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Medicina e Saúde

Medicamento aplicado em 5 segundos para tratar AVC chega a hospital do ES

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Tenecteplase (TNK) é um medicamento de aplicação em dose única que agiliza o atendimento ao AVC isquêmico agudo

 

Espírito Santo passou a contar com uma nova tecnologia para o tratamento do AVC isquêmico agudo. O Hospital Unimed Vitória tornou-se o primeiro do Estado a incorporar a tenecteplase (TNK) aos protocolos de urgência e emergência, medicamento de última geração aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para essa indicação no fim de 2025 e utilizado no Brasil desde o início de 2026.

A principal inovação do tratamento está na forma de administração. Enquanto o tratamento convencional com alteplase exige uma infusão intravenosa contínua durante cerca de uma hora, a TNK é aplicada em dose única, em aproximadamente cinco segundos.

Em vez de uma infusão prolongada, conseguimos aplicar o medicamento em poucos segundos, tornando o atendimento ainda mais ágil em uma doença em que tempo significa preservação do cérebro e da qualidade de vida do paciente.

Guilherme Oliveira, neurologista, coordenador da Neurologia Clínica do Hospital Unimed Vitória

Guilherme Tabashi, diretor clínico do Hospital Unimed Vitória, acrescenta que a mudança permite acelerar o atendimento em uma doença em que cada minuto sem circulação sanguínea no cérebro aumenta o risco de sequelas permanentes.

 

 

“O AVC isquêmico é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. Nesses casos, rapidez no tratamento significa maior chance de recuperação e menor risco de sequelas permanentes”, disse.

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A primeira aplicação do medicamento no Hospital Unimed aconteceu no dia 13 de julho.

Avanço no tratamento

Segundo o neurologista José Antônio Fiorot, a tenecteplase é uma versão mais moderna da alteplase, trombolítico utilizado desde 1995. O medicamento atua dissolvendo o coágulo que obstrui a artéria cerebral, restabelecendo o fluxo de sangue e reduzindo a extensão da lesão causada pelo AVC isquêmico.

Além da rapidez na aplicação, a TNK oferece outras vantagens. A administração em dose única reduz o risco de erros relacionados à bomba de infusão, simplifica o cálculo da dose conforme o peso do paciente e facilita a transferência de pacientes entre hospitais quando há necessidade de trombectomia mecânica, procedimento indicado em alguns casos mais graves.

Os estudos científicos também demonstram resultados positivos.

Os melhores estudos realizados até agora (revisões sistemáticas e meta-análises) mostraram que a TNK é pelo menos tão eficaz quanto a alteplase.

Uma meta-análise de 2024 incluindo todos os ensaios clínicos randomizados concluídos demonstrou que a tenecteplase foi superior à alteplase para alcançar desfecho funcional excelente aos 3 meses, com desfecho funcional bom semelhante entre os grupos.

José Antônio Fiorot, neurologista

Em quais casos o medicamento pode ser utilizado

Apesar dos benefícios, o medicamento não pode ser utilizado em todos os casos. A TNK é indicada apenas para pacientes:

  • Com AVC isquêmico que chegam ao hospital em até 4 horas e 30 minutos após o início dos sintoma;
  • Que apresentam alterações compatíveis nos exames de imagem;
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Que não possuem contraindicações, como sangramentos ativos, uso de anticoagulantes, pressão arterial muito elevada sem controle ou cirurgias recentes.

 

O que é o AVC isquêmico?

O AVC isquêmico acontece quando um coágulo obstrui uma artéria que leva sangue ao cérebro, interrompendo a chegada de oxigênio e nutrientes às células cerebrais.

Sem irrigação, os neurônios começam a morrer rapidamente, o que pode causar sequelas como perda de movimentos, dificuldade para falar, alterações na visão e até levar à morte. Por isso, o diagnóstico e o início do tratamento precisam ocorrer o mais rápido possível.

