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Medicina e Saúde

Cresce suspeita de elo entre vírus de hepatite aguda em crianças e covid-19

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A doença já é investigada até no Brasil e pode ter relação ainda não esclarecida com a covid-19

Um tipo misterioso de hepatite aguda tem despertado a atenção de autoridades de saúde de diferentes países do mundo ao longo das últimas semanas. A doença, que atinge crianças e já é investigada até no Brasil, não é ocasionada por nenhum dos vírus conhecidos da hepatite (A, B, C, D e E) e pode ter entre as suas causas uma relação ainda não esclarecida entre a covid-19 e um tipo de adenovírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS) registrou até esta semana 348 casos da doença. A maioria das crianças apresentou sintomas gastrointestinais, icterícia e, em alguns casos, falência aguda do fígado e um quadro que acabou levando à morte.

Ministério da Saúde criou uma sala de situação para monitorar 41 eventos suspeitos de hepatite aguda de origem desconhecida registrados até agora em território nacional. 

Entre eles está o de uma adolescente de 14 anos, de Ibimirim, sertão de Pernambuco, que foi hospitalizada em coma e precisou passar por transplante de fígado de emergência na sexta. Com esse, são seis os casos suspeitos da doença apenas em Pernambuco.

A primeira hipótese foi levantada por autoridades de saúde do Reino Unido. Lá, os primeiros casos foram registrados e tratava-se de uma hepatite causada por um adenovírus. Estudos mostraram que até 70% dos doentes testaram positivo para o adenovírus 41F. Ele afeta mais crianças, jovens e pessoas imunossuprimidas. Provoca resfriado ou problemas intestinais.

“Inicialmente achou-se que o adenovírus seria a causa das hepatites agudas, mas o fato é que ele não aparecia em todos os casos”, explicou o infectologista Marcelo Simão, da Universidade Federal de Uberlândia, em Minas. “Em muitas crianças que apresentaram quadros graves não foi possível isolar o vírus; e em algumas na qual foi feito um transplante não se achou o vírus no fígado retirado.”

Especialistas notaram também que muitas crianças tinham tido covid-19 antes da hepatite aguda. Um estudo publicado na Lancet na semana passada propôs, então, nova hipótese. Segundo o trabalho, uma combinação entre as duas infecções estaria provocando a doença hepática aguda. 

Partículas remanescentes do Sars-CoV-2 no trato intestinal das crianças estariam servindo de gatilho para uma reação exagerada no sistema imunológico a uma infecção posterior pelo adenovírus 41F. A proteína spike do coronavírus é considerada um superantígeno. Ela torna o sistema imunológico mais sensível. Assim, potencializaria o efeito do adenovírus 41F. Normalmente, esse vírus não provoca problemas mais graves.

A reação seria similar à provocada na Síndrome Inflamatória Multissistêmica. Essa condição foi identificada em crianças com covid longa. Nesses casos, há uma ativação anormal do sistema imunológico por causa do superantígeno. Ele desencadeia uma reação autoimune extremamente inflamatória. 

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Uma eventual exposição posterior a um adenovírus poderia provocar uma reação ainda mais forte do organismo. É o que pode estar acontecendo nos casos de hepatite aguda.

“A hipótese mais aceita atualmente é de que essa hepatite está sendo provocada por uma reação imunológica exagerada causada pela combinação desses dois vírus que acaba por agredir o fígado”, disse Simão, cujo nome integra a lista da Universidade de Stanford, nos EUA, dos cientistas mais influentes do mundo. “Por que o fígado? Ainda não sabemos.”

VARIAÇÃO

Outra questão ainda não esclarecida, segundo Simão, é por que os casos de hepatite aguda só começaram a ser notados agora, dois anos depois do início da pandemia. Uma explicação possível estaria relacionada à variante do Sars-CoV-2 atualmente em circulação.

Para o presidente da Sociedade de Infectologia do Distrito Federal, José David Urbaez Brito, a hipótese da combinação dos dois vírus é, atualmente, a mais provável para explicar os casos de hepatite aguda em crianças, embora ainda não esteja fechada.

“O que acontece de diferente neste momento atual da nossa vida é que estamos sofrendo a modulação contínua de uma pandemia”, disse Brito. “Somos bombardeados minuto a minuto por um agente infeccioso circulando em uma magnitude gigantesca; qualquer coisa nova que apareça pode ter relação com isso.”

