Uma operação aérea possibilitou a captação e o transplante de quatro órgãos em uma ação que resultou na renovação de vidas no Espírito Santo. O procedimento envolveu o transporte rápido de equipe médica e materiais entre Cachoeiro de Itapemirim e Cariacica.
O Hospital Meridional Cariacica informou que, na quinta-feira (25), a equipe realizou, em Cachoeiro de Itapemirim, a captação de quatro órgãos destinados a transplantes: coração, fígado e dois rins.
Logo após a retirada, os órgãos foram transportados por uma aeronave do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer) e encaminhados para pacientes que estavam na fila de espera. No total, quatro pessoas foram beneficiadas com os transplantes, todos realizados na unidade hospitalar de Cariacica.
Ainda na quinta-feira (25), o coração e o fígado foram transplantados com sucesso. Já nesta sexta-feira (26), foram realizados os procedimentos de transplante dos dois rins.
A operação contou com o apoio do heliponto do Hospital Meridional Cariacica, que recebeu a aeronave responsável pelo transporte da equipe médica e dos órgãos captados.
A estrutura foi fundamental para agilizar o deslocamento e garantir a preservação dos órgãos, fator considerado decisivo para o sucesso dos procedimentos.
Hospital Meridional Cariacica
Como funciona a doação de órgãos?
A captação de órgãos ocorre apenas após a confirmação da morte encefálica, condição caracterizada pela perda completa e irreversível das funções cerebrais. O diagnóstico segue protocolos rigorosos definidos pela legislação brasileira e é realizado por profissionais especializados, com a realização de exames clínicos e complementares.
No Brasil, não é necessário registrar oficialmente o desejo de ser doador. A autorização da família é obrigatória, o que torna fundamental conversar sobre o assunto ainda em vida.
A doação pode beneficiar pacientes que necessitam de transplante de coração, pulmão, fígado, rins, pâncreas e intestino. Também é possível doar tecidos, como córneas, pele, ossos, tendões, válvulas cardíacas e medula óssea.
Após a captação, os órgãos são distribuídos conforme critérios técnicos de compatibilidade e gravidade clínica, definidos pelas Centrais Estaduais de Transplantes.
Veoza™ atua no cérebro para reduzir ondas de calor
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na segunda-feira (22) o registro do Veoza™ (fezolinetanto), o primeiro medicamento não hormonal desenvolvido especificamente para tratar sintomas vasomotores moderados a intensos associados à menopausa. A aprovação foi publicada na Resolução 2.430/2026, no Diário Oficial da União.
Os sintomas vasomotores, conhecidos como fogachos, são episódios repentinos de calor intenso, geralmente acompanhados de suor e vermelhidão. Atingem principalmente a cabeça, o pescoço, o peito e a parte superior das costas.
Segundo relatório da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), entre 11% e 47% das mulheres com mais de 40 anos sofrem com sintomas vasomotores associados à menopausa.
Como o medicamento age
Durante a menopausa, os níveis de estrogênio diminuem. Esse hormônio mantinha o equilíbrio com uma proteína chamada neurocinina B, responsável por regular o centro de controle da temperatura no hipotálamo, região do cérebro que age como um “termostato” do corpo.
Segundo a ginecologista Jacira Sobreira Cossate, com a queda do estrogênio, esse equilíbrio se rompe. Os neurônios KNDy, envolvidos nessa regulação, passam a enviar sinais errados, o que desencadeia as ondas de calor.
O fezolinetanto bloqueia os receptores NK3 no cérebro, os alvos da neurocinina B. Ao impedir essa ligação, o medicamento reduz a frequência e a intensidade das ondas de calor e dos suores noturnos.
Pense assim: seu termostato está com o sensor quebrado, achando que você está queimando quando na verdade está tudo normal. O medicamento vai lá e ajusta esse sensor, normalizando a percepção de temperatura.
Ginecologista Jacira Sobreira Cossate, da Unimed Sul Capixaba
O que mostram os estudos
Veoza é um comprimido não hormonal da Astellas. Imagem: Astellas/Divulgação
De acordo com informações da Anvisa, os estudos clínicos apontam que o fezolinetanto reduziu em média 53% as ondas diárias de calor após quatro semanas de tratamento. A intensidade dos sintomas também foi menor em comparação com o grupo que recebeu placebo.
“O efeito se manteve ao longo do tempo, sem perda de eficácia”, destacou Jacira. Os efeitos colaterais registrados em algumas pacientes foram dor de cabeça e tonturas.
Para quem é indicado
O medicamento é voltado especialmente para mulheres que não podem usar terapia hormonal, como aquelas com histórico de câncer de mama, tromboembolismo ou acidente vascular cerebral. Também é uma opção para quem não tolera hormônios ou prefere não usá-los.
