Rumos da Política
Rumos da Política | Setembro
Publicado
19/09/2026 - 15:21
Por Paulo Roberto Borges
Candidatos na berlinda
O dia D das eleições se aproxima, e o frenesi toma conta dos candidatos de São Mateus às Casas parlamentares. São vários nomes que desejam defender suas pautas que — ao que parece — têm como objetivo maior o desenvolvimento e o bem-estar da população da região.
Alguns são veteranos na disputa, mas continuam repetindo o mesmo discurso e não demonstram consistência em suas bandeiras. Outros, porém, são verdadeiramentedevotos das boas causas. Pelo menos até serem eleitos.

Não podemos esquecer que alguns, mesmo sem qualquer chance real de eleição, têm todo o direito de disputar o pleito. Entretanto, é possível que, supostamente, alguns estejam apenas cumprindo uma função dentro da estratégia partidária para justificar o direito ao recebimento de recursos do fundo eleitoral.
É preciso ressaltar a postura de alguns candidatos que, durante todo o tempo, defendem a necessidade de eleger um deputado “nascido e criado” em São Mateus. Esse discurso, porém, parece valer apenas no período pré-eleitoral. Quando chega a campanha oficial, alguns mudam de posição com a mesma facilidade com que trocam de camisa.
Passam a defender os medalhões da política e aqueles que desfilam pela região apenas em busca de votos. Enquanto isso, os candidatos nativos ficam em desvantagem em uma disputa que exige muito esforço, determinação e coragem para enfrentar a avalanche daqueles que, de certa forma, já chegam com o poder político nas mãos.
Muito se fala que cada povo tem o representante que merece. É uma “sentença” questionável quando levamos em consideração a desproporcionalidade da disputa. Há, ainda, outro agravante: o fato de alguns candidatos locais esquecerem o que diziam anteriormente e se aliarem justamente àqueles que, até pouco tempo atrás, criticavam e
classificavam como “intrusos” no município.

No fim das contas, entre discursos inflamados, alianças de ocasião e promessas de defesa dos interesses da região, cabe ao eleitor separar quem realmente está comprometido com São Mateus daqueles que apenas aparecem por aqui em época de eleição.
Para presidente, senador e governador, essa situação não tem muita sustentação. É natural que os candidatos percorram todo o Estado, até porque não se pode cobrar de quem nunca esteve no poder o mesmo comportamento daqueles que já ocuparam esses cargos.
Diante disso, chega a ser hilário ver alguns vereadores subirem à tribuna para defender determinadas candidaturas, ao mesmo tempo em que menosprezam outras que disputam os mesmos cargos. É dolorido assistir a tantas incongruências e perceber como, muitas vezes, o discurso político muda conforme a conveniência.
Enquanto não houver o voto distrital essas questões e distanciamento do eleitor com o eleito vai persistir.
Só para entender
O que leva um candidato a colocar seu nome em uma disputa eleitoral se, fora do período de campanha, não participa da vida política do município, não se posiciona diante dos principais acontecimentos, não desenvolve uma visão crítica sobre a realidade local, não contribui com ações comunitárias e sequer procura conhecer a história, os problemas e as principais demandas da população?
Esse tipo de candidato pode ser comparado ao que, na política, chamamos de “pastel de vento”: por fora, parece ter conteúdo; por dentro, quase nada.
Mesmo que, por uma dessas ironias da política, consiga se eleger, o risco é tornar-se apenas mais um ocupante de cargo público, sem representatividade efetiva e sem compromisso permanente com a comunidade. Na prática, pode transformar o mandato em um emprego de quatro anos.
Encerrado o mandato, desaparece novamente do cenário político e, quando chega a próxima eleição, retorna com a mesma cantilena, tentando convencer os eleitores — sobretudo os desavisados — de que, desta vez, será diferente.
A política, porém, exige mais do que aparecer de quatro em quatro anos. Exige participação, conhecimento da realidade, compromisso com a comunidade e disposição para ouvir, fiscalizar, propor e defender os interesses da população.
Temos, sim
Fazia tempo que a população de São Mateus não tinha tantos motivos para comemorar o aniversário da cidade.
Foram oito anos marcados por muita pluma, lantejoulas, ilações, irresponsabilidade com a coisa pública, episódios que resultaram em investigações e ações da Polícia Federal, omissões e, em determinados momentos, pela submissão de parte dos “nobres” edis. E por aí vai.
Hoje, depois do chamado furacão “danielesco” e de seus desdobramentos, o cenário mudou completamente. O cidadão percebe que a cidade está melhor cuidada, que a esperança voltou e que existe, finalmente, alguém à frente do município disposto a administrá-lo com zelo, responsabilidade e compromisso com o interesse público.
