A promessa de dinheiro fácil e ganhos rápidos tem levado cada vez mais brasileiros a desenvolverem dependência em apostas on-line, conhecidas como bets.
O que começa com um clique em uma propaganda ou um bônus de boas-vindas pode evoluir para um transtorno reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), marcado por perdas financeiras, rompimento de vínculos familiares e prejuízos à saúde mental.
Segundo estimativas, mais de 1,4 milhão de brasileiros já apresentam critérios clínicos para o transtorno do jogo.
No Espírito Santo, o aumento da procura por tratamento também chama atenção. Somente nos seis primeiros meses deste ano, a Rede Abraço, que realiza atendimento para casos de dependência em jogos e apostas, registrou 465 atendimentos relacionados a esses casos.
A maioria dos pacientes tem entre 25 e 34 anos, e seis em cada dez vivem com renda de até um salário mínimo.
“Recebia o salário e apostava quase tudo”
Uma das pessoas ouvidas pela reportagem, que terá a identidade preservada, conta que começou a apostar por curiosidade, após ver anúncios nas redes sociais. No início, os ganhos deram a falsa impressão de que era possível lucrar com facilidade.
Eu depositei R$ 30 e ganhei R$ 1 mil.
Vítima de vício em jogos e apostas.
Com o passar do tempo, o comportamento mudou. Ela passou a depositar quase todo o salário nas plataformas de apostas e acreditava que conseguiria recuperar o dinheiro perdido na rodada seguinte. Para continuar jogando, começou a fazer empréstimos.
“Comecei a pedir dinheiro emprestado para amigos porque meu cartão de crédito já tinha estourado. Foi virando uma bola de neve. Eu jogava, jogava e, quando perdia, me sentia muito mal.”
A compulsão trouxe consequências também para a saúde mental. A entrevistada relata que passou a tomar medicamentos por conta própria para conseguir dormir e esquecer as perdas.
“Tomava remédio para apagar o que tinha feito. Era uma forma de esquecer o dinheiro que eu tinha perdido.”
Mesmo após interromper as apostas por alguns meses, voltou a jogar escondida da família. Segundo ela, foram necessários acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia e medicação para interromper o ciclo.
“Perdi cerca de R$ 150 mil”
Outra pessoa ouvida pela reportagem afirma ter perdido aproximadamente R$ 150 mil com apostas. A história começou da mesma forma: uma propaganda, uma aposta gratuita e um prêmio logo na primeira tentativa. Depois vieram as perdas, os empréstimos, as mentiras e o afastamento da família.
Eu já perdi cerca de R$ 150 mil. A minha família começou a virar as costas pra mim, porque eu estava começando a pedir emprestado um dinheiro que não era normal. Eu e minha namorada da época terminamos por causa disso, porque estava afetando o nosso relacionamento. Eu não estava sendo o mesmo.
Vítima de vício em jogos e apostas.
Ele conta que chegou a viver apenas em função das apostas e, na tentativa de lidar com o sofrimento, passou a consumir álcool e outras drogas.
“Eu comecei a beber para esquecer dos problemas e acabei usando outras drogas. E eu olhei pra mim e falei: ‘o que está acontecendo? Esse não sou eu’”.
Dependência altera funcionamento do cérebro
Para o professor universitário Elizeu Borloti, a compulsão por apostas vai além da busca por dinheiro. As plataformas utilizam mecanismos capazes de estimular o sistema de recompensa cerebral, responsável pela sensação de prazer.
O que as bets fazem é aproveitar um mecanismo que a gente tem no cérebro, que é o sistema de recompensa cerebral. Elas fazem uso disso para manter esse comportamento dentro de um interesse econômico.
Elizeu Bortoli, professor universitário.
Com o tempo, o cérebro passa a exigir estímulos cada vez maiores.
“O cérebro vai ficando um pouco resistente àquilo ali e ele vai precisando de doses cada vez maiores ou quantidades maiores de apostas. O que é a abstinência? O cérebro precisa da substância gerada por aquela situação.”
Rede Abraço amplia atendimento
Diante do crescimento da demanda, a Rede Abraço passou a oferecer atendimento especializado para pessoas com compulsão em jogos digitais, apostas financeiras e apostas esportivas.
Segundo o gerente do Centro de Acolhimento para Dependentes Químicos (CAAD), Getulio Souza, o ideal é buscar ajuda assim que surgirem os primeiros sinais de perda de controle.
“É importante, ao menor sinal de perda de controle com jogos em geral, buscar ajuda, e a Rede Abraço está aqui como mais um serviço a somar nesse arsenal de possibilidades que o sujeito pode encontrar.”
O atendimento pode ser iniciado nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e nas unidades da Rede Abraço, com acompanhamento de psicólogos, psiquiatras, médicos e assistentes sociais.
