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Medicina e Saúde

A nova obsessão pela longevidade: viver mais ou viver melhor?

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Nunca se falou tanto sobre longevidade.

Rotinas matinais calculadas meticulosamente, monitoramento constante de biomarcadores, jejuns prolongados, terapias experimentais, suplementos em excesso e uma tsunami diária de promessas sobre como atrasar o envelhecimento que nos atravessam todos os dias nas redes sociais.

A velha e eterna busca por viver mais, e muitas vezes, parecer bem mais jovem, se transformou em mercado. E, como todo mercado em expansão, também traz consigo exageros, simplificações para problemas complexos e desinformação em cheio.

A medicina, evidentemente, reconhece a importância de estudar mecanismos do envelhecimento e desenvolver estratégias para ampliar a expectativa e a qualidade de vida.

Quando a longevidade vira produto

O problema começa quando a longevidade passa a ser vendida como fórmula pronta, acessível por meio de protocolos genéricos ou soluções milagrosas que não consideram genética, histórico de vida, muito menos hábitos a longo prazo. Tudo se resume a uma procura imediata e resultados rápidos com garantias eternas.

No entanto, a primeira questão que precisamos discutir é simples: longevidade não significa apenas adicionar anos à vida.

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O verdadeiro objetivo deve ser ampliar o tempo de vida com autonomia, funcionalidade física, clareza cognitiva e independência metabólica.

Não faz sentido viver mais décadas se essas décadas forem acompanhadas por limitações severas, doenças crônicas mal controladas e perda progressiva da qualidade de vida. É nesse ponto que a endocrinologia assume papel central.

Envelhecimento saudável

Grande parte do envelhecimento saudável está diretamente relacionada à saúde metabólica. Resistência à insulina, inflamação crônica de baixo grau, perda de massa muscular, alterações hormonais e excesso de gordura visceral são fatores que aceleram o declínio funcional do organismo.

Cuidar desses aspectos produz impacto real e sustentado na forma como envelhecemos.

No entanto, em meio à popularização do tema, muitos biomarcadores passaram a ser supervalorizados fora de contexto. Pico glicêmico virou sinônimo automático de problema.

Cortisol virou vilão universal. Qualquer oscilação fisiológica passou a ser interpretada como ameaça à longevidade.

Esse reducionismo é perigoso. O corpo humano funciona em complexidade, e a saúde não pode ser resumida a números isolados.

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A ciência mostra que os pilares mais consistentes para longevidade continuam sendo, curiosamente, os menos glamourosos:

  • Alimentação equilibrada;
  • Sono adequado;
  • Prática regular de atividade física;
  • Manutenção de massa muscular;
  • Manejo do estresse;
  • Prevenção metabólica;
  • Acompanhamento médico individualizado.

Não existe atalho tecnológico ou suplemento capaz de compensar a negligência com esses fundamentos. A obsessão pela longevidade pode, paradoxalmente, produzir o efeito oposto ao desejado: ansiedade crônica, vigilância excessiva e medicalização desnecessária da vida.

Viver melhor exige equilíbrio

Talvez a pergunta mais importante não seja “como viver até os 100 anos?”, mas sim: “como chegar aos próximos anos com saúde suficiente para aproveitá-los?”

É nessa resposta, menos espetaculosa, porém muito mais científica , que está a verdadeira medicina da longevidade.

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Medicina e Saúde

Anvisa manda recolher lote da água Crystal com bactéria já encontrada em produtos da Ypê; veja os sintomas

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A identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em um lote da água mineral Crystal levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a determinar o recolhimento do produto nesta semana. A medida acendeu dúvidas entre consumidores sobre os riscos à saúde e os sintomas associados ao microrganismo.

Segundo informações divulgadas pela Anvisa, o lote foi recolhido após análises laboratoriais detectarem a presença da bactéria. O mesmo microrganismo já havia sido identificado anteriormente em produtos da Ypê, em um caso que também resultou em medidas sanitárias preventivas.