“A tenecteplase atua justamente dissolvendo esse coágulo, restabelecendo o fluxo sanguíneo e reduzindo o risco de sequelas. Mas ela só pode ser utilizada em pacientes que chegam ao hospital dentro de uma janela de até 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas. Por isso, reconhecer rapidamente os sinais do AVC e procurar atendimento imediato é fundamental”, explica Guilherme Oliveira.

Reconheça os sinais do AVC

  • Fraqueza ou dormência em um lado do corpo;
  • Boca torta;
  • Dificuldade para falar ou compreender;
  • Perda súbita da visão;
  • Tontura intensa ou perda do equilíbrio.

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Medicina e Saúde

Você já ouviu falar no “Ozempic natural”? A verdade sobre a berberina

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Em 2023, uma tiktoker americana abriu uma embalagem de berberina na câmera e disse, em menos de 8 segundos, que tinha encontrado o “Ozempic natural.” O vídeo teve dezenas de milhões de visualizações. A berberina esgotou em farmácias nos Estados Unidos. O interesse de busca no Google disparou globalmente.

E do outro lado do mundo, no meu balcão, em Vitória, o efeito chegou na semana seguinte.

“Você tem o Ozempic natural?”

Tenho. Manipulo berberina há anos. Sei exatamente o que ela faz. É por isso que preciso dizer o que ela não faz.

Duas pessoas. O mesmo produto. Só uma tinha motivo pra continuar.

Na mesma semana, duas pessoas me procuraram com o mesmo pedido: berberina.

A primeira tinha visto o vídeo. Queria perder 15kg. Chegou animada, com a certeza de quem encontrou a alternativa natural à injeção que não queria tomar.

Perguntei sobre os exames dela.

Nunca tinha medido a glicemia. Não sabia o que era resistência à insulina. Não importava. O vídeo já tinha dado o diagnóstico e a receita.

A segunda chegou com exame na mão.

Glicemia de jejum em 112mg/dL. Insulina elevada. Histórico familiar de diabetes tipo 2. O médico havia sugerido começar com mudança de estilo de vida e suporte metabólico antes de qualquer medicamento.

As duas receberam a berberina.

O mesmo ativo. O mesmo mecanismo biológico.

Só uma tinha motivo real para continuar tomando.

Para entender qual, você precisa saber primeiro o que a berberina faz de verdade. E o que ela nunca vai fazer.

O que é a berberina e como ela age no corpo

berberina é um alcaloide extraído de plantas como a Berberis vulgaris e a Berberis aristata. Usada há séculos na medicina tradicional chinesa, ela ganhou atenção da ciência moderna pelos seus efeitos metabólicos.

O mecanismo mais estudado é a ativação de um dos principais reguladores do metabolismo energético nas células. O mesmo que o exercício físico ativa.

Na prática, isso significa três coisas:

  • melhora a sensibilidade à insulina;
  • reduz a produção de glicose no fígado;
  • favorece o uso de gordura como combustível.

As indicações com evidência mais sólida são:

  • controle da glicemia em pacientes com diabetes tipo 2;
  • redução de colesterol LDL e triglicerídeos;
  • suporte em casos de síndrome metabólica e resistência à insulina.
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É um ativo legítimo. Com mecanismo real. Com estudos publicados. Prescrito pela medicina há anos, bem antes do TikTok existir.

O próprio Conselho Federal de Farmácia entrou nessa conversa.

Quando a berberina viralizou como Ozempic natural, o Conselho publicou uma nota. E a nota não desmerece o produto. Ela o coloca no lugar certo: não há evidência para emagrecimento milagroso, mas há evidência clínica para o que ela faz de verdade, controlar glicose e colesterol.

O órgão que regula a minha profissão diz exatamente o que eu digo no balcão.

A berberina não é o que o TikTok promete.

É melhor que isso, porque é real.

Então onde está o problema?

Berberina x Ozempic: a diferença na perda de peso

No número que vem agora.

2,3kg.

Esse é o número que o marketing esconde.

Aqui começa a zona de honestidade que o marketing evita.

