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Política e Governo

“Já passou da hora de botar limites no Supremo”, diz Ricardo em aceno a eleitorado de direita

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No maior aceno que já fez até hoje mirando o eleitorado de direita, o governador Ricardo Ferraço (MDB) criticou, durante discurso num evento armamentista, a postura do Supremo Tribunal Federal (STF), chegando a dizer que era preciso colocar “limites” na Suprema Corte.

“Eu estou entre aqueles que mesmo não estando no Congresso Nacional, tenho a convicção que já passou da hora de botar limites no Supremo Tribunal Federal. Não pode, uma só pessoa, ser ao mesmo tempo promotor, juiz, investigador e tudo de resto”, disse ao microfone, sob aplausos da plateia que participava do Café com Pólvora, evento organizado pelo Clube de Tiro de Vila Velha (CTVV) e considerado o maior encontro armamentista do Espírito Santo.

Ao lado de lideranças de direita e bolsonaristas – como o deputado estadual Callegari (DC) e o federal Messias Donato (União) – o governador afirmou que a Constituição não reserva “superpoderes” a ninguém, fazendo coro a uma das principais pautas de pré-candidatos desse campo ideológico.

“A democracia não pressupõe isso e a nossa Constituição também não reserva a nenhum de nós, individualmente, esses superpoderes. Porque a democracia pressupõe um sistema de freios e contrapesos”, afirmou o governador. Veja o vídeo abaixo:

Segundo a assessoria de imprensa do governador, Ricardo foi convidado para o evento, que ocorreu no último domingo (05), pelos diretores do CTVV, Diego Teixeira – que é instrutor de tiro e pré-candidato a deputado estadual pelo DC –, e Walace Vial, que é policial civil do Core.

Em suas redes sociais, o governador registrou o evento e enfatizou o fato de ter sido o primeiro governador a visitar o clube. O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), e o presidente da Assembleia, Marcelo Santos (União), também estavam presentes.

Um encontro para trocarmos ideias, compartilharmos posicionamentos e conversarmos sobre segurança, esporte e responsabilidade. Fui o primeiro governador a ir ao Clube de Tiro. Todo respeito ao trabalho de vocês. É sempre bom ouvir e dialogar olho no olho. Obrigado ao clube pela acolhida”, escreveu Ricardo.

Além da manifestação sobre o STF, Ricardo também teria se posicionado com relação ao direito da propriedade privada, contra o aborto e ideologia de gênero, segundo participantes do evento.

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“Ele é bom de tiro”, diz Callegari

O deputado Callegari, que trocou o PL pelo DC para ser candidato ao Senado, esteve no evento e elogiou a participação do governador. Segundo ele, Ricardo se posicionou sobre temas polêmicos e caros ao conservadorismo.

Ricardo demonstrou ser um defensor da pauta. Fez um discurso de matriz conservadora, disse ser contra o aborto, contra a ideologia de gênero, contra as decisões arbitrárias que o STF vem tomando nos últimos anos e se declarou favorável aos atiradores no que diz respeito às leis”, afirmou o deputado.

Não foi assinado nenhum termo de compromisso e nem teria sido feita promessa de pré-campanha, segundo o deputado. Mas o fato do governador ter comparecido ao evento e se posicionado, arrancou elogios do parlamentar bolsonarista:

“Não estou definindo minha posição. Eu elogiei a coragem dele de ir à reunião, dizer o que acredita, porque é isso que se espera de um governador. É um direito do povo conhecer as convicções dele. O Ricardo mereceu meu elogio, porque além de considerá-lo muito experiente e capaz na administração, ele se posicionou”.

Callegari também elogiou a performance do governador no estande de tiros: “Ricardo tem o hobby de atirar e gosta de armas. Ele fez treinamento nos estandes e acertou. É bom de tiro”.

Segundo Callegari, outros pré-candidatos ao governo foram convidados, mas não compareceram.