Dados da OMS e de estudos feitos em Israel, Estados Unidos e Índia reforçam a hipótese. O trabalho israelense, coordenado por Yael Mozer Glassberg, do Centro Médico Infantil Schneider, mostrou que 11 de 12 crianças que tiveram a hepatite tinham tido covid-19. Nenhuma delas, porém, testou positivo para o adenovírus.

A OMS Europa apontou em um relatório divulgado neste mês que até 70% das crianças com menos de 16 anos que desenvolveram a hepatite aguda tiveram diagnóstico de covid-19 anteriormente. Além disso, explicaram especialistas, outras crianças podem ter tido a doença de forma branda ou mesmo assintomática; ou seja, sem um diagnóstico oficial.

Um trabalho feito nos Estados Unidos e publicado em Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition analisou o caso de uma menina de 3 anos. A garota apresentou falência hepática alguns dias depois de se recuperar de uma covid branda.

“As descobertas da biópsia do fígado e de exames de sangue da paciente são compatíveis com um tipo de hepatite autoimune que pode ter sido deflagrada pela covid”, explicou a pediatra Anna Peters, gastroenterologista do Centro Médico do Hospital de Crianças de Cincinnati, nos EUA, responsável pelo estudo, ao comentar o trabalho.

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Segundo a especialista, é impossível provar a existência de um vínculo direto entre a covid e a doença hepática. Mas o vírus pode ter deflagrado uma resposta imune anormal. Ela seria geradora do ataque ao fígado.

Um levantamento feito na Índia no ano passado acompanhou 475 crianças que tiveram covid no país. Delas, 47 apresentaram hepatite aguda. Recentemente, com os novos casos surgidos na Europa e nos EUA, pesquisadores se voltaram a esse estudo indiano de 2021.

“O único fator em comum que achamos entre essas crianças foi que todas tinham sido infectadas pela covid”, disse o principal autor do estudo, Sumit Rawat, professor associado da Escola de Medicina de Bundelkhand, em Madhya Pradesh, na Índia, em entrevista para agências internacionais. 

“Provar que a covid está de fato provocando essa hepatite vai demandar ainda muito estudo, mas uma pista importante é que os casos da hepatite caíram quando o Sars-CoV-2 deixou de circular na região e voltaram a subir quando a covid estava em alta.”

NADA COM VACINA

A ligação entre os casos de hepatite aguda e a vacina contra a covid, no entanto, foi totalmente descartada. Não há relação direta entre a vacinação e a hepatite. Além disso, a maioria das crianças que apresentaram o quadro agudo de hepatite tinha menos de 5 anos. Ou seja, elas não haviam sido imunizadas contra a covid.

Especialistas acreditam que novas pandemias de vírus emergentes – e seus eventuais desdobramentos — devem se tornar cada vez mais comuns, por causa do impacto do homem no meio ambiente e no clima. 

“Estamos vivendo em um mundo complicado, com muitas doenças novas, muitos vírus novos; bactérias às quais não dávamos importância estão agora causando enfermidades graves”, disse Simões. “Apesar dos avanços tecnológicos, os desafios são cada vez maiores.”

José David Urbaez Brito lembrou que, não por acaso, vivemos no chamado período antropoceno. É a primeira vez que um ser vivo, no caso o homem, alterou de maneira tão profunda e muitas vezes irreversível o seu meio ambiente até que passou a dar nome a uma era geológica. 

“O homem alterou cadeias geológicas e ecológicas, aumentou a temperatura global de forma perceptível, provocando um impacto profundo na dinâmica dos agentes infecciosos, notadamente dos vírus, que são formas muito simples”, disse Brito. “As narrativas têm o poder de racionalizar o que acontece, nos deixando alienados; mas, a verdade é que vivemos um momento apocalíptico de dimensões gigantescas, e a atual pandemia é um sintoma disso.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Hospital em Cariacica realiza primeira cirurgia cardíaca robótica do ES

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O Espírito Santo avançou na medicina de alta complexidade com a realização da primeira cirurgia cardíaca robótica do Estado. O procedimento ocorreu neste mês de abril, no Hospital Meridional, em Cariacica, e o paciente já recebeu alta hospitalar.

