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Medicina e Saúde

Cirurgia robótica avança e ganha espaço no ES

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Há alguns anos, a cirurgia robótica parecia uma realidade distante da medicina capixaba. Hoje, a tecnologia já faz parte da rotina de hospitais do Espírito Santo e começa a ser utilizada em procedimentos cada vez mais complexos. A Rede Meridional, por exemplo, chegou à marca de 1.845 cirurgias realizadas em seis anos.

Além de ampliar o uso de robôs nos centros cirúrgicos, o movimento também mostra como a tecnologia vem sendo incorporada à medicina de alta complexidade. Com recursos que permitem maior precisão dos movimentos e visão ampliada do campo cirúrgico, a cirurgia robótica pode contribuir para procedimentos menos invasivos e para uma recuperação mais rápida.

Da novidade à alta complexidade

Um exemplo desse avanço é o programa da Rede Meridional, implantado em 2020 e que já soma 1.845 procedimentos. Mas a tecnologia não está restrita a uma única instituição. O Hospital Santa Rita também foi pioneiro no Espírito Santo na adoção do robô, ampliando o uso da cirurgia robótica no Espírito Santo.

Na Rede Meridional, a tecnologia chegou neste ano a dois procedimentos inéditos no Estado: a primeira cirurgia cardíaca robótica e o primeiro transplante renal realizado com auxílio da tecnologia.

Na cirurgia cardíaca robótica, foram utilizados quatro braços robóticos e visão tridimensional, permitindo uma abordagem minimamente invasiva. Já na cirurgia do transplante renal, a técnica pode reduzir o trauma cirúrgico e favorecer a recuperação do paciente.

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Para o diretor do Hub da Rede Meridional no Espírito Santo, Gustavo Peixoto, a evolução da tecnologia precisa estar acompanhada da preparação das equipes.

“Ao longo desses seis anos, construímos uma trajetória baseada em investimento em tecnologia, capacitação das equipes e foco permanente na segurança do paciente. Os resultados alcançados mostram a maturidade do programa e o compromisso da Rede Meridional em oferecer o que há de mais moderno na medicina.”

Tecnologia para procedimentos mais complexos

A evolução da cirurgia robótica também aparece na capacidade de realizar procedimentos que exigem maior precisão.

Neste mês, o cirurgião Isaac Walker, da Rede Meridional Cariacica, apresentou nos Estados Unidos um caso de alta complexidade envolvendo a retirada, por cirurgia robótica, de um tumor gastrointestinal de grandes proporções. O trabalho foi apresentado durante o congresso anual da Society of Robotic Surgery, na Flórida.

Segundo Walker, a tecnologia passou a ser uma aliada importante justamente em operações mais complexas. “A cirurgia robótica evoluiu muito nos últimos anos e hoje representa um importante aliado na realização de procedimentos complexos. Alcançar a marca de 1.845 cirurgias demonstra a consolidação do programa da Rede Meridional e o nível de excelência da nossa equipe.”

Tecnologia ganha espaço no Estado

Segundo Daniela Goldner, diretora técnica do Hospital Santa Rita, a instituição adquiriu o sistema robótico em dezembro de 2019. Com a chegada dos componentes do robô em março de 2020, em abril foi realizado o primeiro procedimento.

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“Fomos pioneiros na aquisição do Robô Da Vinci no Espírito Santo. A tecnologia possibilita a realização de cirurgias robóticas com maior precisão, segurança e recursos minimamente invasivos, contribuindo para melhores resultados cirúrgicos, recuperação mais rápida dos pacientes e ampliação do acesso a procedimentos de alta complexidade”, ressalta Daniela Goldner, diretora técnica do Hospital Santa Rita.

 

Estrutura robótica – Hospital Santa Rita. Crédito foto: Divulgação Ascom/Hospital Santa Rita

 

De acordo com Daniela Goldner, a tecnologia já é utilizada em especialidades como urologia, cirurgia geral, oncologia, ginecologia, cirurgia pediátrica, cirurgia torácica e cabeça e pescoço, além de procedimentos combinados.

A presença de diferentes serviços com a tecnologia ajuda a mostrar uma mudança no cenário da medicina capixaba: a cirurgia robótica deixou de ser uma novidade restrita a poucos centros e passou a integrar a estrutura de atendimento de hospitais que realizam procedimentos de maior complexidade.

 

Quando a tecnologia chega ao paciente

Por trás dos números e dos equipamentos, a principal mudança está na experiência de quem passa pelo procedimento.

A plataforma robótica utilizada pela equipe permite movimentos mais precisos, visão ampliada e tridimensional do campo cirúrgico e acesso a regiões de difícil alcance. Em determinadas cirurgias, esses recursos podem contribuir para reduzir o trauma dos tecidos, a perda sanguínea e o tempo de recuperação.

A tecnologia, porém, não substitui o cirurgião. O procedimento continua dependendo da avaliação médica, do planejamento da operação e de uma equipe especializada para conduzir cada etapa.

