A tradicional estampa de bolinhas está longe de ser coisa do passado. O poá voltou com tudo e caiu nas graças da mulherada ao surgir em novas cores, modelagens, proporções e combinações. Famosas como Lívia Andrade, Larissa Manoela, Bianca Andrade e Maisa já aderiram à tendência e apostaram na padronagem em peças como biquínis, blusas, calças e mais.
“Tendências vão, voltam e são revisitadas o tempo todo, mas quase nunca retornam exatamente da mesma forma. E o poá é um ótimo exemplo disso. É uma estampa clássica, que atravessa décadas e carrega uma memória afetiva muito forte, mas que agora reaparece com uma leitura contemporânea”, comenta a consultora de imagem e moda Sophia Marins.
A boa notícia é que, além de linda, a estampa é democrática. “Todo mundo pode usar! Uma dica é prestar atenção à proporção e às cores. De forma geral, poás maiores podem aumentar visualmente a região onde estão, enquanto os menores tendem a ter um efeito mais discreto e podem ajudar a afinar a silhueta. As cores também influenciam: fundos escuros tendem a diminuir visualmente, enquanto fundos claros e estampas com bastante contraste podem ampliar e chamar mais atenção”, ensina a especialista.
Clássico, o poá preto e branco segue como uma boa escolha para compor o visual e pode ser incorporado em looks mais modernos se combinados com jeans de modelagem moderna, alfaiataria, uma terceira peça estruturada ou acessórios atuais. As estampas de bolinhas em outros tons também ganham destaque.
Quem ainda não se sente confortável com uma peça inteira estampada pode começar a usar a tendência por meio dos acessórios ou por peças com bolinhas menores. “Você pode usar em um lenço, uma bolsa, um sapato ou até em pequenos detalhes da roupa, sem que ela seja a protagonista do look”, lista Sophia.
Para quem gosta de ousar, o poá pode ser combinado com listras, xadrez e outras padronagens. “Procure um ponto de conexão entre as estampas, como uma cor em comum, e brinque com proporções diferentes, por exemplo, um poá menor com uma listra maior. Isso ajuda a criar harmonia na composição. No final, não existe uma única maneira certa de usar. O importante é a produção conversar com a sua personalidade, com a imagem que você quer comunicar e, claro, você se sentir bem usando”, ensina Sophia.
Assim com muitas famosas, a influenciadora Sophia Cit aderiu à tendência. “Gosto de combinar o poá com peças mais neutras, mas também acho muito interessante misturar com outras estampas, principalmente listras, quando quero um look mais fashionista. É uma tendência fácil de adaptar e dá para usar tanto em uma produção mais romântica quanto em um visual mais moderno e despojado.”
Do cabelo descolorido aos chinelos, microshorts e camisas de futebol, códigos culturais das periferias do Rio ganham projeção internacional e levantam discussões sobre autoria, apropriação e os limites entre inspiração e exotificação
O Brasil ganhou novo protagonismo como destino nos últimos anos, registrando o maior crescimento do turismo internacional no mundo. Segundo dados da Embratur, houve um aumento de 45% nas chegadas de turistas estrangeiros entre janeiro e setembro de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. Nesse contexto, o Rio de Janeiro vem se consolidando como um dos principais cenários de desejo para viagens de lazer, impulsionado pela estética do Brazilcore – frequentemente acompanhada por imagens das praias cariocas, do Cristo Redentor e de comunidades como Rocinha e Vidigal. A predominância desses símbolos passou a fomentar o debate de que o fenômeno seria, na prática, um Riocore.
Camisas de time, biquínis asa-delta, cabelos descoloridos, chinelos, microshorts, óculos cyber, unidos à muita sensualidade, compõem essas visualidades. Algo que era visto de forma pejorativa, agora, é sinônimo de cool. E a volta da estética Y2K endossa ainda mais a tendência, com calças e bermudas de cintura baixa e baby tees. Lucas Rodrigues, coordenador de branding, cultura de marca e comunicação da Kenner, defende que as periferias brasileiras vêm ditando tendências há muito tempo, com códigos de moda originados entre uma juventude historicamente marginalizada, mas que se tornaram produtos de interesse para outros públicos, chegando a ser comercializados por marcas mundo afora. A força criativa do Rio vai além do vestuário, sem dúvidas. Ela se revela também na construção de imagens que refletem a energia solar da cidade, permeada por uma geografia de muita natureza e de cores vibrantes, em composições que expressam uma vivacidade contínua, algo similar ao que alcançamos apenas quando estamos de férias. Vivenciar toda essa experiência se tornou algo aspiracional. O soft power da cidade passou a aparecer como cenário em campanhas internacionais. E diante de um mundo tão digital e globalizado, as demarcações do que seria apropriação cultural ou uma homenagem se tornam ainda mais complexas.
