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Medicina e Saúde

Depressão: um problema do corpo inteiro… e do coração também

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A depressão é uma das doenças mais comuns do mundo. Afeta milhões de pessoas, atravessa idades, profissões e estilos de vida. Ainda assim, persiste uma ideia equivocada: a de que se trata apenas de um problema emocional, restrito à mente.

A ciência tem mostrado que essa visão é limitada.

Cada vez mais, entendemos a depressão como uma condição que envolve o organismo como um todo. Não é apenas o cérebro que está em jogo — mas também o corpo, os hábitos e uma complexa rede de interações biológicas. Três pilares têm se destacado nesse novo olhar: o movimento, a alimentação e o sono.

Exercício físico

O primeiro deles é o exercício físico. Durante muito tempo visto como um complemento, hoje ele ocupa um papel muito mais central. Estudos mostram que atividades como caminhada, corrida, musculação e até práticas como o yoga podem reduzir de forma significativa os sintomas depressivos.

Em alguns casos, especialmente nos quadros leves a moderados, o efeito se aproxima do observado com psicoterapia — e até com medicamentos antidepressivos.Mas não se trata apenas de “se sentir melhor”.

O exercício promove mudanças reais no organismo: reduz inflamação, melhora a função cerebral e estimula a liberação de substâncias ligadas ao bem-estar. É biologia, não apenas comportamento.

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Alimentação

O segundo pilar vem de um campo relativamente recente, mas em rápida expansão: o eixo intestino-cérebro. O intestino abriga trilhões de microrganismos que formam a chamada microbiota intestinal.

Quando esse sistema entra em desequilíbrio — algo comum em dietas ricas em alimentos ultraprocessados — ocorre um aumento de processos inflamatórios que podem afetar diretamente o cérebro.Essa comunicação acontece por meio de sinais químicos, substâncias inflamatórias e até por conexões neurais, como o nervo vago.

Em termos simples: o que comemos influencia não apenas o corpo, mas também o humor.

Sono

O terceiro pilar, muitas vezes negligenciado, é o sono. Alterações no padrão de sono são frequentes em pessoas com depressão — dificuldade para adormecer, sono fragmentado, sensação de não descanso. Mas o que chama atenção é que essa relação é bidirecional: dormir mal não é apenas consequência, pode ser também causa.

O sono regula hormônios, neurotransmissores e o ritmo biológico do organismo. Quando ele se desorganiza, todo esse sistema sofre impacto. Por isso, estratégias que melhoram o sono — como ajustes no ritmo circadiano, terapia cognitivo-comportamental e hábitos adequados — têm papel importante no tratamento.

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A importância do cuidado integrado

Esse conjunto de evidências aponta para uma mudança importante de perspectiva. A depressão deixa de ser vista como um problema isolado da mente e passa a ser compreendida como uma condição sistêmica, que envolve inflamação, metabolismo, comportamento e estilo de vida.

Isso não diminui a importância dos medicamentos ou da psicoterapia — que continuam sendo fundamentais em muitos casos. Mas amplia o horizonte. Mostra que o cuidado precisa ser mais integrado.

A depressão e as doenças cardiovasculares

E é justamente nesse ponto que surge uma conexão muitas vezes pouco discutida — mas profundamente relevante: a relação entre depressão e doença cardiovascular. Ambas compartilham mecanismos em comum, como inflamação crônica, alterações hormonais e disfunções metabólicas.

Não por acaso, pessoas com depressão apresentam maior risco de infarto, acidente vascular cerebral e outros eventos cardiovasculares. Da mesma forma, quem já tem doença cardíaca tem mais chance de desenvolver depressão.

O elo entre mente e coração não é apenas simbólico — é biológico.

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Medicina e Saúde

Piso de R$ 13,6 mil para médicos avança e CRM-ES vê ganho para pacientes

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O Projeto de Lei nº 1365/2022, que estabelece um piso salarial nacional para médicos e cirurgiões-dentistas, voltou ao centro do debate após avançar no Senado Federal. A proposta foi aprovada na Comissão de Assuntos sociais (CAS) nesta quarta-feira (20) e prevê piso de R$ 13.662 para jornada de 20 horas semanais, além de reajuste anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), adicional noturno de 50% e remuneração maior para horas extras.