São Mateus ainda tem muitos desafios pela frente, mas há uma diferença importante: a população voltou a enxergar perspectivas e motivos para acreditar no futuro.
Portanto, o mateense tem, sim, motivos para comemorar os 482 anos de São Mateus.
___________

• Nunca seremos uma grande nação enquanto continuarmos valorizando o supérfluo em detrimento daquilo que é essencial para a prosperidade do País. A República brasileira, em muitos aspectos, ainda parece não ter conseguido avançar na proporção das expectativas criadas ao longo de sua história. Há quem considere que o período monárquico apresentou avanços que a República ainda não conseguiu superar em determinados campos.
• Parceria entre Legislativo e Executivo é necessária para o funcionamento da administração pública, mas não pode ser confundida com submissão, silêncio ou omissão. Cabe ao vereador apoiar o que for de interesse da população, mas também fiscalizar, questionar e cobrar quando necessário.
• Mandato eletivo não deve ser encarado como prêmio pessoal ou emprego temporário. É uma responsabilidade pública concedida pelo eleitor e deve ser exercida com participação, transparência e compromisso com a comunidade.
* São Mateus é uma cidade de sociedade predominantemente conservadora, mas que, no momento do voto, demonstra não se deixar conduzir necessariamente por posições ideológicas.
Por Paulo Roberto Borges
Um fato legítimo, porém, inusitado
O prefeito de São Mateus, Marcus Batista (Podemos), viajou para fora do município e também do país. Em seu lugar, assumiu interinamente a Prefeitura o presidente da Câmara Municipal, Wanderlei Segantini (MDB), uma vez que a vice-prefeita está registrada na Justiça Eleitoral para disputar uma vaga de deputada federal.
Na prática, tudo isso é pura formalidade, até porque a mudança temporária não altera a condução administrativa do município. Às vezes, o vice pode programar alguma ação para marcar sua passagem pelo Executivo, mas, em geral, sem mexer na estrutura ou no planejamento já definido pelo titular da Prefeitura.
Wanderlei Segantini, ocupando provisoriamente a cadeira de prefeito, não fará nenhum milagre. Afinal, o titular, Marcus Batista, já vem fazendo o seu: tirar o município da situação de terra arrasada protagonizada pelo “gestor” anterior.
Com relação à mudança temporária na presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal, pouca coisa deve mudar, exceto pela dinâmica na condução das sessões, dependendo do período em que permanecer a alteração na cadeira de presidente daquela Casa de Leis.
Wan Borges (PSB) tem estilo próprio e poderá conduzir os trabalhos de maneira — talvez — mais opinativa em seus pronunciamentos, como fazem outros presidentes de Legislativos. É esperar para conferir.
Os candidatos de São Mateus
As campanhas começaram. O eleitor, porém, quase não percebeu esse início. Há uma descrença generalizada em relação à política e a muitos de nossos representantes. Essa percepção, aliás, não é exclusividade de São Mateus: ocorre em nível nacional.
No município, temos candidatos a deputado estadual e federal. Alguns são calejados nas disputas eleitorais; outros, estreantes no jogo político da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados. É justamente nessa hora que ressurgem os “entendidos” e até os especialistas em política, fazendo previsões e julgamentos sobre quem tem ou não chances de conquistar a vitória nas urnas.
Para deputado estadual, São Mateus colocou no tabuleiro político os nomes de Rodrigo Cozivip (MDB), Carlinhos Lyrio (Agir), Isamara da Farmácia (União Brasil), Branco da Penal (PL). Herickson (PV) e Manú do Povão (Rede).
Na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados, aparecem Freitas (PSB), Raquel Rocha (União Brasil), Clóvis Araújo (Avante) e Francisco Lera (Psol). Pelo menos esses são os nomes que estão em evidência e são de conhecimento do eleitorado mateense.
Existe, no município, uma corrente de pensamento que defende que os eleitores priorizem candidatos da própria cidade, em detrimento dos de fora. A exceção, evidentemente, ficaria para as disputas ao Senado, ao Governo do Estado e à Presidência da República.
A justificativa dos defensores do chamado “voto nativo” é que os recursos poderiam chegar mais rapidamente e em maior volume por meio das emendas parlamentares. O argumento tem fundamento, mas é preciso observar que um candidato da terra não necessariamente fará o jogo em favor dos interesses locais. A história mostra que alguns acabam atuando em benefício de grupos, grupelhos e camarilhas.