O QUE É A BACTÉRIA ENCONTRADA NA ÁGUA CRYSTAL?

Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria amplamente distribuída no ambiente. Ela pode ser encontrada naturalmente na água, no solo, em superfícies úmidas e até mesmo na pele humana sem necessariamente causar doenças.

O principal problema ocorre quando a bactéria entra em contato com pessoas que possuem o sistema imunológico comprometido ou quando encontra condições favoráveis para provocar infecções.

Por isso, embora seja considerada comum na natureza, sua presença em produtos destinados ao consumo humano exige atenção das autoridades sanitárias.

QUAIS SINTOMAS A BACTÉRIA PODE CAUSAR?

Os sintomas variam de acordo com a região do corpo afetada e com as condições de saúde da pessoa exposta.

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Em situações mais leves, podem surgir:

  • Irritações na pele;
  • Vermelhidão;
  • Coceira;
  • Pequenas infecções superficiais;
  • Inflamações localizadas.

Já em pessoas mais vulneráveis, a infecção pode provocar sintomas mais importantes, como:

  • Febre;
  • Calafrios;
  • Tosse e dificuldade respiratória;
  • Infecções urinárias;
  • Dor e secreção em feridas;
  • Infecções hospitalares;
  • Quadro infeccioso generalizado.

Em casos graves, especialmente entre pacientes imunossuprimidos, a bactéria pode causar complicações potencialmente fatais.

QUEM CORRE MAIS RISCO?

A maior preocupação dos especialistas está relacionada às pessoas que apresentam imunidade reduzida.

Entre os grupos considerados mais vulneráveis estão:

  • Pacientes em tratamento contra o câncer;
  • Pessoas transplantadas;
  • Portadores de HIV com imunidade comprometida;
  • Pessoas que utilizam medicamentos imunossupressores;
  • Pacientes com doenças autoimunes;
  • Idosos com saúde fragilizada;
  • Pessoas internadas em hospitais.

Nesses grupos, a bactéria encontra maior facilidade para provocar infecções e complicações.

A BACTÉRIA ENCONTRADA NA ÁGUA CRYSTAL É PERIGOSA PARA PESSOAS SAUDÁVEIS?

Imagem: Divulgação

 

De modo geral, o risco para pessoas saudáveis é considerado baixo.

Especialistas explicam que o organismo costuma ser capaz de combater naturalmente a bactéria sem que ocorram sintomas ou consequências mais graves.

Ainda assim, a presença do microrganismo em produtos destinados ao consumo humano não é considerada aceitável pelas normas sanitárias, o que justifica o recolhimento do lote.

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O QUE FAZER SE VOCÊ CONSUMIU A ÁGUA?

A recomendação é manter a calma. Até o momento, não foram divulgados registros de consumidores que apresentaram problemas de saúde relacionados ao lote recolhido.

No entanto, pessoas que desenvolverem sintomas como febre, sinais de infecção ou qualquer alteração incomum após o consumo devem procurar orientação médica, principalmente se fizerem parte dos grupos de maior risco.

Além disso, consumidores que possuam garrafas pertencentes ao lote recolhido devem seguir as orientações divulgadas pela fabricante para solicitar substituição ou reembolso.

MESMA BACTÉRIA FOI ENCONTRADA EM PRODUTOS DA YPÊ

A presença da Pseudomonas aeruginosa na água Crystal chamou atenção porque a mesma bactéria já havia sido identificada anteriormente em lotes de produtos da Ypê, levando ao recolhimento preventivo de itens da marca.

Embora os episódios envolvam produtos diferentes, ambos reforçam a importância do monitoramento sanitário e dos testes laboratoriais realizados para garantir a segurança dos consumidores.

A detecção da bactéria não significa necessariamente que haverá casos de infecção, mas serve como alerta para evitar riscos, especialmente entre pessoas com o sistema imunológico mais vulnerável.

