Segundo a Apex, uma nova análise identificou 298 lançamentos financeiros em favor de Cinelli. O maior grupo reúne 43 transferências sem contrato localizado, no total de R$ 17,23 milhões
A Apex Partners pediu à Justiça que amplie para R$ 23.253.168,34 o bloqueio de bens e valores do ex-presidente do grupo, Fernando Cinelli. A empresa protocolou o pedido nesta quinta-feira (3), na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória. A restrição patrimonial anterior considerou uma apuração inicial de R$ 5,9 milhões.
Segundo a Apex, uma nova análise identificou 298 lançamentos financeiros em favor de Cinelli. O maior grupo reúne 43 transferências sem contrato localizado, no total de R$ 17,23 milhões. A empresa também cita R$ 2,57 milhões em pagamentos antecipados, R$ 1,83 milhão em remunerações de conselheiro e administrador, R$ 1,56 milhão ligado ao fundo Propósito Previdência e R$ 53,2 mil em tributos pessoais que teriam saído do caixa de empresas do grupo.
Cinelli alegou à Justiça que perdeu o acesso aos documentos da Apex depois de seu afastamento e que precisa desse material para reconstruir os fatos. Ele apresentou explicações para um aporte de R$ 900 mil no fundo Propósito Previdência e para transferências relacionadas à participação do bloco Apex/Carbyne na CVC.
A Apex rebateu a defesa e afirmou que o ex-presidente não explicou mais de R$ 17 milhões em movimentações. Disse ainda que o presidente afastado fez um “verdadeiro malabarismo” com as contas.
Os pretensos esclarecimentos denotam verdadeiro malabarismo argumentativo e um curioso silêncio quanto à grande maioria das movimentações financeiras ora denunciadas.
Pedido de bloqueio enviado pela Apex à Justiça
No caso da CVC, Cinelli sustentou que parte do dinheiro ajudou a manter margens e garantias da posição acionária do bloco Apex/Carbyne. A Apex contestou essa versão porque a BRM Carbyne Voyage já detinha 13,62% das ações da companhia, acima da participação de referência de 11% prevista no acordo.
A petição também aponta uma transferência de R$ 1,1 milhão em 14 de maio, embora o aporte apresentado pela defesa fosse de R$ 1 milhão, além de outra movimentação de R$ 3 milhões no dia seguinte.
A disputa também envolve R$ 900 mil destinados ao Propósito Previdência. Cinelli afirmou que o aporte serviu para cobrir uma necessidade de liquidez do fundo e que a operação precisava ocorrer por meio de uma pessoa física. A Apex argumentou que a ABM Partnership não tinha obrigação contratual ou vínculo econômico com o fundo. Segundo a empresa, o dinheiro passou por um plano de previdência privada contratado em nome do próprio Cinelli.
Ao final, a Apex pede que a Justiça mantenha a restrição patrimonial já determinada e amplie as buscas e bloqueios até o limite de R$ 23.253.168,34. A empresa classifica as operações como desvios patrimoniais, mas essa afirmação representa a acusação apresentada no processo, e não uma conclusão definitiva da Justiça.
Caberá ao juiz, agora, avaliar os documentos, os argumentos de Cinelli e as manifestações do Ministério Público antes de decidir sobre o novo valor.
O outro lado
A assessoria de Fernando Cinelli informou que o executivo sempre exerceu suas funções com seriedade e transparência. Reiterou ainda o “comprometimento com a elucidação do caso”. Veja abaixo a nota na íntegra:
Os fatos não sustentam tal medida. Sob o comando de Fernando Cinelli, que sempre exerceu suas funções executivas com seriedade e transparência, todas as contas da Apex foram aprovadas por unanimidade. Reiterando seu comprometimento com a elucidação do caso, Cinelli defende a necessidade de uma apuração documental independente sobre os dados relacionados às empresas e a cadeia de informações e decisões dentro do grupo. Demais esclarecimentos serão prestados nos autos.