A última sessão da Câmara Municipal de São Mateus foi marcada por um clima de tensão, provocado principalmente pelo pronunciamento do vereador Raphael Barboza (PDT). Da tribuna, o parlamentar afirmou ter recebido denúncias sobre supostas irregularidades no cemitério público localizado no bairro Aviação.

Segundo Barboza, o cemitério enfrenta problemas de superlotação e abandono. Ele afirmou que não há mais espaço para novos sepultamentos e que corpos estariam sendo enterrados em túmulos já ocupados.
“Um corpo é sepultado sobre outros”, declarou o vereador. “Existem ossos espalhados pelo cemitério”, acrescentou, afirmando que as denúncias partiram de pessoas que procuraram seu gabinete.
Outro ponto levantado pelo parlamentar foi a publicação feita pela Prefeitura informando a destinação de R$ 35 milhões para manutenção dos cemitérios e construção de capelas mortuárias, recursos que fariam parte de um financiamento de R$ 100 milhões. No entanto, o próprio vereador apresentou a nota oficial do Executivo esclarecendo que houve um erro na divulgação e que os R$ 35 milhões seriam destinados a outras áreas, e não exclusivamente aos cemitérios municipais.
Mesmo diante da retificação, Barboza criticou o esclarecimento da Prefeitura. “Essa é uma nota fajuta”, afirmou.
Debate acalorado

O momento de maior tensão ocorreu quando Raphael Barboza afirmou que seus colegas não estariam exercendo adequadamente a função fiscalizadora do Legislativo.
A vereadora Isamara da Farmácia (União Brasil) rebateu as declarações, afirmando que os vereadores exercem, sim, o papel de fiscalização e que, sempre que surgem dúvidas, procuram o prefeito para solicitar esclarecimentos e acompanhar as demandas da administração municipal.
O vereador Branco da Penal (PL) também contestou o colega. Durante sua manifestação, exibiu um relatório com mais de 500 páginas, resultado de um requerimento por meio do qual solicitou à Prefeitura informações sobre doações de áreas públicas realizadas na gestão anterior.
“O senhor fez parte da administração passada”, afirmou Branco.
Raphael Barboza respondeu que, à época, não exercia mandato de vereador, razão pela qual não teria atuado para impedir eventuais irregularidades.

O vereador Wan Borges (PSB) também criticou Barboza, lembrando que ele ocupou o cargo de subsecretário durante a gestão do ex-prefeito Daniel Santana e, segundo afirmou, não tomou providências em relação aos problemas que agora aponta.
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Requerimento rejeitado
Raphael Barboza teve um requerimento rejeitado pela maioria dos vereadores. Apenas a vereadora Professora Valdirene (PT) votou favoravelmente à proposta.
No documento, o parlamentar solicitava que fossem destinados recursos para a manutenção do cemitério municipal, argumentando que, após a correção feita pela Prefeitura sobre a aplicação dos R$ 35 milhões, não havia previsão de investimentos específicos para essa finalidade.
Quanto ao empréstimo de R$ 100 milhões, o vereador Branco da Penal afirmou que não foi feito.
Outra rejeição

A vereadora Professora Valdirene também teve um requerimento rejeitado pelo plenário. Ela solicitava informações sobre a origem dos recursos utilizados para remunerar os militares que atuam nas escolas cívico-militares de São Mateus.
O vereador Branco da Penal informou que parte dos recursos de uma de suas emendas impositivas foi destinada a essa finalidade e pediu aos colegas que votassem pela rejeição do requerimento, entendimento que prevaleceu.
Apenas Raphael Barboza e a própria autora da proposta votaram favoravelmente ao requerimento.
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- Foto destaque: Reprodução / Câmara de São Mateus