As comunidades da Rocinha e do Vidigal estão entre os lugares de maior interesse turístico na cidade. Para a fotógrafa Salemm, buscar uma experiência autêntica nesses territórios ainda se aproxima de uma forma de exotificá-lo, mas reconhece que o turismo, quando articulado pelos moradores, pode ser um meio de gerar renda e combater estereótipos associados à violência. Influenciada pelo livro Rocinha, de André Cypriano, a jovem escolheu a fotografia como meio de devolver o protagonismo para os moradores. “Já cresci com todas essas retratações negativas, né? Venho com poesia, com uma narrativa que fala do senso de comunidade. Que reflete a juventude, a moda, nossa identidade e território.”
O aumento do interesse internacional pelo Rio decorre também de uma estratégia baseada na “economia do espetáculo”, que utiliza grandes eventos para impulsionar turismo, consumo e visibilidade cultural. Ainda assim, como ressalta Olivia Merquior, curadora de eventos como Rio2C, BRIFW e Rio Fashion Week, esse crescimento não se converteu, necessariamente, em condições estruturais sustentáveis para os negócios locais de moda. “Existe um lado positivo, que é a circulação maior de referências brasileiras e o interesse internacional por elementos ligados ao funk, às periferias, ao esporte e ao modo de vestir do país, principalmente para um público jovem. Mas também existe uma diferença importante entre engajamento digital e desenvolvimento estrutural. Vemos marcas usando códigos estéticos brasileiros para gerar repercussão online, mas sem necessariamente construir relações consistentes com os criativos locais”, diz.
Peças e tendências associadas ao Brazilcore, clicadas na Rocinha e na Barra de Guaratiba — Foto: Rody Oliveira e Fotogracria
Raull reforça a importância das marcas que querem se conectar a esse movimento construírem relações de longo prazo. “Por um lado, existe um interesse legítimo de pessoas que querem conhecer outras realidades do Rio para além dos cartões-postais tradicionais. Por outro, também existe o risco de a favela virar apenas um produto estético ou uma experiência exótica de consumo”, pondera. “Acho que conexões genuínas só acontecem quando existe troca, respeito e interesse real pelas pessoas que vivem nesses territórios, e não apenas pela estética construída em torno deles. O problema começa quando a favela vira cenário, mas os moradores continuam invisíveis”, finaliza.
O prazo para as inscrições do Concurso Moda Inclusiva – Edição 2026, iniciativa que promove inclusão social, inovação e acessibilidade no setor da moda, foi prorrogado até o dia 15 de agosto.
O programa tem como objetivo estimular a criação de soluções de vestuário que unam funcionalidade, conforto, autonomia e design, de modo a atender às necessidades das pessoas com deficiência.
As inscrições foram abertas em maio e seguem agora até 15 de agosto de 2026. O cadastro deve ser realizado por meio de formulário online.
Podem participar pessoas físicas residentes no Brasil, incluindo estudantes e profissionais das áreas de moda, design, modelagem, costura e áreas correlatas. A iniciativa também é aberta a quem possui habilidades práticas, como costura, e deseja apresentar ideias criativas, mesmo sem formação específica na área.
Cada projeto deverá contemplar uma deficiência específica, apresentar viabilidade de produção e incluir descrição técnica e conceitual da proposta. As categorias estão divididas em infantil, esporte, adulto feminino e adulto masculino.
Após a fase inicial, serão selecionados 20 finalistas, sendo cinco por categoria, que avançam para a etapa de conclusão do concurso. A divulgação dos finalistas está prevista para o dia 10 de setembro.
O encerramento da edição 2026 acontece em 11 de novembro, na Pinacoteca do Estado, com um desfile dos projetos selecionados em uma apresentação aberta ao público.
Na ocasião serão anunciados os vencedores, que receberão premiação em dinheiro e prêmios oferecidos pelos parceiros do concurso.
1º lugar: R$ 8.000,00 + prêmios dos apoiadores
2º lugar: R$ 6.000,00 + prêmios dos apoiadores
3º lugar: R$ 3.000,00 + prêmios dos apoiadores
Moda Inclusiva incentiva inovação e acessibilidade
Lançado em 2009, o Concurso Moda Inclusiva propõe uma reflexão comportamental e estimula a originalidade, incentivando o mercado a desenvolver alternativas inovadoras e acessíveis.
Ao longo das edições anteriores, o projeto consolidou-se como um espaço de valorização do design inclusivo, promovendo a criação de peças ajustáveis que facilitam o cotidiano de pessoas com deficiência e contribuem para superar barreiras e preconceitos sociais.
Segundo estimativa do Observatório dos Direitos da Pessoa com Deficiência, mais de 2,7 milhões de pessoas que vivem no estado de São Paulo possuem algum tipo de deficiência. Isso representa 6,33% da população paulista, que pode ser beneficiada pelo desenvolvimento de soluções para adaptabilidade no uso de vestimentas e pelo compromisso do setor da moda com a diversidade e a inclusão.