Além disso, nem todos os candidatos se informam ou acompanham de maneira adequada as questões estaduais, nacionais e até locais. Alguns preferem permanecer restritos à chamada “bolha mateense”, como se os acontecimentos que ocorrem fora de sua área imediata de atuação não tivessem importância. E política exige justamente o contrário: conhecimento amplo, visão de conjunto e capacidade de compreender que as decisões tomadas em outras esferas também interferem diretamente na vida do município.
Política não é profissão. Política não deve ser instrumento para servir a interesses particulares, mas, sim, para servir ao cidadão, ao Estado e ao país.
O problema é que, em muitos casos, a política virou “boquinha”, “mamar na teta”, fazer negócios, levar vantagem e, em algumas situações, até praticar atos pouco republicanos para se perpetuar no poder. Há quem minta, se locuplete e faça o jogo de grupos que estão muito distantes dos verdadeiros interesses da população.
Por isso, o eleitor precisa ser criterioso na hora de escolher seus representantes. O voto é uma das poucas ferramentas que o cidadão tem para premiar quem trabalhou pelo bem coletivo e retirar do poder quem não correspondeu às expectativas. Se a urna eletrônica brasileira não tiver “vida própria”, como alguns insinuam de maneira irresponsável, o eleitor tem, sim, a possibilidade de eleger exatamente aquele em quem verdadeiramente votou. A escolha, no fim das contas, continua sendo do cidadão.
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Prole – O boneco inflável pichuleco, representando o Lula por ocasião da sua prisão, agora deu cria. Nasceu o Pichulequinho, que seria o Lulinha inflável.
Descoberta – O vereador Vilmar do Seac (PSD) disse que a população é culpada e deve ser multada caso jogue lixo nas ruas, mesmo depois do trabalho da Prefeitura fazer a coleta do lixo e entulho.
Volta – Parecia que o vereador Raphael Barboza tinha baixado as armas contra a administração. Ledo engano. Na última sessão de agosto, desta segunda-feira (31). Ele voltou com força total. Bateu firma na administração do prefeito Marcus Batista. Pelo jeito o Barboza estava apenas repondo seu arsenal.
Por Paulo Roberto Borges
O antes e o depois
É recorrente. Toda vez que passam as eleições e os resultados começam a revelar, para alguns, escolhas equivocadas dos eleitores de São Mateus, ressurge a velha conversa de que o eleitor mateense só vota “nos de fora” e não prestigia “os de dentro” do município. Nesse momento, muitos dizem que vão fazer de tudo para mudar essa postura, essa realidade. É o discurso que se espalha pelas ruas, avenidas, becos e até pelas sarjetas da cidade.
Mas isso tem nome: hipocrisia.
Para comprovar essa realidade, basta um olhar mais crítico sobre o período eleitoral deste ano. O discurso continua o mesmo. Porém, aqueles que falam nem sempre fazem. E, antes mesmo de a campanha começar, muitos já “elegeram” seus preferidos — justamente aqueles que estão fora da política municipal.
A eleição para o Senado e para o Governo do Estado é outra discussão. Refiro-me, especificamente, às disputas para deputado estadual e deputado federal.
Lembro que, tempos atrás, ouvi de integrantes da atual composição da Câmara Municipal a defesa de que o Legislativo mateense deveria ter um representante nas eleições para o Parlamento Estadual, principalmente. O tempo passa, porém, e as escolhas e opiniões parecem mudar.
Agora, muitos votam em candidaturas de fora e não demonstram o mesmo entusiasmo pelos próprios pares que decidiram disputar a eleição. É o caso dos vereadores Branco da Penal (PP) e Isamara da Farmácia (União Brasil). Até aqui, não ouvi manifestações significativas de apoio às candidaturas dos dois. Ao contrário: ouvi colegas de Parlamento enaltecendo candidaturas de fora, apresentadas como capazes de atender às demandas do município.
Convenhamos: há aí uma certa covardia política. Afinal, quem já possui mandato ou ocupa espaços de poder no Governo tem instrumentos para “abastecer” seus aliados e atender demandas em seus redutos eleitorais. Isso cria uma relação de força que dificilmente pode ser ignorada.
É importante fazer uma distinção. Os candidatos locais que atualmente exercem mandato de vereador podem destinar suas emendas impositivas para atender demandas do próprio município. E essas emendas chegam diretamente à população local, independentemente de interesses eleitorais maiores ou de conveniências de ocasião.
Portanto, cai por terra, ao menos em parte, a narrativa de que é preciso votar “nos candidatos de dentro de casa”, em vez daqueles que só aparecem no município para bater à porta, principalmente em período eleitoral.
