Campanha reforça a importância da testagem, da vacinação e do diagnóstico precoce para prevenir complicações graves e interromper a transmissão da doença
As hepatites virais atingem milhares de brasileiros todos os anos e, na maioria dos casos, evoluem de forma silenciosa. Justamente por não apresentarem sintomas nas fases iniciais, essas infecções podem permanecer sem diagnóstico por anos, favorecendo a transmissão e aumentando o risco de complicações como cirrose e câncer de fígado.
De acordo com o último boletim epidemiológico de hepatites virais do Ministério da Saúde, de julho de 2025, o Brasil registrou cerca de 35 mil casos de hepatites por ano, entre 2000 e 2024.
Por isso e para conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, o mês de julho é marcado pela campanha Julho Amarelo, que busca ampliar o acesso à informação, incentivar a realização de testes rápidos e fortalecer ações de vacinação e educação em saúde.
Segundo a professora do curso de Enfermagem da Estácio e especialista em Saúde Preventiva, Lorena Devens, as hepatites virais ainda representam um importante desafio para a saúde pública no Brasil.
“A testagem e o diagnóstico precoce das hepatites virais ainda representam um importante desafio para a saúde pública no Brasil. Muitas pessoas convivem com a infecção durante anos sem saber, favorecendo a transmissão e aumentando o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado”, explica.
Ela destaca que a campanha também está alinhada à meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.
Doenças silenciosas
Ainda segundo o Ministério da Saúde, as hepatites são inflamações que acometem o fígado e podem ser causadas por diferentes vírus, classificados em A, B, C, D e E. No Brasil, os tipos A, B e C são os mais frequentes.
A hepatite A é transmitida principalmente pela ingestão de água e alimentos contaminados, enquanto as hepatites B e C estão relacionadas ao contato com sangue contaminado e, no caso da hepatite B, também à transmissão sexual e de mãe para filho.
De acordo com Lorena Devens, o fato de muitas dessas infecções não apresentarem sintomas nos estágios iniciais faz com que o diagnóstico precoce seja um dos principais aliados no combate à doença.
“São chamadas de doenças silenciosas porque, na maioria das vezes, especialmente nos casos das hepatites B e C, não provocam sintomas nas fases iniciais. A pessoa pode permanecer infectada por muitos anos sem apresentar qualquer sinal clínico. Quando os sintomas surgem, frequentemente já existe um comprometimento significativo do fígado”, afirma.
Entre as possíveis consequências do diagnóstico tardio estão fibrose hepática, cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.
Testagem e vacinação salvam vidas
A professora ressalta que a recomendação é que toda pessoa realize a testagem para hepatites B e C pelo menos uma vez na vida, principalmente quem possui fatores de risco, como profissionais de saúde, gestantes, pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou histórico de compartilhamento de objetos perfurocortantes.
Os testes rápidos são gratuitos e podem ser realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do Sistema Único de Saúde (SUS). Além da testagem, a vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção.
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Os testes rápidos são gratuitos e podem ser realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do Sistema Único de Saúde (SUS). Foto: Reprodução/Magnific
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“Atualmente, existem vacinas seguras e altamente eficazes contra as hepatites A e B, disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde conforme o calendário nacional e grupos prioritários. Além de prevenir a hepatite B, a vacinação também protege indiretamente contra a hepatite D, já que esse vírus depende da infecção pelo vírus B para se desenvolver”, explica.
Para a hepatite C, que ainda não possui vacina, a prevenção depende de medidas como o uso de preservativos, a utilização de materiais esterilizados em procedimentos invasivos e o não compartilhamento de seringas, lâminas, alicates de unha e outros objetos perfurocortantes.
Papel da enfermagem
Na avaliação da professora, os profissionais de enfermagem desempenham papel fundamental em todas as etapas da prevenção e do cuidado com pacientes diagnosticados com hepatites virais.
“O enfermeiro ocupa posição estratégica em todas as etapas do cuidado. Atua na educação em saúde, esclarecendo dúvidas e combatendo a desinformação; participa da vacinação; executa e interpreta testes rápidos; identifica pessoas em situação de maior vulnerabilidade; realiza aconselhamento, encaminha casos para tratamento e acompanha os pacientes durante toda a linha de cuidado”, destaca.
Segundo ela, a formação dos estudantes de Enfermagem também prepara futuros profissionais para atuar em campanhas como o Julho Amarelo, por meio de atividades práticas voltadas à imunização, vigilância epidemiológica, educação em saúde e acolhimento da população.
“Campanhas como o Julho Amarelo representam importantes espaços de aprendizagem, permitindo que os acadêmicos desenvolvam habilidades de comunicação, planejamento e trabalho em equipe, sempre fundamentados em evidências científicas e nas diretrizes do SUS. Dessa forma, formam-se profissionais preparados para atuar não apenas no tratamento, mas principalmente na prevenção e no fortalecimento da saúde coletiva”, conclui.