Deputado Callegari
Callegari (Foto: JV Andrade/Ales)

Não é um ato isolado

Embora tenha sido o maior aceno até o momento ao eleitorado de direita, desde que assumiu o governo do Estado, Ricardo Ferraço tem feito pequenos gestos de inclinação a esse campo político – o que tem somado na lista das diferenças de perfil na comparação com o ex-governador Renato Casagrande (PSB).

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Ainda como vice-governador e presidente estadual do MDB, ele assinou um manifesto, que foi entregue ao presidente nacional do partido, requerendo que a sigla se abstenha de coligar com o PT nas eleições de outubro.

Assim que assumiu o governo, o PT declarou que deixaria todos os postos ocupados pelo partido na gestão. Ricardo não reagiu e nada fez para impedir a saída da sigla do seu governo.

Com um mês à frente do Palácio Anchieta assinou um decreto mudando a política de prevenção e mediação dos conflitos de terra, transferindo a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos para a pasta de Segurança Pública.

E isso logo após ter trocado a secretária estadual de Direitos Humanos. Após comandar a pasta durante os mandatos de Casagrande, a advogada Nara Borgo foi exonerada.

Num estado que deu vitória ao ex-presidente Jair Bolsonaro nas últimas duas eleições, a leitura do mercado político é que Ricardo quer abocanhar os votos da direita e do bolsonarismo, tendo em vista que seu principal adversário é o ex-prefeito Lorenzo Pazolini, que disputará o governo pelo Republicanos – partido de direita e conservador.

A postura de Ricardo, porém, não é alheia à sua trajetória política. Ao longo de todos os seus mandatos, Ricardo Ferraço sempre se colocou no campo oposto ao do presidente Lula e do petismo, principalmente quando foi senador pelo PSDB – partido que até a ascensão do bolsonarismo era o principal adversário do PT.

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PL perto de fechar com Pazolini e ter Maguinha na chapa ao Senado

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Após um primeiro encontro realizado em Brasília, lideranças do PL e do Republicanos voltam a se reunir nesta sexta-feira (10) para tentar fechar um acordo visando as eleições de 2026 no Espírito Santo. A expectativa é que o novo encontro avance nas negociações para uma aliança entre as duas siglas, que discutem a composição da chapa majoritária no Estado.

Nos bastidores, o principal tema da negociação é a possibilidade de o PL abrir mão de uma eventual candidatura do senador Magno Malta ao Governo do Estado para apoiar o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini, nome defendido pelo Republicanos para disputar o Palácio Anchieta.

Em contrapartida, o PL busca garantir espaço na disputa pelo Senado. A principal aposta do partido é a deputada estadual Maguinha Malta, que poderia integrar a chapa como candidata ao Senado.

O impasse, no entanto, envolve o PSD. Aliado de Pazolini, o partido também reivindica a indicação de um nome para a vaga ao Senado e trabalha para emplacar o ex-prefeito de Colatina, Sergio Meneguelli, na composição.

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As conversas tiveram início na última quarta-feira (8), em Brasília, durante reunião entre dirigentes nacionais e estaduais das duas legendas. Participaram do encontro o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira; o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; o senador Rogério Marinho; o senador Magno Malta; o presidente do Republicanos no Espírito Santo, Erick Musso; a vice-presidente do PL-ES, Maguinha Malta; a presidente do PL Mulher-ES, Karla Malta; e o deputado federal Gilvan.

Segundo o PL-ES, a reunião foi marcada pela troca de ideias, avaliação do cenário político e alinhamentos para os próximos passos. A expectativa é que a reunião desta sexta-feira seja decisiva para reduzir as divergências e consolidar o entendimento entre as siglas.

Caso o acordo avance, a aliança poderá ganhar um gesto político de peso no próximo dia 18 de julho, quando está prevista a visita do senador Flávio Bolsonaro ao Espírito Santo. A expectativa é que a presença do parlamentar sirva para reforçar a aproximação entre PL e Republicanos e dar visibilidade ao projeto conjunto para 2026.

