbrio se rompe. Os neurônios KNDy, envolvidos nessa regulação, passam a enviar sinais errados, o que desencadeia as ondas de calor.

O fezolinetanto bloqueia os receptores NK3 no cérebro, os alvos da neurocinina B. Ao impedir essa ligação, o medicamento reduz a frequência e a intensidade das ondas de calor e dos suores noturnos.

Pense assim: seu termostato está com o sensor quebrado, achando que você está queimando quando na verdade está tudo normal. O medicamento vai lá e ajusta esse sensor, normalizando a percepção de temperatura.

Ginecologista Jacira Sobreira Cossate, da Unimed Sul Capixaba

O que mostram os estudos

Veoza é um comprimido não hormonal da Astellas. Imagem: Astellas/Divulgação

De acordo com informações da Anvisa, os estudos clínicos apontam que o fezolinetanto reduziu em média 53% as ondas diárias de calor após quatro semanas de tratamento. A intensidade dos sintomas também foi menor em comparação com o grupo que recebeu placebo.

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“O efeito se manteve ao longo do tempo, sem perda de eficácia”, destacou Jacira. Os efeitos colaterais registrados em algumas pacientes foram dor de cabeça e tonturas.

Para quem é indicado

O medicamento é voltado especialmente para mulheres que não podem usar terapia hormonal, como aquelas com histórico de câncer de mama, tromboembolismo ou acidente vascular cerebral. Também é uma opção para quem não tolera hormônios ou prefere não usá-los.

“É uma medicação importante porque é a primeira opção não hormonal que funciona para esse problema, principalmente para mulheres que não podem usar terapia hormonal, como as que tiveram câncer de mama”, afirmou a ginecologista.

É importante saber que o fezolinetanto age exclusivamente nos sintomas vasomotores. Ele não trata ressecamento vaginal, não oferece proteção cardiovascular e não age contra a osteoporose.

Até a aprovação do Veoza™, as mulheres contavam basicamente com duas alternativas: terapia hormonal, que repõe estrogênio e progesterona e resolve o problema na raiz, mas tem contraindicações, e medicamentos antidepressivos.

“Agora temos uma terceira opção desenvolvida especificamente para isso”, disse Jacira.

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A terapia hormonal continua sendo indicada para quem pode usá-la, por tratar um espectro mais amplo de sintomas da menopausa. O fezolinetanto entra como complemento no arsenal terapêutico.

Impacto na qualidade de vida

A especialista destacou um efeito cascata positivo além do alívio direto dos fogachos. Ao reduzir os suores noturnos, o medicamento melhora o sono. Com mais descanso, melhora também o bem-estar emocional.

“Menos irritabilidade, menos fadiga, melhor disposição. Mulheres relatam que conseguem trabalhar melhor, se relacionar melhor, ter mais energia”, acrescentou a ginecologista.

No entanto, Jacira ressaltou que o fezolinetanto não muda o tratamento da menopausa como um todo. Ele entra como mais uma ferramenta disponível, com foco nos sintomas vasomotores.

Vejo principalmente como uma esperança para mulheres que não podem usar a terapia hormonal e sofriam com os fogachos, que atrapalham a produtividade e a qualidade de vida.

Ginecologista Jacira Sobreira Cossate, da Unimed Sul Capixaba

O Veoza™ já pode ser prescrito por médicos no Brasil. A aprovação consta na Resolução 2.430/2026, publicada no Diário Oficial da União.

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Dia Nacional do Diabetes: Alerta vai além do açúcar e acende sinal vermelho para o coração

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No próximo dia 26 de junho, o país se mobiliza para o Dia Nacional do Diabetes, uma data fundamental de conscientização sobre uma das condições crônicas que mais cresce no Brasil.

No entanto, o que muitos ainda desconhecem é que o impacto da doença vai muito além das taxas de açúcar no sangue, sendo o diabetes um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Segundo o cardiologista da Rede Meridional, André Brandão, a relação entre o diabetes e o coração é íntima e altamente perigosa. O especialista explica que o excesso de glicose na corrente sanguínea, ao longo do tempo, causa um processo inflamatório que danifica diretamente as paredes das artérias, o que facilita o acúmulo de placas de gordura e obstrui a circulação.

Brandão alerta que o paciente com diabetes tem uma probabilidade duas a quatro vezes maior de sofrer um infarto ou um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em comparação com a população geral. Ele ressalta que, por ser uma doença frequentemente silenciosa em seus estágios iniciais, o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo tornam-se ferramentas fundamentais para salvar vidas.

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“Se a pessoa apresentar sintomas clássicos como sede excessiva, aumento na frequência urinária (especialmente à noite), fome constante, perda de peso sem motivo aparente, visão embaçada ou cicatrização muito lenta de machucados deve procurar um médico, pois o corpo dá indícios de que há algo errado”, ressalta Brandão.

Além disso, o cardiologista reforça que mesmo na ausência de sintomas, quem tem mais de 45 anos, histórico familiar da doença, excesso de peso, pressão alta ou colesterol elevado deve procurar o médico anualmente para exames de rastreamento. As estatísticas nacionais preocupam, já que se estima que cerca de metade das pessoas que têm diabetes ainda não sabem que possuem a condição, e as complicações cardiovasculares continuam sendo a principal causa de mortalidade entre os pacientes diagnosticados.