A expectativa é que a incorporação de novas técnicas continue ampliando o número de procedimentos que podem ser realizados com auxílio da robótica no Estado.

O avanço da cirurgia robótica mostra, assim, uma mudança importante na medicina capixaba: tecnologias que antes pareciam restritas a grandes centros começam a fazer parte da assistência local, aproximando procedimentos de alta complexidade da população e colocando a inovação a serviço de um objetivo bastante concreto: tornar o cuidado mais preciso e menos invasivo.

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Fonte: Folha Vitória.

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Tratamento que usa o próprio sangue para aliviar dor da artrose é regulamentado no Brasil

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Um tratamento que utiliza componentes retirados do próprio sangue do paciente poderá ser empregado no Brasil como complemento para aliviar sintomas da artrose no joelho e de outras condições osteomusculares.

O Conselho Federal de Medicina regulamentou o uso do plasma rico em plaquetas, conhecido pela sigla PRP, por meio da Resolução nº 2.464/2026, em vigor desde 15 de julho. A norma deixou de tratar a técnica como exclusivamente experimental nas quatro indicações autorizadas e estabeleceu critérios para sua aplicação médica.

A autorização, porém, não vale para qualquer doença ou finalidade. O PRP foi regulamentado para quatro condições específicas e não pode ser oferecido como promessa de cura ou regeneração dos tecidos.

 

O QUE É O TRATAMENTO COM PRP?

O plasma rico em plaquetas é um produto biológico preparado a partir do sangue do próprio paciente. Depois da coleta, o material passa por um processamento para concentrar as plaquetas presentes no plasma.

As plaquetas são mais conhecidas pela participação na coagulação, mas também carregam proteínas e fatores envolvidos em processos de reparação e resposta dos tecidos.

Depois da preparação, o PRP é aplicado na região indicada pelo médico. Como o material é retirado do próprio paciente, ele é classificado como autólogo.

A nova resolução determina que a manipulação seja mínima e que o produto seja destinado ao uso não transfusional. Também proíbe material proveniente de outra pessoa, de animais ou sem origem rastreável.

O processamento precisa seguir as normas sanitárias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, preferencialmente por sistemas fechados que diminuam o risco de contaminação.

 

PRP FOI REGULAMENTADO PARA QUAIS CONDIÇÕES?

A regulamentação permite que o plasma rico em plaquetas seja utilizado como tratamento complementar em quatro situações:

  • Osteoartrite do joelho;
  • Discopatia lombar;
  • Epicondilite lateral do cotovelo;
  • Reparo meniscal.

A osteoartrite é conhecida popularmente como artrose. A doença provoca desgaste e alterações nas estruturas da articulação e pode causar dor, rigidez e limitação dos movimentos.

A autorização do CFM está relacionada especificamente à osteoartrite do joelho. A norma não representa uma liberação automática do PRP para artrose em qualquer parte do corpo.

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A epicondilite lateral causa dor na região externa do cotovelo e também é conhecida como cotovelo de tenista. Já a discopatia lombar envolve alterações nos discos da coluna.

 

PRP CURA A ARTROSE?

Não. A regulamentação proíbe que o procedimento seja apresentado como promessa de cura, garantia de regeneração dos tecidos ou alternativa capaz de evitar uma cirurgia já formalmente indicada.

O PRP pode ser usado como recurso complementar para tentar reduzir a dor e melhorar a função da articulação. O resultado varia conforme o quadro clínico, o estágio da doença e as características do paciente.

O tratamento também não substitui automaticamente outras medidas empregadas no controle da artrose, como atividade física orientada, fisioterapia, controle do peso, medicamentos e procedimentos cirúrgicos quando indicados.

Segundo o CFM, a mudança foi motivada pelo avanço das evidências científicas nos últimos anos, principalmente em relação à osteoartrite do joelho. Até então, a falta de padronização dos protocolos e a insuficiência dos estudos mantinham a técnica restrita ao ambiente de pesquisa.

Mesmo com a regulamentação, o paciente precisa receber explicações sobre os benefícios esperados, as limitações científicas, os riscos e as alternativas disponíveis.

 

POR QUE O TRATAMENTO ERA CONSIDERADO EXPERIMENTAL?

Desde 2015, uma resolução do Conselho Federal de Medicina classificava o uso do PRP para doenças musculoesqueléticas como experimental. A aplicação deveria ocorrer dentro de pesquisas clínicas aprovadas pelo sistema de ética em pesquisa.

Na época, o Conselho considerou que ainda faltavam evidências suficientes e uma padronização sobre indicações, preparo, quantidade de aplicações e seleção dos pacientes.

A Resolução nº 2.464/2026 revogou essa restrição para as quatro condições listadas. Para outras finalidades, o uso não foi automaticamente autorizado.

