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Brasil

Plataforma de empregabilidade gera R$ 16,9 milhões em renda e conecta quase mil pessoas ao mercado de trabalho

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Bússola Conecta reúne mais de 11 mil trabalhadores cadastrados na Bahia, Espírito Santo e Maranhão

 

Em pouco mais de dois anos de operação, o Bússola Conecta, plataforma gratuita de empregabilidade criada pelo Bússola Hub e financiada pela Suzano, já contribuiu para a contratação de quase mil pessoas nos estados da Bahia, Espírito Santo e Maranhão. Além de gerar mais de R$ 16,9 milhões em renda anual para as famílias beneficiadas, a iniciativa impactou diretamente mais de 2,7 mil familiares e ajudou mais de 120 pessoas a deixarem a condição de extrema pobreza por meio do acesso ao emprego formal.

Com mais de 11 mil trabalhadores cadastrados e cerca de 400 empresas participantes, a plataforma conecta candidatos e empregadores, fortalecendo a geração de renda e a inclusão produtiva nas regiões onde a companhia mantém operações. Lançada em 2024, a ferramenta foi desenvolvida para aproximar profissionais em busca de emprego e empresas com vagas abertas, sem custos para nenhuma das partes. Desde então, já registrou quase 1.000 contratações, incluindo 334 admissões em novembro de 2025, o maior volume mensal desde sua criação.

Há três meses, o assistente administrativo, Rafael Merlo Mendes, de 28 anos, conseguiu uma vaga em uma empresa administradora de benefícios, de São Mateus (ES), por meio da plataforma. “Minha experiência com o Bússola Conecta não poderia ter sido melhor. Eu estava buscando recolocação no mercado há cerca de um mês, enfrentando os desafios comuns de quem procura emprego. Quando comecei a usar a plataforma, que já conhecia há um bom tempo, tudo foi muito rápido, em uma semana a contratação aconteceu. O Conecta foi o divisor de águas que eu precisava, me aproximando do trabalho e da empresa de forma assertiva”, conta.

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Impacto econômico e social

Além de ampliar o acesso ao mercado de trabalho formal, o Bússola Conecta tem contribuído para movimentar a economia local. As contratações realizadas por meio da plataforma já representam ainda um impacto econômico estimado em R$ 25,4 milhões nas regiões atendidas. Os trabalhadores contratados recebem, em média, remuneração 14% superior ao salário mínimo, além dos direitos e benefícios associados ao emprego formal, como férias, 13º salário e recolhimento previdenciário. As admissões também geram mais de R$ 2,6 milhões anuais em contribuições ao INSS e FGTS.

A ferramenta também contribui para a inclusão produtiva. Entre as pessoas contratadas, 79,1% se autodeclaram pretas ou pardas e 50,3% são mulheres.

 

“Cada contratação realizada por meio do Conecta representa uma oportunidade de transformação para trabalhadores e suas famílias. Além de gerar renda, o programa contribui para movimentar a economia local e ampliar o acesso ao emprego formal nas regiões onde atuamos”, afirma Morgana Zanetti, coordenadora de Expansão do Bússola Conecta.

 

O gerente de Relacionamento Social da Suzano, Douglas Peixoto, ressalta que a iniciativa se conecta com a estratégia de transformação e desenvolvimento local. “Os resultados apoiam o compromisso da Suzano de contribuir para retirar 200 mil pessoas da condição de pobreza até 2030 nas regiões de atuação da companhia, uma das metas de longo prazo da empresa. Além do Bússola Conecta, investimos também em programas e projetos sociais com impacto direto sobre a renda das famílias em situação de vulnerabilidade social, sempre levando em conta a pobreza multidimensional, aquela que afeta a renda, a saúde e a educação. Atuamos sempre por meio de inciativas próprias e de parcerias, em ações de alto impacto social de acordo com características regionais”, completa Douglas.

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Destaques regionais

Espírito Santo

O Espírito Santo concentra cerca de 4,5 mil candidatos cadastrados na plataforma. São Mateus lidera os indicadores, com 3.843 trabalhadores registrados e 257 contratações efetivadas. A atuação no estado também contempla Aracruz e Conceição da Barra, somando 188 empresas parceiras. As oportunidades da própria Suzano também são divulgadas na ferramenta.

 

Bahia

Na Bahia, o Bússola Conecta reúne aproximadamente 1,9 mil candidatos cadastrados. Teixeira de Freitas concentra o maior número de inscritos, com 1.143 trabalhadores, seguida por Nova Viçosa, com 381, e Mucuri, com 165. Atualmente, 70 empresas utilizam a plataforma para divulgar vagas e recrutar profissionais no estado.

