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Medicina e Saúde

Vitória alcança 100% de abastecimento de medicamentos na rede municipal de saúde

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Vitória atingiu um marco histórico nesta quarta-feira (8) ao registrar 100% de abastecimento de medicamentos na rede municipal de saúde. Este resultado significa que, atualmente, todos os medicamentos que compõem a Relação Municipal de Medicamentos Essenciais (REMUME) estão disponíveis para dispensação nas farmácias da rede municipal, conforme indicação clínica e apresentação de receita.

Esse avanço consolida o histórico positivo da capital capixaba, que nos últimos dois anos manteve o índice de abastecimento acima de 99%, uma marca muito superior aos 93% estabelecidos no Plano Municipal de Saúde.

“Essa é uma conquista para toda a cidade de Vitória. Para nós, da Secretaria de Saúde, esse índice reflete a organização, a dedicação e o planejamento estratégico que desempenhamos diariamente e mostra que estamos no caminho certo para garantir o que mais queremos dar para a população de Vitória: uma assistência cada vez mais qualificada, humanizada e resolutiva”, afirmou a secretária de Saúde de Vitória, Magda Lamborghini.

Dados dos atendimentos

O alcance desse resultado se reflete no volume crescente de atendimentos realizados nos últimos anos. Entre janeiro de 2023 e junho de 2026, a rede municipal registrou a seguinte evolução na entrega de medicamentos:

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2023 – 1.208.704 receitas atendidas; 2.552.062 medicamentos dispensados
2024 – 1.319.715 receitas atendidas; 2.944.015 medicamentos dispensados
2025 – 1.360.514 receitas atendidas; 3.034.509 medicamentos dispensados
2026 (janeiro a junho) – 581.302 receitas atendidas; 1.266.413 medicamentos dispensados

No acumulado desses três anos, a rede de saúde de Vitória alcançou a marca de mais de 4,4 milhões de receitas validadas e superou 9,7 milhões de medicamentos entregues diretamente aos moradores.

Transparência e acesso à informação

As informações sobre a disponibilidade dos medicamentos podem ser consultadas pelo cidadão no Painel de Medicamentos da Prefeitura de Vitória, que completa três anos de funcionamento na próxima terça-feira (14).

A ferramenta permite acompanhar o estoque atual dos medicamentos nas 29 Unidades Básicas de Saúde (UBS), possibilitando ao usuário verificar em qual unidade o medicamento está disponível antes mesmo de sair de casa.

“O Painel de Medicamentos amplia a transparência da gestão pública ao disponibilizar informações atualizadas sobre os estoques na rede municipal. Além de facilitar o acesso da população aos medicamentos, fortalece o controle social, permitindo que o cidadão acompanhe os indicadores da assistência farmacêutica e compreenda como ocorre a gestão do abastecimento no Município. Assim, o Painel tornou-se uma importante ferramenta de transparência e participação social”, destaca a gerente de Assistência Farmacêutica, Sheila Zambon.

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Pioneirismo

Implantado em 2023, o Painel de Medicamentos colocou Vitória entre os municípios pioneiros do país na divulgação pública dos estoques de medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), antecipando em oito meses o cumprimento da Lei Federal nº 14.654/2023.

A iniciativa recebeu o Prêmio Boas Práticas Senador Gerson Camata, concedido pela Associação dos Municípios do Espírito Santo (AMUNES), além de reconhecimento no 1º e 3º Congresso Capixaba de Assistência Farmacêutica. Desde então, tem se consolidado como referência para os municípios interessados em conhecer o modelo desenvolvido pela Prefeitura de Vitória.

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Medicina e Saúde

De uma taça de vinho à dependência: o avanço silencioso do alcoolismo entre mulheres

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Durante muito tempo, a dependência de álcool foi vista como um problema predominantemente masculino. Mas os dados mais recentes mostram uma realidade diferente: cada vez mais mulheres estão consumindo álcool de forma abusiva, e muitas delas estão sofrendo em silêncio.

Carla por exemplo, sempre fez uso recreativo da bebida, mas nunca tinha tido um histórico de abuso, salvo em alguns momentos de exagero quando estava com os amigos em determinados eventos. Em boa parte da vida mantinha um certo controle do álcool, pois sempre se gabou de ter pouca ressaca. Era o perfil da pessoa que passava a tarde bebendo e terminava o dia acreditando estar perfeitamente bem.