O diabetes tipo 2, que representa cerca de 90% dos casos, está diretamente ligado ao estilo de vida e pode ser prevenido ou controlado com mudanças reais de hábitos. Para manter o açúcar e o coração sob controle, o cardiologista recomenda a adoção de uma alimentação equilibrada. “Com menos produtos ultraprocessados e açúcares, a prática de pelo menos 150 minutos de exercícios físicos moderados por semana e o controle rigoroso do peso corporal. Além disso, a realização de exames de rotina, como a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada, é indispensável”, diz o médico.

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Brandão conclui que tratar o diabetes não é apenas tomar o medicamento para baixar a glicose, mas sim proteger o coração, os rins e os olhos, garantindo longevidade com qualidade de vida através de um cuidado diário e multidisciplinar.

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Alta miopia aumenta moscas volantes entre jovens

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Levantamento mostra que  a doença avança entre estudantes do ensino médio, além de causar outras doenças oculares graves. Entenda

Consideradas um problema ocular inofensivo associado à idade, as moscas volantes entre jovens  estão se tornando cada vez mais frequentes nos consultórios. De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier, o surgimento precoce desses pontos na visão é provocado pela progressão da miopia que deixou de ser um problema refrativo para se tornar uma importante questão de saúde pública que está   incapacitando um número crescente de adolescentes e jovens.

Uma evidência disso é o resultado de um levantamento realizado pelo especialista nos portuários de 475 pacientes míopes de agosto de 2025 ao final de maio do ano. O especialista  ressalta que encontrou no grupo 4% ou  19 altos míopes. Há 20 anos  não encontraria mais do que 1%. A alta miopia está aumentando bem mais rápido que a miopia, pontua.

“As moscas volantes são  pequenos pontos escuros, linhas e teias que parecem flutuar no campo da visão, se movem conforme movimentamos os olhos  e ficam mais visíveis quando olhamos para uma superfície clara, como a tela de um gadget ligado,  o céu azul ou uma parede branca”,  explica.  

 

Como se formam

Queiroz Neto afirma  que  a partir dos 60 anos as moscas volantes surgem pela liquefação e encolhimento do vítreo, gel que preenche o globo ocular, do cristalino até a retina.  O mesm0 processo ocorre em altos míopes devido ao maior tamanho do olho. A liquefação e encolhimento  do vítreo , explica, formam aglomerados que projetam pequenos pontos escuros  na visão. Entre jovens o maior gatilho das moscas volantes é a  alta miopia, acima de 6 dioptrias. Isso porque, o olho do alto míope é mais longo, afina a retina e inicia  a degeneração natural do vítreo que se desprende da retina. Trata-se de uma  emergência oftalmológica que deve ser tratada em até 48 horas. Isso porque, explica,  o descolamento do vítreo  pode tracionar,  provocar  rasgos ou o descolamento da retina que pode levar à perda da visão se não for tratado a tempo.

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Risco anatômico

O oftalmologista destaca que  moscas volantes isoladas não causam cegueira e geralmente são inofensivas.

O risco real ocorre quando o vítreo, ao se descolar, exerce tração sobre a retina e causa uma lesão ou rasgo que pode levar à perda permanente da visão. Queiroz Neto ressalta que as  alterações na anatomia do olho decorrentes da alta miopia também predispõem ao glaucoma e alterações na retina.  O especialista ressalta que na prática clínica tem observado que a miopia acomodativa  provocada pelo excesso de telas entre crianças, conforme estudo que realizou com 360 crianças, pode também ocorrer entre adultos. “A diferença é que no  adulto os olhos estão completamente desenvolvidos e não crescem como o da criança.  Neste caso. após um final de semana longe das telas, ao ar livre, a dificuldade de enxergar à distância desaparece”, afirma.

 

Sinais de alerta

Queiroz Neto recomenda a quem percebe moscas volantes no olho, procurar um pronto-socorro oftalmológico imediatamente caso note:

Aumento súbito de muitas novas moscas volantes de uma só vez.

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• Flashes de luz persistentes no campo de visão, mesmo em ambientes escuros.

• Sombra ou Cortina: Uma mancha escura ou “cortina cinzenta” que começa na lateral da visão e vai cobrindo parte do que você enxerga é um forte indício de descolamento de retina, salienta;

• Perda de visão: Qualquer diminuição abrupta na nitidez visual.

 

Prevenção

As principais recomendações do oftalmologista para evitar lesões nos olhos são:

Evite esportes de alto impacto ou contato direto: futebol, basquete, boxe;

• Não mergulhe de cabeça;

• Evite esportes radicais;

• Mantenha os exercícios de musculação evitando prender a respiração para não forçar a estrutura do globo ocular;

• Evite coçar os olhos;

Para quem tem alta miopia o exame oftalmológico é um calendário de proteção que varia de acordo com o estado da retina. Queiroz Neto afirma que o mapeamento retiniano deve ser anual para olhos sem lesões ; mapeamento e OCT a cada seis meses para olhos com alterações na periferia; mapeamento de urgência  em 24 a 72 horas quando surgirem novas moscas volante.  Sua  independência depende do cuidado que tem com seus olhos, conclui. 

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