Para o Conselho Regional de Medicina do Espírito Santo (CRM-ES), a medida pode ajudar a reduzir jornadas excessivas de trabalho, melhorar a fixação de profissionais em determinadas regiões e fortalecer a qualidade da assistência prestada à população. A presidente do CRM-ES, Karoline Calfa Pitanga, afirmou que a proposta é defendida pelo Conselho Federal de Medicina e pelos conselhos regionais.

“O profissional que vai para o interior ou para locais que não têm muita estrutura, se ele não tem condições de permanecer ali, ele vai procurar emprego em locais mais próximos da capital. Então a valorização do trabalho fortalece a assistência, dá condições mais dignas e qualifica os serviços. Porque quanto mais tempo o médico se fixa numa região, mais ele conhece a população, entende o que aquela população precisa e melhora a assistência”, afirmou.

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O texto em tramitação substitui regras previstas na Lei nº 3.999, de 1961, considerada defasada por entidades médicas. O substitutivo aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) elevou o valor inicialmente previsto no projeto original, que era de R$ 10.991,19, para R$ 13.662, equivalentes a nove salários mínimos atuais.

O projeto tramita desde 2022. A proposta também prevê que o piso seja aplicado a profissionais do setor público e privado, incluindo vínculos celetistas e estatutários.

Impacto bilionário

O parecer aprovado na CAE aponta impacto financeiro bilionário para implementação da proposta. Segundo estimativas citadas no relatório da comissão, o impacto do piso seria de R$ 8,14 bilhões em 2026 e de R$ 7,69 bilhões em 2027. Outro ponto previsto é que o aumento de despesas para estados e municípios seja compensado por transferências do Fundo Nacional de Saúde (FNS).

Segundo a presidente do CRM-ES, há médicos que trabalham mais de 60 horas por semana e emendam plantões consecutivos para complementar a renda. Ela avalia que isso pode impactar diretamente a qualidade do atendimento prestado aos pacientes.

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“Tem vários médicos que eu conheço que trabalham mais de 60 horas por semana, que emendam um plantão no outro, dá 24 horas direto. E aí o médico cansado, que não dorme bem, ele não vai conseguir raciocinar direito”, declarou.

O projeto também prevê aumento do adicional noturno e da remuneração por hora extra para 50% sobre o valor da hora normal. Atualmente, a legislação da categoria prevê adicional noturno de 20%, percentual semelhante ao da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

A presidente também afirmou que a valorização salarial tende a atrair profissionais mais qualificados para os serviços de saúde.

“Se você tem dois serviços de saúde e um está contratando pagando R$ 13 mil e o outro pagando R$ 5 mil, qual você acha que vai escolher os profissionais mais qualificados? A população vai se beneficiar sendo atendida por um profissional melhor preparado”, disse.

Além dos médicos, o projeto também contempla cirurgiões-dentistas. Se não houver pedido para votação no Plenário do Senado, o projeto segue para análise da Câmara dos Deputados.

 

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Pessoas com epilepsia terão carteira de identificação em Vitória

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Documento gratuito também garante atendimento preferencial em estabelecimentos públicos e privados da capital

Pessoas diagnosticadas com epilepsia poderão emitir uma carteira de identificação em Vitória. A medida foi sancionada pela prefeitura e publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (18), garantindo atendimento preferencial e direito à meia-entrada em eventos culturais, esportivos e artísticos na capital.

A Carteira de Identificação da Pessoa com Epilepsia (CIPE) será gratuita e opcional. O documento será emitido pela Secretaria Municipal de Saúde (Semus), terá validade de cinco anos e será confeccionado na cor roxa.

Para solicitar a carteira, o interessado deverá apresentar requerimento preenchido e assinado, além de laudo médico neurológico e demais documentos exigidos. O pedido também poderá ser feito por representante legal.

A nova legislação prevê ainda a adequação da plataforma de serviços da rede municipal para emissão do documento. Segundo o texto da lei, a identificação também permitirá ao município ter um levantamento do número de pessoas com epilepsia na cidade.

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