Essa forma de lidar com o álcool também lembrava a de seu pai, que teve muitos problemas com a bebida. O uso do álcool até então se mantinha sob controle até que Carla recebeu uma promoção e a exigência no trabalho aumentou exponencialmente. Fora a pressão extra no trabalho, o ritmo da casa, o cuidado com filhos pequenos, continuava pesado, refletindo também no seu relacionamento com o marido.

O casamento começou a se deteriorar e após uma separação difícil, o vinho passou a ser uma forma de aliviar a dor emocional no fim do dia. O fato é que a pressão e a exaustão aumentaram demais. Com os meses, aquela taça de vinho se tornou meia garrafa durante a semana, e nos finais de semana diversas garrafas. Estava aí o hábito e a dependência instalada. Homens e mulheres podem utilizar o álcool para aliviar sofrimento emocional, ansiedade ou sintomas depressivos.

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No entanto, entre muitas mulheres, observa-se frequentemente a associação entre álcool, exaustão crônica e sobrecarga de papéis sociais. Forma-se o ciclo: estresse, álcool, alívio temporário e humor deprimido no dia seguinte.

Muitas mulheres desenvolvem um padrão conhecido popularmente como alcoolismo funcional, pois elas continuam trabalhando, cuidando dos filhos, presentes nos eventos sociais e dando conta da vida. Isso faz com que ninguém perceba, inclusive ela própria. E muitas vezes ela mesma demora anos para reconhecer que perdeu a liberdade diante da bebida.

A notícia boa é que segundo o estudo divulgado em 2025 pelo MJSP/Unifesp, a proporção de brasileiros que bebem caiu de 47,7% em 2012 para 42,5% em 2023, mas o consumo entre mulheres subiu de 31,2% para 47% no mesmo período. Embora menos brasileiros estejam bebendo, entre aqueles que consomem álcool os padrões de uso continuam preocupantes. Esse índice aproxima-se dos observados entre os homens.

Na prática, isso significa que milhões de mulheres passaram a consumir álcool em quantidades associadas a riscos importantes para a saúde física e mental. A dependência de álcool tende a impor às mulheres um peso ainda mais severo porque o organismo feminino metaboliza o álcool de forma menos eficiente do que o organismo masculino, fazendo com que os efeitos sejam mais intensos, o que acelera os prejuízos à saúde.

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O resultado pode ser visto no aumento do risco de doenças hepáticas, cardiovasculares, diversos tipos de câncer, transtornos psíquicos, complicações reprodutivas e outras doenças. Fora o impacto na família e na vida profissional. Há ainda um componente social decisivo: o estigma costuma retardar a busca por ajuda, prolongando o sofrimento e tornando o tratamento mais difícil.

Carla tomou consciência do seu problema e buscou ajuda especializada. Conseguiu mudar seu estilo de vida, está adorando seu novo trabalho e seus filhos cresceram. A vida está mais organizada, mas teve que se afastar completamente do uso do álcool, mesmo recreativo.

Ela continua frequentando as reuniões do Alcoólicos Anônimos e na semana passada recebeu a sua ficha comemorativa de dois anos sem beber.

Hoje ela sabe que a recuperação é um processo contínuo, mas também descobriu algo que julgava ter perdido: a liberdade de viver com a mente clara, fazer escolhas conscientes e não precisar mais do álcool para suportar os dias difíceis.

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Julho Amarelo: hepatites virais exigem atenção mesmo quando não apresentam sintomas

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Campanha reforça a importância da testagem, da vacinação e do diagnóstico precoce para prevenir complicações graves e interromper a transmissão da doença

As hepatites virais atingem milhares de brasileiros todos os anos e, na maioria dos casos, evoluem de forma silenciosa. Justamente por não apresentarem sintomas nas fases iniciais, essas infecções podem permanecer sem diagnóstico por anos, favorecendo a transmissão e aumentando o risco de complicações como cirrose e câncer de fígado.

De acordo com o último boletim epidemiológico de hepatites virais do Ministério da Saúde, de julho de 2025, o Brasil registrou cerca de 35 mil casos de hepatites por ano, entre 2000 e 2024.

