A primavera de 2026 pode ser marcada por temperaturas acima da média e chuva irregular no Espírito Santo. A previsão do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) aponta ainda elevada probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte durante a estação.
O cenário indica períodos com chuva abaixo do esperado em algumas áreas do Estado. A estimativa aponta para um déficit de até 50 milímetros ao longo do trimestre, principalmente nas regiões Norte, Noroeste e em áreas do interior capixaba.
Mesmo que o volume acumulado durante a primavera fique próximo da média histórica, isso não significa que a chuva será bem distribuída ao longo dos meses.
A tendência é de alternância entre períodos mais longos de tempo seco e episódios de chuva intensa, associados à passagem de frentes frias, linhas de instabilidade e episódios da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS).
A irregularidade pode se manifestar como intervalos secos prolongados intercalados por pancadas fortes. Assim, um acumulado trimestral próximo da média não garante distribuição uniforme nem recuperação equivalente de rios, reservatórios e solos.
Incaper
Norte e Noroeste podem ter menos chuva
As regiões Norte e Noroeste apresentam maior sinal de redução das chuvas durante a primavera. Com períodos mais prolongados de tempo seco, a recuperação da umidade do solo pode ser mais lenta e aumentar a necessidade de irrigação.
Já no Sul, na Região Serrana e no Caparaó, as condições podem ser relativamente mais favoráveis caso as chuvas ocorram de maneira regular.
Por outro lado, grandes volumes concentrados em pouco tempo também podem causar problemas, como erosão e perda de solo, além de reduzir os períodos disponíveis para o manejo das lavouras.
Calor acima da média deve predominar
As temperaturas também devem ficar acima da média durante a primavera. O calor mais intenso aumenta a evapotranspiração, processo de perda de água do solo e das plantas para a atmosfera.
Com isso, lavouras e pastagens podem exigir maior disponibilidade de água. Nas cidades, as temperaturas elevadas também podem aumentar o desconforto térmico.
Apesar da tendência de calor, períodos mais frios não estão descartados. A passagem de frentes frias pode provocar quedas temporárias de temperatura, principalmente na Região Serrana.
Impactos na agricultura
A combinação de chuva irregular e temperaturas elevadas pode afetar diferentes atividades agrícolas no Espírito Santo.
Entre os possíveis impactos estão o atraso no estabelecimento das lavouras, maior necessidade de irrigação e risco de falhas na germinação.
Culturas perenes, como café, banana e mandioca, também podem ter o desenvolvimento prejudicado durante períodos de deficiência hídrica.
Primavera pode ter períodos secos e temporais
A previsão sazonal não permite determinar exatamente quando ou onde ocorrerão eventos extremos. O principal cenário apontado para o Espírito Santo é de alternância entre períodos secos e episódios de chuva intensa.
Por isso, a previsão de menos chuva em determinadas regiões não significa uma primavera sem temporais. A distribuição da chuva ao longo da estação deve ser um dos principais pontos de atenção no Estado.