Uma revisão que consolidou os resultados de 12 ensaios clínicos mostrou que a berberina pode ajudar a perder entre 1 e 3kg. O estudo mais citado, com 1.500mg por dia durante 12 semanas, mostrou redução média de 2,3kg de peso corporal(Inserir link no trecho para: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32690176/)

Esses são os dados reais.

Não os de uma tiktoker.

Não os de um site de suplemento.

Os dados dos estudos publicados e revisados.

Em contraste, os ensaios clínicos com semaglutida mostraram uma redução média de 13kg a 15kg em comparação com o placebo(Inserir link no trecho para: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183)

A diferença é de seis a sete vezes.

E o mecanismo é completamente diferente.

A semaglutida imita os efeitos do GLP-1, hormônio liberado após as refeições, e age diretamente no cérebro reduzindo o apetite de forma potente e prolongada.

berberina melhora o ambiente metabólico interno, principalmente no fígado e no músculo, o que pode ter como consequência uma perda de peso modesta em quem tem resistência à insulina.

Chamar a berberina de “Ozempic natural” é como comparar uma caminhada de 30 minutos com uma cirurgia bariátrica.

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Ambas têm impacto na saúde.

A comparação é que não faz sentido.

E se a comparação não faz sentido, por que tanta gente insiste nela?

Porque insistir dá dinheiro.

Eu vendo o produto. E estou te dizendo o que você pode esperar dele.

Emagrecimento vende.

Sempre vendeu.

Vai continuar vendendo.

E quando um medicamento domina a conversa cultural, qualquer coisa que possa ser associada a ele vai surfar nessa onda.

Quem infla a berberina vende mais no curto prazo.

Quem modera a expectativa perde a venda imediata e ganha a confiança de longo prazo.

Eu escolho o segundo caminho.

Não por altruísmo.

Porque em 30 anos de farmácia magistral, aprendi que a pessoa que compra esperando o que o produto não entrega volta frustrada, abandona o suplemento e perde o benefício real que ele poderia ter dado.

O que não valido, não indico.

E o que valido, explico com precisão o que faz e o que não faz.

Esse posicionamento não invalida o produto.

Ele calibra a expectativa.

E expectativa calibrada tem nome: indicação certa.

Quando a berberina é a ferramenta certa

Para quem tem resistência à insulina, síndrome metabólica, glicemia de jejum elevada ou dislipidemia, a berberina é uma ferramenta de suporte com evidência real.

Associada a mudança alimentar e movimento, pode ajudar a reduzir a glicemia, melhorar o perfil lipídico e criar um ambiente metabólico mais favorável.

Em farmácia de manipulação, ela pode ser combinada com ativos que atuam em vias complementares.

  • Picolinato de cromo, que potencializa a sinalização da insulina nas células.
  • Zinco, cofator de enzimas envolvidas no metabolismo da glicose.
  • Vanádio, com ação insulinomimética documentada.
  • Garcínia cambogia, que age sobre a síntese de gordura.
  • Gymnema sylvestre, que age sobre a absorção intestinal de açúcar.

Essa combinação não substitui o Ozempic.

Mas para quem busca suporte metabólico dentro de um protocolo orientado por profissional, é uma estratégia real e personalizada.

Se quiser entender melhor como o controle do pico glicêmico funciona na prática, já escrevi sobre um extrato que uso na minha própria rotina.

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Água gelada faz mal para a garganta? Especialista esclarece os principais mitos sobre a voz no inverno

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Frio, bebidas geladas, rouquidão e pigarro estão entre as dúvidas mais comuns desta época do ano. Otorrinolaringologista explica o que realmente prejudica a saúde vocal — e o que não passa de mito

 

Todo inverno é a mesma história. Basta alguém pedir um copo de água gelada ou um sorvete para surgir o alerta: “Cuidado, isso faz mal para a garganta!” Da mesma forma, muitas pessoas acreditam que falar, cantar ou dar aulas em dias frios pode provocar rouquidão. Mas será que essas recomendações têm fundamento científico

Segundo o otorrinolaringologista Dr. Alexandre Y. Kumagai, do Hospital Paulista, muitas dessas crenças atravessam gerações e acabam sendo confundidas com fatores que realmente interferem na saúde vocal. “A água gelada costuma levar a culpa, mas não é a verdadeira responsável pelos problemas de voz. A água gelada, por si só, não faz mal para a garganta nem para as pregas vocais. O líquido ingerido percorre o esôfago e não entra em contato direto com as estruturas responsáveis pela produção da voz. Portanto, dizer que a água gelada ‘estraga a voz’ não encontra respaldo nas evidências científicas.”

