São Mateus chega aos seus 482 anos carregando uma história que se confunde com a própria formação do Espírito Santo. É uma cidade de identidade forte, marcada pela cultura, pela tradição, pelo patrimônio histórico, pela força de sua gente e por uma posição geográfica estratégica no desenvolvimento do Norte capixaba.
Celebrar o aniversário de São Mateus, portanto, é muito mais do que lembrar uma data. É reconhecer a trajetória de uma das cidades mais antigas do Brasil e, ao mesmo tempo, refletir sobre o município que queremos construir para as próximas décadas.
São Mateus possui características que poucos municípios reúnem. Tem litoral, áreas rurais produtivas, patrimônio histórico, potencial turístico, localização estratégica, tradição comercial e condições para ampliar sua participação no desenvolvimento econômico do Espírito Santo. O município também começa a despertar para uma nova perspectiva de crescimento, especialmente diante da chegada e da expansão de investimentos privados e da possibilidade de consolidação de um polo industrial na região.
Mas crescimento não pode ser medido apenas pelo volume de recursos anunciados ou pela quantidade de obras realizadas. Desenvolvimento verdadeiro significa melhorar a qualidade de vida da população, ampliar oportunidades, gerar emprego e renda, oferecer serviços públicos eficientes e garantir infraestrutura compatível com o tamanho e as necessidades da cidade.
E esse é um dos grandes desafios de São Mateus.
Uma cidade que completa 482 anos precisa pensar além do presente. Precisa planejar seu futuro. É necessário discutir mobilidade urbana, saneamento, drenagem, pavimentação, abastecimento de água, saúde, educação, segurança, turismo, preservação ambiental e geração de empregos. Também é fundamental preparar o município para receber novos investimentos sem perder sua identidade e sem permitir que o crescimento aconteça de maneira desordenada.
A questão hídrica merece atenção especial. A história recente demonstrou que São Mateus não pode tratar o abastecimento de água apenas como um problema emergencial. É necessário planejamento de longo prazo, investimentos e ações permanentes para garantir segurança hídrica à população e às atividades econômicas.
No turismo, há outro enorme potencial a ser explorado. Guriri e todo o litoral mateense possuem condições para receber visitantes durante todo o ano, mas isso exige planejamento, infraestrutura, promoção turística e integração entre poder público, iniciativa privada e comunidade. São Mateus precisa transformar suas belezas naturais e seu patrimônio histórico em oportunidades concretas de desenvolvimento.
O mesmo vale para o Centro Histórico. A história não pode ser apenas lembrada em discursos ou datas comemorativas. Ela precisa ser preservada, valorizada e incorporada à vida econômica e cultural do município.
São Mateus também precisa fortalecer sua vocação regional. Uma cidade com 482 anos não deve pensar apenas em seus próprios limites territoriais. Deve exercer papel de liderança no Norte do Espírito Santo, articulando-se com municípios vizinhos, buscando investimentos, defendendo obras estruturantes e cobrando dos governos estadual e federal a atenção que a região merece.
Para isso, é indispensável maturidade política.
As divergências fazem parte da democracia. Governo, Câmara Municipal, entidades empresariais, trabalhadores, instituições e sociedade civil podem — e devem — ter opiniões diferentes. O que não pode prevalecer é o interesse particular sobre o interesse coletivo.
São Mateus precisa de uma política voltada para projetos de longo prazo, independentemente de quem esteja no comando do município. Obras e ações importantes não podem começar e terminar a cada mandato. Uma cidade com quase cinco séculos de história precisa construir políticas públicas que ultrapassem os ciclos eleitorais.
Os 482 anos também são uma oportunidade para reconhecer quem construiu e continua construindo São Mateus. Comerciantes, agricultores, pescadores, empresários, trabalhadores, professores, profissionais da saúde, servidores públicos, artistas, estudantes e tantas outras pessoas que, diariamente, fazem a cidade acontecer.
O futuro de São Mateus não está apenas nas mãos dos governantes. Está também na participação da sociedade, na fiscalização dos recursos públicos, na cobrança por transparência e na capacidade de cada cidadão compreender que a cidade pertence a todos.
Que os 482 anos de São Mateus sejam, portanto, mais do que uma celebração do passado.
Que sejam um convite à reflexão sobre o presente e, principalmente, um compromisso com o futuro.
Uma cidade com quase cinco séculos de história tem o direito de sonhar grande.
E São Mateus precisa fazer jus à sua história, aproveitando suas potencialidades, corrigindo seus problemas e construindo, com planejamento e responsabilidade, a cidade que as próximas gerações merecem.