A cirurgia foi conduzida por uma equipe especializada liderada pelo cirurgião cardiovascular Dr. Melchior Lima, Cirurgião Cardiovascular com 35 anos de experiência na Grande Vitória. O procedimento realizado foi uma revascularização do miocárdio, popularmente conhecida como ponte de safena, indicada para melhorar o fluxo sanguíneo no coração.

Diferente das cirurgias tradicionais, a técnica robótica utiliza uma plataforma equipada com quatro braços mecânicos, controlados pelo cirurgião por meio de um sistema semelhante a um joystick. A tecnologia permite reproduzir com extrema precisão os movimentos das mãos do médico, utilizando instrumentos como pinças, bisturi e eletrocautério.

Segundo o especialista, o sistema possibilita movimentos mais delicados e até mesmo ações que não seriam possíveis apenas com a mão humana, elevando o nível de precisão durante o procedimento.

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Avanço amplia a precisão

Entre as principais vantagens da cirurgia robótica estão o menor trauma na região torácica, a redução do risco de infecções e uma recuperação mais rápida para o paciente. Esses fatores impactam diretamente na qualidade do pós-operatório e nos resultados clínicos.

Segundo o especialista, o sistema possibilita movimentos mais delicados e até mesmo ações que não seriam possíveis apenas com a mão humana, elevando o nível de precisão durante o procedimento.

Avanço amplia a precisão

Entre as principais vantagens da cirurgia robótica estão o menor trauma na região torácica, a redução do risco de infecções e uma recuperação mais rápida para o paciente. Esses fatores impactam diretamente na qualidade do pós-operatório e nos resultados clínicos.

Apesar dos benefícios, o procedimento não é indicado para todos os casos. A cirurgia robótica cardíaca é destinada a pacientes adultos e depende de uma avaliação criteriosa para definir a viabilidade da técnica.

O uso da tecnologia robótica já é realidade em outras especialidades médicas no Espírito Santo, como urologia, cirurgia torácica, cirurgia geral e ginecologia. No caso da área cardiovascular, a equipe responsável é formada por sete profissionais, seis médicos e uma enfermeira, que passaram por treinamentos e especializações em outros estados, como Minas Gerais.

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A realização da primeira cirurgia cardíaca robótica marca um avanço significativo na medicina capixaba, ampliando as opções de tratamento e trazendo mais segurança e conforto para os pacientes.

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Hábitos no trabalho podem prejudicar seus rins; veja como se proteger no dia a dia

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Quando pensamos em saúde no trabalho, muitas vezes focamos em fatores externos. No entanto, na prática clínica, observo que grande parte dos problemas renais está relacionada a hábitos do dia a dia que passam despercebidos, especialmente durante a rotina de trabalho.

Recentemente, atendi um paciente que trabalhava longas jornadas e relatava cansaço frequente. Ao investigar melhor, ele tinha o hábito de beber pouca água ao longo do dia, consumia alimentos industrializados com alto teor de sal e utilizava anti-inflamatórios com frequência para aliviar dores. Os exames mostraram alteração da função renal, um quadro que poderia ter sido evitado com mudanças simples.

Hábitos que prejudicam os rins

Os rins dependem de um equilíbrio adequado de líquidos e minerais para funcionar corretamente. A ingestão insuficiente de água reduz a perfusão renal, enquanto o consumo excessivo de sal, comum em alimentos ultraprocessados, favorece retenção de líquidos e aumento da pressão arterial. Esses fatores, ao longo do tempo, sobrecarregam os rins.

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Outro ponto importante é a automedicação. O uso frequente de anti-inflamatórios, muitas vezes visto como inofensivo, pode comprometer a função renal, especialmente quando associado à desidratação. Na prática, vejo que essa combinação é mais comum do que se imagina.

Pequenas mudanças essenciais

A boa notícia é que a prevenção está ao alcance de todos. Manter hidratação regular ao longo do dia, reduzir o consumo de alimentos industrializados, evitar excesso de sal e utilizar medicamentos apenas com orientação são medidas simples que protegem diretamente os rins.

Além disso, os exames periódicos têm papel fundamental. Avaliações simples, como exame de urina e dosagem de creatinina no sangue, permitem identificar alterações precoces, muitas vezes antes do aparecimento de sintomas.

Cuidar dos rins não exige mudanças radicais. Na prática, pequenas escolhas repetidas diariamente têm impacto direto na preservação da função renal. O ambiente de trabalho faz parte da rotina — e pode ser também um espaço de cuidado com a saúde.

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