 

Isso não significa, porém, que algumas pessoas não possam sentir desconforto ao consumir bebidas muito frias. Quem está com uma infecção viral, refluxo, garganta irritada ou apresenta maior sensibilidade na região pode perceber uma sensação temporária de contração, pigarro ou irritação. “Nesses casos, o frio não provoca uma lesão. Ele apenas pode intensificar um desconforto que já existia.”

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O frio é mesmo o vilão?

Outra dúvida muito frequente é se falar, cantar ou dar aulas em ambientes frios pode causar rouquidão. De acordo com Dr. Alexandre Y. Kumagai, a temperatura baixa, isoladamente, não é a responsável pelo problema. “No inverno, o maior inimigo da voz não é o frio, e sim a combinação entre ar seco, desidratação e uso excessivo da voz. O frio, por si só, não é uma causa direta de rouquidão. Durante o inverno, diversos fatores costumam atuar em conjunto, como a baixa umidade do ar, o ressecamento das mucosas, as infecções respiratórias, a congestão nasal, a menor ingestão de água e o maior esforço vocal em ambientes fechados e barulhentos.

Por isso, muitas pessoas associam a perda da voz ao frio quando, na realidade, o quadro pode estar relacionado a uma virose, a uma crise de rinite, ao refluxo ou simplesmente ao uso excessivo da voz.

 

 

Os verdadeiros inimigos da voz

Se o problema não está na água gelada nem na temperatura ambiente, quais hábitos realmente merecem atenção? Segundo o médico, os principais vilões da saúde vocal durante o inverno são o ressecamento das vias aéreas, a baixa umidade do ar, o uso frequente de aquecedores e aparelhos de ar-condicionado, a desidratação, as infecções respiratórias, as alergias, o refluxo gastroesofágico, o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o abuso vocal.

Há ainda comportamentos bastante comuns que acabam agravando o problema, como pigarrear repetidamente, falar ou gritar para competir com o barulho e recorrer à automedicação com descongestionantes nasais ou anti-histamínicos, medicamentos que podem favorecer o ressecamento da mucosa.

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Quem trabalha com a voz precisa redobrar os cuidados

Professores, jornalistas, advogados, operadores de telemarketing, locutores, cantores e outros profissionais que dependem da voz no dia a dia devem adotar alguns cuidados extras durante os meses mais frios.

Entre as principais recomendações estão manter uma boa hidratação ao longo do dia, umidificar os ambientes quando o ar estiver muito seco, fazer pequenas pausas vocais, evitar pigarrear e realizar um aquecimento vocal antes de períodos de uso mais intenso da voz.

“Também é importante tratar adequadamente condições como rinite, refluxo e infecções respiratórias quando elas estiverem presentes. Sempre que possível, vale utilizar microfone em ambientes amplos e evitar falar ou cantar intensamente durante episódios de laringite.”

Quando procurar um especialista?

“Rouquidão persistente por mais de quatro semanas, dificuldade para respirar ou engolir, dor intensa, presença de sangue na saliva, perda de peso sem explicação ou aparecimento de nódulos no pescoço exigem avaliação por um otorrinolaringologista.

Para Dr. Alexandre Y. Kumagai, compreender a diferença entre mitos e evidências científicas ajuda não apenas a preservar a voz, mas também a evitar preocupações desnecessárias.

“Cuidar da voz é muito mais do que evitar uma bebida gelada: é manter bons hábitos de hidratação, tratar corretamente as doenças respiratórias e respeitar os limites do próprio organismo. Quando entendemos o que realmente faz diferença, conseguimos proteger a voz durante todo o ano.”

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