Por isso e para conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, o mês de julho é marcado pela campanha Julho Amarelo, que busca ampliar o acesso à informação, incentivar a realização de testes rápidos e fortalecer ações de vacinação e educação em saúde.

Segundo a professora do curso de Enfermagem da Estácio e especialista em Saúde Preventiva, Lorena Devens, as hepatites virais ainda representam um importante desafio para a saúde pública no Brasil.

“A testagem e o diagnóstico precoce das hepatites virais ainda representam um importante desafio para a saúde pública no Brasil. Muitas pessoas convivem com a infecção durante anos sem saber, favorecendo a transmissão e aumentando o risco de complicações graves, como cirrose e câncer de fígado”, explica.

Ela destaca que a campanha também está alinhada à meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.

Doenças silenciosas

Ainda segundo o Ministério da Saúde, as hepatites são inflamações que acometem o fígado e podem ser causadas por diferentes vírus, classificados em A, B, C, D e E. No Brasil, os tipos A, B e C são os mais frequentes.

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A hepatite A é transmitida principalmente pela ingestão de água e alimentos contaminados, enquanto as hepatites B e C estão relacionadas ao contato com sangue contaminado e, no caso da hepatite B, também à transmissão sexual e de mãe para filho.

De acordo com Lorena Devens, o fato de muitas dessas infecções não apresentarem sintomas nos estágios iniciais faz com que o diagnóstico precoce seja um dos principais aliados no combate à doença.

“São chamadas de doenças silenciosas porque, na maioria das vezes, especialmente nos casos das hepatites B e C, não provocam sintomas nas fases iniciais. A pessoa pode permanecer infectada por muitos anos sem apresentar qualquer sinal clínico. Quando os sintomas surgem, frequentemente já existe um comprometimento significativo do fígado”, afirma.

Entre as possíveis consequências do diagnóstico tardio estão fibrose hepática, cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado.

Testagem e vacinação salvam vidas

A professora ressalta que a recomendação é que toda pessoa realize a testagem para hepatites B e C pelo menos uma vez na vida, principalmente quem possui fatores de risco, como profissionais de saúde, gestantes, pessoas com múltiplos parceiros sexuais ou histórico de compartilhamento de objetos perfurocortantes.

Os testes rápidos são gratuitos e podem ser realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do Sistema Único de Saúde (SUS). Além da testagem, a vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção.
 

Os testes rápidos são gratuitos e podem ser realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do Sistema Único de Saúde (SUS). Foto: Reprodução/Magnific

“Atualmente, existem vacinas seguras e altamente eficazes contra as hepatites A e B, disponibilizadas gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde conforme o calendário nacional e grupos prioritários. Além de prevenir a hepatite B, a vacinação também protege indiretamente contra a hepatite D, já que esse vírus depende da infecção pelo vírus B para se desenvolver”, explica.

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Para a hepatite C, que ainda não possui vacina, a prevenção depende de medidas como o uso de preservativos, a utilização de materiais esterilizados em procedimentos invasivos e o não compartilhamento de seringas, lâminas, alicates de unha e outros objetos perfurocortantes.

Papel da enfermagem

Na avaliação da professora, os profissionais de enfermagem desempenham papel fundamental em todas as etapas da prevenção e do cuidado com pacientes diagnosticados com hepatites virais.

“O enfermeiro ocupa posição estratégica em todas as etapas do cuidado. Atua na educação em saúde, esclarecendo dúvidas e combatendo a desinformação; participa da vacinação; executa e interpreta testes rápidos; identifica pessoas em situação de maior vulnerabilidade; realiza aconselhamento, encaminha casos para tratamento e acompanha os pacientes durante toda a linha de cuidado”, destaca.

Segundo ela, a formação dos estudantes de Enfermagem também prepara futuros profissionais para atuar em campanhas como o Julho Amarelo, por meio de atividades práticas voltadas à imunização, vigilância epidemiológica, educação em saúde e acolhimento da população.

“Campanhas como o Julho Amarelo representam importantes espaços de aprendizagem, permitindo que os acadêmicos desenvolvam habilidades de comunicação, planejamento e trabalho em equipe, sempre fundamentados em evidências científicas e nas diretrizes do SUS. Dessa forma, formam-se profissionais preparados para atuar não apenas no tratamento, mas principalmente na prevenção e no fortalecimento da saúde coletiva”, conclui.

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