Biologos alertam sobre atropelamento de fauna. Caso registrado em Domingos Martins acende alerta para os riscos enfrentados pela fauna silvestre na região turística
Um sagui-da-serra-claro, da espécie Callithrix flaviceps, foi encontrado morto após ser atropelado na ES-164, no trecho que atravessa São Paulino do Aracê, distrito de Domingos Martins, na região turística de Pedra Azul. O caso foi registrado no dia 22 de junho de 2026.

A espécie é considerada Criticamente Ameaçada (CR) de extinção pela lista oficial da fauna brasileira e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Endêmico da Mata Atlântica, o sagui-da-serra-claro é um dos menores primatas do Brasil e tem distribuição restrita a áreas de floresta montana acima dos 800 metros de altitude.
O registro foi feito pelo biólogo Gabriel Falquetto, que transitava pela rodovia no início da manhã. A identificação do animal foi confirmada pelo pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Rafael Davel, que atua em um estudo sobre primatas na Reserva Kaetés com o apoio do Instituto Marcos Daniel (IMD).
A perda de habitat, a fragmentação florestal e os atropelamentos em rodovias estão entre as principais ameaças à sobrevivência da espécie, cuja população vem declinando nas últimas décadas.
“É um sentimento muito triste. Trata-se de uma espécie rara, cuja presença na mata sempre nos traz grande satisfação. Ver um sagui-da-serra-claro atropelado reforça a preocupação com as ameaças que esses animais enfrentam, especialmente a perda de habitat e os impactos causados pelas rodovias. Cada indivíduo perdido representa um prejuízo significativo para a manutenção das populações da espécie na natureza”, declarou Gabriel Falquetto, biólogo que registrou o ocorrido.
Para o Dr. Victor Vale, especialista em zoologia e supervisor do Programa de Conservação da Saíra-apunhalada, do Instituto Marcos Daniel, o caso reforça a necessidade de medidas de proteção à fauna.
“Este registro é um alerta urgente. A ES-164 corta uma região de grande importância ecológica, que abriga remanescentes de Mata Atlântica e espécies ameaçadas como o sagui-da-serra-claro e a saíra-apunhalada. Precisamos de medidas efetivas de mitigação, como a instalação de redutores de velocidade, passagens de fauna e campanhas educativas para motoristas. A fauna não pode continuar pagando o preço pela falta de planejamento viário”, afirmou.
O atropelamento de fauna silvestre é uma das principais causas diretas de mortalidade de vertebrados no Brasil, com estimativas que apontam para milhões de animais atropelados por ano nas rodovias do país. Em regiões turísticas como Pedra Azul, o fluxo de veículos se intensifica nos finais de semana e feriados, aumentando ainda mais o risco para a fauna local.
O Instituto Marcos Daniel e a Reserva Kaetés reforçam o apelo para que motoristas que trafegam pela ES-164 e demais rodovias da região redobrem a atenção, respeitem os limites de velocidade e fiquem atentos à sinalização de fauna. Pequenas atitudes podem salvar vidas e contribuir para a conservação da rica biodiversidade da Mata Atlântica capixaba.