 

Como funciona

O cadastro no Bússola Conecta é gratuito. Os trabalhadores podem criar um perfil, cadastrar o currículo e se candidatar às vagas de acordo com sua experiência, localização e faixa salarial desejada. Já as empresas com CNPJ regular podem divulgar oportunidades em diferentes áreas e níveis profissionais.

 

Mais informações estão disponíveis em www.bussolaconecta.com.br.

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PMs são presos por participação em pegadinha de Carlinhos Maia

Publicado

A Polícia Militar de Alagoas (PM-AL) determinou a prisão administrativa de três policiais militares suspeitos de ceder uma viatura policial para a gravação de uma “pegadinha” do influenciador digital Carlinhos Maia. A ação ocorreu no último sábado (8) no bairro de Ipioca, em Maceió, onde fica a propriedade rural Rancho do Maia, onde é gravado um reality show criado pelo influenciador.

Os policiais faziam uma ronda no bairro, quando teriam cedido a viatura de patrulhamento para o programa. A pegadinha simulava a prisão e colocação na viatura dos participantes da atração gravada pelo influenciador. Carlinhos, que tem 35,1 milhões de seguidores no Instagram, fez o registro do momento no próprio stories da rede social.

Os PMs detidos não tiveram os nomes divulgados, o que impossibilitou o contato com suas defesas. Carlinhos Maia foi procurado pela reportagem e ainda não respondeu. Em seu canal oficial, o influenciador reproduziu notícias sobre o recolhimento dos policiais sem fazer comentários.

Ao Estadão, a Polícia Militar de Alagoas confirmou que o comando adotou as medidas previstas no regulamento da corporação, após ser informada sobre possível uso indevido de uma viatura policial para finalidade diversa da atividade de policiamento.

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COMO FUNCIONA O REGULAMENTO DA PM?

O recolhimento administrativo é uma medida interna de cautela prevista no regimento da PM, em que o policial é afastado de suas funções e fica detido temporariamente em um quartel para averiguação conduta ou apuração de desvio funcional.

O comando determinou que a Corregedoria-Geral da corporação apure as circunstâncias do possível uso da viatura e a conduta individual dos policiais envolvidos, bem como os demais elementos relacionados ao caso. Imagens que mostram as viaturas sendo usadas na gravação já foram anexadas ao procedimento.

Em nota, a PM de Alagoas diz que os militares já se encontram recolhidos administrativamente, conforme previsto no Regulamento Disciplinar da Corporação e irão responder pelos atos praticados.

— Destacamos que, no curso da apuração, serão assegurados aos militares envolvidos o contraditório e a ampla defesa, nos termos dos direitos e garantias previstos na Constituição Federal — diz a nota.

A Polícia Militar de Alagoas ressaltou ainda que não compactua com desvios previstos no regimento interno da instituição.

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— [A PM-AL] Não compactua com qualquer desvio de conduta por parte de seus integrantes e reitera que a instituição é regida por normas e regulamentos que prezam pela legalidade, pelo respeito e pela conduta irrepreensível, tano no exercício da função quanto fora de serviço — declarou.

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Artigo – O avanço da IA e os limites da humanidade

Publicado

Por Ives Gandra da Silva Martins

 

O empresário Elon Musk declarou recentemente que, em até cinco anos, a inteligência artificial ultrapassará a capacidade humana. Por enquanto, prevalece a impressão de que dominamos a tecnologia e de que ela só pode fazer aquilo que o homem programa, pautando-se por relações lógicas, matemáticas e físicas. Trata-se, afinal, de um sistema projetado para processar, com extrema rapidez, soluções que a mente humana tem dificuldade de alcançar.

O dado que mais impressiona — e que justifica a observação de Musk — é o ritmo vertiginoso dessa evolução. Não nos referimos apenas ao aumento do poder computacional, mas a uma mudança qualitativa: quando a computação deixa de ser mera ferramenta de cálculo para se tornar um agente decisório autônomo, a discussão ultrapassa a engenharia e alcança a dimensão ético-existencial.

Essa aceleração não se restringe apenas ao aumento do poder de processamento computacional, mas indica uma mudança qualitativa na própria forma como a tecnologia interfere na realidade. Quando a computação deixa de ser uma mera ferramenta de cálculo para se tornar um agente decisório autônomo, a discussão ultrapassa a engenharia e alcança a dimensão ético-existencial do próprio ser humano.  