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Medicina e Saúde

Conselho Federal proíbe o uso de PMMA para fins estéticos

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O Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu nesta sexta-feira (29) o uso de polimetilmetacrilato, o PMMA, para finalidades estéticas ou reparadoras. O PMMA é utilizado como substância preenchedora em procedimentos estéticos.

A única exceção permitida pelo CFM é para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids, que deverá ser realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde.

Segundo o CFM, a resolução proibindo o PMMA será publicada na próxima terça-feira (2), enquanto na segunda (1º), uma entrevista coletiva sobre a questão será concedida pelo presidente do órgão, José Hiran da Silva Gallo, e pela relatora da resolução, a cirurgiã plástica e conselheira federal Graziela Bonin.

O CFM já havia pedido a proibição do PMMA à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anteriormente. O PMMA é um tipo de plástico que possui diversas aplicações, da indústria até a medicina. Nesse campo, costuma ser usado como gel para preencher pequenas áreas nas camadas mais superficiais da pele (preenchimento cutâneo).

A Anvisa indica que a dosagem utilizada deveria ser aquela estritamente necessária para a correção das irregularidades e o procedimento deveria ser realizado exclusivamente por profissionais médicos treinados.

O órgão regulador estabelecia indicações claras dos locais do corpo onde as aplicações podem ser feitas e a concentração exata da substância que pode estar contida em cada mililitro das injeções. Para preenchimentos subcutâneos, isto é, em camadas mais profundas da pele, era necessário que o profissional fosse registrado na Anvisa, pois o produto é considerado de máximo risco.

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MORTES

Na última terça (26), uma mulher morreu em São Paulo após passar por um preenchimento com PMMA na região dos glúteos e das coxas na segunda (25).

Outros casos de mortes relacionadas ao PMMA já haviam sido registrados no Brasil antes, como o da influenciadora digital e modelo fotográfica Aline Maria Ferreira da Silva, que morreu aos 33 anos em julho de 2024.

Outro caso famoso é o da modelo Andressa Urach, que ficou entre a vida e a morte em 2014 após usar o PMMA e outra substância, o hidrogel, para preenchimento, mas conseguiu se recuperar.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o uso da substância pode causar reações de curto prazo, como edemas locais, processos inflamatórios, reações alérgicas e formação de granuloma (tipo de inflamação causada pelo sistema imunológico), e também tardias, muitos anos após a realização da injeção.

 

QUAIS OS RISCOS DO PMMA?

Em entrevista concedida ao Estadão em 2024, a cirurgiã plástica Marcela Cammarota, membro do conselho científico e porta-voz da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), disse que a associação é estritamente contra o uso do PMMA para fins estéticos.

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Cammarota explica que, na medicina, a substância é usada na forma de microesferas, que devem ter um tamanho específico para que o organismo não a rejeite. Essa particularidade, por sua vez, exige muita cautela de quem realiza o procedimento.

Se forem muito pequenas, podem ser “engolidas” pelas células, fazendo com que o corpo reconheça o PMMA como uma substância não compatível, levando os anticorpos a atacarem o local do preenchimento. Se forem muito grandes, podem causar inflamações e o corpo tentará expulsá-lo.

Ela destaca ainda que essas reações podem se tornar crônicas, causando problemas que serão permanentes até que a substância seja removida do corpo. A remoção, porém, não é uma tarefa fácil. O procedimento pode exigir a retirada também do próprio tecido em que o gel está infiltrado, causando lesões e deformidades.

O uso de doses altas de PMMA também pode levar à necrose, posto que o plástico pode acabar comprimindo vasos sanguíneos, levando à morte das células.

Ainda podem acontecer infecções. Durante a aplicação, bactérias que estão na camada externa da pele podem penetrar no organismo e “grudar” no material do PMMA. Dessa forma, o uso de antibióticos não consegue tratar a contaminação efetivamente.

 

*AE

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