“É uma medicação importante porque é a primeira opção não hormonal que funciona para esse problema, principalmente para mulheres que não podem usar terapia hormonal, como as que tiveram câncer de mama”, afirmou a ginecologista.
É importante saber que o fezolinetanto age exclusivamente nos sintomas vasomotores. Ele não trata ressecamento vaginal, não oferece proteção cardiovascular e não age contra a osteoporose.
Até a aprovação do Veoza™, as mulheres contavam basicamente com duas alternativas: terapia hormonal, que repõe estrogênio e progesterona e resolve o problema na raiz, mas tem contraindicações, e medicamentos antidepressivos.
“Agora temos uma terceira opção desenvolvida especificamente para isso”, disse Jacira.
A terapia hormonal continua sendo indicada para quem pode usá-la, por tratar um espectro mais amplo de sintomas da menopausa. O fezolinetanto entra como complemento no arsenal terapêutico.
Impacto na qualidade de vida
A especialista destacou um efeito cascata positivo além do alívio direto dos fogachos. Ao reduzir os suores noturnos, o medicamento melhora o sono. Com mais descanso, melhora também o bem-estar emocional.
“Menos irritabilidade, menos fadiga, melhor disposição. Mulheres relatam que conseguem trabalhar melhor, se relacionar melhor, ter mais energia”, acrescentou a ginecologista.
No entanto, Jacira ressaltou que o fezolinetanto não muda o tratamento da menopausa como um todo. Ele entra como mais uma ferramenta disponível, com foco nos sintomas vasomotores.
Vejo principalmente como uma esperança para mulheres que não podem usar a terapia hormonal e sofriam com os fogachos, que atrapalham a produtividade e a qualidade de vida.
Ginecologista Jacira Sobreira Cossate, da Unimed Sul Capixaba
O Veoza™ já pode ser prescrito por médicos no Brasil. A aprovação consta na Resolução 2.430/2026, publicada no Diário Oficial da União.
No próximo dia 26 de junho, o país se mobiliza para o Dia Nacional do Diabetes, uma data fundamental de conscientização sobre uma das condições crônicas que mais cresce no Brasil.
No entanto, o que muitos ainda desconhecem é que o impacto da doença vai muito além das taxas de açúcar no sangue, sendo o diabetes um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Segundo o cardiologista da Rede Meridional, André Brandão, a relação entre o diabetes e o coração é íntima e altamente perigosa. O especialista explica que o excesso de glicose na corrente sanguínea, ao longo do tempo, causa um processo inflamatório que danifica diretamente as paredes das artérias, o que facilita o acúmulo de placas de gordura e obstrui a circulação.
Brandão alerta que o paciente com diabetes tem uma probabilidade duas a quatro vezes maior de sofrer um infarto ou um Acidente Vascular Cerebral (AVC) em comparação com a população geral. Ele ressalta que, por ser uma doença frequentemente silenciosa em seus estágios iniciais, o diagnóstico precoce e o acompanhamento contínuo tornam-se ferramentas fundamentais para salvar vidas.
“Se a pessoa apresentar sintomas clássicos como sede excessiva, aumento na frequência urinária (especialmente à noite), fome constante, perda de peso sem motivo aparente, visão embaçada ou cicatrização muito lenta de machucados deve procurar um médico, pois o corpo dá indícios de que há algo errado”, ressalta Brandão.
Além disso, o cardiologista reforça que mesmo na ausência de sintomas, quem tem mais de 45 anos, histórico familiar da doença, excesso de peso, pressão alta ou colesterol elevado deve procurar o médico anualmente para exames de rastreamento. As estatísticas nacionais preocupam, já que se estima que cerca de metade das pessoas que têm diabetes ainda não sabem que possuem a condição, e as complicações cardiovasculares continuam sendo a principal causa de mortalidade entre os pacientes diagnosticados.
O diabetes tipo 2, que representa cerca de 90% dos casos, está diretamente ligado ao estilo de vida e pode ser prevenido ou controlado com mudanças reais de hábitos. Para manter o açúcar e o coração sob controle, o cardiologista recomenda a adoção de uma alimentação equilibrada. “Com menos produtos ultraprocessados e açúcares, a prática de pelo menos 150 minutos de exercícios físicos moderados por semana e o controle rigoroso do peso corporal. Além disso, a realização de exames de rotina, como a glicemia de jejum e a hemoglobina glicada, é indispensável”, diz o médico.
Brandão conclui que tratar o diabetes não é apenas tomar o medicamento para baixar a glicose, mas sim proteger o coração, os rins e os olhos, garantindo longevidade com qualidade de vida através de um cuidado diário e multidisciplinar.