O CFM afirma que a atualização reconhece o amadurecimento das pesquisas, mas mantém exigências de segurança, documentação e acompanhamento.

 

QUEM PODE FAZER O PROCEDIMENTO?

A indicação, a aplicação e o acompanhamento do PRP são considerados atos médicos. O profissional deve avaliar o paciente, confirmar o diagnóstico e verificar os exames antes de recomendar o tratamento.

Também é necessário excluir contraindicações e estabelecer os objetivos que se pretende alcançar com a aplicação. O médico não pode emprestar o nome ou registro profissional para validar um procedimento realizado por alguém que não esteja habilitado a exercer a medicina.

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O local precisa ter infraestrutura compatível, normas de biossegurança e condições para realizar o procedimento com técnica asséptica.

Nos casos relacionados à coluna vertebral, a aplicação deve acontecer em hospital ou hospital-dia, com orientação por imagem. O procedimento também fica restrito a médicos com Registro de Qualificação de Especialista nas áreas previstas pela resolução.

 

QUEM NÃO DEVE RECEBER PRP?

A nova regra apresenta situações em que o procedimento não pode ser realizado. Entre elas estão infecção ativa na região da aplicação, neoplasia ativa e condições hematológicas incompatíveis.

A avaliação individual é necessária porque o tratamento começa pela retirada do sangue do próprio paciente e envolve uma posterior aplicação no organismo.

O CFM também proibiu a adição de medicamentos, células-tronco, concentrado de medula óssea ou gordura microfragmentada ao PRP. Essas combinações somente podem ocorrer em pesquisas clínicas aprovadas ou quando houver regulamentação específica.

Antes do procedimento, o paciente deve assinar um termo de consentimento livre e esclarecido. Informações sobre preparação, aplicação, lote ou sistema utilizado e acompanhamento precisam permanecer registradas no prontuário.

 

REGULAMENTAÇÃO NÃO GARANTE ACESSO PELO SUS

A decisão do Conselho Federal de Medicina estabelece as regras éticas e técnicas para que os médicos utilizem o PRP. Ela não significa, por si só, que o tratamento será imediatamente oferecido pelo Sistema Único de Saúde.

A regulamentação também não garante cobertura automática pelos planos de saúde. Incorporação ao SUS e cobertura na saúde suplementar seguem processos próprios de avaliação.

O paciente interessado precisa procurar um médico habilitado para saber se o procedimento é indicado para seu caso, quais alternativas estão disponíveis e quanto poderá custar.

A expectativa de resultado também deve ser discutida antes da aplicação. O PRP passa a ser uma opção complementar para condições determinadas, mas não substitui o diagnóstico correto nem as demais terapias necessárias para controlar a artrose.

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SUS inclui novo teste para rastreamento de câncer colorretal

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O Sistema Único de Saúde inclui a partir desta segunda-feira (10) o teste imunoquímico fecal (FIT, na sigla em inglês) na tabela de procedimentos disponíveis aos pacientes da rede.

Portaria publicada no Diário Oficial da União destaca que o exame que pesquisa sangue oculto nas fezes será destinado exclusivamente ao rastreamento bienal de câncer colorretal em homens e mulheres assintomáticos, com idade entre 50 e 75 anos.

O texto reforça que o procedimento não se destina à investigação diagnóstica de indivíduos sintomáticos ou com suspeita clínica de câncer.

Em maio, o ministério já havia anunciado a inclusão do teste em um novo protocolo para rastreamento do câncer colorretal. Dados da pasta indicam que o FIT apresenta sensibilidade entre 85% e 92% para identificar possíveis alterações.

Além disso, o procedimento pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à prevenção e à detecção precoce da doença. Atualmente, o câncer colorretal é o segundo tipo de câncer mais frequente no Brasil, excluindo os tumores de pele não melanoma.

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A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) para cada ano do triênio 2026-2028 é de 53,8 mil novos casos de câncer colorretal no Brasil.

 

Entenda

O FIT é um exame de fezes que detecta pequenas quantidades de sangue oculto, invisíveis a olho nu, que podem ser sinal de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer no intestino.

Diferentemente dos exames antigos de sangue oculto nas fezes, o FIT usa anticorpos específicos para identificar sangue humano, o que aumenta a precisão do teste.

O paciente recebe um kit para coleta em casa. Depois, o material é enviado para análise laboratorial. Caso o resultado detecte sangue oculto, o paciente será encaminhado para exames complementares.

Entre as principais vantagens do exame FIT listadas pela pasta estão:

  • não exige preparo intestinal;
  • não precisa de dieta restritiva antes da coleta;
  • pode ser feito com apenas uma amostra;
  • é menos invasivo;
  • tem maior adesão da população.

Mesmo assim, segundo o ministério, a colonoscopia é a principal forma de avaliar o intestino, porque permite visualizar diretamente o cólon e o reto, além de retirar pólipos durante o procedimento, evitando que algumas lesões evoluam para câncer.

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