Medidas de prevenção
Enquanto cresce o número de pessoas em busca de tratamento, também avançam iniciativas para reduzir os impactos das apostas. As propagandas de plataformas de apostas passaram a exibir alertas sobre os riscos de dependência e perdas financeiras.
Além disso, projetos em tramitação na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) discutem medidas de prevenção e proteção, especialmente voltadas para crianças e adolescentes.
Uma das vítimas deixou um recado para quem enfrenta o mesmo problema: “Não tenham vergonha de pedir ajuda. A saúde mental é importante demais. Procurem tratamento e conversem com um médico.”
Uma mulher de 41 anos morreu após sofrer uma perfuração no intestino durante uma colonoscopia realizada no Hospital Municipal de Ermelino Matarazzo, na zona leste de São Paulo. Mariana dos Santos Candido passou pelo exame de rotina na última terça-feira (29) e foi submetida a uma cirurgia de urgência após a complicação, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.
Segundo a Guia de Encaminhamento de Cadáver emitida pelo hospital, a agente de apoio escolar sofreu uma laceração da parede do intestino durante o procedimento. Ela passou por uma laparotomia de urgência com colectomia segmentar, cirurgia para retirada de parte do intestino grosso, que durou cerca de seis horas.
Após a morte, a família registrou boletim de ocorrência. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o caso foi registrado como morte suspeita e morte acidental e será investigado pela Polícia Civil.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo informou que abriu uma sindicância para apurar as circunstâncias do caso. A pasta afirmou que a colonoscopia foi realizada pela Clínica de Endoscopia Salinas Ltda., empresa que presta serviço ao hospital, e disse que a apuração será rigorosa em relação à conduta médica adotada. “A direção do hospital segue à disposição da família”, afirmou a pasta.
A colonoscopia é um exame que permite avaliar o interior do intestino grosso (cólon) e do reto por meio de um tubo flexível com uma câmera na extremidade, chamado colonoscópio.
O procedimento é realizado com sedação e tem como principal objetivo identificar alterações como pólipos, inflamações, sangramentos, úlceras e tumores. Durante o exame, o médico também pode coletar amostras para biópsia e remover pólipos, evitando que essas lesões evoluam para câncer.
Considerada o principal exame para prevenção e diagnóstico precoce do câncer colorretal, a colonoscopia é indicada tanto para pessoas com sintomas, como sangramento nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal e dor abdominal, quanto para o rastreamento da doença em indivíduos sem sintomas, especialmente a partir dos 45 anos ou antes, em casos de histórico familiar ou outros fatores de risco.
O preço elevado das canetas de semaglutida pode começar a enfrentar uma concorrência inédita no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, de uma só vez, cinco novos medicamentos injetáveis comparados ao Ozempic.
O registro, porém, não significa que os produtos já possam ser encontrados nas farmácias. Preços e datas de lançamento ainda não foram divulgados, mas a entrada de novas fabricantes amplia a disputa por um mercado até então concentrado em poucas marcas.
Quais são os novos concorrentes do Ozempic?
Os medicamentos receberam os nomes de Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Todos possuem semaglutida obtida por via sintética e foram registrados pela Anvisa por comparação com o Ozempic.
As empresas responsáveis são:
Owozy: Ávita Care;
Seemasun: Sun Farmacêutica;
Zempneo: Brainfarma;
Semavy: Cosmed;
Orsema: Ranbaxy Farmacêutica.
A aprovação representa o maior volume de registros de medicamentos agonistas do receptor de GLP-1 concedido de uma só vez pela vigilância sanitária brasileira.
A Anvisa informa que a análise envolveu estudos clínicos, avaliação de documentos técnicos e inspeções nas linhas responsáveis pela produção estéril dos medicamentos.
Novas canetas serão mais baratas que o Ozempic?
Ainda não é possível saber. As empresas não anunciaram quanto as canetas custarão nem apresentaram uma previsão oficial para o início das vendas.
A autorização sanitária é uma etapa necessária, mas não encerra o caminho até as prateleiras. Os preços máximos dos medicamentos precisam seguir as regras da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, a CMED.
Farmácias, laboratórios, distribuidores e importadores não podem cobrar acima dos valores estabelecidos pelo órgão. A lista oficial de preços máximos é atualizada todo mês.
A chegada de cinco concorrentes aumenta a possibilidade de disputa por preço, mas isso não garante automaticamente uma redução. O valor final também dependerá das decisões comerciais de cada fabricante, dos custos de produção, da distribuição e da apresentação de cada caneta.
Por enquanto, qualquer preço atribuído a Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy ou Orsema não deve ser tratado como oficial.
Quando chegam às farmácias?
O registro da Anvisa permite que as empresas avancem nos preparativos para comercializar os medicamentos, mas ainda não existe uma data confirmada para os lançamentos.
Cada fabricante será responsável pela produção, distribuição e disponibilidade de sua caneta no mercado brasileiro. Os produtos somente poderão ser comprados quando forem efetivamente lançados e incluídos nos canais regulares de venda.