Em sua encíclica “Magnifica humanitas”, o Papa Leão XIV já apontou a importância e os riscos da transformação social pela tecnologia. Ele demonstrou que esses sistemas evoluem continuamente. A inteligência artificial é mais rápida no trabalho, não faz greves nem gera encargos sociais. Seus alertas éticos mostram que corremos riscos gravíssimos se não houver cautela, pois a substituição da mão de obra humana pela eficiência produtiva da máquina pode gerar impac tos sociais irreparáveis. Configura-se, assim, um dilema em que o lucro econômico imediato e a eficiência algorítmica atropelam a dignidade do trabalho e a coesão social.

 No momento em que alcançarmos integrações também de natureza química — na mesma velocidade em que hoje ocorrem as de natureza digital —, haverá ainda mais motivos para preocupação. Afinal, a aceleração com que a inteligência artificial ganha terreno, conquista novos campos e consolida estruturas é impressionante.

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 Trata-se do ponto em que a tecnologia deixa de interagir apenas com circuitos de silício para se conectar diretamente com a biologia e com os processos neuroquímicos do cérebro humano. Ao atingirmos integrações de natureza química – na mesma velocidade em que hoje ocorrem as de ordem digital —, essa fronteira híbrida, embora promissora para a medicina e a biotecnologia, abrirá precedentes inéditos sobre o controle do comportamento e a manipulação da própria consciência. É por ess a razão que os alertas sobre a velocidade com que a inteligência artificial ganha terreno e consolida estruturas se tornam tão urgentes.

Vale a pena recordar que o escritor e filósofo Umberto Eco, no final do século passado — quando a inteligência artificial consistia apenas em computadores mais rápidos na solução de determinados problemas —, já dizia que essa celeridade tornaria o homem descartável no futuro.

A discussão, portanto, ultrapassa os limites da tecnologia: o problema não está apenas no que as máquinas serão capazes de fazer, mas no que deixaremos de exigir do ser humano. Se a eficiência e a rapidez passarem a ser critérios suficientes para determinar o valor de uma atividade, corremos o risco de medir o homem pelos mesmos parâmetros que utilizamos para avaliar uma máquina.

O trabalho, entretanto, não representa apenas uma forma de produzir riqueza. Ele também participa da construção da identidade, da autonomia e do sentimento de pertencimento do indivíduo à sociedade. A substituição crescente do trabalho humano pela tecnologia, portanto, pode produzir consequências que vão muito além da economia: poderá atingir a própria percepção que o homem tem de sua utilidade e de seu lugar no mundo.

Por outro lado, em suas diretrizes éticas, o Papa Leão XIV, em sua encíclica,  alerta que corremos riscos gravíssimos de ordem social se não houver cautela. Afinal, a substituição da mão de obra humana pela eficiência produtiva da inteligência artificial pode gerar grandes e irreparáveis impactos na vida humana.

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Essa transformação alcança também atividades intelectuais que sempre dependeram do discernimento humano. No Direito, por exemplo, a inteligência artificial já pode realizar, em segundos, pesquisas e cruzamentos de informações que exigiriam horas de trabalho. Mas a decisão jurídica não se resume à localização da norma ou do precedente mais adequado. Interpretar, ponderar valores, avaliar circunstâncias concretas e assumir a responsabilidade pelas consequências de uma decisão são atividades que não podem ser reduzidas à velocidade de processamento de uma máquina. Quanto maior for a capacidade da inteligência artificial, portanto, maior será a necessidade de preservar a responsabilidade humana sobre aquilo que não pode ser decidido apenas pela eficiência.

Precisamos decidir quais limites jurídicos, econômicos e éticos serão impostos à inteligência artificial antes que a capacidade tecnológica determine, por si mesma, o nosso papel na sociedade. A previsão de Elon Musk – vinda de quem enriqueceu ao explorar o avanço tecnológico — deve servir como um alarme definitivo. Se não nos prepararmos  para impor balizas à automação, arriscamo-nos a caminhar para cenários de profunda desumanização, onde a ficção retratada em produções como no filme “O Exterminador do Futuro” deixará de ser um aviso distante para se tornar a nossa realidade.

 

Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee/O Estado de S. Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Exército (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), professor honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia), doutor honoris causa das Universidades de Craiova (Romênia) e das PUCs PR e RS, catedrático da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio-SP, ex-presidente da Academia Paulis ta de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp).

 

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Foto: Andreia Tarelow

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