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Política e Governo

“Temos que falar a mesma língua”, diz Magno Malta sobre apoio a Pazolini

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PL e Republicanos iniciaram, formalmente, as negociações para uma aliança nacional e no Estado – mas com condições

O PL e o Republicanos iniciaram, formalmente, as negociações para uma aliança visando as eleições de outubro.

Numa reunião, na quarta-feira (08), que contou com os presidentes nacionais e estaduais dos dois partidos, as conversas avançaram e apontaram para as condições necessárias para que as duas legendas formem uma dobradinha.

No plano nacional, tudo caminha para que o Republicanos feche apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Antes da oficialização, no entanto, o partido terá de equacionar impasses em cinco estados – entre eles, o Espírito Santo.

O Republicanos quer a reciprocidade, ou seja, que em troca do apoio nacional a Flávio, o PL não lance candidatura própria, mas apoie o ex-prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) ao governo do Estado.

Mas essa é apenas uma das frentes da negociação. A mesa também abriga outros pontos.

 

Discurso alinhado

Em coletiva de imprensa ontem, após a reunião, o senador Magno Malta, que preside o PL capixaba, afirmou que as conversas com o Republicanos avançaram para uma possível coligação, mas que é preciso alinhar o discurso.

“Avançaram as conversas, as pautas andaram. Nós precisamos alinhar o discurso. Nosso discurso inclui nossos irmãos presos no dia 8, anistia, presidente Bolsonaro, os crimes de ditadura impostos pelo STF ao povo brasileiro. Eu vou para rua com esse discurso”.

Questionado se o Republicanos teria que adotar o mesmo discurso, Magno sinalizou que sim, citando principalmente o Estado: “Estou falando da minha paróquia, acho que temos que falar a mesma língua, senão não tem como coligar”, cravou o senador.

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Em outras palavras, a resolução do impasse dependeria do Republicanos – leia-se, Pazolini – assumir uma postura pública de apoio às pautas que são caras ao bolsonarismo, além de apoiar publicamente Flávio à Presidência.

Em 2024, quando concorreu à reeleição de prefeito, Pazolini evitou nacionalizar a campanha – o que lhe rende algumas cobranças e críticas, até hoje, de grupos de direita e extrema-direita.

De lá pra cá, o ex-prefeito chegou a ver algumas sinalizações, porém tímidas, sobre as pautas demandadas pelo senador e, até o momento, não falou publicamente sobre a disputa presidencial.

 

Apoio (só) a Maguinha

Magno e a filha Maguinha.

 

O senador Magno Malta tem uma meta na eleição do Espírito Santo: eleger a filha Maguinha Malta ao Senado. Embora não tenha citado esse ponto na coletiva, a eleição da filha é prioridade para o presidente do PL capixaba.

Isso colocado, seria quase que improvável imaginar que as negociações para o fechamento de uma aliança não passem por esse ponto: a garantia de espaço para que Maguinha dispute a vaga majoritária. E não só o espaço, mas ter também condições para que ela faça uma campanha competitiva.

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Acontece que, no grupo de Pazolini, outros nomes também desejam o mesmo espaço. O deputado federal Evair de Melo (Republicanos), o ex-deputado Carlos Manato (Republicanos) e o deputado estadual Sergio Meneguelli (PSD) já se apresentaram para a disputa, além do ex-governador Paulo Hartung (PSD), que é cotado

Duas vagas estão em jogo e, pela lógica, a coligação poderia lançar dois nomes para concorrer. Entretanto, todo o mercado político sabe que, numa disputa tão acirrada como projeta ser a de Senado, ter dois nomes com mesmo peso e no mesmo grupo é arriscado. E pode fazer com que os votos sejam diluídos.

Se chegarem a essa conclusão, a solução para o grupo seria a de adotar apenas um nome, para apoiar com força total, como o nome único da direita. Uma saída que favoreceria a eleição de Maguinha.

Porém, se essa for uma das condições do PL para apoiar Pazolini, o impasse interno aumenta. O PSD, que caminha há mais tempo com Pazolini, abriria mão de ter um candidato ao Senado para apoiar Maguinha? E os demais pré-candidatos, a apoiariam?

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