E o mais curioso é que alguns desses candidatos de fora ainda contam com o
apoio do próprio “dono da casa”.
Então, não há como fugir da palavra: hipocrisia.
São Mateus tem seus candidatos. E tem, principalmente, candidatos que são filhos da terra: nasceram, cresceram, construíram suas histórias e continuam vivendo no município. Parece, entretanto, que isso, por si só, ainda não é
suficiente para conquistar o voto e o apoio de parte daqueles que, em outros momentos, defendem justamente a valorização dos nomes locais.
Também é verdade que os candidatos da terra precisam se qualificar cada vez mais. Precisam chegar ao eleitor apresentando projetos, bandeiras, propósitos e, acima de tudo, compromisso verdadeiro com a população e com o
desenvolvimento do município.
Mas sabemos que a política real nem sempre funciona assim.
Os grupelhos e as camarilhas continuam contando com o apoio daqueles que, em alto e bom som, proclamam: “Eu amo São Mateus!”
Só que, na hora de votar, muitos acabam escolhendo quem parece amar São Mateus apenas por conveniência — e, muitas vezes, durante os breves 45 dias de uma campanha eleitoral.
Depois, passada a eleição, o discurso volta a ser o de sempre: é preciso valorizar os candidatos da terra.
Até a próxima eleição, é claro.
As doações e os nomes dos contemplados
Existe um dossiê — chamado, pelos mais puritanos, de “levantamento” — que reúne informações sobre doações e supostas “vendas” de áreas públicas pertencentes ao município de São Mateus. Pelo que se ouve aos quatro cantos, o documento pode trazer nomes de gente graúda, políticos e até de pessoas próximas ao ex-rei que comandou o município durante oito anos.
Se as denúncias forem confirmadas e ficar comprovada a existência de irregularidades, não basta apenas fazer barulho. É preciso responsabilizar quem tiver cometido ilícitos, buscar a retomada das áreas públicas e, se a Justiça assim determinar, aplicar as penas cabíveis aos envolvidos.
Mas existe uma pergunta que não quer calar: quem são os contemplados?
A população tem o direito de saber os nomes de todos os beneficiários, sem exceção, independentemente de sobrenome, influência política, amizade ou proximidade com quem quer que seja. Transparência não pode ter endereço, partido ou sobrenome.
Se o dossiê realmente existe e reúne documentos capazes de comprovar o que está sendo comentado, que venha a público. Que sejam apresentados os fatos, os documentos e os nomes.
Afinal, São Mateus já viu muita coisa acontecer nos bastidores. Agora, talvez seja hora de abrir as cortinas.
E, se ainda houver quem acredite que Papai Noel existe, talvez também acredite que todas essas áreas públicas tenham simplesmente desaparecido por obra do acaso.
Zig Zag Político
Enigmático – O vereador da oposição solitária, Raphael Barboza (PDT), adotou uma postura diferente na sessão da Câmara Municipal de São Mateus, na última segunda-feira (10). Esteve mais contido. Baixou sua metralhadora
giratória. Não se sabe se é para render as evidências ou se é apenas para recarregá-la.
Ressuscitação – Já se fala na volta do grupo SOS São Mateus, que atuou no período da nefasta administração do ex-prefeito Daniel Santana, vulgo Da Açaí.
Absurdo – A ditadura da Toga no Brasil é uma realidade. Pelo menos se formos analisar a perseguição de um ministro da Suprema Corte contra um jornalista e sua fonte, pelo simples fato de ter denunciado uma suposta ação
ilegal no uso de um carro oficial do ministro Dino que o colocou à disposição de familiares no Maranhão.
Fato – Quando não existe liberdade de imprensa, não existe democracia. Aqui, ali, acolá.
Economia em frangalhos – A incompetência do governo Lula está implementando a receita que bem conhece: destruição da economia brasileira. O rombo é gigantesco.
Moda – As escolhas de vereador para compor como vice em chapa majoritária virou realidade. Ricardo Ferraço (MDB) escolheu o vereador de Vitória Camillo Neves (PP) e Helder Salomão (PT) a vereadora de São Mateus, Professora Valdirene (PT).
Será? – Analistas políticos mateense estão vendo em seus sonhos que o ex-prefeito Daniel Santana (PP), tem amplas possibilidades de ser o mais votado para ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa. A consumação somente quando a realidade das urnas disser.
Escândalo – O Espírito Santo tem o seu Banco Master para chamar de seu. Trata-se da Apex Empresarial. Tem gente graúda envolvida e muitos investidores lesados.
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