A situação exige atenção porque nomes de medicamentos recém-aprovados podem ser utilizados em anúncios falsos. A própria Anvisa já alertou sobre golpes envolvendo a venda de canetas emagrecedoras e sobre produtos sem registro oferecidos pela internet.
A agência não vende medicamentos nem solicita pagamentos para liberar encomendas. Antes de comprar, o consumidor deve conferir se o estabelecimento é autorizado e se o produto possui registro válido.
Novas canetas são iguais ao Ozempic?
Foto: Divulgação
Elas têm o mesmo princípio ativo, a semaglutida, mas não devem ser chamadas literalmente de Ozempic. Ozempic é o nome comercial do medicamento biológico utilizado como comparador durante o processo de registro.
Os cinco novos produtos são versões sintéticas. Isso significa que a substância é produzida por síntese química em laboratório, enquanto a semaglutida do medicamento de referência é obtida por processo biológico.
Segundo a Anvisa, os novos medicamentos precisaram demonstrar comparabilidade com o produto de referência. A aprovação não permite concluir que sejam mais potentes ou que provoquem maior perda de peso que o Ozempic.
Também não significa que o paciente possa trocar uma caneta por outra sem avaliação médica. Formulação, apresentação, dispositivo e orientações de uso precisam ser considerados antes de qualquer substituição.
Canetas foram aprovadas para emagrecimento?
Apesar de serem popularmente chamadas de “canetas emagrecedoras”, as cinco novas marcas foram registradas para o tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado.
A indicação prevê o uso como complemento à alimentação equilibrada e à prática de exercícios, especialmente quando a metformina não pode ser utilizada devido à intolerância ou contraindicação.
A semaglutida pode atuar sobre a saciedade e produzir redução de peso, mas isso não significa que todo medicamento com essa substância tenha automaticamente autorização para tratar obesidade.
No Brasil, a indicação aprovada depende dos estudos apresentados por cada fabricante e das informações presentes na bula. Usar um medicamento fora da indicação registrada exige avaliação individual do médico, que deverá considerar riscos e benefícios.
São mais potentes que o Mounjaro?
Não há base para fazer essa afirmação. As novas canetas contêm semaglutida, enquanto o Mounjaro possui tirzepatida. Embora os medicamentos pertençam ao grupo das canetas utilizadas no controle metabólico, eles não são iguais.
A semaglutida atua como agonista do receptor de GLP-1. A tirzepatida age sobre os receptores de GLP-1 e GIP. Essa diferença no mecanismo não permite afirmar que qualquer uma das cinco novas marcas seja superior ao Mounjaro.
A aprovação da Anvisa foi baseada na comparação com o Ozempic. As informações divulgadas pelo órgão não apresentam estudos diretos que coloquem Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy ou Orsema frente a frente com Mounjaro.
A escolha do tratamento depende do quadro clínico, das doenças associadas, da resposta ao medicamento, dos efeitos adversos e das contraindicações de cada paciente.
Como comprar os concorrentes do Ozempic?
Quando chegarem às farmácias, as novas canetas somente poderão ser vendidas mediante receita médica em duas vias, com retenção de uma delas pelo estabelecimento.
A regra vale para medicamentos agonistas de GLP-1 e foi adotada pela Anvisa para ampliar o controle sobre produtos como Ozempic, Mounjaro e Wegovy. A mesma exigência será aplicada às novas canetas de semaglutida.
O consumidor não deverá comprar os produtos por redes sociais, vendedores particulares ou páginas que não pertençam a farmácias autorizadas. Medicamentos falsificados, importados irregularmente ou mantidos fora da temperatura adequada podem não produzir o efeito esperado e ainda colocar a saúde em risco.
Também não é recomendado adquirir uma marca diferente apenas porque ela eventualmente custará menos. A troca precisa ser orientada pelo profissional que acompanha o tratamento.
Por que cinco canetas foram aprovadas ao mesmo tempo?
A análise de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida ganhou prioridade após uma solicitação do Ministério da Saúde, apresentada em agosto de 2025. O objetivo foi ampliar o abastecimento do mercado nacional e beneficiar o Sistema Único de Saúde.
A Anvisa também colocou em prática um plano para reduzir a fila e o tempo de avaliação dos pedidos de registro. Entre os medicamentos incluídos no processo prioritário, seis já receberam aprovação, considerando as cinco marcas anunciadas agora e o Ozivy, registrado anteriormente.
O aumento dos pedidos está relacionado ao desenvolvimento de versões sintéticas dos agonistas de GLP-1 e ao fim da proteção de algumas patentes. Com mais empresas entrando na disputa, o mercado brasileiro poderá ter maior oferta de semaglutida.
O efeito sobre o bolso, contudo, somente será conhecido quando as fabricantes divulgarem as datas de lançamento e os preços. Até lá, os cinco concorrentes estão aprovados, mas ainda não podem ser tratados como alternativas mais baratas disponíveis nas farmácias.